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segunda-feira, 8 de março de 2010

8 de Março: Dia Internacional da Mulher

No dia 8 de março comemora-se no mundo todo o Dia Internacional da Mulher.

Apesar dos equívocos óbvios que cercam datas como essas, com celebrações que mais reforçam do que combatem alguns mitos idiotas, penso que é sempre bom que existam tais momentos como espaços de reflexão e debate.

Por isso, resolvi listar alguns fatos marcantes envolvendo mulheres no mundo da música. Como toda lista é arbitrária, fica o espaço aberto para lembranças diversas...

Anos 60:
- Joan Baez encabeça o folk politizado e abre caminho para outros trovadores;
Aretha Franklin brada por respeito em uma versão arrasadora da composição de Otis Redding, Respect;
- Janis Joplin deixa a platéia do festival de Monterrey boquiaberta com sua performance para lá de intensa;
- Grace Slick seduz alucinados de todos os cantos com White Rabbit, um conto de fadas pervertido e psicodélico;
- Diana Ross & The Supremes rivalizam com os Beatles pelas primeiras posições das paradas nos Estados Unidos;
- Rita Lee e os Mutantes subvertem o bom-mocismo do rock brasileiro e mudam a cara da música nacional.

Anos 70:
- Carole King lança o histórico Tapestry, um disco que serviu de inspiração para milhares de garotas e - por que não? - garotos;
- Patti Smith aproxima poesia e rock no magnífico Horses;
- Gloria Gaynor, Grace Jones e Donna Summer reinam nas pistas e se tornam divas da Disco;
- Karen Carpenter e seu irmão iniciam uma parceria vitoriosa que, infelizmente, terminaria de forma trágica para Karen;
- Rita Lee parte para uma bem-sucedida carreira solo;
- Gal Costa, Maria Bethania, Elis Regina e Clara Nunes se consagram como estrelas maiores da MPB;
- Kate Bush grava Wuthering Heights, um clássico absoluto da década;
- Siouxsie Sioux é a grande figura feminina saída das fileiras do punk inglês.

Anos 80:
- Madonna escandaliza os caretas americanos com sua performance para lá de ousada na primeira festa de premiação da MTV;
- Tina Turner deixa para trás um passado de abuso e violência por parte do ex-marido Ike Turner e lança Private Dancer, um dos campeões de venda da década;
- Cyndi Lauper faz de She's So Unusual um dos trabalhos mais representativos do pop oitentista;
- O grupo Go-Go's se torna um dos primeiros formados somente por mulheres a frequentar o topo das paradas;
- A cantora anglo-nigeriana Sade Adu inicia uma trajetória de grande sucesso com músicas sofisticadas e intimistas;
- O rock brasileiro vira produto de massa e com isso conhecemos e passamos a amar (ou odiar) Paula Toller e Marina.

Anos 90:
- Grupos como Sleater-Kinney, L7 e Bikini Kill protagonizam o movimento que ficaria conhecido como Riot Girrrls;
- O festival Lilith Fair viaja os Estados Unidos levando na bagagem somente artistas mulheres;
- Lucinda Williams sai da obscuridade e conquista corações com seu belo Car Wheels On a Gravel Road;
- Bjork inicia com o álbum Debut uma das carreiras mais criativas e instigantes dos últimos tempos;
- Sinéad O'Connor rasga uma foto do Papa em rede nacional e destrói sua popularidade nos Estados Unidos;
- O TLC, grupo de rappers americanas, chama para briga machões e otários do hip hop;
- Mariah Carey, com seu pop careta e certinho e seus milhões de discos vendidos, se converte na principal cantora pop da década.

Anos 2000:
Tudo é possível nesta última década:
- Missy Elliott ensina a fazer hip hop com inventividade;
- Madonna continua fazendo os shows mais ousados do mundo pop;
- Amy Winehouse se droga como uma louca mas lança dois discos inesquecíveis;
- Duffy, Adelle e Stelle mantêm acesa a chama da soul music;
- Bat For Lashes (Natasha Khan), St. Vincent (Annie Clark), Like Li e tantas outras andam na frente da vanguarda artística de nossos tempos;
- No Brasil cantoras como Roberta Sá, Marina de la Riva, Fernanda Takai e Vanessa da Mata nos dão esperança de que nem tudo está perdido no sonífero reino da música popular brasileira.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Meus Discos Preferidos: Anos Dois Mil

Gimme FictionSpoon (2005)
Os americanos dominam de forma avassaladora a música de boa qualidade que se faz hoje. Enquanto os ingleses ficam choramingando e se lamentando, seus colegas nos Estados Unidos experimentam todas as possibilidades de se fazer música excitante, inteligente e altamente prazerosa. O Spoon já possuía alguns anos de estrada quando atingiu o pico criativo com esse instigante Gimme Fiction. O que o coloca, para mim, no topo da lista é o ótimo vocalista e principal compositor Britt Daniels, capaz de cantar em falsete na ótima I Turn My Camera On, soltar a voz em My Mathematical Mind e ainda se converter num ótimo crooner pop em Sister Jack.

