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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Fã de Carteirinha


Alguns artistas passam suas carreiras inteiras repetindo o mesmo disco. Para uma parte desses artistas, isso se torna até uma qualidade. É o caso, por exemplo, dos Ramones lá fora e de Jorge Benjor aqui no Brasil.


Para outros, a repetição vira um disfarce para a falta de criatividade, como se pode ver no trabalho do Weezer, grupo que chegou a receber um pedido de parte de seus fãs para que deixassem de gravar.


O grupo escocês Teenage Fanclub se encaixa, com honra, no primeiro grupo. Desde a estréia abençoada com Bandwagonesque, em 1991, eles vêm fazendo pequenas variações em sua sonoridade, sem jamais alterar radicalmente a qualidade melódica de suas canções.


Se Bandwogonesque é um disco que sobreviveu superlativamente em meio à grande quantidade de lixo gravada nos anos 1990 é porque seus acertos são atemporais: melodias grudentas e uma produção cristalina que faz a ponte perfeita entre as distorções típicas da época e a apropriação de modelos clássicos de composição (a influência de Beatles e Big Star é evidente).


Mas nos discos seguintes, o Teenage viu parte de seu público bandear-se para novas modas e modismos, enquanto eles continuavam fiéis a suas regras.


Quem permaneceu no séquito da banda, no entanto, teve a chance de entrar em contato com preciosidades com Don´t Look Back, Neil Jung (do disco Grand Prix), Your Love Is The Place Where I Come From (de Songs From Northern Britain) e The Cabbage (de Thirteen), músicas que só melhoram com o passar do tempo.


O novo disco, Shadows, segue a linha doce e etérea adotada em Man Made , lançado há cinco anos. Para quem é fã de longa data – e só agora, escrevendo este texto, é que me dou conta que amo esta banda há 20 anos – o disco acrescenta mais um capítulo à história de carinho criada entre o Teenage e seus admiradores.


Todas as canções são ótimas, mas em Baby Lee e When I Still Have Thee os escoceses atingem os picos de beleza que coroam suas melhores criações.


Não é certamente um trabalho que vá aumentar o público da banda. Tanto faz.


Nessas alturas, o que o fã-clube quer é exatamente o que eles vêm oferecendo: pequenos presentes em forma de música, a cada cinco anos.


É muito mais do que muita gente oferece em uma vida inteira...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Do Baú

Quando Brian Wilson lançou seu primeiro disco solo em 1988, eu não conhecia nada de sua obra.
Tudo bem, eu já devia ter ouvido uma ou duas músicas dos Beach Boys, mas ainda estava muito longe de mergulhar na perfeição de Pet Sounds – álbum lançado em 1966 e universalmente aclamado como um dos melhores de todos os tempos – e de canções como Good Vibrations e Heroes And Villains.
Foi numa resenha da revista Bizz que li pela primeira vez sobre este homem tão reverenciado e influente. Como na época eu só podia comprar um disco por mês – ai, Jesus, como é que eu aguentava? – tive que esperar um pouco para conhecê-lo. Espera que foi plenamente compensada.
Brian Wilson – o álbum – é desses discos impecáveis da primeira à última faixa. Um artista renascendo de décadas entregues ao esquecimento surge resplandecente em canções dignas do melhor pop produzido por Beatles, Love, Monkeys, Phil Spector e, é claro, Beach Boys.
O ápice do disco é uma canção a capella, One For The Boys, na qual Brian homenageia seus antigos companheiros de grupo e ainda exibe toda a beleza de sua voz. Grandes interpretações seguem encantando em Melt Away , Let It Shine , Love And Mercy e no encerramento grandioso da épica Rio Grande.
É um disco, enfim, para escutar com um sorriso bobo na cara e a sensação de estar testemunhando o último suspiro criativo de um gênio da música.
Inesquecível.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Música e Política


As eleições estão aí e, ainda que se sinta no ar uma total descrença em relação à política, o fato é que não se pode escapar muito do assunto.

Eu, de minha parte, ando com tamanho abuso de candidatos, novatos ou veteranos, que até ver um santinho colado no retrovisor do carro me causa náusea. O jeito é escutar alguns discos nos quais boa música e política andam de mãos dadas.

O namoro entre temas políticos e música é longo e remonta aos trovadores folk que, munidos apenas de um violão, desafiavam o status quo com muita poesia, revolta e desejo de mudança. Um dos pais do gênero, o cantor Woody Guthrie, tinha a frase “esta máquina mata fascistas” gravada em seu violão.

Não por acaso, um dos herdeiros mais importantes de Woody é Bob Dylan, músico que expandiu a paleta de temas do rock, abrindo espaço para canções de protesto, críticas agudas aos poderes estabelecidos e libelos contra as guerras.

John Lennon escutou e certamente teve um choque. Embora em sua emblemática canção God, na qual declara sua descrença em relação a todos os credos, fale claramente que não mais acredita em Dylan, não pode existir dúvida que a escrita daquele foi fundamental na transformação operada nas letras e nos posicionamentos do ex-Beatle.

Lennon, aliás, enfrentou problemas com as autoridades americanas por conta de sua oposição à guerra do Vietnã e à política bélica americana. Ainda que muitas de suas formas de protestos hoje pareçam um tanto ridículas (ficar deitado por dias num quarto de hotel? Eu heim...), não se pode negar a influência de canções pacifistas como Imagine e Happy Xmas (War Is Over).

A década de 70 foi pródiga em artistas que saíram de seus casulos para questionar a realidade circunstante. Do reggae de Bob Marley ao punk do The Clash, muita gente reclamou para o rock uma posição de destaque na luta pelos direitos civis. Discos clássicos dessa vertente são What’s Going On (Marvin Gaye), Innervisions (Stevie Wonder), Superfly (Curtis Mayfield), Exodus (Bob Marley), o primeiro do The Clash, Entertainment (Gang Of Four) e Fresh Fruit For Rotting Vegetables (Dead Kennedys), os dois últimos já na década de 1980.

Os tempos atuais, embora mais céticos e cínicos, não têm se furtado ao enfrentamento de arbitrariedades e desmandos em geral.

