O problema de Luka é que sua melodia alegrinha – quase tola – esconde sua real razão de ser: trata-se de uma música sobre um garoto física e psicologicamente maltratado por seus próprios pais. Acho que, à época do enorme sucesso da canção, muita gente que não sacava nada de inglês ficaria chocada ao descobrir tal coisa. Mas esta era e é Suzanne Vega, uma artista comprometida com causas sociais e de canções introspectivas e tristes.
Firmemente ancorada na tradição dos grandes trovadores americanos, Suzanne surgiu na metade dos anos 80 como uma lufada de ar fresco numa década em que os discos foram ficando mais e mais superproduzidos e o pop caminhava a passos gigantescos para a pasteurização e a repetição.
De certa maneira, ela abriu caminho para o enorme sucesso alcançado em 1988 pela estreante Tracy Chapman.
Em seu debute, Chapman recriou o ideário de mudanças e revoluções capitaneadas pela música de artistas como Joan Baez e Bob Dylan.
Quase inteiramente acústico, o disco encanta pela voz estranha e bela de Chapman, um timbre que remete a uma ancestralidade de injustiças sociais, sofrimento e busca por horizontes mais dignos.
Ironicamente, o grande sucesso do disco no Brasil foi a balada romântica Baby Can I Hold You, uma canção melosa que, de maneira alguma, reflete o cerne do trabalho de Chapman. Este precisa ser buscado em Fast Car, uma narrativa dolorosamente bela sobre pobreza, esperança e fuga.
Até hoje emociona.