Dear Science – TV On The Radio (2008)
Mais uma excelente banda, essa vinda do Brooklin, NY. Admirado por gente como David Bowie, o grupo começou altamente experimental, mas foi, aos poucos, dosando ousadia musical com um instinto pop invejável. Num mundo perfeito, Dear Science venderia horrores, tocaria sem parar no rádio e seria recebido pelo grande público como se fosse, digamos, um disco de Mariah Carey. Sem os gritos e as caras e bocas, é claro.

ElephantThe White Stripes (2003)
Uma das figuras mais produtivas da cena atual, Jack White vai gravando um disco atrás do outro (com ou sem sua parceira Meg), sem dar sinais de fadiga criativa. Elephant não é em nada diferente da mistura de blues, country e rock ensurdecedor que marcou os discos anteriores do grupo, mas é aqui que se encontram Seven Nation Army, The Hardest Button To Button e Girl, You Have no Faith In Medicine, para mim, as três melhores canções de Jack e Meg.

A Rush Of Blood To The HeadColdplay (2002)
A melhor banda inglesa de pop rock dos últimos anos, o Coldplay desperta reações apaixonadas: tem gente que acha um saco o som “sensível” do grupo, enquanto outros simplesmente se deixam levar pela qualidade – indiscutível – das canções compostas por Chris Martin e Cia. Eu sou assumidamente do segundo grupo. Acho que eles são brilhantes compositores, que Martin canta com todo coração e que, sim, ainda existe espaço para sensibilidade na música pop.

Franz FerdinandFranz Ferdinand (2004)
O melhor debut da década, este disco é a suprema união entre o guitar rock típico dos anos 90 com as batidas dançantes das bandas pop da década de 80. As influências apontadas aqui vão de Duran Duran a Gang Of Four, mas o que vale mesmo é a alquimia que estes escoceses realizam em canções já clássicas como Take Me Out e Darts Of Pleasure.

American IdiotGreen Day (2004)
Num ano de grandes estréias, os já veteranos rapazes do Green Day fizeram um épico punk que radiografou a era Bush de maneira brilhante. Ambicioso, intenso, recheado de canções de qualidade atemporal , American Idiot é uma dessas obras que já nascem clássicas.

Rated RQueens Of The Stone Age (2000)
Chamado à época do lançamento deste disco de novo Nirvana, o QOTSA não precisou de comparações tolas para impor seu rock setentista, chapadão e pesado. A primeira faixa traz sob o irônico título de Feel Good Hit Of The Summer, uma letra que somente lista uma série de drogas lícitas e ilícitas, enquanto que em Better Living Through Chemistry, o grupo ressuscita a psicodelia com um peso e uma pegada que remetem ao som do Led Zeppelin e do Black Sabbath.

Gang of Losers - The Dears (2006)
Esta última década tem sido testemunha de uma extraordinária ascensão do rock vindo do Canadá. The Dears é uma das melhores bandas de uma cena que inclui nomes como New Pornographers, Broken Social Scene e Feist. Girando em torno do ótimo vocalista Murray Lightburn, o grupo limou excessos e vícios dos discos anteriores e lapidou, em Gang of Losers, um diamante perfeito, que brilha da primeira à última faixa.

Live a LittlePernice Brothers (2006)
Joe Pernice é uma figura singular: faz música simples, de melodias assobiáveis, letras delicadas e arranjos cristalinos. Live a Little é seu sexto disco e o exemplar mais bem acabado de uma estética que despreza modismos e modernices, em favor de espontaneidade e sinceridade raramente vistas. Toda vez que bate uma certa melancolia, coloco este disco no player, seleciono a 3ª faixa, Somerville, e logo me sinto mais confortado.

The Dirty SouthDrive-By Truckers (2004)
Sexto trabalho desta excepcional banda do Alabama, The Dirty South é um disco para quem gosta de rock puro e dos bons, sem frescuras ou maiores invenções. Tudo tem nítido sabor sulista, aquele rock básico meio caipira, com um pé no country e outro no blues. É um disco longo (quase 80 minutos!), mas que não cansa ou se repete. E ainda tem uma emocionante homenagem aos vocalistas do The Band, na bela Danko/Manuel. Para quem quer saber como se faz rock’n’roll de verdade, hoje em dia, este é o disco.