quinta-feira, 5 de março de 2009

That 70's Show

Sei que não param de falar de Milk- A Voz da Igualdade, o novo filme de Gus Van Sant, portanto não vou me demorar em analisá-lo. Quem viu já sabe que é um retrato tocante de um personagem ímpar, um homem que viveu pouco, mas que fez muito por uma causa ainda sem grandes defensores. E que, infelizmente, caminha a passos de tartaruga.

Mas, como o assunto aqui é música, estou falando de Milk por um aspecto que talvez não chame a atenção de muita gente: a recriação dos míticos anos 70.

Eu era criança quando Harvey Milk iniciou sua luta, mas essa década se gravou na minha alma de maneira indelével. Talvez porque tenha sido na infância que surgiram as primeiras paixões musicais.

A trilha sonora lá de casa era Roberto Carlos (e isso, naquela época, ainda significava boa música), mas rolava também muito Elton John, trilha sonora de novela e um boa dose da genuína música brega made in the 70's.

Quando eu comecei a forjar meu gosto musical, essa foi a década a qual eu quis voltar com mais ansiedade. E cada faceta que eu ia descobrindo me deixava mais maravilhado.

Não existem anos mais ricos, do ponto de vista da música pop e do rock. Obviamente que os anos 60, com seu ideário de liberdade e romantismo psicodélico, são incríveis, mas foi a década seguinte que efetivamente expandiu todas as possibilidades abertas na louca década dos Beatles e dos Stones.

Se formos pensar bem, os anos 70 foram excepcionais, inclusive, para nossa MPB. Enquanto a porrada comia solta nas prisões da ditadura militar, Caetano, Gil, Chico, Tim Maia e Jorge Ben soltaram seus discos mais inovadores e marcantes.

Nos Estados Unidos, foi a década do soul politizado de Marvin Gaye, Curtis Mayfield e Stevie Wonder; do surgimento dos cantores-autores como Carole King, James Taylor e Jackson Browne; do aparecimento da disco e do punk em Nova Iorque; e do brilho criativo de Neil Young, que lançou 4 obras-primas só entre 70 e 75.

Da Inglaterra, vieram movimentos igualmente marcantes como o glam rock de T-Rex, Mott, The Hoople e David Bowie; o heavy metal do Black Sabbath e do Deep Purple; o rock progressivo do Yes e do Pink Floyd. Isso sem falar no som mastodôntico do Led Zeppelin, possivelmente a banda definitiva de rock.

Fora do eixo USA-UK, despontaram grandes novidades, especialmente o KRAUT Rock alemão - do Kraftwerk e Can-, o reggae na Jamaica e a descoberta dos ricos ritmos latinos e africanos.

Para quem quer se iniciar nesses anos mágicos, segue uma listinha com os discos mais influentes e marcantes do período:
Dark Side Of The Moon - Pink Floyd (1973)
Led Zeppelin IV - Led Zeppelin (1971)
After The Gold Rush - Neil Young (1970)
Hunky Dory - David Bowie (1971)
Ramones - The Ramones (1977)
London Calling - The Clash (1979)
Horses - Patti Smith (1975)
Exodus - Bob Marley (1977)
Trans-Europe Express - Kraftwerk (1977)
What's Going On - Marvin Gaye (1971)
Marquee Moon - Television (1977)
Unknown Pleasures - Joy Division (1979)
Paranoid - Black Sabbath (1970)
For Your Pleasure - Roxy Music (1971)

3 comentários:

gal disse...

e eu baixei a trilha pensando em ti. acredita? e eu nem tinha lido o post ainda...

Luis Valcácio disse...

e é legal a trilha? toca tão pouca coisa no filme...
saudade de vcs.

Marília disse...

Saudade, saudade!!!