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terça-feira, 9 de março de 2010

Amor, Imaginação e Sonho

Alguns discos têm o poder de evocar fortes lembranças e nos transportar no espaço e no tempo.

Alguns são extremamente representativos de uma determinada época e, ainda assim, atemporais.

Alguns conseguem nos encantar a cada nova audição da mesma maneira que encantaram na primeira.

Alguns poucos são tudo isso e mais um pouco. É o caso de Moon Safari, o segundo trabalho da dupla francesa Air.Formada pelos músicos Nicolas Godin e Jean Benoit Dunckel, o Air (iniciais para amour, imagination e rêve) se viu transformado em queridinhos da crítica quando do lançamento de Moon Safari, em 1998.

Seduzidos pela mistura de música ambiente, efeitos eletrônicos saídos de discos obscuros da década de 70 e vocais femininos sussurrantes e belos, jornalistas e modernos em geral elegeram o disco um dos melhores daquele ano.

Olhando em retrospecto, Moon Safari não apenas sobreviveu ao teste do tempo como superou trabalhos de estrelas ascendentes da época (caso do Hole e de Marilin Mason, por exemplo).

Mais de dez anos passados, o Air segue lançando trabalhos interessantes.

O último, Love 2, é certamente o melhor da dupla em muito tempo.

Mas a magia e o mistério de Moon Safari permanecem um caso único na história recente da música popular.

segunda-feira, 8 de março de 2010

8 de Março: Dia Internacional da Mulher

No dia 8 de março comemora-se no mundo todo o Dia Internacional da Mulher.

Apesar dos equívocos óbvios que cercam datas como essas, com celebrações que mais reforçam do que combatem alguns mitos idiotas, penso que é sempre bom que existam tais momentos como espaços de reflexão e debate.

Por isso, resolvi listar alguns fatos marcantes envolvendo mulheres no mundo da música. Como toda lista é arbitrária, fica o espaço aberto para lembranças diversas...

Anos 60:
- Joan Baez encabeça o folk politizado e abre caminho para outros trovadores;
Aretha Franklin brada por respeito em uma versão arrasadora da composição de Otis Redding, Respect;
- Janis Joplin deixa a platéia do festival de Monterrey boquiaberta com sua performance para lá de intensa;
- Grace Slick seduz alucinados de todos os cantos com White Rabbit, um conto de fadas pervertido e psicodélico;
- Diana Ross & The Supremes rivalizam com os Beatles pelas primeiras posições das paradas nos Estados Unidos;
- Rita Lee e os Mutantes subvertem o bom-mocismo do rock brasileiro e mudam a cara da música nacional.

Anos 70:
- Carole King lança o histórico Tapestry, um disco que serviu de inspiração para milhares de garotas e - por que não? - garotos;
- Patti Smith aproxima poesia e rock no magnífico Horses;
- Gloria Gaynor, Grace Jones e Donna Summer reinam nas pistas e se tornam divas da Disco;
- Karen Carpenter e seu irmão iniciam uma parceria vitoriosa que, infelizmente, terminaria de forma trágica para Karen;
- Rita Lee parte para uma bem-sucedida carreira solo;
- Gal Costa, Maria Bethania, Elis Regina e Clara Nunes se consagram como estrelas maiores da MPB;
- Kate Bush grava Wuthering Heights, um clássico absoluto da década;
- Siouxsie Sioux é a grande figura feminina saída das fileiras do punk inglês.

Anos 80:
- Madonna escandaliza os caretas americanos com sua performance para lá de ousada na primeira festa de premiação da MTV;
- Tina Turner deixa para trás um passado de abuso e violência por parte do ex-marido Ike Turner e lança Private Dancer, um dos campeões de venda da década;
- Cyndi Lauper faz de She's So Unusual um dos trabalhos mais representativos do pop oitentista;
- O grupo Go-Go's se torna um dos primeiros formados somente por mulheres a frequentar o topo das paradas;
- A cantora anglo-nigeriana Sade Adu inicia uma trajetória de grande sucesso com músicas sofisticadas e intimistas;
- O rock brasileiro vira produto de massa e com isso conhecemos e passamos a amar (ou odiar) Paula Toller e Marina.

