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segunda-feira, 1 de março de 2010

Os piores discos de todos os tempos

Nem só de Sgt. Peppers e Pet Sounds vive a discoteca de um homem. Quem compra muito, erra muito também. Alguns são erros divertidos. Outros, nem tanto.

A seguir uma listinha maldita dos discos mais calhordas que já caíram em minhas mãos:
1Supposed Former Infatuation Junkie. Alanis Morrisette.
Ai, ai, Alanis, após a promissora estréia com Jagged Little Pill, você vendeu trocentos milhões de cópias, criou uma verdadeira sub-raça de moçoilas iradas e cansativas cantando sobre desilusões amorosas e, de repente, colocou tudo a perder com este disco insuportável, longo e vazio.

2Alive III. Kiss.
Donos de um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos, o Kiss manchou seu passado de reis dos palcos com esse caça-níquel descarado que mais parece um disco de estúdio com barulho de público superposto. Não é a toa que logo após eles voltariam a excursionar mascarados.

3 Voodo Lounge. The Rolling Stones.
Toda grande banda tem seu momento bandalheira. Mas entre todas as pisadas de bola dos Stones – que não foram poucas - nada pode ser pior que esse disco frouxo e cafona. Salva-se apenas Love Is Strong, que gerou também um dos mais belos vídeos já feitos.

4Never Let Me Down. David Bowie.
O Bowie dos anos 80 é uma tragédia. Com exceção do grande Scary Monsters, todo o resto de sua produção durante aqueles anos é medíocre. Never Let Me Down é a quintessência da porcaria camaleônica, um trabalho tão confuso e sem foco que fica difícil chegar até o final. Até o Tin Machine é melhor!

5Be Here Now. Oasis.
Quando o Oasis lançou este disco em 1997, eles já eram a maior banda britânica da época. Com a popularidade e o prestígio alcançado com Morning Glory – o disco anterior – eles poderiam ter feito literalmente qualquer coisa. Optaram, então, por fazer um disco pretensioso, oco, estúpido, arrastado e destituído de boas canções. Nem a pior sobra dos Beatles poderia ser tão ruim...

6The Great Escape. Blur.
Outra grande banda do Britpop, o Blur se caracterizou por um ecletismo maior em suas influências e por um maior refinamento em suas composições. Mas este disco é um verdadeiro samba do crioulo doido, um amontoado de canções metidas a engraçadinhas e, no final das contas, muito chatas.

7 Estampado. Ana Carolina.

Ao contrário do que muita gente pensa, não odeio Ana Carolina. Acho apenas que ela se vendeu de forma tão descarada que toda a qualidade de seu trabalho inicial se perde um pouco na minha memória. Este disco é o momento no qual a cantora interessante se torna um pé-no-saco. Muita canção de dor de cotovelo para tocar na novela das 8 e ainda uma parceria com Seu Jorge na moderninha O Beat da Beata, de letra tão absurda que beira o ridículo.

8Líricas. Zeca Baleiro.
Baleiro é o tipo de artista brasileiro que já deveria ter sumido do mapa há séculos. Tudo de mais pretensioso, cabeça e metido que pode existir na nossa música circula livremente pela obra deste maranhense pentelho. Para completar a desgraça, este disco de baladas horrorosas ainda traz uma versão cachorra para Proibida pra mim, “clássico” do Charlie Brown Jr. Saravá, meu pai!

9Fina Estampa. Caetano Veloso.
Falando bem sinceramente: Caetano Veloso já devia ter se aposentado há uns 20 anos. Nas últimas décadas, sua obra se resume a composições de gosto duvidoso, discos ao vivo e álbuns de versões. Fina Estampa é um apanhado de clássicos do cancioneiro hispânico tão tedioso que espanta até professor de cursinho de castelhano.

10Acústico MTV. Gal Costa.
Tentativa patética de aproximação de Gal da geração MTV, este disco pavoroso só serviu para evidenciar a decadência artística desta, antes, grande cantora. Assistir ao vídeo do programa é ainda mais constrangedor: Gal não se deu ao trabalho sequer de decorar a letra de certas músicas!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A Delicadeza É Vermelha

Estava assistindo, esta semana, uma entrevista com a cantora e compositora Vanessa da Mata, no programa Sem Censura, da TV Brasil.

