quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Na Tribo dos Maníacos

Saudade é um sentimento estranho. Vem de repente, sem dar aviso. Dia desses, me peguei saudoso de uma banda americana surgida lá nos anos 80. Chamava-se 10,000 Maniacs e tinha uma vocalista doce, inteligente e sensível. Essa moça, que atende pela graça de Natalie Merchant, continua na ativa, mas lança discos com um espaço de tempo cada vez maior.

Os Maniacs surgiram no início da década de 1980 e, ao lado de bandas como R.E.M., Hüsker Du e The Replacements, protagonizaram o movimento que viria a ficar conhecido como college rock. O nome do movimento fazia referência a bandas que muitas vezes nasciam em campus universitários e que eram divulgadas por fanzines e rádios comandadas por estudantes.

No final da década, o R.E.M. se tornou mundialmente conhecido, assinou contrato com uma grande gravadora e escancarou as portas do mercado para nomes como Nirvana e Pearl Jam. Mas isso já é outra história...

O 10,000 Maniacs nunca atingiu o mega-estrelato, mas marcou os corações das poucas pessoas que o conheceram.

Para mim, eles gravaram 3 discos excelentes: In My Tribe (1987), Blind Man’s Zoo (1989) e Our Time In Eden (1992), sendo que este último chega perto da perfeição. A bela voz de Merchant conduz o ouvinte por canções que podem ser lidas como microcontos. Tudo com o elegante instrumental que atualizava a folk music americana, com toques de reggae, pop e música clássica.

Não consigo pensar em nenhum grupo depois deles que soe tão honesto e verdadeiro. É por isso que, vez ou outra, vem aquela saudade boba.

É aí que somente a voz inesquecível de Natalie, cantando Don’t Talk ou Jezebel, pode me trazer algum consolo...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Recomendo

Por Lázaro Luis Lucas

Em tempos de Leila Lopes, vale a pena conhecer JCVD, uma produção franco-belga produzida e estrelada pelo ator Jean-Claude Van Damme. Há um monólogo durante o filme - é quase um pedido de desculpas do astro aos seus fãs espalhados por todo o mundo - que, mesmo despropositado, irá emocionar todos aqueles que seguiram a carreira cinematográfica deste lutador.

Uma dica: se você aprecia áudio original com legendas, selecione o áudio em francês (2.0 ou 5.1), já que o dvd lançado no Brasil vem com as opções de dublagens em inglês e português. No original, são muito poucos os diálogos em inglês (preservados no áudio em francês).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vitrola Natalina

Quanto mais velho fico, mais me parecem despropositadas datas como dia das crianças, dos pais e, sobretudo, o Natal.

Talvez por não possuir nenhuma crença religiosa, o que vejo na data é apenas uma histeria generalizada que faz as pessoas correr para shoppings abarrotados, enfrentar preços altos, filas e estacionamentos lotados. Definitivamente, estou fora!

Além do mais, o que percebo nas pessoas, de uma maneira geral, é que o tal espírito natalino se diluiu a ponto de ter perdido todo seu sentido original. Até mesmo aquelas insuportáveis canções que enchiam o saco todo final de ano se tornaram cada vez mais raras. Melhor assim. Afinal, ninguém podia mais aguentar John Lennon desejando paz e amor para toda a humanidade em Happy Xmas (War Is Over), repetida infalivelmente nas tevês nacionais, com tradução simultânea e tudo.

Muito pior que isso, foi nossa chatérrima Simone e seu inacreditável disco de natal. A cantora, com seu indefectível sotaque soteropolitano, assassinou não só o clássico do Lennon (que ganhou uma letra em português para lá de ridícula), como perpetrou outros crimes contra o bom velhinho e sua gang de duendes e renas. Um atentado contra a imaginação e o sonho de milhares de crianças Brasil afora, sem dúvida.

Agora, para quem gosta de canções natalinas e não abre mão da qualidade musical, vale à pena ir atrás do histórico disco de 1963, A Christmas Gift For You, produzido por Phil Spector, um dos maiores e mais criativos produtores musicais de todos os tempos. Clássicos temas de final de ano com os luxuosos arranjos tramados por Spector e belissimamente interpretados por gente como Darlene Love, The Ronettes e The Crystals.

É diversão garantida mesmo para quem não dá a mínima para o 25 de dezembro.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Camisinha de Música

Como o dia 1º de dezembro é o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS (ou SIDA, como seria mais apropriado dizer em português), relembro aqui no Vitrola o primeiro disco da Organização Red Hot, que se utiliza da música para conscientizar as pessoas da importância do sexo seguro como medida fundamental de proteção contra o vírus HIV.

Lançado em 1990, quando a AIDS ainda era vista como um problema exclusivo da população homossexual masculina e dos usuários de drogas injetáveis, o álbum duplo reuniu a nata da música pop de então, em covers exclusivos das canções do compositor norte-americano Cole Porter.

Homossexual numa época em que ninguém ousava assumir-se, Porter escreveu algumas das mais importantes canções do cancioneiro ocidental, tendo sido regravado por incontáveis artistas no mundo inteiro.

Havia, portanto, material de qualidade em abundância para ser escolhido pelos artistas do projeto. Alguns subverteram completamente a musicalidade original das canções de Porter, adaptando-a ao seu próprio estilo.

Caso de Neneh Cherry, que abre o disco com uma versão irreconhecível de I’ve Got You Under My Skin, dançante e contemporânea. Na mesma linha, Iggy Pop e Deborah Harry fazem de Well, Did You Evah, um rock perfeito para suas vozes.

David Byrne, mergulhado em ritmos latinos, faz um som meio Olodum em Don’t Fence Me In, para mim uma das melhores do disco.

Mais tradicionalista, Sinéad O’Connor posa de diva em You Do Something To Me, enquanto Annie Lennox, sóbria e elegante, emociona com sua lindíssima interpretação de Every Time We Say Goodbye.

Em resumo: se o disco ajudou ou não a conscientizar o povo, é um mistério, mas, como introdução ao rico universo de um dos maiores compositores de todos os tempos, é imperdível!

Aids


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Animação e a Diversidade Sexual

Por Lázaro Luis Lucas


Enquanto a telenovela brasileira e todos os demais programas produzidos neste país ainda insistem em tratar da diversidade sexual da maneira mais lamentável possível - seria melhor que ignorasse solenemente a questão -, a produção em animação, seja para a TV ou cinema, realizada em todo mundo livre, vem surpreendendo cada vez mais.

Produções como Barry e a Banda das Minhocas (Dinamarca, 2008), concebidas para entreter o público infanto-juvenil, adolescente e adulto, vêm fazendo um excelente trabalho de inclusão de personagens homossexuais nas tramas. Até mesmo os vilões homossexuais estão repletos de carisma.Se houver alguma dúvida, é só acompanhar algum episódio das primeiras temporadas de As Meninas Super-Poderosas.

Outras séries produzidas para a TV que também apresentam tramas sobre a diversidade sexual ou personagens fixos de orientação homossexual são Du, Dudu e Edu, Coragem - O Cão Covarde e Os Padrinhos Mágicos. Ficando apenas naqueles que mais me impressionaram.

No caso de Coragem - O Cão Covarde, por exemplo, um episódio inteiro tratava do amor entre duas felinas, impossibilitado por um gângster que mantinha uma delas cativa, usando uma máscara sem qualquer personalidade. Com a ajuda do assustado cãozinho, ambas conseguem fugir do vilão e ao término acompanhamos a partida delas em um trem rumo à felicidade pretendida. Por fim, a câmera ainda foca a máscara destruída no chão. Uma ousadia para os nossos padrões e um belo exemplo de respeito às diferenças.

Por fim, não se pode deixar de falar nos longas-metragens e na série de TV Lilo e Stitch. Na minha opinião, a franquia mais gay friendly de que se tem notícias. Simplesmente, deliciosa.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Insustentável Peso do Som

Acho impressionante que uma banda de mais de três décadas de atividade, que já perdeu seu carismático vocalista original e sempre foi acusada de repetir o mesmo som disco após disco, continue atraindo multidão a seus shows e, mais surpreendente ainda, continue vendendo muitos discos numa época em que ninguém mais se dá ao trabalho de comprá-los.

É o caso da banda australiana AC/DC, que se apresenta hoje, na cidade de São Paulo , num show que teve ingressos esgotados à velocidade da luz.

O que há de tão especial na banda de Angus Young e Brian Johnson? A princípio, nada. Mas, numa análise mais cuidadosa, há tudo.

O AC/DC é um caso raríssimo de uma instituição roqueira. Eles, há muito, transcenderam o simples rótulo de banda de hard rock e se inseriram no imaginário da história do rock, como somente as grandes bandas conseguem. Do grupo de garagem que tinha um guitarrista excêntrico, eles acabaram se tornando um mito, um símbolo de molecagem e fé no ideário rock’n’roll.

Encontro paralelo somente nos Ramones, com a diferença de que o grupo nova-iorquino nunca atingiu os números impressionantes alcançados pelo AC/DC.

Contra o grupo há o batido argumento de que são repetitivos e acomodados. Bobagem. Ainda que não tenham gravado nada de realmente relevante desde Back In Black, disco de 1980, o AC/DC segue perfurando tímpanos e encantando garotos bitolados e coroas beberrões. Para estes, a trilha sonora ideal ainda é um bom duelo de guitarra entre os irmãos Young.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Última Flor

Há muito se discute sobre as reais qualidades literárias de uma boa letra de música. É poesia ou não? A coisa se complica muito quando música e texto de altíssima qualidade andam de mãos dadas. É o caso de grande parte da música brasileira.

