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terça-feira, 1 de junho de 2010

Estranhos no ninho

O rock independente, ou alternativo, é uma entidade que existe muito mais no campo das ideias do que no campo das coisas reais. Afinal, o que é ser independente?

Nos Estados Unidos e na Inglaterra, o chamado mercado indie já atingiu níveis de profissionalismo e excelência tão altos que se torna difícil diferenciar um lançamento de uma gravadora pequena do de uma major. Sub Pop, Matador, Jagjaguwar e Merge são apenas algumas das gravadoras que, a partir de origens modestas, hoje disputam espaço nas paradas com nomes tradicionais como Sony e Warner.

Grupos que mudaram a cara da música nos últimos anos surgiram em pequenas gravadoras e, em alguns casos, preferiram permanecer longe dos esquemas milionários de conglomerados multinacionais.

Exemplos clássicos de bandas bem-sucedidas que começaram suas carreiras como artistas independentes são R.E.M. e Nirvana. Após a experiência adquirida junto a públicos universitários, as duas bandas assinaram contrato com a Warner (R.E.M.) e a Geffen (Nirvana) e partiram para o megaestrelato mundial. Miraculosamente, conseguiram permanecer fiéis a seus princípios, colocando sua ética pessoal e artística acima das tentações da fama e da fortuna.

Uma banda que poderia ter feito essa transição do underground para a ribalta é, sem dúvida, o Spoon. Queridinhos da crítica e do público mais antenado, o grupo do Texas lançou uma série de trabalhos em que desconstruíam todas as formas tradicionais de se fazer rock, eliminando solos de guitarra, refrões e outras convenções que o colocaram a frente de uma turma que faz rock vanguardista sem ser radical.

Com Gimme Fiction, de 2005, o grupo aumentou consideravelmente sua legião de admiradores. Foi minha introdução ao universo do grupo e também um caso de paixão a primeira vista. No ano seguinte, duas músicas do disco apareceram no filme Mais Estranho Que A Ficção, estrelado por Emma Thompson e Will Ferrel, e o caminho do estrelato se abriu para o Spoon.

Coisa com a qual o grupo parece ter se importado pouco. O disco seguinte tinha o estranhíssimo título de Ga Ga Ga Ga Ga, poucas concessões ao mercadão e a mesma estranheza de sempre, desta vez temperada com uma dose de sofisticação nos arranjos. Para surpresa geral, o disco foi puxado pelo inesperado sucesso de pérolas como You Got Yr. Cherry Bomb e The Underdog e acabou frequentando o top 10 da parada americana.

Quem esperava um arrasa quarteirão, deve ter se decepcionado um pouco com o novo disco, Transference. Mais um capítulo na evolução permanente do som do grupo, o novo disco prioriza arranjos mais básicos e simples, mantendo, no entanto, o som caracteristicamente não-convencional e ousado de sempre.

Não é uma obra-prima como Gimme Fiction – para mim, o melhor disco lançado nos últimos 10 anos – mas demonstra mais uma vez a inquietação criativa de Britt Daniels, vocalista e principal compositor do grupo. Definitivamente, é material sônico de altíssima qualidade e que merece uma espiada.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Novo Ídolo?

E ontem, quarta-feira, 26 de maio, a FOX americana revelou o novo campeão do programa American Idol – transmitido aqui pelo canal pago Sony, ao vivo, sem tradução simultânea.

O ex-vendedor de tintas Lee Dewize levou o prêmio por uma diferença de apenas dois por cento em relação à segunda finalista, Crystal Bowersox.

Lee canta bem e tem uma voz rouca que cai bem tanto em rocks sensíveis – na final, apresentou uma bela versão de Everybody Hurts do R.E.M. e encerrou sua participação com Beautiful Day do U2 – quanto em canções mais tradicionais – um dos seus grandes momentos nesta 9ª temporada foi cantando You’re Still The One, da cantora pop-country Shania Twain.

A questão que se coloca agora é sobre seu futuro. Se todas as pessoas que votaram em Dewize durante os quase quatro meses de programa comprassem seu disco – a ser lançado provavelmente no final do ano – ele, certamente, ressuscitaria a combalida indústria fonográfica americana. Mas a coisa não funciona exatamente assim.

