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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Disco da Semana

O trio sueco Peter Bjorn and John tornou-se conhecido mundialmente graças ao megahit Young Folks, uma dessas maravilhas para se cantar junto, que, vez ou outra, caem no gosto popular.

O disco no qual a música aparecia se chama Writer’s Block e trazia outras faixas extremamente grudentas (no bom sentido) como Amsterdam e Objects Of My Affection. Altamente recomendável.

O sucessor de tamanho sucesso se chama Living Thing e flagra um ótimo grupo em momento de transição. Diante da velha encruzilhada, na qual muitos artistas se vêem obrigados a escolher entre repetir a fórmula vencedora ou seguir trilhando novos caminhos, os rapazes da Suécia (país pródigo em bons grupos de pop rock) optaram por fazer um disco bastante diferente, que, no entanto, mantém a identidade do som da banda.

Eles agora experimentam com sons eletrônicos, melodias quebradas, coros infantis e uma série de recursos que, juntos, formam um disco muitíssimo agradável e interessante.

Gosto especialmente da faixa de abertura, The Feeling e Nothing To Worry About, músicas excelentes para começar o dia com um sorriso na cara e a certeza de que a música pop ainda pode atingir as massas sem perder a inteligência e o bom gosto.

sábado, 20 de junho de 2009

Disco da Semana

Um dos mais originais, estranhos e belos discos de todos os tempos, Histoire de Melody Nelson, foi lançado pelo músico francês de origem russa, Serge Gainsbourg, em 1971, para deleite de pervertidos - no bom sentido, é claro - de todas as orientações.

Monsieur Gainsbourg já era mundialmente famoso pela sua escandalosa Je T'aime Moi Non Plus, uma singela canção em que a atriz e cantora inglesa Jane Birkin, na época namorada de Serge, murmura, geme e tenta cantar sobre as dores e as delícias de uma relação anal. Isso no início dos anos 70! Polêmica pouca é bobagem.

Novamente ao lado da linda Birkin - é ela quem, inocentemente, segura um bichinho de pelúcia na capa do disco -, Gainsbourg ousou mais alto, e concebe um álbum conceitual, no qual expõe suas obsessões com o sexo e as mulheres (personificadas pela personagem Melody Nelson, que assombra as 7 faixas do disco).

Do ponto de vista musical, é um disco inigualável. Em apenas 28 (!) minutos, Serge inaugura um gênero único, em que o tradicional rock de guitarra, baixo e bateria é desconstruído por inserções de instrumentos orquestrais, as letras são, em alguns momentos, substituídas por risadas histéricas, e o canto é descaradamente trocado por uma narração lenta e sussurrante. Tudo com o charmoso e sedutor sotaque francês.

Apesar de ter fracassado à época de seu lançamento, Histoire de Melody Nelson acabou se tornando um disco cult, objeto de reverência de diversos artistas. E um desafio para o público, ainda hoje acostumado com obras de fácil digestão e compreensão.

Coisa que esta obra-prima certamente não é.

sábado, 13 de junho de 2009

Disco da Semana

É incrível que a máxima de que na natureza nada se cria, se repita miseravelmente em relação às artes.

Enquanto, hoje, muita gente – inclusive eu - fica babando por artistas como Bon Iver, Fleet Foxes e Iron& Wine, a verdade é que a musicalidade “pura” e orgânica desses artistas já havia sido explorada muitas décadas antes.

Exemplo disso é o disco If I Could Only Remember My Name, do músico americano David Crosby. Lançado em 1971, trata-se do primeiro registro solo de Crosby, que, na década de 60, foi pioneiro do folk eletrificado à frente do The Byrds, grupo que eternizou canções de Bob Dylan como Mr. Tambourine Man e My Back Pages.

Junto a Neil Young e, mais frequentemente, Stephen Stills e Grahan Nash, formou o primeiro super-grupo da história e, ao longo de uma carreira de mais de quatro décadas, consumiu mais drogas e se envolveu em mais escândalos do que produziu boa música.

If I Could Only Remember My Name é seu testamento musical, o disco pelo qual Crosby será sempre lembrado. Dono de uma sonoridade cristalina, é um trabalho na qual a bela voz de Crosby mergulha o ouvinte em doces sonhos, em que o ideário hippie ainda está impresso em cada letra.

Mesmo em rocks mais pesados (como Cowboy Movie, de longos e inebriantes 8 minutos), Crosby parece querer nos levar para uma terra prometida, onde se come o que se planta, a natureza é respeitada e o amor é livre e incondicional.

Ingênuo e piegas? Pode ser, mas cantado por esse velho hippie, tudo fica absurdamente crível e prazeroso.