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terça-feira, 18 de maio de 2010

Capas Clássicas

1991 deveria ter sido o ano de Dangerous, álbum duplo lançado por Michael Jackson após um hiato de quatro anos. Não foi. Um álbum de uma banda obscura saída da cena musical de Seattle varreu as paradas daquele ano, iniciando uma revolução na música jovem feita no mundo inteiro.

O disco em questão chamava-se Nevermind e o terremoto que se seguiria ao seu lançamento não seria sentido somente por um decadente Michael Jackson. Garotos espalhados pelos quatro cantos do planeta viram que era novamente viável empunhar uma guitarra, cantar sobre as angústias e alegrias de sua geração e vender muito, mas muito disco mesmo. Só nos Estados Unidos, Nevermind alcançou a fantástica – para os dias de hoje – marca de dez milhões de cópias comercializadas.

Como quase todo grande álbum, a capa de Nevermind é não menos que antológica. O bebê que tenta agarrar uma nota de dólar em baixo d’água pode ser lida das mais variadas formas. Será uma metáfora sobre o capitalismo que nos fisga logo na infância? Será uma pista da relação ambígua de Kurt Cobain com o sucesso e o dinheiro? Ou será simplesmente o símbolo de uma banda jovem e inexperiente em meio aos tubarões da indústria?

Não importa: seja qual a interpretação dada, a capa tornou-se tão clássica que já chegou a ser apontada pela revista americana Rolling Stone como a melhor capa de rock de todos os tempos. Em que pese certo exagero de tal eleição, não há como negar sua importância e permanente capacidade de encantar e instigar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Última Flor

Há muito se discute sobre as reais qualidades literárias de uma boa letra de música. É poesia ou não? A coisa se complica muito quando música e texto de altíssima qualidade andam de mãos dadas. É o caso de grande parte da música brasileira.

Uma recente enquete da edição nacional da revista Rolling Stone revelou que Construção, música e letra de Chico Buarque, é a melhor canção brasileira de todos os tempos.

Se formos analisar os versos de Buarque, fica muito claro que a eleição de sua obra-prima, de 1971, deve muito à rica construção gramatical, cheia de versos terminados em palavras proparoxítonas, e suas metáforas asfixiantes da dura realidade do Brasil dos anos de chumbo.

É lógico que o incrível arranjo, que evolui de um simples samba para um épico cinematográfico em brilhante tecnicolor, torna a canção ainda mais impressionante, mas quando pensamos em Construção nos vem imediatamente à cabeça A Letra.

Para mim, não há mistério. Não consigo ver muita distinção entre Carlos Drummond de Andrade e a melhor produção de Caetano Veloso ou entre a depuração lingüística de João Cabral e o intricado universo de Chico Buarque.

Algumas letras de Antonio Carlos Jobim me emocionam tanto quanto os versos tristes alegres de Manuel Bandeira.

As palavras de Renato Russo tiveram um impacto tão grande em minha psique quanto os versos românticos de Álvares de Azevedo e Castro Alves.

Penso que, num país de analfabetos e alfabetizados que não lêem como é o Brasil, a música cumpre um papel fundamental de disseminação de ideias, cristalização de expressões e falares regionais e - mais importante - de perpetuação da musicalidade e beleza inerentes a nossa amada, inculta e bela Língua Portuguesa.