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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Decepção do Segundo Disco

Da onda de cantoras que pegou carona no sucesso de Amy Winehouse, a galesa Duffy foi, sem dúvida, a mais interessante.

Seu primeiro disco, Rockferry, vendeu mais de seis milhões de cópias e fez a loirinha famosa mundialmente. No disco, Duffy recria com maestria – e uma ajuda preciosa do produtor Bernard Butler – o estilo soul pop das grandes cantoras britânicas da década de 1960.

Que fique claro: ela nunca foi nenhuma Dusty Springfield, mas em canções próximas da perfeição como Distant Dreamer, Mercy e Warwick Avenue, ela também provava que não era uma Lulu.

Foi com um misto de surpresa e decepção que escutei, então, o sucessor de Rockferry. Lançado no final de 2010, Edlessly é inacreditavelmente ruim. Fica até difícil reconhecer a ótima cantora de antes nas faixas lacrimosas e bregas do novo disco. São apenas 30 minutos de áudio, mas o timbre de Duffy soa tão irritante, que fica difícil chegar ao final.

Não há nenhuma faixa de destaque, mas em Breath Away e Well, Well, Well ao menos mostra-se uma sombra distante da cantora que encantou tanta gente há alguns anos.

Não é muito, mas é uma luz no fim do túnel. Quem sabe, no próximo trabalho...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Amy e os Globais

A propósito da passagem broxante de Amy Winehouse pelo Brasil, muito me chamou a atenção uma reportagem sobre um dos shows da moça – em São Paulo ou no Rio de Janeiro – em um programa de variedades vespertino da Rede Bandeirantes.

A repórter entrevistava celebridades – basicamente o que se convencionou chamar “globais” – que davam seus profundos depoimentos sobre sua devoção à cantora inglesa.

O melhor de tudo foi uma fofa com um desses rostos lindos, mas que a gente nunca sabe o nome, que declarou que gostava muuuuuuuuuuuito da Amy porque ela – e aqui eu faço questão de colocar aspas – “não faz música pop, faz música de verdade!” Ué?!? E a música pop é o quê? Delírio? Alucinação? Eu, na minha humildade, sempre achei que fosse “de verdade”, mas vai saber...

O fato é que Amy Winehouse tornou-se uma mula de salvação para todos que querem arrotar ares de sofisticação no seu gosto musical. Pessoas que nunca ouviram Billie Holiday ou Nina Simone ou mesmo as deliciosas preciosidades das gravadoras Motown e Stax (pop até a medula, viu, fofa?) saem por aí dizendo que Winehouse é o máximo, que canta horrores, além de viver permanentemente à beira do abismo – o que, na mente de alguns, confere autenticidade a tudo o que ela diz em suas letras confessionais.

Bem, para quem pode achar que estou escrevendo tudo isso para falar mal de Amy, vai um esclarecimento: gosto bastante dos dois discos já lançados por ela (Frank e Back To Black), mas acho que Winehouse é essencialmente uma cantora de estúdios. Longe da proteção de grandes produtores, é uma artista insegura, cambaleante e errática. Quem já viu algum de seus milhares de vídeos soltos pelo You Tube sabe do que falo.

No palco, Amy olha para o chão, para os lados, desaparece sem motivo aparente, ameaça desabar o tempo inteiro. Timidez? Provavelmente, mas o pior de tudo é ter que assistir sua voz falhando, desafinando, errando e mutilando impiedosamente as canções que ela mesma escreveu.

No único DVD oficial de sua carreira até o momento, I Told You I Was Trouble: Amy Winehouse Live From London, o suplício se estende por mais de uma hora. A banda até tenta salvar a noite, mas quem compra o DVD (ou vai ao show) o faz para ver a cantora e não seus músicos.

Acho que a pior coisa que poderia ter acontecido à Winehouse foi o sucesso em escalas gigantescas e a adulação cega de parte da mídia e do público.

Mas ainda tenho esperanças. Com um bom produtor e uma banda afiada, Amy ainda pode render excelentes canções. Que serão certamente muito pop, ao contrário do que disse a filósofa das novelas da Globo...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Melhores de 2010

Bem, amigas e amigos, como eu sabia que ia acabar acontecendo: bateu saudade e resolvi reabrir o espaço. Espero que ainda tenha alguém interessado...