Uma recente enquete da edição nacional da revista Rolling Stone revelou que Construção, música e letra de Chico Buarque, é a melhor canção brasileira de todos os tempos.

Se formos analisar os versos de Buarque, fica muito claro que a eleição de sua obra-prima, de 1971, deve muito à rica construção gramatical, cheia de versos terminados em palavras proparoxítonas, e suas metáforas asfixiantes da dura realidade do Brasil dos anos de chumbo.

É lógico que o incrível arranjo, que evolui de um simples samba para um épico cinematográfico em brilhante tecnicolor, torna a canção ainda mais impressionante, mas quando pensamos em Construção nos vem imediatamente à cabeça A Letra.

Para mim, não há mistério. Não consigo ver muita distinção entre Carlos Drummond de Andrade e a melhor produção de Caetano Veloso ou entre a depuração lingüística de João Cabral e o intricado universo de Chico Buarque.

Algumas letras de Antonio Carlos Jobim me emocionam tanto quanto os versos tristes alegres de Manuel Bandeira.

As palavras de Renato Russo tiveram um impacto tão grande em minha psique quanto os versos românticos de Álvares de Azevedo e Castro Alves.

Penso que, num país de analfabetos e alfabetizados que não lêem como é o Brasil, a música cumpre um papel fundamental de disseminação de ideias, cristalização de expressões e falares regionais e - mais importante - de perpetuação da musicalidade e beleza inerentes a nossa amada, inculta e bela Língua Portuguesa.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A Prova dos Três

The Killers, The Strokes, Kaiser Chiefs e Arctic Monkeys. Todas, bandas jovens. Todas, já em seu terceiro disco. E a pergunta que não quer calar é a seguinte: o que ficou do brilho e do talento demonstrado no primeiro disco?
As respostas variam de uma para outra banda, mas é inegável que nenhuma delas repetiu os resultados empolgantes do primeiro trabalho.O The Killers, que esteve este final de semana se apresentando em São Paulo , lançou em 2004 o cd Hot Fuss, um dos melhores daquele ano, campeão de vendas e verdadeira fábrica de sucessos.
As expectativas em relação ao segundo eram, naturalmente, muito grandes. Sam’s Town, de 2006, não decepcionou quanto aos singles de sucesso. Estão lá belas canções como When You Are Young, Bones e Read My Mind, mas falta a unidade do disco anterior.
Ainda assim, eu me mantive com fé em Brandon Flowers e seus companheiros. Fé que se despedaçou em Day And Age, um trabalho anêmico que apenas chafurda nos bons sons dos anos 80. Para mim, não se salva nada.Já o Kaiser Chiefs surgiu como um verdadeiro furacão no cenário estagnado do rock inglês e lançou, em 2005, o ótimo Employment.
Puxado pelo grito de guerra chamado I Predict A Riot, o disco reeditou os melhores momentos do britpop, ao mesmo tempo em que citava influências de Beatles, Kinks e The Jam.
A mágica durou pouco. Os discos seguintes dos Chefes são imitações apagadas do esplendor de sua estréia.
No caso do The Strokes, o grupo novaiorquino parece nunca ter conseguido fazer jus a seu auspicioso début. Is This It causou furor entre críticos, modernos e jovens roqueiros.
Eu, particularmente, não vi motivo para tanto barulho. Para mim, eles apenas reciclam o som de garagem de gente como The Stooges, Velvet Underground e The Modern Lovers. Sem a mesma criatividade, diga-se de passagem.
Nos trabalhos seguintes, o que já era diluição virou pura repetição. Mas para não dizerem que tenho má vontade com o grupo, até gosto um pouquinho do segundo disco, Room On Fire.
Finalmente, deposito grandes esperanças no Arctic Monkeys, grupo de jovens ingleses que se beneficiou de ampla propaganda via My Space e surgiu como uma das grandes promessas do rock britânico feito nos anos 2000.
O primeiro disco é ótimo, o segundo não é nenhuma maravilha, mas também não é nenhum horror e o terceiro...
Bem, o terceiro já está na estante esperando sua devida apreciação. De qualquer maneira, tendo sido produzido por Josh Homme (o homem por trás do ótimo Queens Of The Stone Age), espero, no mínimo, um grande disco de rock.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vampiros de Plástico

O que faz um produto – um filme, um disco ou um livro – se tornar um fenômeno de massa? Pode ser o tema explosivo (caso da polêmica tola em torno de O Código Da Vinci), o apelo sexual (aqui os exemplos são inúmeros, indo de Madonna até a nossa querida Gretchen) ou mesmo o simples sensacionalismo da mídia (a “artista” conhecida como Lady Ga Ga é um caso bem recente de exploração exagerada de pseudo-escândalos e ousadias feitas sob medida para os tablóides do óbvio).

Mas para explicar alguns fenômenos, só mesmo um bom psicólogo.

É o caso da série de filmes da saga Crepúsculo. Os livros que os originaram são best-sellers mundiais que já fizeram fortuna para a escritora Stephenie Meyer. A trama recicla clichês de histórias de vampiros com clichês de dramas adolescentes. Ou seja, haja lugar comum.

Mas o fato é que pegou. As garotas, sobretudo, sentem-se identificadas com a protagonista apaixonada por um rapaz enigmático, que acaba se revelando um vampiro sensível e bonzinho.

Passei batido pelos livros. Talvez porque já esteja um pouco velho para dramas plastificados ou talvez porque já tenha tido minha dose de chupadores de sangue.

Quando li os livros de Anne Rice sobre o cultuado vampiro Lestat, confesso que vivi uma fase de profundo interesse pelo tema. Isso sem contar os milhares de filmes vampirescos que se acumulam em minha memória, que vão desde o antológico Drácula, estrelado por Bela Lugosi, até os deliciosos pastiches da produtora inglesa Hammer. Como tudo na vida passa, isso também passou.

Mas resolvi dar uma chance à versão cinematográfica do primeiro livro da série, dirigido por Catherine Hardwicke e lançado em 2008. Durante longas duas horas, lutei para me manter acordado diante de tamanha bobagem. Atores sofríveis, história risível, direção apática e uma falta de emoção tão gritante que se chega a pensar que todo o projeto foi feito realmente por mortos-vivos.

No dia seguinte à sonolenta experiência, entro numa banca e escuto duas garotas namorando, embevecidas, uma revista com o casal do filme estampado na capa. A falta de vocabulário típica dessa fase da vida impedia as "fofas" de expressar melhor seu imenso amor pelo ator Robert Pattinson, que faz o vampiro meigo.

Rendi-me, então, a um fato muito simples: enquanto houver adolescência, hormônios em ebulição e fotoshop de última geração, os Crepúsculos da vida continuarão a florescer.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Da Estante

Sei que falo muito de Beatles por aqui e, com o perdão de quem não gosta, vou pedir licença para falar mais uma vez.

É que estou lendo a monumental biografia do grupo escrita por Bob Spitz (The Beatles – A Biografia, Editora Larousse).

Ao longo de quase 1000 páginas, o autor reconstrói a carreira da banda de rock mais popular de todos os tempos, de uma maneira detalhista, vívida e cativante.

Embora esteja ainda no primeiro quarto do livro, já dá para perceber a formação da personalidade de cada um dos quatro cavalheiros de Liverpool: a vida familiar conturbada de Lennon, o talento precoce de Paul, os péssimos boletins escolares de Harrison, as primeiras namoradas, a chegada do rock na Inglaterra, a dificuldade do dia-a-dia no pós 2ª Guerra Mundial, enfim, tudo o que viria a se refletir nas letras e atitudes de cada um deles se encontra ricamente descrito.

Altamente recomendável não só para fãs de carteirinha como também para aqueles curiosos em conhecer melhor um período muito fértil para a música jovem no mundo todo.

No quesito biografias de músicos, aliás, as nossas livrarias ganharam dois novos títulos que devem despertar bastante interesse: Minha Fama de Mau, de Erasmo Carlos (Editora Objetiva) e Nem Vem Que Não Tem – A Vida E O Veneno De Wilson Simonal (Editora Globo), de Ricardo Alexandre.

Esta última imagino ser imperdível, afinal a trajetória desse grande cantor brasileiro mistura preconceito, popularidade, talento, arrogância, ingenuidade e decadência num mesmo coquetel explosivo. É para ler escutando Sá Marina e Nanã.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Queen do Século XXI

O rock nasceu como música inconsequente, trilha sonora para bailinhos suarentos e diversão para garotos e garotas suburbanos.

É claro que, nos revolucionários anos 60, tudo isso mudou e críticos e estudiosos sérios começaram a ver na nova música uma forma de expressão artística bastante representativa de sua época.

Discos como Revolver (The Beatles, 1966) e Pet Sounds (The Beach Boys, 1966) mostraram todo o potencial e riqueza musical que o rock podia trazer em canções simples de três minutos.

Só que alguns músicos não se contentam com pouco. Para eles, não basta compor melodias grudentas, ritmos irresistíveis e letras inesquecíveis. É preciso dar ao rock uma fachada de complexidade que o aproxime de coisas mais socialmente aceitas como a música clássica e o jazz.