Anos 90:
- Grupos como Sleater-Kinney, L7 e Bikini Kill protagonizam o movimento que ficaria conhecido como Riot Girrrls;
- O festival Lilith Fair viaja os Estados Unidos levando na bagagem somente artistas mulheres;
- Lucinda Williams sai da obscuridade e conquista corações com seu belo Car Wheels On a Gravel Road;
- Bjork inicia com o álbum Debut uma das carreiras mais criativas e instigantes dos últimos tempos;
- Sinéad O'Connor rasga uma foto do Papa em rede nacional e destrói sua popularidade nos Estados Unidos;
- O TLC, grupo de rappers americanas, chama para briga machões e otários do hip hop;
- Mariah Carey, com seu pop careta e certinho e seus milhões de discos vendidos, se converte na principal cantora pop da década.

Anos 2000:
Tudo é possível nesta última década:
- Missy Elliott ensina a fazer hip hop com inventividade;
- Madonna continua fazendo os shows mais ousados do mundo pop;
- Amy Winehouse se droga como uma louca mas lança dois discos inesquecíveis;
- Duffy, Adelle e Stelle mantêm acesa a chama da soul music;
- Bat For Lashes (Natasha Khan), St. Vincent (Annie Clark), Like Li e tantas outras andam na frente da vanguarda artística de nossos tempos;
- No Brasil cantoras como Roberta Sá, Marina de la Riva, Fernanda Takai e Vanessa da Mata nos dão esperança de que nem tudo está perdido no sonífero reino da música popular brasileira.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Muito Barulho Por Nada

O que leva um artista a adiar, por 13 anos, o lançamento de um disco? Insegurança? Perfeccionismo? Estrelismo?

No caso do vocalista do Guns N’Roses, Axl Rose, provavelmente, um pouco de cada.

O disco Chinese Democracy foi anunciado incontáveis vezes antes de finalmente ver a luz do dia no segundo semestre do ano passado. Valeu a espera? Sim e não.

O Guns N’Roses foi uma banda legal quando contava com todos os seus integrantes originais.

Lançaram um disco essencial, Appetite For Destruction, e os bons Use Your Illusion I e II. Mas, à época desses dois últimos trabalhos, a banda já dava claras mostras de esgotamento tanto pessoal quanto artístico.

Diante da megalomania cada vez mais incontrolável de Axl Rose, os outros músicos da banda foram, um a um, caindo fora até que a banda ficasse reduzida ao vocalista e a músicos contratados (em quem, certamente, Axl manda e desmanda).

O que nos leva a Chinese Democracy, um disco que poderia facilmente ter saído como primeiro trabalho solo de Rose. Há muito pouco do hard rock de garagem, cheio de adrenalina do primeiro Guns.

Até mesmo com Use Your Illusion as semelhanças são poucas. As boas baladas e rocks setentistas daqueles discos marcam pouca presença.

Há muito pouco a se destacar neste longo trabalho (14 faixas, em mais de 70 minutos), mas, pelo menos, Rose continua com a voz em cima. E para quem curte rock com muita guitarra, vocais agudos, efeitos sonoros e um ou outro momento mais calminho, o disco pode até ser interessante.

Para mim, no entanto, ficou uma grande decepção depois de uma espera tão prolongada e de tantas palhaçadas aprontadas pelo senhor Rose.

De qualquer maneira, resta a esperança de que o próximo venha mais enxuto, como um tiro curto e certeiro.

E com menos de 10 anos de intervalo...

terça-feira, 2 de junho de 2009

Para Ouvir e Se Arrepiar

Na década de 70, as rádios A.M. eram a principal fonte de informação, música e entretenimento para muitos brasileiros. Foi, também, a minha trilha sonora até mais ou menos os 10 anos de idade.

Mas não se resumia apenas à música.

Existia, na época, um programa que fez o terror de muitas das minhas noites, além de alimentar muitíssimo minha fértil imaginação: As Histórias Que o Povo Conta.

Tratava-se de um programa em que cartas enviadas pelos ouvintes relatavam causos, acontecimentos sobrenaturais, casos de possessão demoníaca e outras lendas urbanas e rurais. A narração era lúgubre e acompanhada por um fundo musical chupado de filmes de terror.

Hoje, fico imaginando que tudo devia ser absolutamente tosco, mas para um moleque de 7, 8 anos de idade, aquilo era o máximo de suspense e terror.

Quantas noites foram passadas em claro, assombrado pela canastrice dos locutores, que descreviam mulheres sedutoras que voltavam do túmulo, fantasmas que perseguiam motoristas em noites frias e solitárias e inocentes criancinhas que eram possuídas pelo diabo (cruzes!).

