
A capa do primeiro álbum do King Crimson, lançado em 1969, já despertou muita especulação sobre seu sentido. E continua intrigando e fascinando.
O disco, clássico, é um conjunto de apenas 5 longas faixas, exaustivamente trabalhadas, que estabeleceriam o padrão para o chamado rock progressivo. Mas, ironicamente, a capa é mais lembrada que a própria obra.
Para mim, a beleza dessa pintura só encontra paralelo em outro quadro sobre angústia, desespero e dor, O Grito, do norueguês Edvard Munch, exposto pela primeira vez em 1893 e, desde então, uma das imagens mais conhecidas da arte ocidental.
Munch, que teve a vida marcada pela depressão e por perdas precoces de pessoas queridas, traduziu perfeitamente o sentimento de inadequação e desamparo do homem moderno.
Mais de 70 anos depois, o King Crimson captaria novamente esse sentimento em sua magnífica estréia.
A euforia de paz e amor dos anos 60 já dava claras mostras de cansaço no final de uma década que, em retrospecto, se revelaria violenta, conturbada e sangrenta.
Novamente, o único ato possível, nesse contexto, é gritar para o vazio.
Pelo menos, dessa vez, havia uma bela trilha sonora de fundo...
4 comentários:
Vi vc me seguindo... fiquei curiosa e vim aqui. E não é que gostei? Adorei,rapaz!
E agora tbm te sigo...
Um beijo,
L.
nossa, texto maravilhoso luis. muito bom.
Pois é, rapaz, não é que me fizeste pensar sobre... "A euforia de paz e amor dos anos 60 já dava claras mostras de cansaço no final de uma década que, em retrospecto, se revelaria violenta, conturbada e sangrenta."
Não era Hippie o Charles Mason?
1969, outro ano que não terminou muito bem...
Sobre esse álbum, o q dizer? Pra mim, miseravelmente, no rock, entre os 10 melores de todos os tempos.
Faço minhas as palavras da moça L aí encima.
Um abraço.
Realmente, Sérgio, a conexão Charles Mason e o fim do sonho "flower power" tem tudo a ver. Não consigo deixar de pensar também na tragédia que foi o show dos Rolling Stones em Altamont.
Obrigado pela visita e volte sempre!
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