O governo do ex-presidente americano, George W. Bush, por exemplo, foi um prato cheio para músicos das mais variadas vertentes. Até um gênero tradicionalmente mais alienado como o country encontrou no grupo feminino Dixie Chicks uma voz contra as guerras arquitetadas pelo doce Bush. American Idiot (Green Day), Living With War (Neil Young), At War With The Mistics (The Flaming Lips), The Rising (Bruce Springsteen), Around The Sun (R.E.M.) e New Wave (Against Me!) estão entre os muitos trabalhos que escancararam a hipocrisia e a violência da administração Bush. Alguns capturaram a insatisfação de parte dos americanos com sucesso (American Idiot e The Rising), enquanto outros apenas geraram revolta nos setores mais conservadores da sociedade (Living With War), o que, de qualquer forma, devia ser o objetivo primeiro dos seus autores.

Entre acertos e erros, no entanto, a nova onda de discos políticos foi fundamental para reestabelecer o rock como plataforma de idéias e veículo de mensagens de insatisfação.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Caminhos Misteriosos

A revista americana SPIN, em seu site, elegeu os melhores discos dos seus 25 anos de existência. O primeiro colocado da lista de 125 álbuns é - surpresa para mim - Achtung Baby, lançado em 1991 pelo U2.Ao lado de The Queen Is Dead, dos Smiths, Rubber Soul, dos Beatles, Closer, do Joy Division e Pet Sounds, dos Beach Boys, Achtung forma o conjunto que eu costumo chamar Discos do Incêndio, ou seja, aqueles que eu tentaria salvar no caso de um incêndio em casa.

Segundo o texto da revista, Achtung traz em seu DNA as características que seriam exploradas pela melhor música alternativa feita nos anos seguintes: híbrida, multifacetada, experimental sem desconsiderar o ouvinte e emocional sem ser messiânica – um pecado no qual o U2 incorreu com bastante frequência no passado.

Das bandas que surgiram a partir daquele ano, pode-se perceber claramente a sombra de Achtung Baby no trabalho do Coldplay, do Arcade Fire, do TV On The Radio e do The National, entre tantas outras.

O próprio U2 mudaria muito depois do lançamento de seu álbum “alemão” (Achtung foi gravado entre Berlim e Dublim e muito do visual ultracolorido e levemente kitsh adotado pelo grupo na época vem da estada na Alemanha).

Ao invés da pesquisa por raízes do rock americano que havia dominado The Joshua Tree e Rattle And Hum, o grupo deu uma guinada em favor de uma sonoridade mais européia: David Bowie fase Low, Kraftwerk, Roxy Music e o som do Britpop inglês seriam a partir de então as novas referências para Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton.

Quando ouvi Achtung Baby pela primeira vez, confesso que levei um choque. O U2, na minha cabeça, ainda era a banda apoteótica e megalomaníaca que havia me arrastado três vezes ao cinema para assistir ao filme Rattle And Hum.

Quando falo “apoteótica e megalomaníaca” é sem nenhum demérito. Aquela intensidade e paixão, a fotografia épica em preto-e-branco, a postura de salvador do mundo de Bono, tudo era motivo de adoração para meu coração adolescente.

Se alguma vez na minha vida eu fui fanático por alguma coisa, acho que foi ali: entre 1986 e 1988 o U2 ocupava meu 3 em 1, meus cadernos, minhas paredes – cheguei a roubar um cartaz com a imagem da banda de uma banca de revistas – , enfim, não havia nada nem ninguém que se equiparasse a eles (bem, na verdade, havia Morrissey e os Smiths, mas esse foi um tipo de adoração mais madura, menos irrefletida e tola).

Dentro deste contexto, Achtung Baby era um verdadeiro alienígena, mas um alienígena que foi crescendo de pouco em pouco até me dominar por completo.

Todo o cinismo que me despertaram os óculos de mosca e o paletó dourado de Bono caiu por terra quando, finalmente, me deixei levar pela riqueza de canções como Love Is Blindness, Until The End Of The World e, principalmente, One.

Quase vinte após seu lançamento, o disco não perdeu nada de sua genialidade.

Embora tenha feito outros bons discos – All That You Can’t Leave Behind, sendo o melhor deles – o U2 jamais voltaria a atingir o mesmo pico de beleza, criatividade e ousadia ouvido em Achtung Baby.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mini-Guia: The Rolling Stones

Pedras preciosas:

Exile On Main Street (1972)

Presença constante em listas de melhores discos já gravados, Exile On Main St. é o auge do período mais criativo e brilhante do grupo.

Gravado entre Los Angeles e uma villa no sul da França, este antológico álbum duplo é cercado de lendas sobre os excessos químicos e sexuais cometidos pelo grupo. Mito à parte, o disco permanece uma verdadeira aula magna de rock, blues, country, soul e gospel.

Beggar´s Banquet (1968)

A batucada que abre a emblemática Simpathy For The Devil pavimenta o caminho para uma seleção quase toda acústica, mas não menos bombástica. Altamente antenado com sua explosiva época, Beggar´s é um dos registros mais contundentes de uma banda encontrando sua identidade musical.

Sticky Fingers (1971)

Da capa ultrajante concebida por Andy Warhol, até a coleção de clássicos que inclui Brown Sugar, Sister Morphine e Bitch, este disco não erra em absolutamente nada. Quase 30 anos após seu lançamento, Sticky Fingers é tão atual e imprescindível hoje como era então.

Semi-preciosas:

Black And Blue (1974)

Este disco é, possivelmente, o último grande disco gravado pelos Stones. No repertório variado pululam novas influências, como o reggae e o funk. Para completar, duas das melhores baladas compostas por Jagger/Richards: Memory Motel e Fool To Cry.

Aftermath (1966)

Primeiro álbum em que a dupla Mick Jagger/Keith Richards assina todas as composições, Aftermath suaviza o blues rock dos discos anteriores em favor de uma pegada mais pop. Não por acaso o grande sucesso do álbum é uma canção meio chorosa, a balada Lady Jane.

Their Satanic Majesties Request (1967)

Tentativa frustrada de fazer um álbum no espírito psicodélico da época, este disco pouco conhecido dos Stones é tido como a “resposta” do grupo a Sgt. Peppers, dos Beatles. Ouvido hoje, o que sobressai é a beleza de canções como She’s a Rainbow – em arranjo barroco e elaborado – e 2.000 Man – esta regravada pelo Kiss no álbum Dinasty.

Bijuteria:

A Bigger Bang (2006)

Se este foi o último disco de estúdio dos Stones – como grande parte da imprensa noticiou à época do lançamento – é forçoso dizer que eles encerraram a carreira com um disco nota zero. Baladinhas bregas, rocks feitos sob medida para estádios e outras bobagens compõem um álbum que não se equipara sequer ao pior da produção da banda na década de 1980.