Os últimos “ídolos” eleitos pelo programa têm, até o momento, uma carreira um tanto apagada. Ninguém repetiu, nos últimos anos, o sucesso de Kelly Clarkson, de Carrie Underwood ou de Chris Daughtry. Excelentes intérpretes como Elliott Yamin ou Taylor Hicks têm uma trajetória morna e de pouca vendagem. Outros, como Jennifer Hudson, encontraram uma segunda chance no cinema.

Torço por Lee. Se conseguir imprimir um mínimo de personalidade em sua estreia, seu disco poderá ser muito bom. Carisma, qualidades vocais e sensibilidade o cara tem de sobra.

É esperar que os produtores que tornam todos esses talentosos cantores em robôs sem alma dêem um tempo para o moço.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Adeus

O rock americano despediu-se nesta quarta-feira, 17 de março de 2010, do cantor e guitarrista Alex Chilton, das bandas Big Star e Box Tops.

Aos 59 anos, o músico sentiu dores fortes e foi internado em um hospital de Nova Orleans, Estados Unidos. De acordo com informações da CNN, ele não teria resistido a um ataque cardíaco.

A notícia inesperada deixou a mulher do também compositor, Laura, em estado de choque. Alex era uma pessoa incrivelmente talentosa, lamentou o amigo John Fry.

Um dos padrinhos do rock alternativo americano, o ídolo cult se apresentaria neste fim de semana em Austin, Texas.

A notícia acima foi tirada do site do jornal Correio Braziliense e me atingiu de forma ao mesmo tempo triste e melancólica.

Chilton liderou, nos anos 70, uma das bandas mais atemporais e significativas surgidas nos Estados Unidos, o Big Star. Fazendo um rock simples, melódico e de clara inspiração no som dos Beatles, o Big Star simplesmente foi engolido por uma década onde o excesso e o exagero eram regras.

Quem foi esperto e sensível, escutou os três primeiros trabalhos da banda e depois formou a sua própria. Grupos como Wilco, R.E.M., Teenage Fanclub e muitos outros são herdeiros declarados do Big Star.

Quem quiser conhecer o trabalho do grupo deve correr para o primeiro disco, #1 Record, e escutar sem parar maravilhas como Ballad Of El Goodo, Thirteen e In The Street - esta última, inclusive, virou tema do sitcom That 70's Show, um delícia de programa que ainda hoje é exibido no canal Sony.

Com uma obra relativamente curta mas de influência gigantesca, Chilton e seu Big Star podem ser colocados na história do rock junto a outro "marginal" inesquecível, o Velvet Underground.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Para Todos os Gostos

2010 começa com uma verdadeira avalanche de shows internacionais aportando por aqui. Bem, ao menos, no eixo Rio-São Paulo.

Em fevereiro, o melhor candidato a próximo U2 chega ao Brasil com a turnê de seu último disco, o campeão Viva La Vida. Estou falando, é claro, da banda britânica Coldplay, um dos poucos grupos da atualidade que consegue unir grande popularidade com qualidade musical (os outros são Green Day, U2 e R.E.M.).

Também desembarcando em território nacional, em março, o Guns And Roses deve matar a saudade de quem achava que eles eram a maior banda de hard rock de todos os tempos (será que sobrou alguém?). Axl Rose - e quem quer que o acompanhe - passará, inclusive, pela Capital Federal. Estou ainda à espera da divulgação do set list para decidir se vale à pena ir. Se for totalmente baseado no último disco, o pífio Chinese Democracy, é caso de deixar para uma próxima...

Agora, acho que imperdível mesmo é conferir as apresentações do A-HA, a banda norueguesa mais popular de todos os tempos e autora das inesquecíveis Take On Me, Hunting High And Low e I’ve Been Losing You. O grupo recentemente anunciou sua aposentadoria, portanto, essa deve ser a última turnê. E a última chance de conferir se o vocalista Morten Harket ainda consegue dar aqueles agudos matadores. Dá-lhe nostalgia!

