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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Dischi Italiani

Na cena final de Roma, de Fellini, um grupo de umas 50 vespas percorre as ruas da capital italiana, em velocidade estonteante e barulho ensurdecedor. O típico meio de transporte dos romanos praticamente sumiu de circulação. Em seu lugar, um número cada vez maior de carros.

Sinal dos tempos? Pode ser, mas, em tempos de consciência ambiental em alta, não deveria ser justamente o contrário? De qualquer maneira, o trânsito italiano segue um caos controlado que, pelo jeito, só eles entendem.

Nada que diminua o prazer de andar pelas ruas repletas de história e arte. A Itália é um deleite para os sentidos. Do aroma onipresente das pizzas à visão inesquecível da Vênus de Botticelli, tudo no país parece ter sido planejado para deslumbrar.

Inclusive as lojas de discos. A começar pelo tamanho. Nada de pocilgas claustrofóbicas e empoeiradas. Os espaços são, em geral, amplos e bem harmonizados. A música italiana divide espaço com a música internacional e a variedade de títulos impressiona. Os preços são, em sua maioria, salgados, mas com boa vontade e determinação é possível achar algumas pechinchas.

Na Via Del Corso, em Roma, encontram-se algumas das maiores lojas da Itália. A Messaggerie Musicale e a Ricordi Media Store são típicas megastores, com várias seções, abrangendo livros, dvd’s e até mesmo instrumentos musicais (no caso da Ricordi).

Numa zona menos nobre da cidade, próxima à estação central Termini, encontra-se a ótima Discoteca Laziale. Grande, porém acolhedora e, melhor de tudo, com funcionários que sabem o que estão vendendo. Boa seleção de rock alternativo.

Em Florença, bem pertinho da Galeria Uffizi, há uma loja independente que é, realmente, o sonho de qualquer colecionador. Com foco no vinil, seja ele novo ou usado, é difícil não encontrar algo muito interessante. Para se ter ideia, comprei o segundo disco dos Mutantes, que está fora de catálogo por aqui e é, ao que tudo indica, mais valorizado lá fora, mesmo.

Para completar, o próprio dono, um italiano simpático e prestativo, nos atendeu e quando descobriu que éramos brasileiros, colocou um disco de Caetano Veloso da década de 60 para tocar. O interior desse pequeno templo para fanáticos, chamado Data Records e localizado na Via Dei Neri, nº 15/r, ilustra esta postagem.

O outro destaque da viagem ficou por conta da FNAC italiana. Ao contrário do que aconteceu aqui no Brasil, onde a rede francesa parece ter abandonado a seção de discos, nas lojas tanto de Verona quanto de Milão há uma inflação de bons títulos e preços ligeiramente mais baixos. Boxed Sets de deixar qualquer colecionador babando, além de uma modesta prateleira de bolachões completam o cenário.

Serviço:

Discoteca Laziale
Via Giollitti, 263 00185 Roma tel. 06-44714500

Ricordi Media Stores
Via del Corso, 506 Roma tel. 06-3612370

FNAC Roma
Galleria Commerciale Porta di Roma
Via Alberto Lionello 201 Roma tel. 06-98263001

FNAC Milão
Via Torino Ang. Via della Palla Milão tel. 02-869541

Libraccio
Viale V. Veneto, 22 Milão tel. 02-6555681

Ricordi Media Stores
Via U. Foscolo, 3 Milão tel. 02-86460272

FNAC Verona
Via Cappello 34 Verona tel. 045-8063811

Il 23
Via G. Barbarigo, 2 Pádua

MelBookstore
Via De Cerretani, 16/R Florença tel. 055-287339

Data Records
Via Dei Neri, 15/R Florença

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mil e Uma Noites no Cinema

Recebi recentemente um texto retirado do blog do escritor português José Saramago (http://caderno.josesaramago.org/), no qual ele discorre brevemente sobre os filmes que mais marcaram sua vida.

Sempre que vejo uma lista ou um texto desse tipo, fico tentando reduzir toda minha experiência como amante da sétima arte a uns 10 ou 15 filmes. Tarefa inglória. Não sei direito o número de filmes que já assisti, mas imagino que seja uma quantidade imensa.

Quando era adolescente, costumava ficar até às 2, 3 horas da madrugada acompanhando filmes antigos na Globo. Quem tem entre 30 e 50 anos deve se lembrar bem de nomes como Coruja Colorida, Primeira Exibição e Sessão de Gala, espaços nos quais a Globo exibia não apenas filmes inéditos mas também grandes clássicos do cinema americano.

Outro grande responsável pela minha formação como cinéfilo foi o Cine Brasília, palco do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e, até meados da década de 90, um dos poucos lugares na cidade para se assistir filmes europeus e obras antigas restauradas.

Existia também o cineminha da Cultura Inglesa, que tinha uma infra-estrutura bem menor mas contava com uma programação deliciosa.

Quantas maravilhas se revelaram para mim nestas duas telas sagradas... Cidadão Kane, Teorema, Asas do Desejo, Ladrões de Bicicleta, Caro Diário, Não Matarás, Jules e Jim, Sindicato de Ladrões, Blade Runner, Adeus Meninos, Entrevista, enfim, a lista é gigante.

Hoje, o auditório da Cultura foi desativado e o Cine Brasília encontra-se jogado às traças, vítima de um descaso criminoso da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Uma pena.

De qualquer maneira, a lista que se segue é apenas uma débil tentativa de encontrar cinco filmes que sejam, digamos assim, a minha cara:

1 - Noites de Cabíria (Itália, 1957)
Porque Cabíria é o personagem mais cativante e inesquecível da história do cinema. E porque Fellini sabia como ninguém retratar esses tipos patéticos, doces e ingênuos, dos quais a puta magnificamente interpretada por Giulietta Masina é o mais perfeito exemplo.

2 - Crepúsculo dos Deuses (EUA, 1950)
Porque é o melhor filme para se entender a fábrica perversa de sonhos que é Hollywood. E porque a diva Gloria Swanson está imbatível como a louca atriz que acredita que pode voltar a brilhar.

3 - A Malvada (EUA, 1950)
Porque é o filme que melhor retrata a mesquinhez humana, a inveja e o medo do esquecimento. E porque Bette Davis carrega um mundo de sentimentos num simples acender de cigarro.

4 -Persona (Suécia, 1966)
Porque é um filme enigmático, hermético e difícil e, ainda assim, fascinante. E porque sua fotografia em preto-e-branco é uma das mais deslumbrantes que existem.

5 - Tudo Sobre Minha Mãe (Espanha, 1999)
Porque Almodóvar faz uma tocante homenagem a um gênero de cinema que eu amo, o melodrama, sem cair em seus habituais exageros. E porque o elenco feminino é capaz de nos levar às lágrimas e ao riso com igual maestria.