Flashpoint (1991)

De todos os discos ao vivo gravados pelos Stones, este é, talvez, o pior. Apesar de participações especiais de peso – Eric Clapton empresta sua guitarra iluminada para Litte Red Rooster, um dos poucos bons momentos – o disco nunca chega a decolar plenamente.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Adeus

O rock americano despediu-se nesta quarta-feira, 17 de março de 2010, do cantor e guitarrista Alex Chilton, das bandas Big Star e Box Tops.

Aos 59 anos, o músico sentiu dores fortes e foi internado em um hospital de Nova Orleans, Estados Unidos. De acordo com informações da CNN, ele não teria resistido a um ataque cardíaco.

A notícia inesperada deixou a mulher do também compositor, Laura, em estado de choque. Alex era uma pessoa incrivelmente talentosa, lamentou o amigo John Fry.

Um dos padrinhos do rock alternativo americano, o ídolo cult se apresentaria neste fim de semana em Austin, Texas.

A notícia acima foi tirada do site do jornal Correio Braziliense e me atingiu de forma ao mesmo tempo triste e melancólica.

Chilton liderou, nos anos 70, uma das bandas mais atemporais e significativas surgidas nos Estados Unidos, o Big Star. Fazendo um rock simples, melódico e de clara inspiração no som dos Beatles, o Big Star simplesmente foi engolido por uma década onde o excesso e o exagero eram regras.

Quem foi esperto e sensível, escutou os três primeiros trabalhos da banda e depois formou a sua própria. Grupos como Wilco, R.E.M., Teenage Fanclub e muitos outros são herdeiros declarados do Big Star.

Quem quiser conhecer o trabalho do grupo deve correr para o primeiro disco, #1 Record, e escutar sem parar maravilhas como Ballad Of El Goodo, Thirteen e In The Street - esta última, inclusive, virou tema do sitcom That 70's Show, um delícia de programa que ainda hoje é exibido no canal Sony.

Com uma obra relativamente curta mas de influência gigantesca, Chilton e seu Big Star podem ser colocados na história do rock junto a outro "marginal" inesquecível, o Velvet Underground.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Os piores discos de todos os tempos

Nem só de Sgt. Peppers e Pet Sounds vive a discoteca de um homem. Quem compra muito, erra muito também. Alguns são erros divertidos. Outros, nem tanto.

A seguir uma listinha maldita dos discos mais calhordas que já caíram em minhas mãos:
1– Supposed Former Infatuation Junkie. Alanis Morrisette.
Ai, ai, Alanis, após a promissora estréia com Jagged Little Pill, você vendeu trocentos milhões de cópias, criou uma verdadeira sub-raça de moçoilas iradas e cansativas cantando sobre desilusões amorosas e, de repente, colocou tudo a perder com este disco insuportável, longo e vazio.

2– Alive III. Kiss.
Donos de um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos, o Kiss manchou seu passado de reis dos palcos com esse caça-níquel descarado que mais parece um disco de estúdio com barulho de público superposto. Não é a toa que logo após eles voltariam a excursionar mascarados.

3– Voodo Lounge. The Rolling Stones.
Toda grande banda tem seu momento bandalheira. Mas entre todas as pisadas de bola dos Stones – que não foram poucas - nada pode ser pior que esse disco frouxo e cafona. Salva-se apenas Love Is Strong, que gerou também um dos mais belos vídeos já feitos.

4– Never Let Me Down. David Bowie.
O Bowie dos anos 80 é uma tragédia. Com exceção do grande Scary Monsters, todo o resto de sua produção durante aqueles anos é medíocre. Never Let Me Down é a quintessência da porcaria camaleônica, um trabalho tão confuso e sem foco que fica difícil chegar até o final. Até o Tin Machine é melhor!

5– Be Here Now. Oasis.
Quando o Oasis lançou este disco em 1997, eles já eram a maior banda britânica da época. Com a popularidade e o prestígio alcançado com Morning Glory – o disco anterior – eles poderiam ter feito literalmente qualquer coisa. Optaram, então, por fazer um disco pretensioso, oco, estúpido, arrastado e destituído de boas canções. Nem a pior sobra dos Beatles poderia ser tão ruim...

6– The Great Escape. Blur.
Outra grande banda do Britpop, o Blur se caracterizou por um ecletismo maior em suas influências e por um maior refinamento em suas composições. Mas este disco é um verdadeiro samba do crioulo doido, um amontoado de canções metidas a engraçadinhas e, no final das contas, muito chatas.

7– Estampado. Ana Carolina.

Ao contrário do que muita gente pensa, não odeio Ana Carolina. Acho apenas que ela se vendeu de forma tão descarada que toda a qualidade de seu trabalho inicial se perde um pouco na minha memória. Este disco é o momento no qual a cantora interessante se torna um pé-no-saco. Muita canção de dor de cotovelo para tocar na novela das 8 e ainda uma parceria com Seu Jorge na moderninha O Beat da Beata, de letra tão absurda que beira o ridículo.

8– Líricas. Zeca Baleiro.
Baleiro é o tipo de artista brasileiro que já deveria ter sumido do mapa há séculos. Tudo de mais pretensioso, cabeça e metido que pode existir na nossa música circula livremente pela obra deste maranhense pentelho. Para completar a desgraça, este disco de baladas horrorosas ainda traz uma versão cachorra para Proibida pra mim, “clássico” do Charlie Brown Jr. Saravá, meu pai!

9– Fina Estampa. Caetano Veloso.
Falando bem sinceramente: Caetano Veloso já devia ter se aposentado há uns 20 anos. Nas últimas décadas, sua obra se resume a composições de gosto duvidoso, discos ao vivo e álbuns de versões. Fina Estampa é um apanhado de clássicos do cancioneiro hispânico tão tedioso que espanta até professor de cursinho de castelhano.

10– Acústico MTV. Gal Costa.
Tentativa patética de aproximação de Gal da geração MTV, este disco pavoroso só serviu para evidenciar a decadência artística desta, antes, grande cantora. Assistir ao vídeo do programa é ainda mais constrangedor: Gal não se deu ao trabalho sequer de decorar a letra de certas músicas!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Gênios Fora da Lâmpada

Não sei se existe algo parecido com perfeição neste mundo, mas acho que algumas obras de arte nos dão, ao menos, uma pista para entendermos a idéia por trás desta palavra.