Serviço:

Coldplay
Rio de Janeiro (28 de fevereiro) e São Paulo (2 de março)

Guns’n Roses
Brasília (7 de março), Belo Horizonte (10de março), São Paulo (13 de março), Rio de Janeiro (14 de março) e Porto Alegre (16 de março)

A-Ha
São Paulo (25 de março) e Rio de Janeiro (26 de março)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Na Tribo dos Maníacos

Saudade é um sentimento estranho. Vem de repente, sem dar aviso. Dia desses, me peguei saudoso de uma banda americana surgida lá nos anos 80. Chamava-se 10,000 Maniacs e tinha uma vocalista doce, inteligente e sensível. Essa moça, que atende pela graça de Natalie Merchant, continua na ativa, mas lança discos com um espaço de tempo cada vez maior.

Os Maniacs surgiram no início da década de 1980 e, ao lado de bandas como R.E.M., Hüsker Du e The Replacements, protagonizaram o movimento que viria a ficar conhecido como college rock. O nome do movimento fazia referência a bandas que muitas vezes nasciam em campus universitários e que eram divulgadas por fanzines e rádios comandadas por estudantes.

No final da década, o R.E.M. se tornou mundialmente conhecido, assinou contrato com uma grande gravadora e escancarou as portas do mercado para nomes como Nirvana e Pearl Jam. Mas isso já é outra história...

O 10,000 Maniacs nunca atingiu o mega-estrelato, mas marcou os corações das poucas pessoas que o conheceram.

Para mim, eles gravaram 3 discos excelentes: In My Tribe (1987), Blind Man’s Zoo (1989) e Our Time In Eden (1992), sendo que este último chega perto da perfeição. A bela voz de Merchant conduz o ouvinte por canções que podem ser lidas como microcontos. Tudo com o elegante instrumental que atualizava a folk music americana, com toques de reggae, pop e música clássica.

Não consigo pensar em nenhum grupo depois deles que soe tão honesto e verdadeiro. É por isso que, vez ou outra, vem aquela saudade boba.

É aí que somente a voz inesquecível de Natalie, cantando Don’t Talk ou Jezebel, pode me trazer algum consolo...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tempo e Memória

O canal de TV paga, VH1, estreou no último sábado, dia 26, uma série intitulada As Canções que Mudaram o Mundo.

Composto por dez programas, a série tem a ambição de resumir o espírito de várias épocas por meio de canções emblemáticas como Smells Like Teen Spirit do Nirvana, Heartbreak Hotel, de Elvis Presley e I Wanna Hold Your Hand, dos Beatles. Tarefa das mais difíceis.

Apesar de saber do impacto de determinadas músicas na história da cultura ocidental, acho que, no fundo, o que importa para cada um de nós são as músicas que mudaram nossas próprias vidas. Essas eu carrego na minha memória como um baú de jóias preciosas e escutá-las sempre me transporta para momentos marcantes e inesquecíveis da minha existência.

Por exemplo: I Wanna Hold Your Hand pode ser um marco na carreira dos Beatles, a música que os tornou conhecidos nos Estados Unidos – na Inglaterra eles já eram um fenômeno – e, por extensão, no resto do mundo. Mas, para mim, nenhuma canção dos Fab Four foi tão significativa quanto Eleonor Rigby, uma delicada obra sobre solidão, desesperança e velhice, belamente adornada por instrumentos orquestrais. Justamente por tratar de temas tão atemporais, Eleonor Rigby permanece atual e certamente ainda muito influente.

Ao lado de Yellow Brick Road (Elton John), que talvez tenha sido a primeira música que eu escutei repetidas vezes, tentando decorar uma letra num idioma do qual eu não conhecia patavina, de Bohemian Rhapsody (Queen), que me apontou as possibilidades ilimitadas de criação artística, de I Love It Loud (Kiss), que me abriu a cabeça para um lado de fantasia e diversão muito importantes para a música, de Será (Legião Urbana), que me mostrou que Brasília podia fazer rock e que esse rock podia ser muito bom e, finalmente, de Karma Police (Radiohead), que entrou na minha vida devagarzinho, até me dominar por completo, Eleonor Rigby forma um conjunto precioso de grandes referências musicais e eternas fontes de alegria e prazer.
A seguir, uma pequena lista de canções que, volta e meia, eu tenho que escutar para não perder o rumo:

