Mostrando postagens com marcador Green Day. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Green Day. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Música e Política


As eleições estão aí e, ainda que se sinta no ar uma total descrença em relação à política, o fato é que não se pode escapar muito do assunto.

Eu, de minha parte, ando com tamanho abuso de candidatos, novatos ou veteranos, que até ver um santinho colado no retrovisor do carro me causa náusea. O jeito é escutar alguns discos nos quais boa música e política andam de mãos dadas.

O namoro entre temas políticos e música é longo e remonta aos trovadores folk que, munidos apenas de um violão, desafiavam o status quo com muita poesia, revolta e desejo de mudança. Um dos pais do gênero, o cantor Woody Guthrie, tinha a frase “esta máquina mata fascistas” gravada em seu violão.

Não por acaso, um dos herdeiros mais importantes de Woody é Bob Dylan, músico que expandiu a paleta de temas do rock, abrindo espaço para canções de protesto, críticas agudas aos poderes estabelecidos e libelos contra as guerras.

John Lennon escutou e certamente teve um choque. Embora em sua emblemática canção God, na qual declara sua descrença em relação a todos os credos, fale claramente que não mais acredita em Dylan, não pode existir dúvida que a escrita daquele foi fundamental na transformação operada nas letras e nos posicionamentos do ex-Beatle.

Lennon, aliás, enfrentou problemas com as autoridades americanas por conta de sua oposição à guerra do Vietnã e à política bélica americana. Ainda que muitas de suas formas de protestos hoje pareçam um tanto ridículas (ficar deitado por dias num quarto de hotel? Eu heim...), não se pode negar a influência de canções pacifistas como Imagine e Happy Xmas (War Is Over).

A década de 70 foi pródiga em artistas que saíram de seus casulos para questionar a realidade circunstante. Do reggae de Bob Marley ao punk do The Clash, muita gente reclamou para o rock uma posição de destaque na luta pelos direitos civis. Discos clássicos dessa vertente são What’s Going On (Marvin Gaye), Innervisions (Stevie Wonder), Superfly (Curtis Mayfield), Exodus (Bob Marley), o primeiro do The Clash, Entertainment (Gang Of Four) e Fresh Fruit For Rotting Vegetables (Dead Kennedys), os dois últimos já na década de 1980.

Os tempos atuais, embora mais céticos e cínicos, não têm se furtado ao enfrentamento de arbitrariedades e desmandos em geral.

O governo do ex-presidente americano, George W. Bush, por exemplo, foi um prato cheio para músicos das mais variadas vertentes. Até um gênero tradicionalmente mais alienado como o country encontrou no grupo feminino Dixie Chicks uma voz contra as guerras arquitetadas pelo doce Bush. American Idiot (Green Day), Living With War (Neil Young), At War With The Mistics (The Flaming Lips), The Rising (Bruce Springsteen), Around The Sun (R.E.M.) e New Wave (Against Me!) estão entre os muitos trabalhos que escancararam a hipocrisia e a violência da administração Bush. Alguns capturaram a insatisfação de parte dos americanos com sucesso (American Idiot e The Rising), enquanto outros apenas geraram revolta nos setores mais conservadores da sociedade (Living With War), o que, de qualquer forma, devia ser o objetivo primeiro dos seus autores.

Entre acertos e erros, no entanto, a nova onda de discos políticos foi fundamental para reestabelecer o rock como plataforma de idéias e veículo de mensagens de insatisfação.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Para Todos os Gostos

2010 começa com uma verdadeira avalanche de shows internacionais aportando por aqui. Bem, ao menos, no eixo Rio-São Paulo.

Em fevereiro, o melhor candidato a próximo U2 chega ao Brasil com a turnê de seu último disco, o campeão Viva La Vida. Estou falando, é claro, da banda britânica Coldplay, um dos poucos grupos da atualidade que consegue unir grande popularidade com qualidade musical (os outros são Green Day, U2 e R.E.M.).

Também desembarcando em território nacional, em março, o Guns And Roses deve matar a saudade de quem achava que eles eram a maior banda de hard rock de todos os tempos (será que sobrou alguém?). Axl Rose - e quem quer que o acompanhe - passará, inclusive, pela Capital Federal. Estou ainda à espera da divulgação do set list para decidir se vale à pena ir. Se for totalmente baseado no último disco, o pífio Chinese Democracy, é caso de deixar para uma próxima...

