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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Discos e Arte


Um dos melhores discos lançados em 2009 tem também uma das mais belas capas dos últimos tempos: Journal For Plague Lovers, do grupo galês Manic Street Preachers.


Verdadeira instituição roqueira lá pelas ilhas britânicas, o Manic é pouco conhecido no resto do mundo. Aqui no Brasil, a cada disco lançado, dois ficam a ver navios. O grupo é uma espécie de The Clash do século XXI, sempre carregando seus álbuns com fortes mensagens políticas e uma paixão cada vez mais rara no mundo cínico da música pop.

Suas capas também impressionam. Em This Is My Truth Tell Me Yours a banda é fotografada em uma praia deserta, uma bela composição que lembra outra capa clássica, a de Heaven Up Here, do Echo And The Bunnymen. No outro extremo há capas ilustradas por pinturas fortes e quase incômodas.


A artista britânica Jenny Saville, uma herdeira direta do realismo cru do pintor Lucien Freud, emprestou uma obra forte e sem retoques para a capa do álbum The Holy Bible, considerado por alguns o grande momento do Manic ainda com o guitarrista Richey Edwards, que pouco tempo depois desapareceu misteriosamente e nunca viria a ser encontrado.

Em Journal For Plague Lovers, uma outra pintura de Saville, Stare, aparece na capa do álbum. A imagem, ao mesmo tempo simples e extremamente complexa, foi eleita em vários sites como a capa do ano. Curiosamente, o disco recupera as últimas letras escritas por Edwards antes de sumir do mapa. Talvez por conta disso os membros restantes do grupo resolveram recorrer novamente ao trabalho inquietante desta grande artista inglesa. Para um álbum de impacto, uma capa igualmente forte.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Amor Fraternal

Enquanto uma parte de sua imensa legião de fãs permanece inconsolável com a saída do guitarrista e compositor Noel Gallagher do Oasis, eu fico me perguntando como, na realidade, ele aguentou por tanto tempo um irmão ególatra e arrogante como Liam parasitando seu talento.

Porque o Oasis, para mim, sempre foi somente Noel. Ótimo guitarrista e excelente compositor, Noel foi o autor de alguns dos melhores momentos do rock britânico dos últimos 20 anos. O irmão Liam conseguiu apenas borrar o brilho de canções inesquecíveis com sua voz pavorosa e sua postura de palco antipática. Consigo antever uma bela carreira solo para Noel. Quanto ao que sobrou do Oasis...

Histórias de parentes em bandas de rock não são exatamente novidade, mas nos últimos tempos têm surgido um grande número delas que têm alcançado relativo sucesso.

Dos Estados Unidos vêm o Kings Of Leon, The Avett Brothers, Felice Brothers e as delicadas irmãs neo-hippies do Coco Rosie.

O Reino Unido, que achava que a relação disfuncional dos irmãos Gallagher era indissolúvel, tem outros exemplos de amor fraternal a serviço da música na banda Doves – pouco conhecida fora das ilhas britânicas, mas autora de ótimos trabalhos –, na sumida Embrace e nos Manic Street Preachers – se bem que nesse caso trata-se de primos.

Autores de um dos melhores discos de 2009, os irmãos Avett chamaram a atenção de quem ouviu o estupendo I And Love And You. Transitando entre o folk e o rock, o grupo fez um disco de moldes clássicos, na melhor tradição de Bruce Springsteen, The Band e Dylan.

Embora o disco como um todo seja maravilhoso, somente as cinco primeiras músicas já bastariam para inscrevê-lo entre os meus preferidos de todos os tempos.

Agora é só esperar para que a relação entre os irmãos Scott e Seth navegue por águas menos turbulentas que as de seus colegas ingleses.

E que eles nos brindem com outras maravilhas como esse I And Love And You.