Uma imagem icônica para o rock: uma figura desesperada projeta um grito, que distorce tudo ao seu redor.A capa do primeiro álbum do King Crimson, lançado em 1969, já despertou muita especulação sobre seu sentido. E continua intrigando e fascinando.
O disco, clássico, é um conjunto de apenas 5 longas faixas, exaustivamente trabalhadas, que estabeleceriam o padrão para o chamado rock progressivo. Mas, ironicamente, a capa é mais lembrada que a própria obra.
Para mim, a beleza dessa pintura só encontra paralelo em outro quadro sobre angústia, desespero e dor, O Grito, do norueguês Edvard Munch, exposto pela primeira vez em 1893 e, desde então, uma das imagens mais conhecidas da arte ocidental.
Munch, que teve a vida marcada pela depressão e por perdas precoces de pessoas queridas, traduziu perfeitamente o sentimento de inadequação e desamparo do homem moderno.
Mais de 70 anos depois, o King Crimson captaria novamente esse sentimento em sua magnífica estréia.
A euforia de paz e amor dos anos 60 já dava claras mostras de cansaço no final de uma década que, em retrospecto, se revelaria violenta, conturbada e sangrenta.
Novamente, o único ato possível, nesse contexto, é gritar para o vazio.
Pelo menos, dessa vez, havia uma bela trilha sonora de fundo...