Agora, acho que imperdível mesmo é conferir as apresentações do A-HA, a banda norueguesa mais popular de todos os tempos e autora das inesquecíveis Take On Me, Hunting High And Low e I’ve Been Losing You. O grupo recentemente anunciou sua aposentadoria, portanto, essa deve ser a última turnê. E a última chance de conferir se o vocalista Morten Harket ainda consegue dar aqueles agudos matadores. Dá-lhe nostalgia!

Serviço:

Coldplay
Rio de Janeiro (28 de fevereiro) e São Paulo (2 de março)

Guns’n Roses
Brasília (7 de março), Belo Horizonte (10de março), São Paulo (13 de março), Rio de Janeiro (14 de março) e Porto Alegre (16 de março)

A-Ha
São Paulo (25 de março) e Rio de Janeiro (26 de março)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Queen do Século XXI

O rock nasceu como música inconsequente, trilha sonora para bailinhos suarentos e diversão para garotos e garotas suburbanos.

É claro que, nos revolucionários anos 60, tudo isso mudou e críticos e estudiosos sérios começaram a ver na nova música uma forma de expressão artística bastante representativa de sua época.

Discos como Revolver (The Beatles, 1966) e Pet Sounds (The Beach Boys, 1966) mostraram todo o potencial e riqueza musical que o rock podia trazer em canções simples de três minutos.

Só que alguns músicos não se contentam com pouco. Para eles, não basta compor melodias grudentas, ritmos irresistíveis e letras inesquecíveis. É preciso dar ao rock uma fachada de complexidade que o aproxime de coisas mais socialmente aceitas como a música clássica e o jazz.

Uma bobagem, é claro, mas dessa ambição nasceram grandes discos como Fragile (Yes, 1972), Larks Tongues In Aspic (King Crimson, 1973) e A Night At The Opera (Queen, 1975).

O furacão punk tratou de varrer da face da terra tais delírios de grandeza, mas volta e meia aparece uma banda que ressuscita essa estética de exageros, com resultados mais ou menos interessantes.

Curiosamente, a melhor ópera rock dos últimos anos foi gravada por um grupo que começou se apropriando da estética punk e fazendo, portanto, discos muito rápidos e diretos, o Green Day. American Idiot, lançado em 2004, fez uma raivosa radiografia dos anos Bush, num conjunto de canções que se ligam e formam um todo coeso e intenso. Não por acaso é o melhor disco do trio.

Recentemente o Green Day tentou repetir a fórmula no menos inspirado 21st Century Breakdown. Batendo perto dos 80 minutos – se fosse nos anos 70, seria um duplo -, não chega a ser um disco ruim, mas também não chega a empolgar.

Agora, quem gosta de muito piano, refrões bombásticos, vocais dramáticos, canções que se dividem em vários movimentos, não deve deixar de checar o trabalho da banda britânica Muse.
Verdadeiro gigante lá pelas ilhas – comparáveis atualmente a Oasis–, o Muse ainda não atingiu o mega sucesso mundial de um Coldplay, mas segue gravando discos em que chupa descaradamente a estética operística do Queen, revestindo-a com um tratamento moderno e produção de última geração (o que o Queen, se a gente for pensar bem, já fazia com os recursos de sua época).

O auge do estilo melodramático metido a besta do Muse foi atingido com o excelente Black Holes And Revelations, de 2006. Nele, o cantor e compositor Matt Bellamy conseguiu equilibrar perfeitamente sua veia erudita com seu inegável talento para compor boas músicas pop.

No novo disco, The Resistance, sai o afiado artífice pop e fica apenas o compositor erudito frustrado. É tanto piano, coro, pausas dramáticas e vocais afetados que, lá pelas tantas, a gente fica achando que está escutando a mesma música repetidas vezes. E, no final, descobrimos que essa impressão é verdadeira. As três últimas músicas são uma sinfonia dividida em três partes. Funciona? Para mim, não.

Nas três primeiras faixas do disco, o Muse continua mostrando que tem garra e habilidade para fazer um bom disco de rock. Uma pena que a ambição desmedida de Bellamy o faz esquecer que ele deveria ficar somente nisso.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Meus Discos Preferidos: Anos Dois Mil

Gimme FictionSpoon (2005)
Os americanos dominam de forma avassaladora a música de boa qualidade que se faz hoje. Enquanto os ingleses ficam choramingando e se lamentando, seus colegas nos Estados Unidos experimentam todas as possibilidades de se fazer música excitante, inteligente e altamente prazerosa. O Spoon já possuía alguns anos de estrada quando atingiu o pico criativo com esse instigante Gimme Fiction. O que o coloca, para mim, no topo da lista é o ótimo vocalista e principal compositor Britt Daniels, capaz de cantar em falsete na ótima I Turn My Camera On, soltar a voz em My Mathematical Mind e ainda se converter num ótimo crooner pop em Sister Jack.

