quarta-feira, 24 de junho de 2009

Meus Discos Preferidos: Ao Vivo

Alive!Kiss (1975)
Não é de se admirar que um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos seja justamente de uma banda que fez sua fama nos palcos. O Kiss era pura adrenalina ao vivo, um espetáculo que envolvia fogo, fumaça, guitarristas voadores e um baixista que vomitava sangue. Mau gosto? Pode ser, mas nos anos 70 essa receita colocou o Kiss no topo do mundo e Alive! foi seu cartão de visitas. Uma verdadeira paulada!

Get Yer Ya-Ya’s OutThe Rolling Stones (1970)
Gravado durante dois concertos no Madison Square Garden, em Nova Iorque , este disco representa o ápice dos Rolling Stones no final da década de 60 e é o registro definitivo da banda sobre um palco. Todos os outros ao vivo dos Stones são burocráticos e desnecessários, mas aqui eles provam porque eram humildemente conhecidos como “a melhor banda de rock do mundo”.

MTV Unplugged In New YorkNirvana (1994)
A série de shows em formato acústico da emissora americana marcou época, sem dúvida, mas também criou uma fórmula que, de tão repetida, se tornou uma piada. Hoje, qualquer bandinha vagabunda faz uma apresentação no estilo um banquinho e um violão, achando que está arrasando. E dá-lhe Emerson Nogueira e Dani Carlos... A outra volta do parafuso dessa história está neste magnífico registro do Nirvana. Enxugando sua sonoridade suja e barulhenta e extraindo dela apenas a beleza dilacerada que habita o mais puro blues, o Nirvana apontou novas direções para sua música. Uma pena que um tiro besta interrompeu essa trajetória impressionante...

Acústico MTVCássia Eller (2001)
Ah, Brasil... Quando os tais acústicos começaram a vender milhões de cópias por aqui, o formato já estava morto e enterrado no resto do mundo. O que, obviamente, não tira o brilho de alguns discos, principalmente deste registro final da grande Cássia Eller. Cantando como nunca, ela vai do pagode ao rock, passando por Edith Piaf e Beatles. Mas o melhor está na delicadeza de Luz dos Olhos, de Nando Reis e Por Enquanto, da Legião Urbana. É longe dos eventuais excessos de algumas de suas interpretações, que se encontrava a Cássia mais completa e emocionante.

How The West Is WonLed Zeppelin (2003)
O melhor registro ao vivo deste verdadeiro monstro dos palcos só foi lançado duas décadas depois de a banda encerrar suas atividades. Antes tarde do que nunca. A partir da abertura acelerada de Immigrant Song (saga de lendas nórdicas condensada em menos de três minutos), o grupo segue por uma sequência de clássicos do peso, sem esquecer o lado mais melódico e abrir um bom espaço para improvisação e reinvenção. Imprescindível!

Under a Blood Red SkyU2 (1983)
O U2 antes de se tornar o U2 como o conhecemos, era uma banda visceral e de energia quase punk, que fazia shows como se o mundo fosse acabar em seguida. Não existe nenhum disco que capte um espetáculo inteiro da banda. O mais próximo disso é esse mini-LP, com apenas oito músicas. Os grandes clássicos do início da carreira estão todos aqui (Sunday Bloody Sunday, New Year’s Day, I Will Follow), junto a lados B de primeiríssima (Party Girl e 11 O’Clock Tick Tock).

100 More MilesCowboy Junkies (1994)
Todo mundo que já ouviu alguma coisa desse maravilhoso grupo canadense se apaixonou imediatamente. A voz suave de Margo Timmins, os arranjos delicados, a revisão muito pessoal que o grupo faz do blues e da country music americana, tornam os vaqueiros viciados um verdadeiro deleite. Neste álbum duplo, eles fazem uma retrospectiva dos quatro primeiro discos, além de se aventurarem em belas versões (State Trooper, de Bruce Springsteen, é simplesmente arrepiante).

Kick Out The JamsMC5 (1969)
Poucos grupos teriam a coragem de se lançar com um disco ao vivo. No caso do grupo americano MC5, este foi um ato muito natural, afinal seus shows sempre foram happenings onde tudo podia acontecer. Anárquico, sujo e rebelde, Kick Out The Jams é um álbum que não deixa pedra sobre pedra. Para escutar e entender porque eles são frequentemente apontados como precursores do movimento punk.

Fa-talGal Costa (1971)
Quem vê Gal transformada na paródia de si mesma, que se arrasta por aí há quase duas décadas, não consegue imaginar que ela um dia foi uma cantora que se arriscava, interpretava gente nova, sangrava em cada canção... Este disco ao vivo surpreende até hoje pela pegada rock, aliada a um lirismo doce e meio triste (não se pode esquecer que o Brasil vivia o auge da ditadura militar). Oscilando entre o grito que vem das entranhas e o sussurro que faz chorar baixinho, Gal dá uma aula de canto, emoção e entrega artística.

If You Want Blood You’ve Got ItAC/DC (1978)
Outra banda que tem o palco como lar, a australiana AC/DC tem no guitarrista Angus Young sua figura de frente. Com roupa de colegial, performance de epilético e uma habilidade impressionante com as seis cordas, Angus já virou um ícone do hard rock e uma verdadeira lenda viva da guitarra. Este ao vivo faz tremer as paredes não só pelo desempenho de Young, mas também pela presença do falecido vocalista Bon Scott, um doido que criou um estilo até hoje muito copiado.

6 comentários:

Afonso C. disse...

"Quem vê Gal transformada na paródia de si mesma, que se arrasta por aí há quase duas décadas", perfeito esse seu texto, meu caro Luis, infelizmente.
E presenciamos, eu, diga-se, com pesar, uma verdadeira decadência musical dessa que, para mim, uma DIVA de outrora; hoje virada numa vovó-gorducha-de-quase-nenhuma-voz.
Então, viva Maria Bethânia, ainda!

L. disse...

Nossa, eu adoro o "100 More Miles" do Cowboy Junkies. Senti falta do Queen na sua lista... :)
Bjo,
L.

Robson disse...

Aí Luís, sempre uma lista recheada de ótimos discos, mas, como a L. (no bom sentido, claro) e um pouco mais pra trás, senti falta de 4 discos ao vivo fundamentais, "Woodstock" o que melhor exprimiu a geração "Flower Power"; "The Concert for Bangladesh" o libelo de George Harison; "Before the flood" do Bob Dylan e "Made in Japan" do Deep Purple.
Pô que maldade com a Gal, tudo bem que ela não é mais a mesma, mas além de Fatal ela foi Legal.
Abraços

Luis Valcácio disse...

Robson, meu caro, não tenho nenhum dos discos que vc citou, então vou ficar devendo... Quanto à Gal, certamente que ela gravou outros discos muito bons, mas, nos últimos anos ficou um tanto certinha demais. Como disse o Afonso, em termos de divas da MPB, fico com a Bethania.

Luis Valcácio disse...

L.,
Se vc for lá na minha primeira postagem, vai ver que o texto é justamente sobre o Live Killers do Queen, o primeiro disco de rock que eu ganhei e até hoje um trabalho que eu escuto com muito prazer.

L. disse...

Ai Luis, sorry! Nem tinha me atentado..
Um beijo,
L.