Para começar o ano, publico a lista dos meus discos preferidos de 2010. Em ordem decrescente, aí vão os 20 álbuns que mais me encantaram nos últimos 12 meses, divididos em duas partes. A segunda leva fica para amanhã.


Melhores de 2010

20Grinderman 2Grinderman
Projeto paralelo do grande Nick Cave, o Grinderman chega ao segundo disco com mais foco e sinais de que veio para ficar. Rock intenso feito por homens de meia idade cheios de cinismo e sarcasmo.


19Le Noise Neil Young
Neil
é uma verdadeira instituição do rock. Desde seus tempos de Buffalo Springfield, o homem vem deixando marcas indeléveis nas mentes mais inquietas e sedentas de mudanças. Le Noise flagra Young acompanhado apenas de suas guitarras (acrescido de um ou outro barulho trazido pelo produtor Daniel Lanois), em algumas de suas melhores canções nos últimos tempos.

18Write about LoveBelle & Sebastian
Esses escoceses vêm encantando o mundo desde meados da década de 90, quando estrearam com o belo Tigermilk. Para quem reclama que eles são sempre a mesma coisa, Write About Love pode surpreender. Há até um dueto bem pop com a diva Norah Jones.


17HeligolandMassive Attack
O trip hop ficou no passado, mas a genialidade de um de seus principais expoentes continua brilhando. Heligoland é assustadoramente atual, uma prova de resistência em meio à descartabilidade da música pop.


16This Is Happening - LCD Soundsystem
James Murphy
, o homem por trás do LCD, já avisou que este é seu último disco. Pior para a gente. Como em seus trabalhos anteriores, Murphy subverte o tédio repetitivo da dance music, batendo as mais diversas influências num liquidificador sonoro de altíssima voltagem. O New Order destes tempos, sem dúvida.


15Infinite ArmsBand Of Horses
O disco de rock mais contemplativo e harmonioso do ano.


14Teen DreamBeach House
Este “sonho adolescente” é uma viagem muito particular de uma dupla que funde as atmosferas sônicas do rock psicodélico com a música ambiente de Brian Eno.


13I learned the hard waySharon Jones & The Dap Kings
Enquanto o disco novo de Amy Winehouse não sai, a gente se deleita um bocado com esta cantora extraordinária e seu grupo afiadíssimo. Música soul reeditada para a geração download.


12Sigh No MoreMumford & Sons
Punk tocado com banjos e violões . É esta a receita certeira de Marcus Mumford e seu grupo. Receita que pegou a Inglaterra de jeito. Falta agora um hit redondinho para conquistar o resto do mundo.


11God Willin’ & The Creek Don’t RiseRay Lamontagne
Lamontagne
ficará para sempre marcado como o cantor de Trouble, a balada que o tornou conhecido nos Estados Unidos. Mas quem tem o ouvido aberto já percebeu que o músico é muito mais que isso. Blues, soul e folk tocados com paixão e grande sensibilidade.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sweet Soul Music


Já falei dela aqui no Vitrola, mas nunca é demais relembrar o incrível talento desta cantora americana e de seu soberbo grupo de apoio. Estou me referindo a Sharon Jones & The Dap Kings, que estão de disco novo, o excelente I Learned The Hard Way.

Uma parte da crítica continua torcendo o nariz para eles, acusando-os de simplesmente requentar as fórmulas consagradas da soul music e do funk, sem acrescentar nada de contemporâneo ou de pessoal.

Quem não está nem aí devem ser eles, que continuam fazendo sua música deliciosamente dançante e, porque não, absolutamente retrô.

O novo disco não apresenta mudanças significativas em relação aos ótimos 100 Days, 100 Nights e Naturally, mas enquanto nos trabalhos anteriores a sonoridade era puro anos 60, agora sente-se mais presente a estética pesada e suja dos anos 70.

Seja como for, Sharon continua sendo a melhor cantora de soul da atualidade (sua única concorrente de peso é Amy Winehouse, mas esta parece estar mais preocupada com os tablóides que com o novo disco) e os Dap Kings o melhor grupo de apoio que uma fofa pode desejar.
Irresistível!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Meus Discos Preferidos: Cantoras

1- TapestryCarole King (1971)
Um disco importantíssimo, não só por consolidar a carreira da cantora, compositora e pianista Carole King, mas também por reafirmar a posição das mulheres como peças importantes no jogo da música. Autoral e, ao mesmo tempo, muito acessível, Tapestry é a consagração de uma artista completa.

