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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Leonard Cohen – O Grande

Leonard Cohen é um dessas figuras que podemos chamar, sem perigo de exagero, de ícone.

Cantor, compositor, poeta premiado, desenhista e pintor, o canadense nascido em Montreal há 75 anos, construiu a partir do final da década de 1960 uma carreira sólida, pontuada por discos históricos nos quais a força de sua lírica e a delicadeza de sua musicalidade se tornaram influência inevitável para incontáveis cantautores mundo afora.

Diante de um histórico como esse, ninguém esperaria vê-lo a beira da bancarrota financeira em meados da década passada. Resultado de desfalques milionários feitos por um antigo empresário, o tamanho do rombo acabou obrigando o músico a colocar o pé na estrada, num momento em que ele certamente já pensava numa meditativa e refugiada aposentadoria.

A turnê decorrente dessas atribulações foi uma das mais bem-sucedidas e comentadas de 2009, nos Estados Unidos. Em shows de mais de duas horas, Cohen desfilou, diante de platéias maravilhadas, um repertório clássico atualizado com o charme e a sabedoria acumulados por quem atravessou décadas no show business sem jamais perder sua personalidade artística.

Ingressos esgotados e novos espetáculos agendados em países da Europa culminaram num disco ao vivo daqueles que a gente fica lamentando não estar junto ao público extasiado (Live In London, duplo, lançado em 2009).

Para quem não conhece nada de Cohen, é uma introdução mais que perfeita. Grandes canções de todas as fases da carreira de Cohen brilham no repertório: de pérolas dos primeiros discos, como So Long, Marianne e Bird On The Wire, até clássicos mais recentes como The Future, tudo aparece por aqui com a beleza e graça, um oásis de inteligência em meio ao marasmo da atual música pop de feições autorais.

Ele talvez não lance outros discos ou faça novas turnês. O encanto de sua obra, no entanto, permanecerá para sempre.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Meus Discos Preferidos: Cantores

1 – Astral Weeks – Van Morrison (1968)
Um dos discos mais inclassificáveis de todos os tempos e também um dos melhores. Morrison desconstrói a música folk, reinventando-a com fortes influências de jazz e soul. Atemporal e complexo, Astral Weeks é um disco que eu levei muito tempo para entender e gostar, mas, depois de convertido a sua sonoridade única, jamais escutei música do mesmo jeito.

2 – Transformer - Lou Reed (1972)
O rock visto como espaço sagrado onde transitam livremente drogados, depressivos, travestis e párias. O passeio (sem volta) pelo lado selvagem, numa Nova York fria e suja. Triste e nublado como um dia perfeito. Tão perfeito, aliás, como este disco de 1972, produzido por David Bowie para um dos seus heróis, Lou Reed, o poeta dos malditos deste mundo.

3 – Lust For Life - Iggy Pop (1977)
A bateria frenética da faixa-título é um daqueles instantes da mais pura genialidade e a música acabou se convertendo em ícone do mundo pop, graças ao filme Trainspotting, de Danny Boyle. Mas, há muito mais para se desfrutar neste disco delicioso, verdadeira celebração da vida vivida no limite.

4 – Your Arsenal – Morrissey (1992)
Confesso que não sabia bem o que esperar da carreira solo de um artista como Morrissey, alguém que eu quase venerava quando estava à frente do The Smiths. Acho que tudo ficou claro quando ele lançou este terceiro álbum de uma carreira que seria muito mais produtiva do que se poderia imaginar. Entre rocks barulhentos e baladas de partir o coração, Morrissey deixou seu passado ilustre de uma vez para trás.

5 – So – Peter Gabriel (1986)
Com este disco, Peter Gabriel – que até então era mais conhecido como o ex-vocalista excêntrico do Genesis – tornou-se um artista de brilho próprio. Canções como Big Time, Don’t Give Up (um tocante dueto com Kate Bush) e Sledgehammer apresentaram ao grande público um artista imaginativo e de ricas e variadas influências.

6 – The Future – Leonard Cohen (1992)
Poeta, pintor e cantor de delicadas canções de inspiração folk, Cohen se renovou e chamou a atenção de uma nova geração de ouvintes com este disco de 1992. O aproveitamento de duas faixas do disco na trilha de Natural Born Killers, filme ultra-violento de Oliver Stone, foi a prova definitiva da atualidade das letras pessimistas e dos vocais cavernosos de Cohen.

7 – Trouble – Ray LaMontagne (2004)
A capa de Trouble mostra uma mulher em suave bailado com o diabo. Ilustração perfeita para a sonoridade agridoce deste trabalho de estréia do cultuado LaMontagne, em que amor e desespero caminham lado a lado.

8 – All Things Must Pass – George Harrison (1970)
Considerado por muita gente o melhor trabalho já lançado por um ex-Beatle (opinião que eu compartilho enfaticamente), este foi o disco em que Harrison pode finalmente dar asas a sua criatividade, longe das amarras impostas pela dupla Lennon/McCartney. Ambicioso, orquestral, espiritual e emocionante, é, sem dúvida, uma das obras-primas da década de 70.

9 – Raising Sand – Robert Plant & Alison Krauss (2007)
Gravado ao lado da cantora de bluegrass Alison Krauss, Raising Sand é a melhor realização da carreira solo de Plant. Com uma sonoridade suave (graças à produção esmerada de T. Bone Burnett), que se encaixa melhor ao registro limitado do Plant maduro, Raising Sand encanta pelo entrosamento impecável entre dois artistas de estilo aparentemente opostos.

10 -My Aim is True - Elvis Costello (1977)
As doze canções que compõem este primeiro trabalho de Costello são um retrato irretocável de um artista com poucos recursos técnicos a disposição, mas com um verdadeiro arsenal de boas ideias borbulhando na cabeça. Curto e direto, My Aim Is True - título retirado da letra da bela Alison - é o mais puro cruzamento entre a inocência dos anos 50 com a crueza do punk dos 70.