Durante anos, na faculdade de artes que cursei aqui em Brasília, ouvi professores discursando sobre estética, crítica, teoria e história da arte. Muita leitura aliada a aulas com projeções de slides só me deram uma vaga noção do que seria o sublime nas artes.

É claro que meu gosto vem, em grande parte, daquela época. Mas, eu nunca imaginaria que me tornaria um obcecado por Renascimento Italiano, nem por rock dos anos 70. Porque, na verdade, a gente só forma efetivamente nosso gosto quando entra em contato direto com as obras. Talvez seja por isso que até hoje não consegui entender completamente o fascínio e a paixão que a ópera desperta em tantas pessoas. Possivelmente quando me dispuser a assistir ao vivo a um espetáculo operístico as coisas mudem...

Digo isso porque minha vida mudou para sempre no dia em que vi o trabalho de pintura realizado por Michelangelo no teto da Capela Sistina, no Vaticano. A mesma viagem que me colocou cara a cara com o Moisés, também do gênio italiano. Era a primeira vez que me deparava com a genialidade em toda sua força. Mais que isso, ter visto estas obras me mostraram que alguns homens são realmente maiores que a própria vida. Toda a mediocridade e mesquinharia que governam nosso dia-a-dia subitamente desapareceram diante de tamanha grandiosidade e magnificência.

Não sei se Deus existe – prefiro acreditar que não, mas em todo caso... –, entretanto nesses momentos percebo que algumas poucas coisas nos transportam para uma zona de contemplação e adoração que está fora deste plano físico.

Se eu já tive alguma experiência mística na minha “desespiritualizada” existência, foi diante do David, que me fez esperar durante duas horas numa fila para adentrar a pequena Galleria Dell’Academia, em Florença, e apreciar sua humanidade agigantada e glorificada em puro e reluzente mármore branco.

Todas essas experiências dizem muito da minha relação com música, afinal sempre me vi como discípulo do filósofo Nietsche. O bigodudo alemão muito sabiamente dizia que a vida não teria sentido sem a música. Eu vou além e digo que, sem música, a vida seria absolutamente insuportável.

Ter passado por esta existência sem mergulhar nas águas dos Beach Boys, nas deliciosas experimentações dos Beatles, nos cantos sagrados e profanos dos cantores e cantoras da Motown, na guitarra de Jimi Hendrix ou de Jimi Page, seria como uma existência no escuro. Ou, no mínimo, menos iluminada.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Da Estante

Sei que falo muito de Beatles por aqui e, com o perdão de quem não gosta, vou pedir licença para falar mais uma vez.

É que estou lendo a monumental biografia do grupo escrita por Bob Spitz (The Beatles – A Biografia, Editora Larousse).

Ao longo de quase 1000 páginas, o autor reconstrói a carreira da banda de rock mais popular de todos os tempos, de uma maneira detalhista, vívida e cativante.

Embora esteja ainda no primeiro quarto do livro, já dá para perceber a formação da personalidade de cada um dos quatro cavalheiros de Liverpool: a vida familiar conturbada de Lennon, o talento precoce de Paul, os péssimos boletins escolares de Harrison, as primeiras namoradas, a chegada do rock na Inglaterra, a dificuldade do dia-a-dia no pós 2ª Guerra Mundial, enfim, tudo o que viria a se refletir nas letras e atitudes de cada um deles se encontra ricamente descrito.

Altamente recomendável não só para fãs de carteirinha como também para aqueles curiosos em conhecer melhor um período muito fértil para a música jovem no mundo todo.

No quesito biografias de músicos, aliás, as nossas livrarias ganharam dois novos títulos que devem despertar bastante interesse: Minha Fama de Mau, de Erasmo Carlos (Editora Objetiva) e Nem Vem Que Não Tem – A Vida E O Veneno De Wilson Simonal (Editora Globo), de Ricardo Alexandre.

Esta última imagino ser imperdível, afinal a trajetória desse grande cantor brasileiro mistura preconceito, popularidade, talento, arrogância, ingenuidade e decadência num mesmo coquetel explosivo. É para ler escutando Sá Marina e Nanã.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Meus Discos Preferidos: Dance e Eletrônico

1– Os Embalos de Sábado À Noite. Vários
Movimento que surgiu do encontro de várias correntes alternativas e marginais, a discoteca fundiu hedonismo, swing negro e percussão latina num mesmo som. Quando ela saiu dos clubes gays e guetos sociais já estava um tanto diluída e pasteurizada. A trilha sonora do filme que consagrou John Travolta internacionalmente é, ao mesmo tempo, o ápice do estilo e o início da decadência. Os irmãos Bee Gees, claramente talentosos e inspirados, compuseram a maior parte das canções, mas há ainda espaço para bobagens típicas do período, como a versão “disco” da 5ª de Beethoven.

2– Trans-Europe Express. Kraftwerk
A música do Kraftwerk é tão influente que alguns críticos mais apressados já o compararam aos Beatles. Obviamente que o raio de influência dos alemães é muito menor, mas também é claríssimo que o rap, o hip hop, a house, o tecno e a própria disco devem muito ao pioneirismo de discos como Radioactivity, Autobahn e este hipnótico Trans-Europe Express, para mim o auge de uma carreira inovadora e brilhante.

3– Violator. Depeche Mode
O Depeche Mode começou como um grupo de electro-pop sem maior diferencial. Mas, quando gravaram o épico Music For The Masses, já estava claro que eles tinham um potencial que ia muito além de uma canção descartável como Just Can’t Get Enough (do primeiro disco, Speak And Spell). Violator é uma pequena obra-prima, delicada em sua tessitura eletrônica, atenta aos detalhes e rica em canções clássicas do repertório do grupo (estão aqui Enjoy The Silence, Personal Jesus e Policy Of Truth).

4– Surrender. The Chemical Brothers
O bate estaca de 99% da música tecno é duro de aguentar. Mesmo numa boate muito animada, é barra suportar a repetição tribal por mais que 2 horas. Mas alguns discos do estilo subvertem essa realidade com muita criatividade e com a ousadia de misturar o baticum das máquinas com instrumentos “de verdade”, bons vocalistas e um toque de rebeldia tipicamente rock’n roll. É o caso deste ótimo disco da dupla inglesa, que trouxe para seu laboratório sonoro gente de peso como Noel Gallagher (guitarrista e principal compositor do Oasis) e Missy Elliott (cantora e compositora americana que está sempre um passo a frente de seu tempo).

