terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Síndico da Voz Insuperável

Falei de Tim Maia em minha última postagem, porque tenho escutado os dois primeiros discos do músico carioca sem parar nos últimos meses. Isso é bastante inusitado porque nunca gostei de Tim Maia.

Na década de 80, quando comecei a me interessar seriamente por música, Maia era o cantor de vozeirão grave de sucessos radiofônicos que eu considerava insuportáveis, como Me Dê Motivo, Um Dia de Domingo (dueto com Gal Costa) e Vale Tudo (esta com Sandra de Sá).

Dada a qualidade questionável de tais canções, Tim Maia virou, para mim, sinônimo de baba ou música dançante esquecível.

Mas o tempo está aí para corrigir tais absurdos. A descoberta da fase 70 de Tim Maia tem sido um dos grandes achados recentes em minha vida.

Não vou discutir aqui suas excepcionais qualidades vocais. Tim Maia é o maior cantor pop brasileiro e ponto. Não tem para Milton Nascimento nem Djavan.

Ninguém nunca cantou com tamanha desenvoltura, emoção e potência. Escutar uma música como Você nos faz pensar que a música brasileira já foi completa: arranjo impecável, bela letra e uma voz que só encontra paralelo nos maiores mestres do soul americano.

Aliás, penso que Tim nasceu no país errado. Tivesse nascido americano teria sido aclamado como um dos maiores de seu tempo, gravado discos que seriam referência para a história da música, além de, provavelmente, ter ficado muito rico.

Como nasceu brasileiro, numa família numerosa, teve de enfrentar todas as dificuldades de ser um músico negro, com uma sonoridade muito particular, que misturava Black Music com forró e rock (isso décadas antes dos Raimundos!). Não que o público não tenha entendido. Tim Maia sempre foi um artista popular e querido pelos brasileiros.

Mas sua vida turbulenta, desregrada e excessiva, o tornou uma figura meio tragicômica. Sua morte precoce, aos 55 anos, deixou uma lacuna na MPB que dificilmente será preenchida.

Os dois discos que Tim gravou no início da década de 70 permanecem duas obras-primas de inigualável qualidade musical e vocal.

Uma lição para o pretensioso sobrinho de Tim, Ed Motta, que sempre arrotou ambições absurdas, mas nunca gravou nada que chegue aos pés da obra do tio.

Um comentário:

Dan disse...

Oi Luis,

Musico importante, figura controvertida, um grande artista. Deixou raízes.

Abraços