Uma bobagem, é claro, mas dessa ambição nasceram grandes discos como Fragile (Yes, 1972), Larks Tongues In Aspic (King Crimson, 1973) e A Night At The Opera (Queen, 1975).

O furacão punk tratou de varrer da face da terra tais delírios de grandeza, mas volta e meia aparece uma banda que ressuscita essa estética de exageros, com resultados mais ou menos interessantes.

Curiosamente, a melhor ópera rock dos últimos anos foi gravada por um grupo que começou se apropriando da estética punk e fazendo, portanto, discos muito rápidos e diretos, o Green Day. American Idiot, lançado em 2004, fez uma raivosa radiografia dos anos Bush, num conjunto de canções que se ligam e formam um todo coeso e intenso. Não por acaso é o melhor disco do trio.

Recentemente o Green Day tentou repetir a fórmula no menos inspirado 21st Century Breakdown. Batendo perto dos 80 minutos – se fosse nos anos 70, seria um duplo -, não chega a ser um disco ruim, mas também não chega a empolgar.

Agora, quem gosta de muito piano, refrões bombásticos, vocais dramáticos, canções que se dividem em vários movimentos, não deve deixar de checar o trabalho da banda britânica Muse.
Verdadeiro gigante lá pelas ilhas – comparáveis atualmente a Oasis–, o Muse ainda não atingiu o mega sucesso mundial de um Coldplay, mas segue gravando discos em que chupa descaradamente a estética operística do Queen, revestindo-a com um tratamento moderno e produção de última geração (o que o Queen, se a gente for pensar bem, já fazia com os recursos de sua época).

O auge do estilo melodramático metido a besta do Muse foi atingido com o excelente Black Holes And Revelations, de 2006. Nele, o cantor e compositor Matt Bellamy conseguiu equilibrar perfeitamente sua veia erudita com seu inegável talento para compor boas músicas pop.

No novo disco, The Resistance, sai o afiado artífice pop e fica apenas o compositor erudito frustrado. É tanto piano, coro, pausas dramáticas e vocais afetados que, lá pelas tantas, a gente fica achando que está escutando a mesma música repetidas vezes. E, no final, descobrimos que essa impressão é verdadeira. As três últimas músicas são uma sinfonia dividida em três partes. Funciona? Para mim, não.

Nas três primeiras faixas do disco, o Muse continua mostrando que tem garra e habilidade para fazer um bom disco de rock. Uma pena que a ambição desmedida de Bellamy o faz esquecer que ele deveria ficar somente nisso.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Um Passeio Musical

Quando fui a Buenos Aires pela primeira vez, em 2004, havia um mito de que a capital argentina sozinha tinha mais livrarias que o Brasil inteiro.

Se era verdade ou não, uma coisa não se podia negar: a quantidade de lojas de discos e livros nas ruas de Buenos Aires era algo que realmente chamava a atenção, não só pela grande quantidade como também pelo tamanho e a variedade de títulos de quase todas.

Na época, a Argentina começava a se recuperar da violenta crise econômica que atingiu o país no final dos anos 90 e início dos 2000. Brasileiros invadiam as calles portenhas, aproveitando os preços baixos e falando seu tradicional e constrangedor portunhol. Uma verdadeira praga!Enquanto isso, eu estudava o idioma de Cervantes – ou, mais de acordo com a ocasião, de Borges – e ia frenético de uma loja de discos para outra.

De cara, me deixou intrigado o quanto o mercado fonográfico argentino é mais variado e completo que o nosso. Lançamentos internacionais chegam bem antes que aqui e muita coisa boa sai por lá sem nunca dar o ar da graça nestas plagas. Desnecessário mencionar que, com o peso desvalorizado diante do real, os preços dos cd’s são ainda uma atração à parte.

Segue, portanto, uma sugestão de passeio pelas lojas de discos de Buenos Aires:
Depois de um café com leite com media lunas (os nossos croissants), siga para a avenida Santa Fé e vá direto à livraria mais linda que existe neste planeta, a El Ateneo Grand Splendid, ou como é mais conhecida entre os locais, Yenny. Montada num antigo teatro que foi reformado e devidamente adaptado, o lugar alia as grandes dimensões de uma megastore à atmosfera acolhedora de um templo cultural.

Na mesma Santa Fé, logo ao lado da Ateneo, está uma das maiores lojas da rede Musimundo. Preços ligeiramente mais em conta e uma seleção de títulos tão ampla que é preciso paciência e disposição para fuçar tudo. Há várias outras espalhadas pela cidade, mas esta resolve tudo.

Saindo da Musimundo, aproveite para tomar um sorvete na fantástica Volta. Peça um sabor qualquer de sorvete de doce de leite. Não existe nada igual no mundo.

Devidamente energizado, dobre na avenida Callao, dê uma paradinha na alternativa Notorious, misto de ciber-café, loja e restaurante e escolha, digamos, um disco da banda Yo La Tengo , que apesar do nome em espanhol, é americana.

Em seguida, tome o metrô, que fica pertinho, e desembarque na movimentadíssima Corrientes, espécie de Broadway argentina, com enorme concentração de teatros, cinemas, livrarias e a ótima Zival, loja especializada em ritmos locais, principalmente tango. Mas, completa e variada como é, a Zival também tem uma ótima seção de pop rock. O que você não tiver encontrado no Ateneo ou na Musimundo, com certeza encontrará aqui.

Aproveite para provar uma deliciosa empanada em algum restaurante da região. Minha preferida é a de queijo com cebola, mas a mais tradicional é mesmo a de carne.

Após a parada gastronômica, desça a Corrientes até o cruzamento com a calle Florida. Fique de olho na bolsa e na carteira e mergulhe na multidão de transeuntes que se aglomera tanto nesta rua quanto nas que a cruzam.

É o centro de Buenos Aires e, como tal, é a parte da Capital que mais lembra uma grande metrópole brasileira: caótica, barulhenta e agitada. Por aqui também se pode encontrar uma série de lojinhas menores.

Vale à pena dar uma olhada. Algumas exibem boas promoções e sempre se pode comprar um Carlos Gardel baratinho para trazer de recuerdo.

Pronto, depois de tudo isso, você estará exausto, com a mochila carregada, e louco para encarar o famoso bife de lomo argentino (a menos que você seja, como eu, vegetariano. Aí fique com uma bela massa. Buenos Aires é rica em restaurantes italianos).

domingo, 25 de outubro de 2009

Nas Asas da Crítica

Sei que muita gente odeia de morte a crítica de arte. Eu, ao contrário, sou extremamente grato a uma parcela de críticos esclarecidos, cultos e bem informados.

Devo boa parte da minha formação musical e cinematográfica aos críticos e jornalistas das revistas BIZZ e SET.

Na década de 80, quando estas revistas começaram a circular no Brasil, os críticos não tinham medo de ser eruditos. Citavam em suas críticas poetas, filósofos, bandas e diretores obscuros. Instigavam muito mais que entregavam o prato pronto. Traçavam paralelos fascinantes. Uniam informação com opinião pessoal de uma forma prazerosa e estimulante. Quem quisesse e tivesse curiosidade que fosse atrás.

Foi desta forma que descobri artistas fundamentais como Nick Cave, 10.000 Maniacs, Cowboy Junkies, The Stooges, The Byrds, Marvin Gaye e Leonard Cohen.

Folheando as páginas recheadas de (boas) informações da SET é que tive vontade de assistir a filmes como o holandês O Homem da Linha, o inglês Rita, Sue e Bob Nu, os americanos Confiança e Daunbailó, e o dinamarquês A Festa de Babette.

Isso sem falar nas inesquecíveis fichinhas com cartazes e informações técnicas de filmes, que vinham encartadas na SET. Era uma verdadeira loucura correr atrás de cada título (na época, uma boa locadora resolvia nossa vida) e ter aquela indescritível sensação de já ter assistidos a TODOS (no meu caso, a quase todos).

É claro que por conta de muita crítica entusiasmada comprei discos dos quais acabei me desfazendo, e assisti a filmes que eram um verdadeiro pé no saco, mas, no balanço geral, acho que tudo valeu muito à pena.

Fica aqui, então, meu agradecimento a gente como Ana Maria Bahiana, José Augusto Lemos, José Emilio Rondeau, André Barcinski, Luis Nazário, Inácio Araújo e tantos outros.

Sem eles, meu mundo seria significativamente mais pobre e triste.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A “Suerte” de Shakira

Recebo por e-mail uma resenha irada sobre o novo cd da cantora e compositora colombiana Shakira, retirada do blog andremans.blogspot.com . Não ouvi - e nem pretendo – o tal disco.

Shakira se perdeu para mim depois que se tornou “americana”. Quando sua música ainda era colombiana, gravou boas canções e um ótimo disco – Donde Están Los Ladrones – em que mostrava um grande talento para filtrar influências de música pop estrangeira (leia-se americana e inglesa), por um viés inegavelmente latino.Quando resolveu se aventurar no milionário mercado americano, eu sabia que algo sairia errado.

As pistas foram dadas pela versão em inglês de Suerte, que virou no idioma de Shakespeare Whenever Whatever. Como uma mesma canção podia soar tão absurdamente diferente em suas duas versões? A resposta era clara: Shakira cantando em inglês não era Shakira. Pouco a vontade com uma língua estrangeira, até mesmo sua voz saía adulterada.