5– The Pleasure Principle. Gary Numan
Embora as músicas deste primeiro registro do músico inglês sejam perigosamente semelhantes entre si, é inegável que elas são também deliciosamente envolventes e charmosas. Estão aqui clássicos da música eletrônica como Cars, Engineers e a instrumental Airlane. Juntas, elas demonstraram que um disco podia ser completamente dominado por instrumentos eletrônicos e ainda assim soar humano e emocionante.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Baixar ou Não Baixar?

A pirataria parece realmente ter se tornado um fato corriqueiro em nossas vidas. Ninguém se pergunta mais se está contribuindo para o fomento de uma atividade criminosa ou se está passando por cima dos direitos autorais de milhares de criadores mundo afora.

Comprar um DVD de um filme que sequer chegou aos cinemas ou baixar um álbum completinho na internet não são motivos de preocupação para ninguém.

Mas, no meio desta enorme festa de livre circulação de obras artísticas, eu me pergunto: Quem vai pagar a conta?

Há, primeiramente, uma questão que me parece genial neste admirável mundo novo. A arte, que historicamente tem sido um privilégio para o deleite das elites, circula livremente e está aí para quem quiser.

Não é preciso ter grana para importar o cd daquela banda que nunca sai por aqui. Ou pagar uma fortuna para levar toda a família ao cinema (a matemática não deixa dúvida: um casal com, digamos, dois filhos, gastaria uma média de 70 reais para assistir, por exemplo, A Era do Gelo 3. Isso sem falar nas pipocas e refrigerantes que custam os olhos da cara em qualquer bomboniere... Por outro lado, o mesmo filme, em versão pirata, sai a módicos 5 reais nas calçadas de nossas cidades. Não tem assalariado que pense duas vezes!).

Cobrar das pessoas consciência quanto à usurpação dos direitos autorais alheios é, no mínimo, ingênuo. Na selva em que todos vivemos hoje, cada um está apenas defendendo o seu lado.

Quem vai se preocupar se a Ivete Sangalo está com as contas em dia? A Sangalo que morra! Além do mais, todo mundo sabe que artista vive é de show. Vendagem de discos mantém – ou mantinha - bem poucos no Brasil.

Lá fora, a coisa é diferente, porque, afinal, eles sempre tiveram um mercado fonográfico bem estruturado, forte e profissional. Um grupo como os Beatles, por exemplo, pôde se dar ao luxo de parar de fazer shows e se concentrar somente na gravação de suas grandes obras. Outros tempos, sem dúvida...

O que me leva à questão da conta. Se a indústria esperneia, processa e corre atrás do prejuízo sem muitos resultados práticos, os artistas, por sua vez, parecem completamente perdidos no meio do tiroteio.

Há uma geração inteira de garotos e garotas que não sabem o que é ir a uma loja para comprar um disco. Quem é mais esperto e antenado, aprendeu a falar com essa turma diretamente na internet. Há aqueles, inclusive, que passaram a entregar suas músicas sem cobrar um tostão. Se tais carreiras frutificarão é um mistério que só o tempo desvendará.

Eu, como sou um quase quarentão e continuo adorando cada disquinho e cada discão que eu possuo, fico assim meio desconfiado de tudo isso.

O chato dessa história toda, é que colecionadores como eu vão ficando cada vez mais anacrônicos e nostálgicos. E eu não consigo deixar de lembrar como era gostoso sair andando de loja em loja, pesquisando preços, checando novidades, namorando raridades, amando a música mais que qualquer outra coisa...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tempo e Memória

O canal de TV paga, VH1, estreou no último sábado, dia 26, uma série intitulada As Canções que Mudaram o Mundo.

Composto por dez programas, a série tem a ambição de resumir o espírito de várias épocas por meio de canções emblemáticas como Smells Like Teen Spirit do Nirvana, Heartbreak Hotel, de Elvis Presley e I Wanna Hold Your Hand, dos Beatles. Tarefa das mais difíceis.

Apesar de saber do impacto de determinadas músicas na história da cultura ocidental, acho que, no fundo, o que importa para cada um de nós são as músicas que mudaram nossas próprias vidas. Essas eu carrego na minha memória como um baú de jóias preciosas e escutá-las sempre me transporta para momentos marcantes e inesquecíveis da minha existência.

Por exemplo: I Wanna Hold Your Hand pode ser um marco na carreira dos Beatles, a música que os tornou conhecidos nos Estados Unidos – na Inglaterra eles já eram um fenômeno – e, por extensão, no resto do mundo. Mas, para mim, nenhuma canção dos Fab Four foi tão significativa quanto Eleonor Rigby, uma delicada obra sobre solidão, desesperança e velhice, belamente adornada por instrumentos orquestrais. Justamente por tratar de temas tão atemporais, Eleonor Rigby permanece atual e certamente ainda muito influente.

Ao lado de Yellow Brick Road (Elton John), que talvez tenha sido a primeira música que eu escutei repetidas vezes, tentando decorar uma letra num idioma do qual eu não conhecia patavina, de Bohemian Rhapsody (Queen), que me apontou as possibilidades ilimitadas de criação artística, de I Love It Loud (Kiss), que me abriu a cabeça para um lado de fantasia e diversão muito importantes para a música, de Será (Legião Urbana), que me mostrou que Brasília podia fazer rock e que esse rock podia ser muito bom e, finalmente, de Karma Police (Radiohead), que entrou na minha vida devagarzinho, até me dominar por completo, Eleonor Rigby forma um conjunto precioso de grandes referências musicais e eternas fontes de alegria e prazer.
A seguir, uma pequena lista de canções que, volta e meia, eu tenho que escutar para não perder o rumo:

1– Ask. The Smiths
2– One. U2
3
– Like a Hurrycane. Neil Young
4– Atmosphere. Joy Division
5– The One I Love. R.E.M.
6
– Free Money. Pati Smith
7– Love Song. The Cure
8– Life On Mars. David Bowie
9– Sheena Is A Punk Rocker. The Ramones
10– Bizarre Love Triangle. New Order
Servico:
As Canções Que Mudaram o Mundo
CANAL VH1 (NET, canal 89. SKY, canal 84). Todos os sábados, às 23 horas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Banda do Sargento Pimenta Está de Volta!

