
No entanto, ao seu redor, tudo que existe é um rock pomposo e superproduzido, discos com músicas que ocupam um lado inteiro do vinil, viagens e mais viagens.
Os maiores nomes são Pink Floyd e Led Zeppelin que, cada um a sua maneira, já parecem ter dado sua grande contribuição, alcançaram a fama e se deitaram numa luxuosa cama. O que você faz?
Você forma uma banda de rock suja e tosca, grava 14 canções de 2 minutos cada, acha um porão fedido para tocá-las e, sem perceber, você já desencadeou um dos movimentos mais incendiários da história da música jovem.
O nome da sua banda é Ramones e o monstro que você e seus amigos geraram se chama punk e, em poucos anos, ele devoraria dinossauros que muitos imaginavam eternos e converteria outros milhares de garotos e garotas ao seu barulho urgente e destruidor.
Se você, além de tudo isso, ainda fizer uma capa antológica, melhor ainda.
A foto que mostra os Ramones em seu disco de estréia, lançado em 1976, não poderia ser mais brutalmente honesta e simples.
Fotografados em preto-e-branco numa rua pichada, sem produção e maquiagem de qualquer tipo, os membros do grupo lembram moradores de ruas ou motoqueiros arruaceiros prontos para uma briga.
Se a gente se lembra das capas cheias de detalhes, significados ocultos e outras frescuras típicas dos anos 70, é possível ter uma idéia do impacto visual provocado pelos Ramones.
Depois deles, todo mundo passou a rasgar seus jeans, a usar couro com tachinhas e arranhar três acordes básicos em guitarras de segunda mão.
Da quantidade imensa de lixo saída da revolução punk, os Ramones seguem eternos em sua crueza e simplicidade.
Definitivamente, os reis sem coroa do rock.
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