1 Ask. The Smiths
2 One. U2
3
Like a Hurrycane. Neil Young
4 Atmosphere. Joy Division
5The One I Love. R.E.M.
6
Free Money. Pati Smith
7 Love Song. The Cure
8Life On Mars. David Bowie
9Sheena Is A Punk Rocker. The Ramones
10Bizarre Love Triangle. New Order
Servico:
As Canções Que Mudaram o Mundo
CANAL VH1 (NET, canal 89. SKY, canal 84). Todos os sábados, às 23 horas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Fita K7 Perfeita

Dia 11 de setembro não é apenas o aniversário da queda das Torres Gêmeas em NYC. Muita gente legal nasceu neste dia, incluindo este que vos escreve (quase sucumbi ao clichê das "mal-traçadas linhas").

Falo disso porque quando eu era garoto costumava presentear a mim e a meus amigos com as inesquecíveis mix tapes, fitas de áudio virgem, nas quais fazíamos uma seleção das melhores músicas de cada disco.

Daí era só colocar no gravador, apertar o play e deixar a turma se impressionar com o seu bom gosto musical. Ou não. Algumas seleções ficavam um horror, aquelas onde Madonna é seguida de Gilliard e daí por diante.

Hoje o "povo muderno" faz playlists que podem ser gravadas em formato de MP3, o que pode condensar numa única mídia, digamos, umas 6 fitinhas cassete fácil, fácil.

Mas quem tem mais de 30, deve se lembrar do verdadeiro artesanato que era montar uma K7 perfeita.

Primeiro o drama da sincronização do disco com o gravador. Se a tecla rec era apertada muito antes, a música vinha precedida daquele chiado característico do vinil. Péssimo. Se depois do início da música, esta já começava amputada. Pior ainda. Era necessário muita prática e precisão para que cada música fosse sucedida por outra sem maiores pausas. Uma arte para poucos.

Depois tinha o problema da duração de cada lado da fita. Normalmente elas vinham com 30 e 30 minutos. Havia umas fitas de 45/45, mas essas enrolavam no gravador e causavam danos irreparáveis a nossa boa-vontade. Conseguir chegar ao número de músicas que preenchesse perfeitamente os trinta minutos de cada lado era uma suadeira.

Last but no least, vinha a própria disposição das músicas: qual fica melhor em tal lugar? Depois daquele clássico inesquecível que música deve entrar e assim por diante.

Gravei milhares dessas coisinhas deliciosas e quase todo mundo que me conhece já ganhou uma de presente. Se foram direito para a lata do lixo, sem escala nos gravadores, é um mistério que eu jamais saberei solucionar. Melhor viver na ignorância.

O que importava mesmo era o ato de fazê-las, criar uma capinha para cada, viajar na maoinese sem piedade.

Então vou fingir que não existe ipod, nem download, nem playlist e vou me transportar a um tempo em que o máximo era ter um walkman Sony e uma super discoteca em casa:

Mix Tape "Pessoas brilhantes e felizes"

Lado A:
1- Shining Happy People - R.E.M.
2- Wake me Up Before You Go Go - Wham
3
- Karma Chameleon - Culture Club
4
- Let's Dance - David Bowie
5- Girls Just Wanna Have Fun - Cyndi Lauper
6- Material Girl - Madonna
7- Just Can't Get Enough - Depeche Mode
8- Don't Go - Yazoo

Lado B:
1- Você Não Soube Me Amar - Blitz
2
- Perdidos Na Selva - Gang 90 e as Absurdetes
3- Beat Acelerado - Metrô
4
- Ursinho Blau Blau - Absynto
5
- Pintura Íntima - Kid Abelha
6
- Vamos Abrir a Roda - Sara Jane
7
- Ilariê - Xuxa
8- Cinema Mudo - Paralamas do Sucesso

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O Reinado da Imagem

Sou um apaixonado de longa data pela arte de se fazer vídeos musicais, ou, como são conhecidos aqui no Brasil, vídeo-clipes.