No dia 9 de setembro, próxima quarta-feira, será relançada a discografia completa dos Beatles, digitalmente remasterizada. Isso, ao menos, lá fora. Como o Brasil sempre foi um país de beatlemaníacos incansáveis, espera-se que os discos saiam por aqui também.

Para dar água na boca de fanáticos e curiosos em geral, eu resolvi traduzir parte de um texto publicado no site da revista inglesa Uncut, no qual se adianta um pouco do frenesi que um tal evento deve causar.

Ah, perdoem uma ou outra licença poética da minha livre versão, certo? Valei-me Cultura Inglesa...

"A palavra-chave é clareza. Não altura. Clareza. As vozes e instrumentos estão claros como cristal, puros, humanos, naturais e despidos de décadas de detritos e poeira. É como se visitássemos uma galeria de arte onde um funcionário, de repente, retirasse as obras-primas e as limpasse com uma esponja, do topo à base.

Remasterizados por um pequeno time de engenheiros do estúdio Abbey Road, os CD's não foram supercomprimidos ou emparedados e nem chegam a parecer muito altos em volume.

Dois dos álbuns foram restaurados de forma quase miraculosa: The White Album e Abbey Road. O longo medley de Abbey Road é simplesmente uma tapeçaria musical de tirar o fôlego. Quando pega foga, sai de baixo. Quando precisa ser sutil, o faz de maneira acolhedora e brilhante.

Logicamente, pode-se argumentar que qualquer porcaria antiga ficaria uma maravilha nas mãos de profissionais e de equipamentos como os de Abbey Road (o estúdio). A questão é saber se tamanha clareza sonora será detectada em um aparelho convencional de cd ou num Ipod. Não só pode, como deve. Afinal, não se trata apenas de remoção de ruídos ou eliminação de picos, ou mesmo de fazer Magical Mystery Tour soar como Metallica (graças a Deus). Pense simplesmente numa limpeza para a música e para a mente.

Mudanças de textura, atmosfera, a relação das vozes com o microfone: tudo isso é evidente e inegável. O resultado é que cada álbum surge como um choque.
Eles não sofreram cirurgia plástica. Eles tiveram suas máscaras retiradas, e nós não sabíamos sequer que eles usavam uma.


História re-escrita? Não - história escrita honesta, verdadeira e transparentemente, sem omissões. The Beatles íntimo e pessoal. E com calos nos dedos!"

David Cavanagh

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Da Lama ao Cosmos

Comemoram-se neste mês de agosto os 40 anos da realização do lendário Festival de Woodstock.

Quando comparado com os festivais atuais, em que a organização e a variedade de programação são cada vez maiores, Woodstock parece um enorme programa de índio. Durante três dias de agosto de 1969, milhares de jovens invadiram uma bucólica região do estado de Nova York e celebraram os ideais de vida comunal, sexo livre e experiências com drogas que caracterizaram o auge da cultura hippie. Tudo em meio a muita lama, falta de comida e de banheiros, e uma infra-estrutura tão precária que realmente parece um milagre que a coisa toda não tenha resvalado para a total baderna.

No palco, uma verdadeira constelação de grandes nomes da época, como Jimi Hendrix, Joe Cocker, The Who, Crosby, Stills And Nash e Janis Joplin, misturava-se com outros que ficaram um pouco perdidos em meio à poeira púrpura daqueles anos lisérgicos.

Woodstock não foi o primeiro grande festival de rock, mas sua lenda e a enorme mitologia fundada em torno daqueles chuvosos dias permanecem intactas.

Em homenagem aos hippies e tudo de bom que eles nos legaram em termos de música, preparei uma pequena seleção de clássicos psicodélicos, não apenas os grandes discos da era psicodélica original (que vai de 1966 a 1970), mas também aqueles que beberam diretamente da fonte e mantiveram a chama caleidoscópica dos mágicos anos 60 acesa:

1 – Axis: Bold As Love. Jimi Hendrix.
A imagem mais marcante de Woodstock ainda é a de Jimi estraçalhando o hino americano, um momento que certamente entrou para a história como um dos símbolos de uma geração contestadora e inquieta.

2 – Nuggets. Vários.
Esta caixa com quatro cd’s reúne um número imenso de bandas de garagem que, em sua maior parte, caíram no esquecimento. Toscas, simples e muito alucinadas, elas representam o lado mais sujo da psicodelia americana. Grandes músicas, grande diversão.

3 – Surrealistic Pillow. Jefferson Airplane.
Este disco tem nos vocais de Grace Slick, a cereja de seu bolo já bastante confeitado. Na canção White Rabbit, Slick desconstrói a história clássica de Alice no País das Maravilhas e a transforma numa ode ao uso de substâncias um tanto quanto suspeitas. Genial.

4 – If You Can’t Believe Your Eyes And Ears. The Mamas And The Papas.
Musicalmente é um álbum sem maiores vôos artísticos, mas as mamães e os papais gravaram aqui uma das canções mais emblemáticas do rock movido a drogas, California Dreaming. Por trás das doces melodias do grupo, está a história engraçada do moço que se refugia numa igreja para curtir sua viagem em paz.

5 – Yoshime Battles The Pink Robbots. The Flaming Lips.
Um dos grupos que melhor souberam atualizar o rock psicodélico, o Flaming Lips faz música doidona para modernos e sensíveis. Tudo muito viajante, mas também muito tocante.

6 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. The Beatles.
Quando os 4 fabulosos descobriram as possibilidades criativas do uso de drogas, o mundo nunca mais foi o mesmo. Sgt. Pepper não é a primeira piração deles, mas é seu disco mais influente e, até hoje, apontado como o melhor de todos os tempos. Quem não concorda que ouça a orquestral A Day In The Life e tente argumentar contra.

7 – When I Was Born For The 7th Time. Cornershop.
Uma coisa que a geração psicodélica fez com grande propriedade foi borrar as fronteiras que separavam gêneros musicais, aproximando ocidente e oriente, música branca e música negra, etc. Este disco de 1997, incorpora elementos de música indiana, numa bela fusão de dance, pop e indie, com instrumentos exóticos e letras que celebram o amor e a tolerância. Mais anos 60, impossível.

8 – Cosmotron. Skank.
O Brasil não poderia ficar de fora do culto psicodélico. Este disco marca definitivamente o namoro do grupo mineiro que o rock inglês e os sons da década de 60. Criativo e musicalmente rico, faz esquecer que um dia o Skank gravou bobagens como Jack Tequila.