Outro programa que eu achava espetacular, era o romântico Para Ouvir e Amar, no qual canções melosas nacionais eram alternadas com outras em inglês, que eram traduzidas simultaneamente por um locutor cheio de amor para dar. Isso, sem falar nas cartas apaixonadas, todas lidas com a dose obrigatória de sacarina e pseudo-sensualidade.

Lembro que quando assisti a Domésticas, o Filme (Brasil, 2001, diretores: Nando Olival e Fernando Meirelles), muito desse passado veio à mente. Talvez porque na infância tenha convivido muito com empregadas domésticas, inclusive tendo ajudado a escrever muitas cartas de amor para seus pretendentes, e escutado os clássicos da música brega junto com elas.

Daí, também, muito da minha admiração por artistas como Sidney Magal, Gretchen, Fernando Mendes e Odair José. Desprezados pela elite pensante e culta, eles eram o lado doce no amargo dia-a-dia de grande parte de nossa gente.

Se hoje não consigo parar, por mais de 15 minutos, em qualquer estação de rádio, não posso deixar de ter uma recordação afetuosa de uma época em que o rádio era uma das partes mais ternas, excitantes e assustadoras da minha vida.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Meus Discos Preferidos: Anos Setenta

1 Dark Side Of The MoonPink Floyd (1973)
Para mim, este disco é uma espécie de totem, um oráculo sagrado ao qual eu sempre recorro. Viajante, progressivo sem ser tedioso, poético e perfeito em sua concepção musical, Dark Side é uma longa ode ao ex-vocalista do Floyd, Syd Barrett, àquelas alturas já perdido para o mundo e habitando um universo completamente à parte.
2Led Zeppelin IIILed Zeppelin (1970)
É muito difícil escolher entre os 4 primeiros discos do Zeppelin. São todos perfeitos e é incrível perceber a evolução do grupo desde o heavy blues do primeiro trabalho até a maturidade musical alcançada em 1971, com o emblemático quarto álbum. Mas o meu preferido segue sendo o terceiro. Talvez, porque seja o menos pesado. Talvez, porque tenha Since I´ve Been Loving You . Não sei, mas o fato é que toda vez que penso em ouvir Zeppelin , corro para o III.
3 The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars David Bowie (1972)
O mais genial artista da década de 70 passou por várias fases: foi folk no primeiro disco, hard no segundo, inclassificável no ótimo Hunky Dory e, finalmente, um mutante alienígena travestido de rock star em seu quarto e melhor álbum, Ziggy Stardust. Auge da estética glam, o disco alinhava 11 canções matadoras, que tornaram Bowie um super-astro na Inglaterra e, cumprindo as profecias de Ziggy, um mito do rock.
4London CallingThe Clash (1979)
A antítese da pompa e da pretensão de grande parte dos artistas da década, o The Clash era uma metralhadora de criatividade, cuspindo uma variedade de estilos que iam da mais pura explosão punk ao reggae e ao rockabilly. London Calling é o auge de sua estética suja e politizada. Intenso demais para durar, o grupo sucumbiria a divergências internas e ao declínio do ideário punk. Mas a sua marca já estava registrada na história do rock.
5 HorsesPatti Smith (1975)
Espécie de mãe espiritual de todos os rebeldes que surgiram na segunda metade da década, Patti tinha experimentado outras linguagens artísticas antes de lançar seu primeiro e mais importante disco. Horses combina à perfeição suas ambições poéticas com a urgência musical de sua banda. Sem falar que Smith canta muito. Um disco para escutar com a sensibilidade à flor da pele.
6 Harvest Neil Young (1972)
O gênio de Young já dava mostras de seu alto poder desde a década de 60, mas seu auge se encontra, realmente, na primeira metade da década seguinte. Harvest é seu disco mais bem-sucedido comercialmente, e uma pérola de delicadeza e de sutis revelações que vão nos envolvendo e apaixonando a cada faixa. Tão marcante, que Young faria duas continuações: Harvest Moon, em 1992, e Prairie Wind,em 2005.
7 Burnin’ Bob Marley And The Wailers (1973)
Um grande feito: um artista de terceiro mundo alcança êxito mundial e se converte numa influência fundamental para toda a música pop que se faria a partir daí. Burnin’ captura Marley e sua ótima banda em estado bruto, entoando canções que são como uma espécie de canto religioso, tocado num ritmo lento e cadenciado. Isso sem falar na forte mensagem política. Grande disco.
8 Born To RunBruce Springsteen (1975)
Quando lançou este disco, em 1975, Springsteen era apenas um aspirante a astro, entre tantos nos Estados Unidos. Mas Born to Run o tornou não apenas um astro, mas também uma lenda, o cara simples e batalhador que conhece de perto o outro lado do “sonho americano”. Para alguns críticos mais severos, Bruce não passa de um Dylan requentado, mas a verdade é que a paixão e a sinceridade que encontramos em cada uma de suas canções, o credenciam como um artista de mérito próprio.
9Marquee MoonTelevision (1977)
O punk como obra de arte bem acabada. Por mais paradoxal que possa parecer, o Television conseguiu isso com sua obra-prima, Marquee Moon, um disco que preserva a energia bruta das ruas típica do punk, acrescentando a sofisticação instrumental dos guitarristas Tom Verlaine e Richard Lloyd.
10 Goodbye Yellow Brick RoadElton John (1973)
O lado mais triste e melancólico da década encontra neste álbum duplo extraordinário seu exemplo mais perfeito. Melodias grudentas em canções que só podem ser comparadas com as de outros gênios pop, como os Beatles e os Beach Boys.

