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sexta-feira, 12 de junho de 2009

De Boas Intenções...

Há dois sérios problemas com o filme Budapeste (Brasil, 2009).

O primeiro é a direção pouco segura de Walter Carvalho. O segundo é ser um filme muito fiel ao livro no qual se baseia, a obra homônima de Chico Buarque.

O primeiro pecado, até que se perdoa, afinal Walter Carvalho tem sua primeira experiência dirigindo sozinho e há, aqui e ali, alguns bons momentos. Além do mais, provando sua excelência como diretor de fotografia, Walter brinda o público com imagens de babar (sobretudo as cenas filmadas na capital da Hungria).

Agora, quanto ao segundo...

O livro de Chico Buarque foi muito elogiado. Até o Nobel de Literatura, José Saramago, soltou delicadezas sobre a "obra". Mas, sinceramente, acho uma grande chatice.

Para mim, existe um imenso medo de se falar mal ou de criticar Chico Buarque. O cara virou um monstro sagrado. E não pode haver nada mais insuportável que a veneração boba que existe em torno de uma tal criatura. Os monstros sagrados são como seres mitológicos: eles habitam mundos fantásticos, realizam atos prodigiosos e desaparecem da nossa imaginação assim que a gente cresce um pouquinho.

Se os livros de Chico fossem analisados sem se levar em conta o nome do autor, seriam abominados ou então relegados ao esquecimento.

Estorvo tem o título mais adequado de seus quatro romances: não consegui passar das 20 primeiras páginas – e olha que sou um leitor bastante persistente!

Sobre Benjamim, me calo, porque, depois do trauma do primeiro, preferi passar longe do segundo.

Mas resolvi me dar uma segunda chance com Budapeste. Tempo perdido. Não sou crítico literário, muito menos escritor, mas não tenho medo de opinar sobre o que leio. E, no fundo, leio também para isso. Acho Budapeste um equívoco da primeira à última página. Pretensioso, verborrágico, vazio e cansativo, o livro só conseguiu me despertar uma imensa antipatia pelo protagonista, um homem em crise que parece buscar nas palavras uma salvação para o fracasso de sua vida.

A antipatia se repete na tela. Leonardo Medeiros, um bom ator que ainda não achou um papel à altura de seu talento, desenha um personagem por vezes detestável.

Para piorar, o texto rebuscado e pedante do livro marca presença numa narração em off que não contribui em nada para melhorar o roteiro (roteiro? que roteiro?).

Curioso que no mesmo dia, assisti a um filme uruguaio curtinho, simples e despretensioso, Viaje Hacia El Mar. Nada de excepcional, mas se os brasileiros aprendessem com os vizinhos a fazer cinema, com um pouquinho mais de alma e um bocado menos de arrogância, já teríamos dado um grande passo.