
Nestes meus trinta e cinco anos vivendo na Capital Federal, tive que amargar o gosto de se morar num lugar que, como diria o Engenheiros do Hawai, fica longe demais das verdadeiras capitais.
É claro que entendo a logística que torna praticamente impossível trazer nomes internacionais a Brasília, mas, ao mesmo tempo, sinto que a cidade tem um público sedento por cultura e artes, em geral. Não explorar esse potencial é típico da falta de visão do empresariado nacional.
Lembro-me bem que quando o camaleão David Bowie esteve no Brasil (quando foi mesmo? Acho que início da década de 90, mas não estou bem certo...), nosso alienígena mais querido declarou em entrevistas que é grande fã do arquiteto Oscar Niemeyer, e que desejava conhecer tantas obras quanto possível do autor de todos os prédios importantes de Brasília.
Ninguém ouviu ou, então, se fingiram de bobos. Bowie poderia ter vindo à capital, visitado a Catedral Metropolitana – considerada uma das obras-primas de Niemeyer –, e depois cantado umas musiquinhas para os brasilienses. Nada mau, mas, como sempre, ficamos a ver navios.
Na última visita do U2 ao Brasil, o vocalista Bono veio especialmente a Brasília para uma audiência com o presidente Lula. Não podia ter ficado e ter feito um belo show para os milhares de brasilienses fanáticos pelos irlandeses?
No mínimo teria evitado a migração, em ônibus fretados para São Paulo, de frustrados como eu, que saí de Brasília numa terça-feira, passei a noite na estrada, fui para a fila do Morumbi às 11 da manhã da quarta-feira, assisti ao show, fui para o ônibus, passei outra noite na estrada e ainda tive que trabalhar no dia seguinte.
Valeu? Muito. Posso dizer, sem sombras de dúvidas, que foi o melhor show da minha vida.
Mas que teria sido bem melhor evitar todo esse sacrifício, disso também não tenho a menor dúvida.
É por isso que sempre fico com muita desconfiança dessas notícias bombásticas de mega-astros como McCartney tocando por aqui.
Obviamente que se for verdade, há uma grande chance de eu finalmente ver algo que possa superar a magia criada por Bono e seus companheiros em cena.
Tomara...
4 comentários:
eu o vi ao vivo e tenho o disco dessa capa ai....amo o Paul...adorei o post! bjão
Bowie esteve em Niterói (minha cidade), acho que em 1995. Veio ver a segunda cidade no mundo com mais projetos/obras dele. Esteve no MAC por mais ou menos 1 hora. Lindo! E eu... babando!
Um beijo,
L.
Que inveja das duas. Acho que se tivesse que optar, veria o Bowie, que eu sempre admirei mais (aliás, acho que somente o Neil Young se equipara a Bowie, em termos de artista solo).
Beijos, queridas
Obrigado, Dan. Grande gentileza. Boa sorte no lançamento do livro.
Abraços
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