Não bastasse esse tropeço linguístico, a Shakira versão ianque é uma mulher ultra-sensual que, em muitos clipes, trafega na fina fronteira entre erotismo de bom gosto e pornografia disfarçada.
Nada de se espantar, afinal de Beyoncé até Nelly Furtado, uma coisa se mostra muito evidente no pop de hoje: se não vender sexo não vende música. Mas, não sei por que, me fica a impressão de que também nesse quesito Shakira se sente inadequada.

Os mais cínicos poderiam dizer que, com uma fortuna que só faz crescer e uma popularidade mundial sem precedentes para uma cantora de origem sul-americana, Shakira não deve se sentir nada inadequada.

Pode ser. Talvez inadequados nos sintamos eu e o André Mans por ver uma artista tão promissora se prostituindo de forma tão descarada.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sem Cortes

Não sei se estou errado, mas me parece que a primeira década dos anos 2000 só termina em 31 de dezembro de 2010. Certo? Bom, para uma parcela da imprensa musical gringa, ela está terminando em 31 de dezembro deste ano.

No afã de sair na frente da concorrência, a revista inglesa UNCUT divulgou em sua edição de outubro, uma lista com os 150 melhores discos da década.

Como sempre, quando se trata de UNCUT, o trabalho é meticuloso, amplo, informativo e rico.

A banda campeã da lista é sem dúvida o White Stripes, que teve todos os seus discos relacionados e faturou o número um, com o ótimo White Blood Cells.

Há muitos discos de Bob Dylan, Neil Young, Radiohead – estes, para mim, autores dos melhores álbuns dos últimos tempos: Hail To The Thief e In Rainbows, respectivamente 134ª e 15ª posições -, além de álbuns que acho bem fracos (A Bigger Bang, dos Rolling Stones, um disco esquecível e que não acrescenta nada à carreira de Jagger/Richards, por exemplo), e outros que só a crítica especializada consegue gostar, como Merriweather Post Pavilion do grupo americano Animal Collective e Ys da harpista e cantora Joanna Newson, um disco conceitual de músicas longas, lentas e muito, mas muito chatas mesmo.

Segue a relação dos 20 primeiros colocados. Se você não concorda – como é o meu caso – vale como sugestão de audição. Afinal, em termos de jornalismo musical não existe nenhuma publicação no mundo, atualmente, que chegue aos pés desta revista incrível:
20 - Amy Winehouse. Back to Black
19 - Bruce Springsteen. The Rising
18 - Kate Bush. Aerial
17 - The White Stripes. Elephant
16 - LCD. Soundsytem Sound of Silver
15 - Radiohead. In Rainbows
14 - Primal Scream. XTRMNTR
13 - Gillian Welch. Time (The Revelator)
12 - Portishead. Third
11 - The Flaming Lips. Yoshimi Battles the Pink Robots
10 - Fleet Foxes. Fleet Foxes
9 - Ryan Adams. Heartbreaker
8 - Bob Dylan. Modern Times
7 - The Arcade. Fire Funeral
6 - Robert Plant & Alison Krauss. Raising Sand
5 - The Strokes. Is This It
4 - Brian Wilson. Smile
3 - Wilco. A Ghost is Born
2 - Bob Dylan. Love and Theft
1 - The White Stripes. White Blood Cells

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Capas Clássicas

Quando o vocalista original do AC/DC, Bon Scott, morreu em 1980, ninguém poderia imaginar que a banda australiana teria uma segunda vida.

Com o inglês Brian Johnson no microfone, o AC/DC não só teve uma segunda chance como expandiu seu público absurdamente e se tornou um fenômeno mundial.

Back In Black é um clássico absoluto do rock inconsequente e, muitas vezes, estúpido praticado pelo grupo. Obcecados por temas caros ao imaginário rock’n roll – bebedeiras e sexo, basicamente – os irmãos Young e seu novo cantor perpetraram verdadeiros ícones do peso como Rock and Roll Ain’t Noise Pollution, Hells Bells e, logicamente, a excepcional faixa-título.

Como todo disco marcante, Back In Black traz uma capa que, sem sombra de dúvida, fez escola. Sem maiores elaborações, o grupo foi direto ao ponto e concebeu uma arte simples e minimalista, como, aliás, seu próprio som.

Apenas os nomes da banda e do disco aparecem desenhados sobre um fundo totalmente negro. Se o objetivo era passar uma mensagem de total volta ao básico, o grupo não poderia ter sido mais bem sucedido.

Jovens do mundo inteiro aderiram sem pestanejar ao visual calça jeans e camiseta preta do grupo – com exceção, obviamente, do visual colegial endiabrado do guitarrista Angus Young, marca registrada do AC/DC – e foram bater cabeça nos espetáculos ensurdecedores promovidos pela banda.

Álbuns “negros” não eram novidade no design de capas de discos (o Velvet Underground, sempre pioneiro, já havia lançado seu dificílimo White Light White Heat, em 1968, embalado por uma capa completamente preta), mas nenhum teve a popularidade – mais de 20 milhões de unidades vendidas somente nos Estados Unidos – e o alcance desta pedrada de 1980.

domingo, 18 de outubro de 2009

Tanto Tempo Longe de Você...

Foi necessário que se passassem quase 40 anos para que eu admitisse abertamente e, principalmente, para mim mesmo, que eu sou um dos milhões de apaixonados pela música de Roberto Carlos.

Durante toda minha infância, nenhum artista foi tão presente na minha casa quanto ele. Eu tinha a clássica tia hipocondríaca que só parava de falar em doença quando tocava alguma coisa de Roberto no rádio, as primas que colecionavam recortes de revistas, a irmã que sabia todas as letras, um primo que tocava no violão as canções que ele fez para a gente, outro que o imitava horrivelmente, enfim, tinha fã de todas as espécies por perto.

Mas chegou a adolescência e Roberto virou, para mim, o símbolo de tudo que estava errado com a música brasileira. Pô, o cara já havia sido o rei do rock no Brasil e, de repente, grava uma "coisa" como Caminhoneiro!

Para quem estava mergulhando de cabeça em Led Zeppelin e Rolling Stones, não havia mais sentido em ficar babando por uma figura que fazia especiais pavorosos todo final de ano na Rede Globo, lançava discos a cada natal como se fosse um burocrata batendo o ponto e ia se tornando um católico mais fanático a cada ano que passava - nada contra católicos, mas tudo contra fanáticos.

Só mais recentemente, com o Acústico MTV, é que eu fui redescobrir pérolas como Todos Estão Surdos e Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos. Que muito além das músicas sobre mulheres gordas ou de óculos, havia experimentos com a soul music americana no final da década de 60 e início da de 70, que originaram temas até hoje bastante regravados como Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo e Não Há Dinheiro Que Pague. E que nunca se escreveram versos tão bonitos em nosso cancioneiro como os de Detalhes e Cavalgada.

Na última sexta-feira, dia 16 de outubro, eu fiz de vez as pazes com esse passado mal resolvido, indo assistir ao meu primeiro espetáculo ao vivo do Rei.

Acho que só quem já esteve num show de Roberto pode entender plenamente o que é essa celebração emotiva, a comunhão de milhares de pessoas em torno de uma figura muito simples, de gestos comedidos e carisma gigantesco.

Ao longo de um set list que englobava desde sucessos da jovem guarda até o auge de suas músicas românticas, passando também pela fase mais brega de sua carreira, me peguei várias vezes com lágrimas aflorando aos olhos.

Voltei a ser menino sem dó nem piedade. Lembrei do meu avô, que morreu quando eu tinha 10 anos e de como minha mãe se emocionava quando ouvia Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo. Lembrei da Escola Classe da 304 Norte e de uma Brasília que não existe mais.

E isso tudo foi muito bom. Anos de terapia não teriam resolvido tão bem o que esse senhor fez por mim em apenas 2 horas!

Do alto de seus 50 anos de vida artística, Roberto Carlos permanece um caso de popularidade e paixão único em nosso país. Vendo-o, ao vivo, pude compreender tal fenômeno em sua totalidade.

Afinal, como já disse Caetano Veloso, não é à toa que a gente o chama de Rei...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Meus Discos Preferidos: Dance e Eletrônico

1Os Embalos de Sábado À Noite. Vários
Movimento que surgiu do encontro de várias correntes alternativas e marginais, a discoteca fundiu hedonismo, swing negro e percussão latina num mesmo som. Quando ela saiu dos clubes gays e guetos sociais já estava um tanto diluída e pasteurizada. A trilha sonora do filme que consagrou John Travolta internacionalmente é, ao mesmo tempo, o ápice do estilo e o início da decadência. Os irmãos Bee Gees, claramente talentosos e inspirados, compuseram a maior parte das canções, mas há ainda espaço para bobagens típicas do período, como a versão “disco” da de Beethoven.

2Trans-Europe Express. Kraftwerk
A música do Kraftwerk é tão influente que alguns críticos mais apressados já o compararam aos Beatles. Obviamente que o raio de influência dos alemães é muito menor, mas também é claríssimo que o rap, o hip hop, a house, o tecno e a própria disco devem muito ao pioneirismo de discos como Radioactivity, Autobahn e este hipnótico Trans-Europe Express, para mim o auge de uma carreira inovadora e brilhante.