quinta-feira, 5 de março de 2009

That 70's Show

Sei que não param de falar de Milk- A Voz da Igualdade, o novo filme de Gus Van Sant, portanto não vou me demorar em analisá-lo. Quem viu já sabe que é um retrato tocante de um personagem ímpar, um homem que viveu pouco, mas que fez muito por uma causa ainda sem grandes defensores. E que, infelizmente, caminha a passos de tartaruga.

Mas, como o assunto aqui é música, estou falando de Milk por um aspecto que talvez não chame a atenção de muita gente: a recriação dos míticos anos 70.

Eu era criança quando Harvey Milk iniciou sua luta, mas essa década se gravou na minha alma de maneira indelével. Talvez porque tenha sido na infância que surgiram as primeiras paixões musicais.

A trilha sonora lá de casa era Roberto Carlos (e isso, naquela época, ainda significava boa música), mas rolava também muito Elton John, trilha sonora de novela e um boa dose da genuína música brega made in the 70's.

Quando eu comecei a forjar meu gosto musical, essa foi a década a qual eu quis voltar com mais ansiedade. E cada faceta que eu ia descobrindo me deixava mais maravilhado.

Não existem anos mais ricos, do ponto de vista da música pop e do rock. Obviamente que os anos 60, com seu ideário de liberdade e romantismo psicodélico, são incríveis, mas foi a década seguinte que efetivamente expandiu todas as possibilidades abertas na louca década dos Beatles e dos Stones.

Se formos pensar bem, os anos 70 foram excepcionais, inclusive, para nossa MPB. Enquanto a porrada comia solta nas prisões da ditadura militar, Caetano, Gil, Chico, Tim Maia e Jorge Ben soltaram seus discos mais inovadores e marcantes.

Nos Estados Unidos, foi a década do soul politizado de Marvin Gaye, Curtis Mayfield e Stevie Wonder; do surgimento dos cantores-autores como Carole King, James Taylor e Jackson Browne; do aparecimento da disco e do punk em Nova Iorque; e do brilho criativo de Neil Young, que lançou 4 obras-primas só entre 70 e 75.

Da Inglaterra, vieram movimentos igualmente marcantes como o glam rock de T-Rex, Mott, The Hoople e David Bowie; o heavy metal do Black Sabbath e do Deep Purple; o rock progressivo do Yes e do Pink Floyd. Isso sem falar no som mastodôntico do Led Zeppelin, possivelmente a banda definitiva de rock.

Fora do eixo USA-UK, despontaram grandes novidades, especialmente o KRAUT Rock alemão - do Kraftwerk e Can-, o reggae na Jamaica e a descoberta dos ricos ritmos latinos e africanos.

Para quem quer se iniciar nesses anos mágicos, segue uma listinha com os discos mais influentes e marcantes do período:
Dark Side Of The Moon - Pink Floyd (1973)
Led Zeppelin IV - Led Zeppelin (1971)
After The Gold Rush - Neil Young (1970)
Hunky Dory - David Bowie (1971)
Ramones - The Ramones (1977)
London Calling - The Clash (1979)
Horses - Patti Smith (1975)
Exodus - Bob Marley (1977)
Trans-Europe Express - Kraftwerk (1977)
What's Going On - Marvin Gaye (1971)
Marquee Moon - Television (1977)
Unknown Pleasures - Joy Division (1979)
Paranoid - Black Sabbath (1970)
For Your Pleasure - Roxy Music (1971)