Surgidos ainda na década de 60, quando os artistas eram normalmente filmados num palco e pouco mais era acrescentado, os vídeos ganharam status artístico na década de 80, época na qual artistas como Michael Jackson, Madonna, Prince e Duran Duran atingiram a estratosfera, em grande parte graças ao poder de peças promocionais como Thriller (um curta-metragem que uniu cinema, música e dança de uma forma nunca antes vista), Like a Prayer (o vídeo que mostrou o potencial de polêmica do novo veículo) e Save a Prayer (peça do exibicionismo característico da década).

A partir daí, tudo se tornou possível, desde vídeos com pretensões cinematográficas até aqueles filmados em fundo de quintal, de baixíssimo orçamento.

Nos Estados Unidos, muitos realizadores que hoje dirigem filmes de sucesso, começaram trabalhando em vídeos musicais.

Alguns dos mais geniais dos últimos tempos, para mim, são vídeos que subvertem a linguagem altamente estilizada e, às vezes, pretensiosa, que se tornou marca registrada de muita gente.

O melhor exemplo é Praise You, do músico e DJ inglês Fatboy Slim e dirigido por Spike Jonze, que depois se consagraria em Hollywood, com películas como Quero Ser John Malcovitch e Adaptação.

Neste vídeo, o diretor aparece junto a um grupo de “dançarinos” executando uma coreografia surrealista de tão ruim em meio a passantes, que formam fila em frente a um cinema.

Aparentemente, Jonze e sua trupe filmaram tudo no próprio local e, o mais legal do vídeo, é ver a reação de incredulidade de grande parte do público. Fantástico.

Falando em Fantástico, quem não se lembra dos antológicos vídeos produzidos pela Rede Globo para exibição no programa de domingo à noite? De tão toscos e amadores, se tornaram clássicos.

Artistas tão diversos quanto Paralamas do Sucesso, Rosana, RPM e Gal Costa pagaram micos inesquecíveis, envolvidos em muito gelo seco, maquiagem bizarra e as coreografias impagáveis do indefectível balé do Fantástico. Só vendo para crer.

Hoje, qualquer vídeo pode ser facilmente localizado no You Tube (Deus o abençoe), e a linguagem continua a crescer e a fascinar.

Quem duvida que acesse o vídeo de Boom Boom Pow do Black Eyed Peas, e se deixe levar pelo incrível trabalho de computação gráfica de última geração.

Alguns vídeos imperdíveis:
1FreedomGeorge Michael
2 VogueMadonna
3 New York New YorkMoby
4 Hurt Johnny Cash
5Everybody HurtsR.E.M.
6SledgehammerPeter Gabriel
7 Beat ItMichael Jackson
8 NotoriousDuran Duran
9Money For NothingDire Straits
10Feed BackJanet Jackson

terça-feira, 19 de maio de 2009

Meus Discos Preferidos: Anos Oitenta

1 - CloserJoy Division (1980)
Um disco enigma, um modelo que seria absurdamente copiado (e jamais igualado), e o nascimento de um mito. O suicídio do vocalista Ian Curtis tornaria este segundo e último álbum do Joy ainda mais cultuado, mas a força e a beleza das derradeiras canções registradas por Curtis têm vida própria e se impõem acima de qualquer mórbida adoração e culto da morte (um pecado no qual muitos fãs de rock parecem incorrer).

2 The SmithsThe Smiths (1984)
O primeiro disco lançado por Morrissey e cia beira a perfeição e tem canções absolutamente clássicas, como This Charming Man, Still Ill e What Difference Does It Make . Ainda que eles tenham atingido a maturidade com o terceiro trabalho, The Queen Is Dead, de 1986, The Smiths é repleto de uma inocência e lirismo que se perderiam um pouco ao longo do caminho. E há também a fantástica capa - belo trabalho gráfico que criou uma identidade visual, que marcaria para sempre a carreira da banda.

3DocumentR.E.M. (1987)
Até hoje, o melhor disco da grande banda americana e também aquele com o maior número de canções clássicas (The One I Love, The Finest Worksong e a definitiva It’s The End Of The World As We Know It), Document colocou o rock independente veiculado em rádios universitárias nas paradas, chamando a atenção do resto do mundo para a banda do vocalista Michael Stipe. É bem verdade que eles nunca igualariam a energia e a pegada alcançadas aqui, mas o R.E.M. tem o mérito de ter permanecido fiel a sua ética de independência e integridade artística. Além de, é claro, terem gravado outras músicas perfeitas...