Já há algum tempo que acompanho a carreira desta matogrossense de voz suave e visual exótico e bem brasileiro.

Vendo Vanessa falar - curiosamente, esta foi a primeira vez que a vi concedendo uma entrevista -, me veio a revelação do porque de minha admiração por ela: Vanessa é doce, simples e naturalmente bela.

Explico-me. A MPB vive um momento de um enorme congestionamento de vozes femininas em suas vias. Do samba revisitado de Roberta Sá e Teresa Cristina às modernas Ana Cañas e Céu, há uma cantora para cada dia da semana e para o humor do momento.

Todas essas jovens cantoras permanecem, no entanto, restritas a um selecto público. A grande massa ainda não as descobriu e, com a burrice generalizada de programadores de rádio e produtores de televisão, é muito provável que fiquem assim por um bom tempo.

Já no caso de Vanessa da Mata, ela parece ter descoberto o caminho para a música de consumo em massa sem sacrificar um milímetro de sua visão artística. E é aí que ela se mostra diferenciada e especial.

Sem os exageros cansativos de Ana Carolina ou o populismo arrasa-quarteirão de Ivete Sangalo, Vanessa só encontra paralelo em outra grande musa pop, Marisa Monte (alguém poderia mencionar também Maria Rita mas, para mim, ainda falta uma cara, uma persona artística definida para a filha do mito maior entre nossas cantoras).

É na inversão da regra de mercado que impõe a burrice no lugar da inteligência, a brutalidade no lugar da sensibilidade e a planificação no lugar da assinatura autoral, que Vanessa se insinua e vai conquistando os corações de quem busca boa música brasileira.

Isso tudo regado com água de chuva e decorado com flores bem vermelhas.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Tristes Trópicos

Dia desses, estava o rádio do meu trabalho ligado numa dessas estações que tocam o melhor da música brasileira, quando escuto a versão de uma canção que já devia ter sido sepultada para sempre.

O tal cover era de Um Dia de Domingo, sucesso bregoso interpretado originalmente por Gal Costa e Tim Maia. Pois não é que a música foi regravada por uma das figuras mais nefastas da atual cena pop brasileira, Ana sou bi e daí Carolina.

Ana não é nada burra e deu aquela roupagem voz e violão que muita gente acha o máximo do despojamento e sofisticação sonoros e, pronto, lá está a onipresente mineira berrando para quem quiser ouvir que tudo vai ficar por conta da emoção (argh!!!!!!!!!!!).

Na verdade, Ana Carolina não é o grande problema da música brasileira de grande consumo. O problema é a indústria querer vendê-la como ótima cantora e compositora, são as rádios que executam suas canções de hora em hora, é a televisão que a promove incessantemente.

É uma massificação do gosto raso da maioria, que só encontra paralelo na baiana Ivete Sangalo, essa, sim, um caso criminoso de imposição de uma estética burra, que privilegia somente o entretenimento e coloca a música em último lugar.

Não à toa, os espetáculos de Sangalo são cada vez mais superproduzidos, uma imitação grosseira de grandes shows internacionais. Nada contra música como pura diversão, mas há um sério risco para a cultura de um país quando toda arte se resume a mero passatempo.

Sei que não sou exatamente um entusiasta da nossa música. Acho que os grandes luminares do cancioneiro brasileiro são, em sua grande parte, pedantes e pretensiosos, mas reconheço a importância de Chico Buarque, de Caetano Veloso, de Gilberto Gil e de João Gilberto. E até tenho um grande afeto pela fase jovem guarda de Roberto Carlos, além de achar a produção de Rita Lee, na década de 70, fantástica.

Bem ou mal, toda essa geração, que hoje se encontra com mais de 60 anos de idade, deixou um legado. O mesmo se pode dizer, com certas ressalvas, da galera do rock oitentista.

Quanto a essa gentalha que anda sugando o resto de energia da agonizante indústria fonográfica nacional, penso que seu legado será a destruição de toda fagulha de criatividade e originalidade que ainda possa existir pelos rincões deste imenso País.

Talvez, a luz no final do túnel esteja no underground, nas grandes festas populares e nas pequenas manifestações artísticas, que se mantém à parte da mídia.

Está mais do que na hora de um levante.