
Recentemente, encontrei em um dos mais tradicionais sebos de Brasília, um trabalho que tinha escutado uma única vez, mas que havia me impressionado bastante: Cida Moreyra Interpreta Bertold Brecht.
O disco me havia sido apresentado por uma professora de história de teatro, na Universidade de Brasília (UnB), durante uma aula sobre o chamado teatro épico, do grande dramaturgo alemão Bertold Brecht. Na época, já conhecia a obra de Brecht por meio de uma montagem de Mãe Coragem, vista no Teatro Dulcina, e pela leitura da obra-prima Galileu, para mim um dos maiores textos de literatura dramática já escritos.
A descoberta das músicas compostas por ele junto a Kurt Weill foi um achado inesquecível. Fico imaginando a montagem de suas peças nas décadas de 20 e 30, com toda a efervescência cultural da Alemanha pré-nazismo, o engajamento sócio-político dos trabalhos, as canções comentando e expandindo as possibilidades dramáticas de cada cena, enfim, uma revolução embrionária que foi abortada pela truculência do regime de Hitler.
No disco de Cida, a grande maioria das canções está traduzida para o português pelo diretor teatral Cacá Rosset e são, quase que exclusivamente, acompanhadas apenas pelo ótimo piano da própria Cida. Com toda sua experiência prévia como atriz, ela soube dar o tom exato de teatralidade a cada canção.
Habilmente, Cida costura comédia, drama e musical num disco brilhante.
5 comentários:
Sou um seduzido literal por toda a carreira da inigualável Cida Moreyra.
Encanta-me profundamente a interpretação dessa moça neste trabalho brechtiano.
Veja o espetáculo de Cida com a obra de Janis Joplin, pois é de fazer o coração da gente bater mais feliz!
Aí Luís, você acertou em cheio, a CIDA é ótima e este disco é maravilhoso, assim como a carreira dela que acompanho desde os primórdios, apesar da escorregada do cd e show do Cartola (será que Vinicius tinha razão?) e soube pelo Afonso que ela está cantando Janis, que tem muito mais a ver com ela, fiquei curioso.
Uma dica, se você quer uma outra visão musical do universo de Weill, procure "Stratas sings Weill" da excelente cantora Teresa Stratas, é de arrepiar.
Abraços
Robson
Também tenho este disco, em vinil, diga-se de passagem. Realmente maravilhoso esse trabalho dela. Nunca vi em cd; e já tem mais de 10 anos que não ouço, pois na cidade em que moro encontrar um lugar onde ainda se venda um toca-discos, vitrola, um som pra disco (como dizíamos, depois da chegada do cd) é uma sorte para poucos.
"Surabaya, Johnny, não me deixe assim, Surabaya, Johnny, estou tão infeliz!"
Encontrar Cida Moreyra é um golpe de sorte. Somente em sebos, e olhe lá... Enquanto isso, as lojas estão abarrotadas de Britneys e Lady Ga Ga's. Vai entender...
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