9 – The Coral. The Coral.
O primeiro disco desta banda de Liverpool uniu de maneira mais que competente o rock psicodélico com o peso e a ironia típicos dos tempos atuais. Não fizeram mais nada que preste depois disso, mas deixaram sua marca em canções como The Spanish Main, Simon Diamond e Goodbye.

10 – The Primitives. The Primitives.
Quando o The Primitives lançou este disco no final dos anos 80, parecia que finalmente um grupo tinha ressuscitado a estética dos anos 60, no que ela tinha de mais grudenta, assoviável e barulhenta. Tudo embalado pelos vocais super-doces de Tracy Tracy, que juntava numa mesma interpretação a leveza dos Beach Boys com a sujeira do Velvet Underground. Pena que durou tão pouco...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Rebeldia Sem Causa

Um dos filmes mais legais sobre a juventude na década de 60 é Febre da Juventude (I Wanna Hold Your Hand, EUA, 1978), do diretor Robert Zemeckis.

Contando uma história deliciosamente boba sobre um grupo de moças e rapazes que fazem de tudo para assistir a uma apresentação dos Beatles, no programa de TV The Ed Sullivan Show, o filme é uma sessão da tarde divertida e inconsequente, mas simplesmente perfeita para quem curte Beatles.

Eu mesmo, beatlemaníaco inveterado, já devo ter visto o filme umas quatro vezes.

Aproveitando certa disposição nostálgica que me acomete vez ou outra, resolvi fazer uma seleção de clássicos da primeira era do rock.

São músicas que fundaram o som que mudaria a juventude do mundo ocidental, e até hoje causam estranhamento em mentes convencionais e avessas a mudanças.

Então, lá vai:
1 – That’s All Right – Elvis Presley
2 – Heatbreak Hotel – Elvis Presley
3 – Keep On Knocking – Little Richard
4 – Peggy Sue Got Married – Buddy Holly
5 – Everyday – Buddy Holly
6 – Johnny B. Goode – Chuck Berry
7 – Roll Over Beethoven – Chuck Berry
8 – Help Me Ronda – The Beach Boys
9 – Be My Baby – The Ronnetes
10 – Stand By Me – Ben E. King
11 – Twist And Shout – The Beatles
12 – I Wanna Be Your Man – The Rolling Stones
13
– You Really Got Me – The Kinks
14 – My Generation – The Who
15
– I Got a Woman – Ray Charles
PS: Para conhecer melhor os primórdios do rock, recomendo duas trilhas sonoras geniais: American Graffiti, álbum duplo que tem desde Rock Around The Clock, de Bill Haley, até All Summer Long, dos Beach Boys, e Stand By Me, jóia saudosista que me apresentou o som dos anos 50.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dica

Um dos discos mais bonitos que escutei nos últimos tempos é Hold Time, do músico americano Matthew Stephen Ward, que assina seus trabalhos simplesmente com M. Ward.

Ward já havia encantado seus fãs com o disco Post-War, de 2006, uma fantástica viagem por um universo onde country, surf music e rock independente se fundem para criar um som único.

Hold Time não traz novidades para esse formato, mas as composições de Ward evoluíram muitíssimo. Suas músicas estão mais bem estruturadas e as boas canções vão se acumulando num crescendo, em que se destacam as faixas Never Had Nobody Like You (com participação da atriz e cantora Zooey Deschanel) e Oh Lonesome Me (esta com a sublime cantora Lucinda Williams).

É difícil escutar Hold Time sem se imaginar numa praia ensolarada, com uma leve brisa soprando e uma imensa sensação de bem estar e paz na vida. E uma ocasional melancolia, é verdade...

Para quem tem interesse em musicalidades inclassificáveis, doces melodias e um pop bastante diverso do que se faz atualmente, vale também checar o disco Volume 1, a faixa She And Him, no qual Ward se juntou a Zooey Deschanel para uma revisão bastante livre da country music americana, além de ótimas releituras de clássicos como I Should Have Known Better, dos Beatles, e You Really Gotta Hold On Me, de Smokey Robinson.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Meus Discos Preferidos: Anos Setenta

1 – Dark Side Of The Moon – Pink Floyd (1973)
Para mim, este disco é uma espécie de totem, um oráculo sagrado ao qual eu sempre recorro. Viajante, progressivo sem ser tedioso, poético e perfeito em sua concepção musical, Dark Side é uma longa ode ao ex-vocalista do Floyd, Syd Barrett, àquelas alturas já perdido para o mundo e habitando um universo completamente à parte.
2 – Led Zeppelin III – Led Zeppelin (1970)
É muito difícil escolher entre os 4 primeiros discos do Zeppelin. São todos perfeitos e é incrível perceber a evolução do grupo desde o heavy blues do primeiro trabalho até a maturidade musical alcançada em 1971, com o emblemático quarto álbum. Mas o meu preferido segue sendo o terceiro. Talvez, porque seja o menos pesado. Talvez, porque tenha Since I´ve Been Loving You . Não sei, mas o fato é que toda vez que penso em ouvir Zeppelin , corro para o III.
3 – The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars – David Bowie (1972)
O mais genial artista da década de 70 passou por várias fases: foi folk no primeiro disco, hard no segundo, inclassificável no ótimo Hunky Dory e, finalmente, um mutante alienígena travestido de rock star em seu quarto e melhor álbum, Ziggy Stardust. Auge da estética glam, o disco alinhava 11 canções matadoras, que tornaram Bowie um super-astro na Inglaterra e, cumprindo as profecias de Ziggy, um mito do rock.
4 – London Calling – The Clash (1979)
A antítese da pompa e da pretensão de grande parte dos artistas da década, o The Clash era uma metralhadora de criatividade, cuspindo uma variedade de estilos que iam da mais pura explosão punk ao reggae e ao rockabilly. London Calling é o auge de sua estética suja e politizada. Intenso demais para durar, o grupo sucumbiria a divergências internas e ao declínio do ideário punk. Mas a sua marca já estava registrada na história do rock.
5 – Horses – Patti Smith (1975)
Espécie de mãe espiritual de todos os rebeldes que surgiram na segunda metade da década, Patti tinha experimentado outras linguagens artísticas antes de lançar seu primeiro e mais importante disco. Horses combina à perfeição suas ambições poéticas com a urgência musical de sua banda. Sem falar que Smith canta muito. Um disco para escutar com a sensibilidade à flor da pele.
6 – Harvest – Neil Young (1972)
O gênio de Young já dava mostras de seu alto poder desde a década de 60, mas seu auge se encontra, realmente, na primeira metade da década seguinte. Harvest é seu disco mais bem-sucedido comercialmente, e uma pérola de delicadeza e de sutis revelações que vão nos envolvendo e apaixonando a cada faixa. Tão marcante, que Young faria duas continuações: Harvest Moon, em 1992, e Prairie Wind,em 2005.
7 – Burnin’ – Bob Marley And The Wailers (1973)
Um grande feito: um artista de terceiro mundo alcança êxito mundial e se converte numa influência fundamental para toda a música pop que se faria a partir daí. Burnin’ captura Marley e sua ótima banda em estado bruto, entoando canções que são como uma espécie de canto religioso, tocado num ritmo lento e cadenciado. Isso sem falar na forte mensagem política. Grande disco.
8 – Born To Run – Bruce Springsteen (1975)
Quando lançou este disco, em 1975, Springsteen era apenas um aspirante a astro, entre tantos nos Estados Unidos. Mas Born to Run o tornou não apenas um astro, mas também uma lenda, o cara simples e batalhador que conhece de perto o outro lado do “sonho americano”. Para alguns críticos mais severos, Bruce não passa de um Dylan requentado, mas a verdade é que a paixão e a sinceridade que encontramos em cada uma de suas canções, o credenciam como um artista de mérito próprio.
9 – Marquee Moon – Television (1977)
O punk como obra de arte bem acabada. Por mais paradoxal que possa parecer, o Television conseguiu isso com sua obra-prima, Marquee Moon, um disco que preserva a energia bruta das ruas típica do punk, acrescentando a sofisticação instrumental dos guitarristas Tom Verlaine e Richard Lloyd.
10 – Goodbye Yellow Brick Road – Elton John (1973)
O lado mais triste e melancólico da década encontra neste álbum duplo extraordinário seu exemplo mais perfeito. Melodias grudentas em canções que só podem ser comparadas com as de outros gênios pop, como os Beatles e os Beach Boys.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Beatles à Brasileira