3Violator. Depeche Mode
O Depeche Mode começou como um grupo de electro-pop sem maior diferencial. Mas, quando gravaram o épico Music For The Masses, já estava claro que eles tinham um potencial que ia muito além de uma canção descartável como Just Can’t Get Enough (do primeiro disco, Speak And Spell). Violator é uma pequena obra-prima, delicada em sua tessitura eletrônica, atenta aos detalhes e rica em canções clássicas do repertório do grupo (estão aqui Enjoy The Silence, Personal Jesus e Policy Of Truth).

4Surrender. The Chemical Brothers
O bate estaca de 99% da música tecno é duro de aguentar. Mesmo numa boate muito animada, é barra suportar a repetição tribal por mais que 2 horas. Mas alguns discos do estilo subvertem essa realidade com muita criatividade e com a ousadia de misturar o baticum das máquinas com instrumentos “de verdade”, bons vocalistas e um toque de rebeldia tipicamente rock’n roll. É o caso deste ótimo disco da dupla inglesa, que trouxe para seu laboratório sonoro gente de peso como Noel Gallagher (guitarrista e principal compositor do Oasis) e Missy Elliott (cantora e compositora americana que está sempre um passo a frente de seu tempo).

5The Pleasure Principle. Gary Numan
Embora as músicas deste primeiro registro do músico inglês sejam perigosamente semelhantes entre si, é inegável que elas são também deliciosamente envolventes e charmosas. Estão aqui clássicos da música eletrônica como Cars, Engineers e a instrumental Airlane. Juntas, elas demonstraram que um disco podia ser completamente dominado por instrumentos eletrônicos e ainda assim soar humano e emocionante.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Outras Notas Francesas

Na onda francesa da última postagem do Lázaro, aproveito aqui para viajar um pouquinho à mítica terra de Victor Hugo, Rodin e Truffaut.

Quando era criança, não existia nenhum país no mundo que exercesse um fascínio tão grande em mim quanto a França.

Para completar a paixão, aos 10 anos, ganhei uma bolsa de estudos de quatro anos para a Aliança Francesa brasiliense. Na época – início da década de 80 – o método da Aliança para crianças se chamava Bonjour Line. A cada aula, acompanhávamos as aventuras da menina Line e seus amiguinhos Alan e Paul, que viajavam pela França e encaravam situações dificilmente enfrentadas por criaturas de 9 anos de idade.

De qualquer maneira, o francês daqueles anos ficou um tanto enferrujado e o fascínio pela França caiu um pouquinho em sua original intensidade.

Já estive por duas vezes em Paris e, deixando de lado a famosa antipatia dos parisienses e o fato de que quase fui atropelado em um sinal vermelho bem pertinho da Torre Eifel (pelo menos seria um atropelamento em grande estilo!), me deslumbrei com a beleza inigualável da capital francesa como todo mundo, mas também me assustei com os preços astronômicos, com as atrações lotadas e com a inegável xenofobia dos locais.

Se é para escolher uma cidade, hoje fico com Barcelona (Espanha) ou o Porto (Portugal).

Mas a cultura francesa não morreu nas minhas predileções. Especificamente, no que se refere à música, tenho boas lembranças da época de Aliança, quando traduzir um clássico do cancioneiro francês era uma das atividades mais esperadas.

Foi assim que conheci nomes como Françoise Hardy (a minha preferida), Charles Aznavour, France Gall, Dalida (que, apesar de ser egípcia e cantar com um sotaque muito acentuado, gravou canções antológicas como Parole, Parole e Mourir Sour Scene ) e Johnny Haliday (este um dos primeiros astros do rock francês).

Muito mais tarde, fui apresentado à ótima dupla Les Rita Mitsouko, que, em seu som, fazia uma estimulante mistura de ritmos. Foi a primeira vez que percebi que a música francesa não era só Edith Piaf e Yves Montand (fora pálidas imitações de rock americano e inglês).

Recentemente, a descoberta da dupla Air, formada pelos músicos Nicolas Godin e Jean Benoit Dunckel, tem sido fonte de grandes prazeres.

O disco Moon Safari é, para mim, um dos melhores dos últimos dez anos, uma viagem a um mundo de doces melodias, vozes femininas lânguidas como só existem em discos franceses e teclados vindos diretamente da década de 70.

Nos seus discos seguintes, os rapazes não conseguiram atingir o cume de beleza de Safari, mas seguiram gravando trabalhos bastante interessantes.

Para quem quiser se aprofundar mais na moderna música francesa, recomendo fortemente o disco La Zizanie, da cantora Zazie. Sem barreiras musicais, Zazie incorpora à sua dance music aparentemente banal, elementos da clássica chanson francesa mesclados com modernos sons eletrônicos.

Quando ela entoa um verso como aux armes, citoyennes (às armas, cidadãs!), ela não está apenas fazendo um trocadilho com o hino francês. Está, antes de tudo, convocando uma nova ordem para a música francesa contemporânea.

Trés bien, ma cherie!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Breves Notas Francesas

Por Lázaro Luis Lucas

1- Finalmente em DVD um dos filmes mais cultuados dos anos 70. Dirigido e escrito pelo poeta e cantor Serge Gainsbourg e estrelado por sua companheira Jane Birkin, Paixão Selvagem, produção cinematográfica de 1976, narra a história de Johnny, garçonete de aspecto andrógino que ganha a vida servindo o balcão de uma lanchonete em um desolador posto de gasolina.

Solitária e carente, envolve-se com o caminhoneiro homossexual Krassky, que a confunde, inicialmente, com um rapaz. Há, ainda, o inseguro e violento Padovan, amante de Krassky.

Inspirado na canção Je T'aime... Moi Non Plus, também de Serge Gainsburg, o filme e seus personagens parecem transitar em um episódio da série Além da Imaginação. Tudo soa irreal demais em Paixão Selvagem.

De forte apelo sexual, o filme ainda traz no elenco os atores Joe Dallesandro, Hughes Quester, Gerárd Depardieu e Michel Blanc.

A propósito, fãs do casal Gainsbourg-Birkin devem ficar atentos à programação do canal Eurochannel. Neste mês de outubro, o canal exibe o longa Slogan (1969), de Pierre Grimblat, filme que uniu artística e afetivamente esses dois ícones da cultura francesa dos anos pós-60. Com 90 minutos de duração, o filme será exibido nos dias 17, às 16h, e 18, às 02h.

2- E por falar em programação televisiva, duas agradáveis surpresas para os amantes do cinema francês são os canais Futura e Brasil, neste mês de outubro.

No canal Futura, a sessão Cine Conhecimento irá exibir, entre outros, obras consagradas do cineasta François Truffaut. Nos dias 09, 10 e 11, Os Incompreendidos (1959). 16, 17 e 18, O Amor em Fuga (1979). 23, 24 e 25, De Repente, Num Domingo (1983). Consta, ainda, do acervo do Cine Conhecimento, a obra A Mulher do Lado (1981). O primeiro e segundo filme aqui citados são, respectivamente, o primeiro e o quinto produzidos por Truffaut com o personagem Antoine Doinel, interpretado magnificamente pelo ator Jean-Pierre Léaud. Os outros filmes com o personagem são Antoine e Colette (1963), Beijos Proibidos (1968) e Domicílio Conjugal (1970). Já De Repente, Num Domingo é a obra que encerra a filmografia deste grande diretor francês - Truffaut viria a falecer em 1984 - e também uma homenagem ao cinema de Alfred Hitchcock, de quem era fã confesso. Fico aqui, devendo apenas os horários.

3- No Canal Brasil, haverá a apresentação do ciclo Um Certo Olhar Francês. Nos dias 10 (00h45 e 18h) e 11 (07h30), Acossado (1959), de Jean-Luc Godard. 17 (00h45 e 18h) e 18 (07h30), Estado de Sítio (1972), de Costa-Gravas. Nos dias 24 (00h45 e 18h) e 25 (07h30), Ascensor Para o Cadafalso (1958), de Louis Malle. E nos dias 31/10 (00h45 e 18h) e 01/11 (07h30), o pouco conhecido no Brasil A Garota dos Olhos de Ouro (1961), de Jean-Gabriel Albicocco. O ciclo segue no mês de novembro.

4- Uma boa dica para quem está interessado em conhecer o cinema do francês Eric Rohmer, de maneira leve e descompromissada, é a série de quatro filmes intitulada Os Contos das Quatro Estações. Composta por Conto da Primavera (1990), Conto de Inverno (1992), Conto de Verão (1996) e Conto de Outono (1998), a série é um primor em simplicidade e elegância.

Histórias de homens e mulheres, encontros e desencontros. O mote de Os Contos das Quatros Estações é o cotidiano sem grandes sobressaltos e os pequenos prazeres da vida, em torno dos amigos, da família e daqueles que desejamos. Simples assim.

Feitos em Casa

Por Lázaro Luis Lucas

Davi de Oliveira Pinheiro, Tiago Belotti e Rodrigo Aragão são três diretores de cinema brasileiros. E, como eles, deve haver outros. Fãs, provavelmente, de diretores como George A. Romero, Lucio Fulci, Ruggero Deodato e Umberto Lenzi, como também do cinema fantástico hardcore.

O que estes três meninos realizaram foi uma verdadeira proeza em se tratando de Brasil. Produzindo com recursos próprios e a ajuda de amigos, familiares e comunidade dirigiram, respectivamente, os longas Porto dos Mortos (Rio Grande do Sul, 2008), A Capital dos Mortos (Distrito Federal, 2008) e Mangue Negro (Espírito Santo, 2008).