4 WarU2 (1983)
Durante muito tempo, o melhor disco da década de 80, foi, para mim, The Joshua Tree, lançado pelo U2 em 1986. Mas, curiosamente, esse foi um disco que não resistiu tão bem ao teste do tempo quanto o terceiro trabalho da banda, War. Vigoroso, recheado de músicas que até hoje compõem o set list dos shows do U2, War perdeu muito de sua importância como disco político e contestatório, mas permanece inalterado em sua qualidade musical.

5 Ocean RainEcho & The Bunnymen (1984)
Se tivesse apenas a faixa-título – uma canção grandiosa, que parece querer atingir o céu – e a emblemática The Killing Moon – a perfeição em formato de canção-pop – este disco já seria imprescindível. Mas há muito mais para se deleitar na fórmula pós-punk psicodélica manipulada com precisão por Ian McCulloch e os Homens-Coelho. Ambicioso, poético e altamente viciante.

6 Low LifeNew Order (1985)
O New Order poderia ter se tornado apenas um “sub Joy Division”, mas, ao invés disso, preferiu se arriscar e acabou burilando um som totalmente novo e que teria grande influência em todos os sons que misturam rock com música eletrônica. A diferença entre o New Order e seus seguidores, é que seus integrantes tinham um imenso talento para criar pérolas pop, coisa que Low Life tem aos montes. De Love Vigilantes até o encerramento com Face Up, este disco se revela uma aula de como fazer música para chacoalhar o corpo, sem esquecer de alimentar a mente. Brilhante!

7 Surfer RosaPixies (1988)
De todos os discos que conheci, no final da década de 80, nenhum foi tão marcante quanto Surfer Rosa. Embora, a rigor, o Pixies não apresentasse nada de novo, o impacto de sua surf music insana foi imenso. Durante alguns anos, eles foram tudo que se pode esperar de uma banda de rock: rebeldes, pesados, iconoclastas e surpreendentes. E autores de algumas das melhores canções daqueles anos.

8 Let It BeThe Replacements (1984)
Ao lado do R.E.M, esta talvez seja a mais importante e influente banda surgida no underground americano. Nirvana, Pearl Jam, Smashing Pumpkins, enfim, todos os grandes grupos surgidos nos Estados Unidos, na década de 90, devem alguma coisa aos Replacements. Let It Be é o disco para começar a gostar deles. Tudo está aqui: do rock certeiro de I Will Dare até o cover esperto de uma canção obscura do Kiss, Black Diamond, o grupo não dá uma fora. Um disco de rock direto e sem frescuras.

9PsychocandyThe Jesus And Mary Chain (1985)
O ruído como forma de expressão artística não era exatamente uma novidade. O Velvet Underground já havia incorporado sons pouco usuais ao seu rock de vanguarda. Mas os irmãos Reid levaram essas experiências embrionárias a níveis realmente inesperados. Profundamente influenciados por Beach Boys, pelos grupos femininos da década de 60 e pelo Velvet, o Jesus recuperou a canção de 3 minutos como pedra fundamental do rock, e acrescentou a esse formato muita distorção, microfonia, ruídos diversos e uma barulheira infernal. No meio de camadas e mais camadas de guitarras, o grupo se sai com pequenas maravilhas como Some Candy Talking e Just Like Honey.

10Kicking Against The Pricks Nick Cave And The Bad Seeds (1986)
Este disco marcou muito meu final de adolescência. Acho que o escutava três, quatro vezes seguidas, tentando entender o que me fascinava tanto. Hoje, percebo que o tratamento entre irônico e reverente que Cave e sua banda dão às 14 músicas alheias que compõem este disco, era algo muito novo e surpreendente para mim. Antes de tudo, a fantástica habilidade deste artista australiano de transformar cada um desses covers em obra totalmente sua, é que faz o brilho e a qualidade perene deste Kicking Against The Pricks.