Já que falei de Beatles na última postagem, porque não falar também da banda que para mim são os Beatles brasileiros, a Legião Urbana?

É claro que o fato de ter crescido em Brasília, de ter sido adolescente em plena ascensão de Renato Russo e cia, me torna um pouco suspeito. Ou não. Afinal quantas bandas de rock nacional geraram um culto tão forte e duradouro? Quantas podem se gabar de ter atravessado gerações e permanecer tão atuais e relevantes? Quantas possuem clássicos suficientes para preencher um álbum duplo?

Eu acho que não existe comparação, principalmente, com a qualidade do texto de Russo. Mesmo que os anos 80 tenham sido pródigos em bons letristas - um fenômeno que parecer ter desaparecido de nosso cenário pop - ninguém captou tão bem o espírito de seu tempo quanto Renato Russo.

Da política ao desejo homoafetivo, nada escapou à pena afiada do trovador de Brasília. Eu me recordo que, na escola, todo mundo sabia todas as letras quilométricas de coração. Era um tal de levar o encarte para as aulas e sair passando de carteira em carteira enquanto os professores falavam sobre física, biologia e... química, claro!

Renato parecia saber tudo que a gente sentia, vivia e desejava. É pomposo falar em porta-voz de uma geração, mas, de um certo modo, era assim que a gente o via.

Hoje, para mim, ficou a delicada poesia, a sensibilidade extrema de alguém que se indignava, que abria o peito e se expunha muito. Numa época em que tudo vai ficando mais e mais embrutecido e cínico, a música da Legião e as letras de Russo são como um oásis, um alivio para os tristes de coração porém grandes de alma.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Aos Montes II

Uma seleção Beatlemaníaca:

1. I Saw Her Standing There
2. We Can Work it Out
3. In My Life
4. A Day In The Life
5. She's Leaving Home
6. While My Guitar Geetly Weeps
7. I Want You (She's So Heavy)
8. Help
9. Eleanor Rigby
10. I'm Looking Through You
11. Ticket To Ride
12. Happiness Is A Warm Gun
13. Golden Slumbers
14. Strawberry Fields Forever
15. Tomorrow Never Knows
16. I'm So Tired
17. I'm Only Sleeping
18. A Hard Day's Night
19. When I'm Sixty Four
20. Your Mother Should Know

Aos Montes

Todo audiófilo que se preze tem que ter todos os discos oficiais dos Beatles. Por quê? Oras bolas, porque goste-se ou não, toda a musica ocidental, feita dos anos 60 para cá, tem alguma influência dos quatro garotos de Liverpool. E isso não é nenhum exagero.

Pegue-se, por exemplo, a musica brasileira. Da Jovem Guarda ao Tropicalismo, passando pelos Mutantes e pelo Clube da Esquina, chegando ao rock da década 80, todo mundo bebeu, bebe e continuará a beber da fonte de Lennon-McCartney. Que o diga Skank.

Eu sou beatlemaniaco praticamente desde que me entendo por gente.

Os primeiros contatos com a banda foram por meio de duas coletâneas maravilhosas, uma cobrindo a fase inicial - mais pop e bailavel -, e a outra cobrindo os anos experimentais do final da carreira. As capas representam o grupo em momentos distintos, mas fotografados no mesmo local. Se não me engano, no prédio da gravadora EMI, em Londres.

Quando a gente conhece a discografia completa, a evolução se descortina diante de nossos ouvidos, de uma maneira não menos impressionante.

Perceber como os caras passaram de uma banda cover para um grupo que determinava e se adiantava a TODAS as tendencias musicais, é, não apenas um grande aprendizado, mas também um imenso prazer.

Meu disco mais querido do grupo é Rubber Soul. Não existe nenhuma razão especial para isso. Acho que todo apaixonado tem seu disco preferido dos Beatles.

Para mim, Rubber Soul preserva um pouco da inocência dos primeiros anos, ao mesmo tempo que revela uma maturidade poética - existe letra mais linda que a de In My Life? - e musical, que prenuncia os saltos criativos que viriam a seguir.

Revolver, Sgt. Peppers e Abbey Road são todos obras-primas indiscutíveis.

Mas, Rubber Soul é Beatles em estado bruto. Lírico, simples e absurdamente viciante.