Por não haver, nem remotamente, uma tradição de filmes de terror produzidos no Brasil - do subgênero filmes de zumbis, então, nem pensar -, o que esse pessoal vem fazendo pela nossa cinematografia é algo inédito e merecedor da atenção de todos nós, cinéfilos. E nem adianta pensarmos em José Mojica Marins.

À exceção da trilogia do Zé Caixão, composta pelos longas À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967) e Encarnação do Demônio (2008), e um ou outro elemento sobrenatural em suas obras, a filmografia desse cineasta, e também ator, é tão autoral e diversa que classificá-lo como diretor de filmes de terror é manifestar abertamente desinformação em relação a este grande diretor brasileiro.

Portanto, seja por falta de talento dos veteranos em se aventurar em outras pastagens ou puro preconceito, o Brasil não possui uma cinematografia baseada no fantástico. Pelo menos, até agora.

Como os demais produtores de cinema deste país, esses três diretores também enfrentam problemas para distribuir seus filmes. Aqui no Distrito Federal, mesmo, apenas A Capital dos Mortos teve distribuição garantida nas locadoras de vídeo, por meio da própria produtora, a Vortex Filmes. Nos cinemas, apenas exibições especiais e esporádicas.

Quanto aos outros dois títulos citados, apenas Mangue Negro pode ser conferido por aqui. E por meio da pirataria. Aquela... que financia o crime organizado.

No Brasil, é assim, por meio de distribuidoras de home video, podemos contar com inúmeras dessas produções vindas dos EUA e Canadá. Filmes produzidos nos mesmos moldes dos nossos, além de tranqueiras da Tailândia e porcarias produzidas pelo SciFi Original Movies.

No entanto, não há espaço para apoiar todos esses novos realizadores, divulgando-os e lançando suas obras em todo território nacional. Saem perdendo os fãs desses filmes e a cultura brasileira como um todo.

Com direção, roteiro e edição do próprio Rodrigo Aragão, Mangue Negro é um dos melhores exemplares dessa safra, que deve contar com inúmeros outros títulos desconhecidos por mim.

Com forte influência de Sam Raimi e o seu Uma Noite Alucinante (1987), este misto de filme de zumbi e de canibal com roteiro ecologicamente correto, capricha no gore, presenteando os fãs do gênero com muitos corpos em decomposição e órgãos internos expostos.

O filme, obviamente, apresenta falhas no roteiro e acaba sendo um pouco longo demais - uns vinte minutos a menos em nada comprometeria o trabalho - mas, afinal de contas, é uma obra de estreia e nem todo mundo é um Orson Welles.

Outro ponto negativo é a pesada maquiagem usada pelos atores André Lobo, Maurício Ribeiro e Ricardo Araújo, que acaba reforçando, ainda mais, o tom caricato das interpretações.

Os aspectos positivos de Mangue Negro são a impressionante trilha sonora de Jaceguay Lins, a quem o filme é dedicado, o bom uso cenográfico do mangue, as atuações acima da média da maioria dos atores e a vontade louca de Rodrigo Aragão em agradar os fãs desse cinema, comportamento raríssimo em nossos diretores.

Discos e Arte

Alcançar uma identidade musical única é, sem sombra de dúvida, o sonho de dez entre dez músicos.

Mas, alguns artistas vão além dessa ambição e criam para si mesmos uma identidade visual muito particular. Isso se reflete tanto nas roupas e na produção cênica quanto na criação de capas para os discos.Um dos primeiros grupos a pensar sua obra como um todo artístico, em que a parte visual complementa a musical, foi o grupo inglês de rock progressivo Yes.

A maior parte dos álbuns lançados pelo grupo na década de 70 teve projeto gráfico desenvolvido pelo artista Roger Dean, que criou para a banda um universo mitológico, onírico e imaginativo.

Para os fãs do Yes é impossível pensar num disco como Relayer sem viajar na ilustração da capa.Também na década de 70, partindo para um estilo completamente diferente, está o Roxy Music e suas capas com mulheres em cliques sensualíssimos.

Com exceção de Manifesto e Avalon (este, meu Roxy Music preferido), todos os discos do grupo de Bryan Ferry apresentam modelos que, apesar de muito diferentes, formam um conjunto de musas entre o sofisticado e o quase pornográfico.

Jerry Hall, ex-senhora Mick Jagger, aparece como uma sedutora sereia na capa do disco de 1975, Siren, e nos prepara para um delicioso mergulho em algumas das melhores canções do RoxyLove Is The Drug e Sentimental Fool, incluídas.

Na década seguinte, duas bandas criaram uma identidade visual que marcou indelevelmente os anos 80: The Smiths e Echo & The Bunnymen.

O primeiro estabeleceu uma estética de cores frias, fotografias antigas e culto a figuras do passado que originou capas inesquecíveis como a de The Queen Is Dead (com o ator francês Alan Delon, quase irreconhecível em meio a uma bruma verde) e a de seu disco de estréia, uma imagem que associou para sempre o grupo a uma sensibilidade homossexual muito refinada e erudita, graças à foto do ator cult Joe Dalesandro.

Já o Echo & The Bunnymen partiu para uma elaboração mais naturalista de suas capas. Nos quatro primeiros LP’s dos Coelhinhos, eles aparecem inseridos em lindas paisagens, que vão de uma geleira na Islândia (Porcupine) até uma praia deserta na Inglaterra (Heaven Up Here).

Esse visual glacial ajudou, e muito, a construir um mito em torno do grupo de Liverpool que, apesar disso, nunca esqueceu que o fundamental era mesmo a música.

É só conferir The Killing Moon e All My Colours para perceber que as capas eram apenas introduções a um universo de mágicas canções.

Entre bandas mais recentes, me vêm à lembrança duas: Weezer e Belle & Sebastian.

Enquanto o Weezer fez uma sequência de capas em que o grupo aparece fotografado sem maiores artifícios, normalmente sobre um fundo de cor única (daí seus discos serem conhecidos como “álbum azul”, “álbum verde” etc), o Belle & Sebastian bebe na fonte dos Smiths e cria capas em sintonia espiritual com os anos 80, mas atualizando-os com uma algum cinismo e uma dose de humor.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Síndico da Voz Insuperável

Falei de Tim Maia em minha última postagem, porque tenho escutado os dois primeiros discos do músico carioca sem parar nos últimos meses. Isso é bastante inusitado porque nunca gostei de Tim Maia.

Na década de 80, quando comecei a me interessar seriamente por música, Maia era o cantor de vozeirão grave de sucessos radiofônicos que eu considerava insuportáveis, como Me Dê Motivo, Um Dia de Domingo (dueto com Gal Costa) e Vale Tudo (esta com Sandra de Sá).

Dada a qualidade questionável de tais canções, Tim Maia virou, para mim, sinônimo de baba ou música dançante esquecível.

Mas o tempo está aí para corrigir tais absurdos. A descoberta da fase 70 de Tim Maia tem sido um dos grandes achados recentes em minha vida.

Não vou discutir aqui suas excepcionais qualidades vocais. Tim Maia é o maior cantor pop brasileiro e ponto. Não tem para Milton Nascimento nem Djavan.

Ninguém nunca cantou com tamanha desenvoltura, emoção e potência. Escutar uma música como Você nos faz pensar que a música brasileira já foi completa: arranjo impecável, bela letra e uma voz que só encontra paralelo nos maiores mestres do soul americano.

Aliás, penso que Tim nasceu no país errado. Tivesse nascido americano teria sido aclamado como um dos maiores de seu tempo, gravado discos que seriam referência para a história da música, além de, provavelmente, ter ficado muito rico.

Como nasceu brasileiro, numa família numerosa, teve de enfrentar todas as dificuldades de ser um músico negro, com uma sonoridade muito particular, que misturava Black Music com forró e rock (isso décadas antes dos Raimundos!). Não que o público não tenha entendido. Tim Maia sempre foi um artista popular e querido pelos brasileiros.

Mas sua vida turbulenta, desregrada e excessiva, o tornou uma figura meio tragicômica. Sua morte precoce, aos 55 anos, deixou uma lacuna na MPB que dificilmente será preenchida.

Os dois discos que Tim gravou no início da década de 70 permanecem duas obras-primas de inigualável qualidade musical e vocal.

Uma lição para o pretensioso sobrinho de Tim, Ed Motta, que sempre arrotou ambições absurdas, mas nunca gravou nada que chegue aos pés da obra do tio.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

É Primavera...

Tim Maia, lá no início da década de 70, em seu histórico álbum de estréia, cantava belamente: É primavera/Te amo/Trago essa rosa/Para te dar...

As estações do ano já inspiraram belíssimas canções, desde Summertime, eternizada por Janis Joplin até California Dreaming, canção para uma tarde fria de inverno, entoada pelos rapazes e moças do The Mamas And The Papas.

A primavera se estampa lindamente nas capas floridas de discos como Essence de Lucinda Williams, Power Corruption And Lies, do New Order , Flowers, dos Rolling Stones e O Descobrimento do Brasil, em que os rapazes da Legião Urbana posam em meio a um belo jardim florido, além do colorido exuberante presente em obras como Universo Ao Meu Redor, de Marisa Monte, Disraeli Gear, do Cream, Sg. Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, Abraxas, de Santana e tantos outros.

