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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A Delicadeza É Vermelha

Estava assistindo, esta semana, uma entrevista com a cantora e compositora Vanessa da Mata, no programa Sem Censura, da TV Brasil.

Já há algum tempo que acompanho a carreira desta matogrossense de voz suave e visual exótico e bem brasileiro.

Vendo Vanessa falar - curiosamente, esta foi a primeira vez que a vi concedendo uma entrevista -, me veio a revelação do porque de minha admiração por ela: Vanessa é doce, simples e naturalmente bela.

Explico-me. A MPB vive um momento de um enorme congestionamento de vozes femininas em suas vias. Do samba revisitado de Roberta Sá e Teresa Cristina às modernas Ana Cañas e Céu, há uma cantora para cada dia da semana e para o humor do momento.

Todas essas jovens cantoras permanecem, no entanto, restritas a um selecto público. A grande massa ainda não as descobriu e, com a burrice generalizada de programadores de rádio e produtores de televisão, é muito provável que fiquem assim por um bom tempo.

Já no caso de Vanessa da Mata, ela parece ter descoberto o caminho para a música de consumo em massa sem sacrificar um milímetro de sua visão artística. E é aí que ela se mostra diferenciada e especial.

Sem os exageros cansativos de Ana Carolina ou o populismo arrasa-quarteirão de Ivete Sangalo, Vanessa só encontra paralelo em outra grande musa pop, Marisa Monte (alguém poderia mencionar também Maria Rita mas, para mim, ainda falta uma cara, uma persona artística definida para a filha do mito maior entre nossas cantoras).

É na inversão da regra de mercado que impõe a burrice no lugar da inteligência, a brutalidade no lugar da sensibilidade e a planificação no lugar da assinatura autoral, que Vanessa se insinua e vai conquistando os corações de quem busca boa música brasileira.

Isso tudo regado com água de chuva e decorado com flores bem vermelhas.