segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Uma História da Delicadeza

Uma das coisas ruins de envelhecer é que a gente vai ficando cínico. Talvez cínico seja um tanto forte, mas o fato é que vamos perdendo o encanto; aquele deslumbramento que sentimos com determinadas obras fica cada vez mais raro.

Não consigo, por exemplo, sequer me interessar por um filme como Avatar. E não adianta me falarem que é o máximo, que os efeitos são isto ou aquilo, que é uma revolução na forma de se fazer cinema etc. O fato puro e simples é que quanto mais caros e tecnológicos ficam os filmes, mais pobres se tornam suas histórias.

É por isso que quando descubro uma pequena maravilha como Contos de Tóquio, filme de 1953 do cineasta japonês Yasujiro Ozu, tudo se torna de novo encantador e surpreendente para mim.

Delicado drama familiar sobre um casal do interior do Japão que vai visitar os filhos já adultos na cosmopolita Tóquio, o filme transcorre lentamente durante 2 horas e quinze minutos. Cada mínimo detalhe é captado pela câmera sóbria de Ozu: gestos, expressões, sorrisos e lágrimas vão, aos poucos, compondo o descompasso entre os pais idosos e os filhos ocupados e insensíveis.

Toda a sutileza do mundo passa pelas mãos hábeis de Ozu, que constrói essa história universal de uma maneira realmente muito oriental. É preciso reeducar o olhar para poder apreciá-lo. Nossa cabeça, violentamente exposta a blockbusters explosivos de Hollywood e a baixarias televisivas, leva um choque.

Uma vez entregue ao particular ritmo de Ozu, no entanto, a epifania é completa: não pode haver um cinema mais rico e belo que este.

9 comentários:

Sandra Ibiapina disse...

Lindo!!
Amore,onde consiguo esse filme?

Sandra Ibiapina disse...

Lindo!!
Amore,onde consiguo esse filme?

Luis Valcácio disse...

Sandra querida: o filme saiu em DVD no Brasil. Aqui em Brasília eu o encontrei numa locadora excelente que fica na 104 sul, a LOC VIDEO.

Sandra Ibiapina disse...

ok,Luisinho
obrigado pela dica
bjo

Marco Goulart disse...

Eu tb tenho a mesma atitude em relação ao avatar.

Mauricio Quinderé Cals disse...

Concordo com vc. caça-níquel e lavagem cerebral!

Selmo Norte disse...

Você assistiu ao Avatar, meu caro? O filme é simplesmente duca! Mas, claro, para além das grandes produções, ainda bem, temos pérolas como essa japonesa, que vocë nos indica.

Mayara disse...

Olá.. tenho voce ja como amigo pelo blogspot. Estou seguindo seu blog à tempos. Voce pode ser seguidor do meu tbm? Da uma força la pro meu blog. Mayara. Agradeço desde ja.

Luis Valcácio disse...

Já estou lá, Mayara. Valeu e grande abraço!