Dear Science – TV On The Radio (2008)
Mais uma excelente banda, essa vinda do Brooklin, NY. Admirado por gente como David Bowie, o grupo começou altamente experimental, mas foi, aos poucos, dosando ousadia musical com um instinto pop invejável. Num mundo perfeito, Dear Science venderia horrores, tocaria sem parar no rádio e seria recebido pelo grande público como se fosse, digamos, um disco de Mariah Carey. Sem os gritos e as caras e bocas, é claro.

ElephantThe White Stripes (2003)
Uma das figuras mais produtivas da cena atual, Jack White vai gravando um disco atrás do outro (com ou sem sua parceira Meg), sem dar sinais de fadiga criativa. Elephant não é em nada diferente da mistura de blues, country e rock ensurdecedor que marcou os discos anteriores do grupo, mas é aqui que se encontram Seven Nation Army, The Hardest Button To Button e Girl, You Have no Faith In Medicine, para mim, as três melhores canções de Jack e Meg.

A Rush Of Blood To The HeadColdplay (2002)
A melhor banda inglesa de pop rock dos últimos anos, o Coldplay desperta reações apaixonadas: tem gente que acha um saco o som “sensível” do grupo, enquanto outros simplesmente se deixam levar pela qualidade – indiscutível – das canções compostas por Chris Martin e Cia. Eu sou assumidamente do segundo grupo. Acho que eles são brilhantes compositores, que Martin canta com todo coração e que, sim, ainda existe espaço para sensibilidade na música pop.

Franz FerdinandFranz Ferdinand (2004)
O melhor debut da década, este disco é a suprema união entre o guitar rock típico dos anos 90 com as batidas dançantes das bandas pop da década de 80. As influências apontadas aqui vão de Duran Duran a Gang Of Four, mas o que vale mesmo é a alquimia que estes escoceses realizam em canções já clássicas como Take Me Out e Darts Of Pleasure.

American IdiotGreen Day (2004)
Num ano de grandes estréias, os já veteranos rapazes do Green Day fizeram um épico punk que radiografou a era Bush de maneira brilhante. Ambicioso, intenso, recheado de canções de qualidade atemporal , American Idiot é uma dessas obras que já nascem clássicas.

Rated RQueens Of The Stone Age (2000)
Chamado à época do lançamento deste disco de novo Nirvana, o QOTSA não precisou de comparações tolas para impor seu rock setentista, chapadão e pesado. A primeira faixa traz sob o irônico título de Feel Good Hit Of The Summer, uma letra que somente lista uma série de drogas lícitas e ilícitas, enquanto que em Better Living Through Chemistry, o grupo ressuscita a psicodelia com um peso e uma pegada que remetem ao som do Led Zeppelin e do Black Sabbath.

Gang of Losers - The Dears (2006)
Esta última década tem sido testemunha de uma extraordinária ascensão do rock vindo do Canadá. The Dears é uma das melhores bandas de uma cena que inclui nomes como New Pornographers, Broken Social Scene e Feist. Girando em torno do ótimo vocalista Murray Lightburn, o grupo limou excessos e vícios dos discos anteriores e lapidou, em Gang of Losers, um diamante perfeito, que brilha da primeira à última faixa.

Live a LittlePernice Brothers (2006)
Joe Pernice é uma figura singular: faz música simples, de melodias assobiáveis, letras delicadas e arranjos cristalinos. Live a Little é seu sexto disco e o exemplar mais bem acabado de uma estética que despreza modismos e modernices, em favor de espontaneidade e sinceridade raramente vistas. Toda vez que bate uma certa melancolia, coloco este disco no player, seleciono a 3ª faixa, Somerville, e logo me sinto mais confortado.

The Dirty SouthDrive-By Truckers (2004)
Sexto trabalho desta excepcional banda do Alabama, The Dirty South é um disco para quem gosta de rock puro e dos bons, sem frescuras ou maiores invenções. Tudo tem nítido sabor sulista, aquele rock básico meio caipira, com um pé no country e outro no blues. É um disco longo (quase 80 minutos!), mas que não cansa ou se repete. E ainda tem uma emocionante homenagem aos vocalistas do The Band, na bela Danko/Manuel. Para quem quer saber como se faz rock’n’roll de verdade, hoje em dia, este é o disco.