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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Melhores de 2010

Bem, amigas e amigos, como eu sabia que ia acabar acontecendo: bateu saudade e resolvi reabrir o espaço. Espero que ainda tenha alguém interessado...

Para começar o ano, publico a lista dos meus discos preferidos de 2010. Em ordem decrescente, aí vão os 20 álbuns que mais me encantaram nos últimos 12 meses, divididos em duas partes. A segunda leva fica para amanhã.


Melhores de 2010

20 – Grinderman 2 – Grinderman
Projeto paralelo do grande Nick Cave, o Grinderman chega ao segundo disco com mais foco e sinais de que veio para ficar. Rock intenso feito por homens de meia idade cheios de cinismo e sarcasmo.


19 – Le Noise – Neil Young
Neil
é uma verdadeira instituição do rock. Desde seus tempos de Buffalo Springfield, o homem vem deixando marcas indeléveis nas mentes mais inquietas e sedentas de mudanças. Le Noise flagra Young acompanhado apenas de suas guitarras (acrescido de um ou outro barulho trazido pelo produtor Daniel Lanois), em algumas de suas melhores canções nos últimos tempos.

18 – Write about Love – Belle & Sebastian
Esses escoceses vêm encantando o mundo desde meados da década de 90, quando estrearam com o belo Tigermilk. Para quem reclama que eles são sempre a mesma coisa, Write About Love pode surpreender. Há até um dueto bem pop com a diva Norah Jones.


17 – Heligoland – Massive Attack
O trip hop ficou no passado, mas a genialidade de um de seus principais expoentes continua brilhando. Heligoland é assustadoramente atual, uma prova de resistência em meio à descartabilidade da música pop.


16 – This Is Happening - LCD Soundsystem
James Murphy
, o homem por trás do LCD, já avisou que este é seu último disco. Pior para a gente. Como em seus trabalhos anteriores, Murphy subverte o tédio repetitivo da dance music, batendo as mais diversas influências num liquidificador sonoro de altíssima voltagem. O New Order destes tempos, sem dúvida.


15 – Infinite Arms – Band Of Horses
O disco de rock mais contemplativo e harmonioso do ano.


14 – Teen Dream – Beach House
Este “sonho adolescente” é uma viagem muito particular de uma dupla que funde as atmosferas sônicas do rock psicodélico com a música ambiente de Brian Eno.


13 – I learned the hard way – Sharon Jones & The Dap Kings
Enquanto o disco novo de Amy Winehouse não sai, a gente se deleita um bocado com esta cantora extraordinária e seu grupo afiadíssimo. Música soul reeditada para a geração download.


12 – Sigh No More – Mumford & Sons
Punk tocado com banjos e violões . É esta a receita certeira de Marcus Mumford e seu grupo. Receita que pegou a Inglaterra de jeito. Falta agora um hit redondinho para conquistar o resto do mundo.


11 – God Willin’ & The Creek Don’t Rise – Ray Lamontagne
Lamontagne
ficará para sempre marcado como o cantor de Trouble, a balada que o tornou conhecido nos Estados Unidos. Mas quem tem o ouvido aberto já percebeu que o músico é muito mais que isso. Blues, soul e folk tocados com paixão e grande sensibilidade.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Meus Discos Preferidos: Cantores

1 – Astral Weeks – Van Morrison (1968)
Um dos discos mais inclassificáveis de todos os tempos e também um dos melhores. Morrison desconstrói a música folk, reinventando-a com fortes influências de jazz e soul. Atemporal e complexo, Astral Weeks é um disco que eu levei muito tempo para entender e gostar, mas, depois de convertido a sua sonoridade única, jamais escutei música do mesmo jeito.

2 – Transformer - Lou Reed (1972)
O rock visto como espaço sagrado onde transitam livremente drogados, depressivos, travestis e párias. O passeio (sem volta) pelo lado selvagem, numa Nova York fria e suja. Triste e nublado como um dia perfeito. Tão perfeito, aliás, como este disco de 1972, produzido por David Bowie para um dos seus heróis, Lou Reed, o poeta dos malditos deste mundo.

3 – Lust For Life - Iggy Pop (1977)
A bateria frenética da faixa-título é um daqueles instantes da mais pura genialidade e a música acabou se convertendo em ícone do mundo pop, graças ao filme Trainspotting, de Danny Boyle. Mas, há muito mais para se desfrutar neste disco delicioso, verdadeira celebração da vida vivida no limite.

4 – Your Arsenal – Morrissey (1992)
Confesso que não sabia bem o que esperar da carreira solo de um artista como Morrissey, alguém que eu quase venerava quando estava à frente do The Smiths. Acho que tudo ficou claro quando ele lançou este terceiro álbum de uma carreira que seria muito mais produtiva do que se poderia imaginar. Entre rocks barulhentos e baladas de partir o coração, Morrissey deixou seu passado ilustre de uma vez para trás.

5 – So – Peter Gabriel (1986)
Com este disco, Peter Gabriel – que até então era mais conhecido como o ex-vocalista excêntrico do Genesis – tornou-se um artista de brilho próprio. Canções como Big Time, Don’t Give Up (um tocante dueto com Kate Bush) e Sledgehammer apresentaram ao grande público um artista imaginativo e de ricas e variadas influências.

6 – The Future – Leonard Cohen (1992)
Poeta, pintor e cantor de delicadas canções de inspiração folk, Cohen se renovou e chamou a atenção de uma nova geração de ouvintes com este disco de 1992. O aproveitamento de duas faixas do disco na trilha de Natural Born Killers, filme ultra-violento de Oliver Stone, foi a prova definitiva da atualidade das letras pessimistas e dos vocais cavernosos de Cohen.

7 – Trouble – Ray LaMontagne (2004)
A capa de Trouble mostra uma mulher em suave bailado com o diabo. Ilustração perfeita para a sonoridade agridoce deste trabalho de estréia do cultuado LaMontagne, em que amor e desespero caminham lado a lado.

8 – All Things Must Pass – George Harrison (1970)
Considerado por muita gente o melhor trabalho já lançado por um ex-Beatle (opinião que eu compartilho enfaticamente), este foi o disco em que Harrison pode finalmente dar asas a sua criatividade, longe das amarras impostas pela dupla Lennon/McCartney. Ambicioso, orquestral, espiritual e emocionante, é, sem dúvida, uma das obras-primas da década de 70.

9 – Raising Sand – Robert Plant & Alison Krauss (2007)
Gravado ao lado da cantora de bluegrass Alison Krauss, Raising Sand é a melhor realização da carreira solo de Plant. Com uma sonoridade suave (graças à produção esmerada de T. Bone Burnett), que se encaixa melhor ao registro limitado do Plant maduro, Raising Sand encanta pelo entrosamento impecável entre dois artistas de estilo aparentemente opostos.

10 -My Aim is True - Elvis Costello (1977)
As doze canções que compõem este primeiro trabalho de Costello são um retrato irretocável de um artista com poucos recursos técnicos a disposição, mas com um verdadeiro arsenal de boas ideias borbulhando na cabeça. Curto e direto, My Aim Is True - título retirado da letra da bela Alison - é o mais puro cruzamento entre a inocência dos anos 50 com a crueza do punk dos 70.