William Tyller.
Começo hoje com uma citação, porque ela me pareceu extremamente oportuna diante da morte, na quinta-feira passada, 25 de junho de 2009, de Michael Jackson.
Durante os últimos 15 anos, o mundo assistiu, calado, a uma imensa campanha, por parte da mídia, de destruição e anulação do imenso legado artístico desse músico genial, que iniciou-se na vida artística em uma época em que a maioria ainda está apenas brincando e estudando, e evoluiu para uma carreira-solo, a princípio brilhante e, depois, ofuscada pelas atribulações de sua vida particular.
Não pretendo fazer coro aos milhões de viúvos espalhados pelo resto do mundo. Acho e sempre achei que Michael Jackson é uma figura fundamental para se entender toda a música pop planetária feita a partir dos anos 80. Sem Off The Wall e Thriller a história da música teria sido outra. Não existiriam artistas como Beyoncé, Justin Timberlake, Rihana, Maxwell e, até mesmo, Madonna (pelo menos, não da forma como a conhecemos e admiramos).
O que me chama atenção em todo o circo que se formou após a morte precoce de Jackson, é a transformação de um semelhante em diferente, excêntrico e anormal. Parece-me que nos assusta profundamente o que existe de nós mesmos naquele homem triste e patético.
Melhor, então, transformá-lo em aberração. Melhor ressaltar as modificações assustadoras de sua aparência que lembrá-lo como o negro lindo que ele era na década de 70. Melhor trazer a tona suas dívidas monstruosas do que recordar o performer eletrizante, o cantor excepcional, o dançarino hipnotizante. Melhor pensar que ele era um doente a reconhecer que poucas pessoas resistiriam de forma saudável a um sucesso e a uma adoração maiores que a própria vida.
Ver a mesma imprensa que o massacrou e ridicularizou incessantemente, agindo como urubus em cima da podridão, não é apenas triste. É desrespeitoso com milhões de admiradores do verdadeiro Jacko.
O artista completo, único e absoluto que tornou todas as nossas vidas mais alegres entre 1979 e 1987.
Esse Michael viverá para sempre.
3 comentários:
É, Luis, o universo conspira para a vacuidade, pois a insignificância nos cerca.
Eu só espero que na hora de todos os fins, a verdade deva surgir.
E cada um, aprisionado em seu destino, deve enfrentá-la sem mais escapatória.
Luis, vc disse, de modo muito enxuto e limpo, o que eu estou sentindo. Há meses postei um lance sobre o Michael, justamente tentando entender o pq da imprensa ter acabado com o MJ. E agora.... puta quepariu!
Foda, mesmo, Wal... Mas, ao menos, temos o consolo de termos acompanhado Jackson ainda no auge, né?
Abraço
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