Aqui no Brasil, país em que, a grosso modo, só existem duas estações: uma quente e chuvosa, e outra quente e seca, os letristas adoram falar de flores, chuvas e doces manhãs de setembro.

É o caso dos Titãs e seu grande sucesso Flores (originalmente gravada no disco ÕBLESQBLON e depois recauchutada para o Acústico MTV, com excelente participação de Marisa Monte), do Ira, com Flores Em Você, que chegou, inclusive, a ser usada como tema de novela da Rede Globo e de Djavan, com Pétala, verdadeira obra-prima que encerra este texto primaveril, causando arrepios no peito:
O seu amor
Reluz
Que nem riqueza
Asa do meu destino
Clareza do tino
Pétala
De estrela caindo
Bem devagar
Ó meu amor
Viver
É todo sacrifício
Feito em seu nome
Quanto mais desejo
Um beijo seu
Muito mais eu vejo
Gosto em viver, viver...
Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Três Dicas

Acabei de ler Galiléia, do escritor cearense Ronaldo Correia de Brito. Para quem quer ler literatura brasileira contemporânea, com uma cara de possível clássico, o livro é uma beleza.

Com traços da melhor literatura regionalista, Ronaldo cria um romance em que cidade e sertão se encontram num choque de dimensões dramáticas intensas, mas que nunca atingem o trágico.

A história se concentra na viagem de três primos à fazenda onde passaram sua infância, a Galiléia do título, uma propriedade decadente do interior do Ceará, na qual o avô dos protagonistas está agonizando lentamente. Passado e presente se fundem para compor o retrato de uma família marcada por inveja, rancor e até mesmo ódio.
Outra dica é o filme As Troianas, do cineasta grego Michael Cacoyannis, com Vanessa Redgrave e Katharine Hepburn, em atuações magníficas, daquelas que se vê e nunca se esquece.
Baseado numa tragédia grega clássica, o filme é teatro filmado de altíssima qualidade, que não omite sua origem cênica, mas também não se furta de compor belas imagens, de grande qualidade plástica. Arrepiante a cena em que Hécuba (Hepburn) recebe o neto morto nos braços. Cinema assim não se faz mais...
Finalmente, gostaria de recomendar o novo cd do Depeche Mode, Sounds Of The Universe. Quando a gente pensa que essas bandas de quase 30 anos de atividade já não têm mais nada a oferecer, elas aparecem com um disco forte, belo e digno. 13 faixas que se perfilam junto ao melhor que o grupo já fez. Grande Depeche!

Baixar ou Não Baixar?

A pirataria parece realmente ter se tornado um fato corriqueiro em nossas vidas. Ninguém se pergunta mais se está contribuindo para o fomento de uma atividade criminosa ou se está passando por cima dos direitos autorais de milhares de criadores mundo afora.

Comprar um DVD de um filme que sequer chegou aos cinemas ou baixar um álbum completinho na internet não são motivos de preocupação para ninguém.

Mas, no meio desta enorme festa de livre circulação de obras artísticas, eu me pergunto: Quem vai pagar a conta?

Há, primeiramente, uma questão que me parece genial neste admirável mundo novo. A arte, que historicamente tem sido um privilégio para o deleite das elites, circula livremente e está aí para quem quiser.

Não é preciso ter grana para importar o cd daquela banda que nunca sai por aqui. Ou pagar uma fortuna para levar toda a família ao cinema (a matemática não deixa dúvida: um casal com, digamos, dois filhos, gastaria uma média de 70 reais para assistir, por exemplo, A Era do Gelo 3. Isso sem falar nas pipocas e refrigerantes que custam os olhos da cara em qualquer bomboniere... Por outro lado, o mesmo filme, em versão pirata, sai a módicos 5 reais nas calçadas de nossas cidades. Não tem assalariado que pense duas vezes!).

Cobrar das pessoas consciência quanto à usurpação dos direitos autorais alheios é, no mínimo, ingênuo. Na selva em que todos vivemos hoje, cada um está apenas defendendo o seu lado.

Quem vai se preocupar se a Ivete Sangalo está com as contas em dia? A Sangalo que morra! Além do mais, todo mundo sabe que artista vive é de show. Vendagem de discos mantém – ou mantinha - bem poucos no Brasil.

Lá fora, a coisa é diferente, porque, afinal, eles sempre tiveram um mercado fonográfico bem estruturado, forte e profissional. Um grupo como os Beatles, por exemplo, pôde se dar ao luxo de parar de fazer shows e se concentrar somente na gravação de suas grandes obras. Outros tempos, sem dúvida...

O que me leva à questão da conta. Se a indústria esperneia, processa e corre atrás do prejuízo sem muitos resultados práticos, os artistas, por sua vez, parecem completamente perdidos no meio do tiroteio.

Há uma geração inteira de garotos e garotas que não sabem o que é ir a uma loja para comprar um disco. Quem é mais esperto e antenado, aprendeu a falar com essa turma diretamente na internet. Há aqueles, inclusive, que passaram a entregar suas músicas sem cobrar um tostão. Se tais carreiras frutificarão é um mistério que só o tempo desvendará.

Eu, como sou um quase quarentão e continuo adorando cada disquinho e cada discão que eu possuo, fico assim meio desconfiado de tudo isso.

O chato dessa história toda, é que colecionadores como eu vão ficando cada vez mais anacrônicos e nostálgicos. E eu não consigo deixar de lembrar como era gostoso sair andando de loja em loja, pesquisando preços, checando novidades, namorando raridades, amando a música mais que qualquer outra coisa...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Não Há Boda em "Muriel" de Alain Resnais

Por Lázaro Luis Lucas

Terceiro longa-metragem do cineasta francês, Muriel (ou O Tempo de Um Regresso), de 1963, é sua obra mais acessível da primeira fase de sua carreira. Diretor de Hiroshima Meu Amor (1959) e Ano Passado em Marienbad (1961), Alain Resnais é para público bem específico.

Tido por críticos de cinema como um autor de filmes, suas obras estão intimamente ligadas à literatura. Alain Resnais preferia ver seus filmes roteirizados por escritores a roteiristas resultando, quase sempre, em obras difíceis para o público mediano de cinema, como eu, por exemplo.

Em Muriel, roteirizado pelo escritor Jean Cayrol, Resnais desenvolve seu filme a partir dos personagens Hélene (Delphine Seyrig), Alphonse (Jean-Pierre Kérien), Bernard (Jean-Baptiste Thierrée) e Françoise (Nita Klein). A cidade de Boulogne surge como um quinto personagem. Há, ainda, o "fantasma" da personagem Muriel, pronto a tomar de assalto a vida de todos eles.

Aqui, os personagens parecem próximos demais da loucura. Vivendo no limite, estão a todo tempo fugindo de algo ou de alguém, tentando em vão esconder uns dos outros seus medos, suas inseguranças e seus vícios. São personagens solitários em meio a todo o burburinho de uma cidade.

A trilha sonora, propositadamente deslocada e a edição apressada, privilegiando apenas os diálogos, reforçam ainda mais o clima de abandono. Parece a Nouvelle Vague. Felizmente, não é. Trata-se apenas um trabalho único de um autor de cinema e excelente diretor de atores.

Compõem, ainda, a filmografia básica de Alain Resnais os filmes Meu Tio na América (1980), A Vida é Um Romance (1983), Smoking/No Smoking (1993) e Medos Privados em Lugares Públicos (2006).

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tempo e Memória

O canal de TV paga, VH1, estreou no último sábado, dia 26, uma série intitulada As Canções que Mudaram o Mundo.

Composto por dez programas, a série tem a ambição de resumir o espírito de várias épocas por meio de canções emblemáticas como Smells Like Teen Spirit do Nirvana, Heartbreak Hotel, de Elvis Presley e I Wanna Hold Your Hand, dos Beatles. Tarefa das mais difíceis.

Apesar de saber do impacto de determinadas músicas na história da cultura ocidental, acho que, no fundo, o que importa para cada um de nós são as músicas que mudaram nossas próprias vidas. Essas eu carrego na minha memória como um baú de jóias preciosas e escutá-las sempre me transporta para momentos marcantes e inesquecíveis da minha existência.

Por exemplo: I Wanna Hold Your Hand pode ser um marco na carreira dos Beatles, a música que os tornou conhecidos nos Estados Unidos – na Inglaterra eles já eram um fenômeno – e, por extensão, no resto do mundo. Mas, para mim, nenhuma canção dos Fab Four foi tão significativa quanto Eleonor Rigby, uma delicada obra sobre solidão, desesperança e velhice, belamente adornada por instrumentos orquestrais. Justamente por tratar de temas tão atemporais, Eleonor Rigby permanece atual e certamente ainda muito influente.

