terça-feira, 30 de março de 2010

Doces Vozes: Suzanne Vega e Tracy Chapman

Para o bem e para o mal, a cantora e compositora Suzanne Vega ficou conhecida no mundo inteiro por meio da canção Luka, de seu álbum Solitude Standing, de 1987.

O problema de Luka é que sua melodia alegrinha – quase tola – esconde sua real razão de ser: trata-se de uma música sobre um garoto física e psicologicamente maltratado por seus próprios pais. Acho que, à época do enorme sucesso da canção, muita gente que não sacava nada de inglês ficaria chocada ao descobrir tal coisa. Mas esta era e é Suzanne Vega, uma artista comprometida com causas sociais e de canções introspectivas e tristes.

Firmemente ancorada na tradição dos grandes trovadores americanos, Suzanne surgiu na metade dos anos 80 como uma lufada de ar fresco numa década em que os discos foram ficando mais e mais superproduzidos e o pop caminhava a passos gigantescos para a pasteurização e a repetição.

De certa maneira, ela abriu caminho para o enorme sucesso alcançado em 1988 pela estreante Tracy Chapman.

Em seu debute, Chapman recriou o ideário de mudanças e revoluções capitaneadas pela música de artistas como Joan Baez e Bob Dylan.

Quase inteiramente acústico, o disco encanta pela voz estranha e bela de Chapman, um timbre que remete a uma ancestralidade de injustiças sociais, sofrimento e busca por horizontes mais dignos.

Ironicamente, o grande sucesso do disco no Brasil foi a balada romântica Baby Can I Hold You, uma canção melosa que, de maneira alguma, reflete o cerne do trabalho de Chapman. Este precisa ser buscado em Fast Car, uma narrativa dolorosamente bela sobre pobreza, esperança e fuga.

Até hoje emociona.

10 comentários:

Jonathas Nascimento disse...

Tracy e Suzanne, duas vozes e muitas histórias a contar.

Nirton Venancio disse...

A história de Suzanne Vega desperta curiosidade: já adulta descobriu que seu pai não era seu pai, e partiu em busca do pai biológico, com detetive e tudo. A música "Blood sings" no disco "99.9º", de 1992 relata o reencontro com seu pai verdadeiro.

Gilson disse...

Chapman é tudo de bom. Anda sumida........
Quanto a Suzanne, não me lembro de nada dela!!!

jefhcardoso disse...

Acabo de vir do “Acervo Pop” de nosso blogosférico amigo Jonathas. Foi lá que tomei conhecimento de seu blog e decidi lhe convidar para conhecer o meu http://jefhcardoso.blogspot.com, onde venho postando as minhas publicações nos jornais e outras coisas mais. (sorrio).

Espero que atenda ao meu convite. Será um prazer receber-te. Abraço!

Jefhcardoso.

Andrea Gondim disse...

Suzanne Vega e Tracy Chapman marcaram de forma positiva as trilhas da minha vida. A década de 80 é inesquecível, e no que diz respeito à música, parece que àquela época a inspiração envolveu nosso planeta de maneira contundente. Parabéns pelo Blog e acima de tudo pelo bom gosto musical.

Andrea Gondim disse...

Com certeza Tracy Chapman escolheu o caminho certo... e por falar em Joan Baez, adoraria qualquer post sobre a mesma, afinal ela me fascina desde sempre. Abraço!

Serginho Tavares disse...

adoro as duas pena que sumiram
este disco da tracy é fabuloso e "fast car" e "talkin' bout a revolution" minha smuscias preferidas

Luis Valcácio disse...

Andrea, infelizmente conheço muito pouco da obra de Baez, além das clássicas canções de protesto do início dos anos 60. Quem sabe mais para frente, né?
Grande Abraço para todos!

JRonson disse...

fiqei totalmente apaixonado pela musica de fundo do blog, linda voz sem duvida :)

Andrea Gondim disse...

Grata pela atenção. Abraço!