Ao lado de Yellow Brick Road (Elton John), que talvez tenha sido a primeira música que eu escutei repetidas vezes, tentando decorar uma letra num idioma do qual eu não conhecia patavina, de Bohemian Rhapsody (Queen), que me apontou as possibilidades ilimitadas de criação artística, de I Love It Loud (Kiss), que me abriu a cabeça para um lado de fantasia e diversão muito importantes para a música, de Será (Legião Urbana), que me mostrou que Brasília podia fazer rock e que esse rock podia ser muito bom e, finalmente, de Karma Police (Radiohead), que entrou na minha vida devagarzinho, até me dominar por completo, Eleonor Rigby forma um conjunto precioso de grandes referências musicais e eternas fontes de alegria e prazer.
A seguir, uma pequena lista de canções que, volta e meia, eu tenho que escutar para não perder o rumo:

1 Ask. The Smiths
2 One. U2
3
Like a Hurrycane. Neil Young
4 Atmosphere. Joy Division
5The One I Love. R.E.M.
6
Free Money. Pati Smith
7 Love Song. The Cure
8Life On Mars. David Bowie
9Sheena Is A Punk Rocker. The Ramones
10Bizarre Love Triangle. New Order
Servico:
As Canções Que Mudaram o Mundo
CANAL VH1 (NET, canal 89. SKY, canal 84). Todos os sábados, às 23 horas.

domingo, 27 de setembro de 2009

Essenciais!

Por Lázaro Luis Lucas

Todos nós, fãs de cinema, temos nossos preferidos. Principalmente, diretores. São eles que, quando devidamente autorizados, dão aquele toque pessoal a um filme. E, principalmente, quando bem acompanhados.

Atores e atrizes, técnicos em fotografia e edição, compositores e produtores musicais, roteiristas e toda uma gama de profissionais qualificados. Todos, sob o comando de um diretor talentoso e hábil, redem excelentes filmes.

São tantos bons profissionais que houve uma época em que achava superestimada a importância do diretor em um set de filmagem. Mas o tempo tem me mostrado o quanto estava errado.

Definitivamente um bom diretor é essencial para o resultado final. E diante do talento inegável de alguns desses homens e mulheres, até o nome muda para identificá-los. De diretores de cinema passam a ser reconhecidos por cineastas.

E são cinco desses magníficos cineastas que eu gostaria de recomendar aqui no Vitrola Encantada.

Alfred Hitchcock (1899-1980), Federico Fellini (1920-1993), Ingmar Bergman (1918-2007), Luis Buñuel (1900-1983) e Robert Altman (1925-2006), juntos, dirigiram centenas de obras cinematográficas imortais, dessas que durarão o tempo em que a espécie humana durar aqui na Terra.

Seus filmes, salvo raríssimas exceções, permanecem atuais de uma maneira tão impressionante que nem mesmo todo o avanço tecnológico e toda liberdade artística dos tempos atuais jamais conseguirão reproduzir, menos ainda superar, alguns dos momentos mais marcantes dirigidos por esses senhores.

Com Hitchcock a arte mostrou-se financeiramente viável, com Fellini viver tornou-se uma festa, por vezes indigesta, mas, ainda assim, uma festa. Bergman filmou como poucos o indivíduo e suas particularidades mais íntimas. Buñuel nos trouxe a crueza do mundo real e a dos sonhos para as telas. E Altman, por fim, radiografou de maneira ácida, e também apaixonada, a sociedade americana dos anos 60 e pós.

Por fim, uma característica comum em seus filmes, e também o que os torna tão brilhantes, é a capacidade deles em dialogar com um número cada vez maior de espectadores.

Assistir a um Fellini, a um Hitchcock, é um enorme prazer para a mente e para o coração.

Cineastas que apostavam, essencialmente, na inteligência emocional do seu público, estes cinco grandes diretores de cinema merecem todo nosso carinho e atenção. Hoje e sempre.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Prazeres Secretos

Existem alguns discos que são como um segredo pessoal, daqueles que você mantém para si mesmo, guardadinho para um dia chuvoso. Nos momentos de nostalgia, tristeza ou simplesmente indolência, você corre para eles e, magicamente, se sente reconfortado e feliz.

Um desses tesouros na minha vida é o primeiro disco da banda inglesa The House Of Love, lançado em 1988 e que eu só viria a descobrir em 1990, numa viagem ao Rio de Janeiro.

Comprei o cassete num daqueles camelôs que, muitos anos atrás, vendiam fitinhas piratas pelas calçadas. Acho que, na época, quase destruí a fita de tanto ouvir.

Não sei explicar com exatidão o que me apaixonou tão imediatamente. Eles, de fato, não apresentavam nada de novo. O som era meio Velvet Underground via The Jesus And Mary Chain, ou seja, muita guitarra, microfonia, vocais sonolentos e letras depressivas. Mas era tudo tocado com uma sinceridade e uma delicadeza raras.

Canções como Christine, Man to Child e Salome viraram verdadeiros hinos de final de adolescência, para mim.

Muito bem. O tal pirata perdeu-se em uma das minhas muitas mudanças e eu fiquei na saudade.

Em todas as viagens que eu fazia, The House Of Love constava nas minhas listas de cd’s a procurar, mas, misteriosamente, nunca esbarrei com o disco.

Recentemente encontrei o cd na London Calling, loja de discos importados de São Paulo, a exorbitantes 80 (!!!!!!) reais. No sítio da Amazon, o álbum só é disponibilizado em versão importada. Ou seja, é muito difícil adquirir essa preciosidade.

Qual não foi minha surpresa, portanto, quando achei um vinil em ótimo estado em minha última viagem a Sampa.

Motivado pelo feliz achado, comecei a fuçar na internet e descobri num desses blogs que disponibilizam álbuns, o disco inteirinho, perfeitinho, uma belezura.

The House Of Love voltou triunfante a minha vida. Se bem que, agora, ele não é mais um daqueles segredos íntimos que eu mencionei lá no início do texto...

domingo, 20 de setembro de 2009

Baladas de Loucos

No final do documentário Loki, de Paulo Henrique Fontenelle, o guitarrista Sérgio Dias questiona os limites entre sanidade e loucura e pergunta: "Quem é o louco, o Van Gogh ou nós?" Obviamente que, quando fala do grande pintor holandês, está, na verdade, se referindo a seu irmão e parceiro musical, Arnaldo Baptista, tema principal do longa de Fontenelle.

Gênio incompreendido, pioneiro musical, compositor ousado e a frente do seu tempo, Arnaldo é uma lenda viva não só do rock nacional mas também de toda a história do rock mundial. Que sua obra seja mais reconhecida e admirada lá fora do que aqui é sintoma da nossa eterna falta de visão e sensibilidade.

Muito mais que gênio musical, Arnaldo foi, entre nós, a personificação do artista como ser iluminado e, como tal, condenado a visões partilhadas por bem poucos. A loucura e a alienação mental são, para pessoas como ele, fantasmas que sempre estão a espreitar por trás da porta.

A associação entre loucura e arte é tão longa quanto a própria história da arte. Imagino que mesmo quando os artistas eram seres anônimos e sem reconhecimento, quantos não devem ter enlouquecido em meio a vitrais góticos que filtravam magicamente a luz exterior e criavam, em igrejas monumentais, imagens assombrosas.

O espaço que separa criação e desvario é bem curto. Cruzá-lo revela-se, no mais das vezes, fatal.

Miguel de Cervantes, em seu monumental Don Quixote, cria um protagonista que, de tanto ler novelas de cavalaria, sai pelo mundo combatendo monstros imaginários e salvando donzelas nem tão donzelas assim. Talvez seja o primeiro relato do poder mitificador das artes e também um retrato entre o cômico e o trágico de alguém que transforma a vida em arte e, neste processo, se afunda na loucura completa.

Artista loucos e loucos artistas existiram e existem aos montes.

Aqui no Brasil, o sergipano Arthur Bispo do Rosário quebrou as tênues fronteiras do artístico e do puramente lunático, com uma obra que até hoje desperta o interesse a fascinação de público e crítica. Tendo passado por várias instituições psiquiátricas, Bispo do Rosário deixou uma obra inclassificável, na qual o lixo, a sucata e tudo rejeitado por nossa sociedade se incorporam em painéis de uma plasticidade única.

Na mesma instituição que abrigou o hoje reconhecido artista plástico, o escritor Lima Barreto amargou o inferno de uma vida marcada pelo alcoolismo, a depressão e o preconceito. Autor do brilhante Triste Fim de Policarpo Quaresma, Barreto morreu aos 41 anos, um tanto ridicularizado por suas ideias nacionalistas e sem ver sua obra literária devidamente valorizada.

No terreno da música, a grande associação entre criatividade artística, marginalidade e drogas foi responsável pelo afundamento de muitas mentes excepcionais.

Não consigo deixar de pensar em Syd Barrett, o fundador do Pink Floyd e um dos talentos mais intensos surgidos na época da psicodelia britânica. Após gravar junto ao Floyd o mágico The Piper At The Gates Of Dawn, Barrett entrou numa viagem sem volta e mergulhou, enfim, num mundo próprio e num isolamento melancólico até o fim de sua vida, em julho de 2006. Deixou, ao menos, um álbum solo imprescindível, o magnífico The Madcap Laughs.

Caso similar, encontra-se em Brian Wilson, o arquiteto por trás da edifício sonoro dos Beach Boys. Autor de incontáveis clássicos do rock americano, Wilson comecou a pirar na final da década de 60, movido por muita droga, traumas familiares e crises de pânico. Sua obra abortada Smile, de tão ousado e revolucionário,viraria um disco perdido que só veria a luz do dia em 2004, confirmando seu imortal talento e sua grande visão artística.

É ao lado destes "doidos de pedra" que o doce e iluminado Arnaldo Baptista orgulhosamente se posta. Sua obra permance, nestes tempos de mediocridade e marasmo criativo, um farol em meio à neblina.

A quem tiver juízo - ou não - cabe redescobri-la.