2- Pearl Janis Joplin (1971)
Ainda que Janis não tenha conseguido completar este disco, ele revelou-se um canto de cisne mais que honroso. Em total domínio de suas avantajadas capacidades vocais, Joplin arrasa em faixas clássicas da dor-de-cotovelo como Cry Baby e A Woman Left Alone.

3- Lady SoulAretha Franklin (1968)
Numa recente enquete da revista americana Rolling Stone, Aretha foi eleita a melhor vocalista surgida nos últimos cinqüenta anos, superando nomes como Ray Charles, Elvis Presley e Marvin Gaye. Não há aí nenhuma injustiça. Quem já escutou maravilhas como Ain’t No Way, Chain Of Fools, A Natural Woman (de autoria da primeirona na lista), todas presentes neste disco fantástico, sabe que Aretha tem voz, alma, coração e mente prontos para emocionar e impressionar.

4- Dusty In Memphis Dusty Springfield (1969)
Esta incrível cantora inglesa tinha uma paixão confessa pela música soul americana e pôde extravasar esse amor neste belo trabalho do final da década de 60. Como o próprio nome diz, tudo foi gravado em Memphis, com músicos americanos e uma luxuosa produção. Infelizmente o disco não teve o sucesso esperado e Dusty teve que esperar a inclusão de uma das faixas num filme de Quentin Tarantino para que sua obra-prima fosse redescoberta. Antes tarde do que nunca!

5- Back To BlackAmy Winehouse (2006)
Outro caso de amor explícito entre uma cantora branca e a melhor música negra americana, Back To Black é uma perfeita mistura de soul, funk e pop sessentista embalados em uma roupagem moderna e pela voz sedutora de Winehouse. Uma pena que sua vida atribulada tenha se tornado maior que sua arte.

6- Dream Of Life Patti Smith (1988)
O trabalho mais doméstico, calmo e simples desta cantora que influenciou 10 entre 10 roqueiras surgidas do final da década de 70 para cá. Embora não seja uma obra-prima como Horses, este trabalho de 88 flagra Smith em paz com a vida, com o casamento e a maternidade.

7- Parallel Lines Blondie (1978)
Outra cantora super-influente, Debbie Harry juntou num mesmo pacote sensualidade, honestidade e uma grande sensibilidade pop. Ela era capaz de, num mesmo disco, cantar com agressividade uma canção punk como One Way or Another e, em seguida, languidamente, entoar uma música feita para as pistas de dança (Heart Of Glass, grande sucesso no mundo inteiro, inclusive por aqui).

8- Cor de Rosa e Carvão Marisa Monte (1994)
Este disco provou que Marisa não era apenas uma cantora eclética (leia-se, sem personalidade), de belo timbre. Boa compositora e, sobretudo, uma excelente garimpeira de clássicos meio esquecidos da nossa música (não se pode esquecer que muita gente começou a se interessar pelo grande Paulinho da Viola, depois que Marisa regravou pérolas como Para Ver as Meninas), ela construiu uma carreira coerente e de qualidade crescente.

9- Tinderbox Siouxsie & The Banshees (1986)
Musa de góticos, punks, darks e modernos, a maquiada Siouxsie sempre chamou mais atenção por seu visual meio egípcio, meio heroína de mangá do que por seus dotes vocais. Mas ela sempre cantou muito e este disco é uma prova cabal disso. Estão aqui os clássicos Cities In Dust e Candyman, que tocaram até cansar nas rádios de rock brasileiras dos anos 80.

10- Van Lear Rose Loretta Lynn (2004)
Sempre tive uma grande dificuldade com música country, mas, nos últimos dez anos, cantoras como Lucinda Williams e Loretta Lynn vêm desconstruindo este preconceito. Embora algumas pessoas possam alegar que este disco é muito bom por ter sido produzido e tocado por Jack White, dos White Stripes, a grande verdade é que quem brilha são as composições e a voz deliciosamente caipira de Lynn. E o dueto com Jack em Portland, Oregon é excelente, uma quebra das fronteiras entre rock e country.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Diamante Negro

Amy Winehouse, Duffy, Estelle, Adelle. Todas britânicas, todas herdeiras – ou simples imitadoras? – da grande tradição da soul music americana.

Grandes cantoras, sem dúvida, mas seu maior mérito é o de atualizar a linguagem do estilo e entregá-lo com ares de modernidade para o grande público.

A melhor sacada dessa revitalização do soul foi, é claro, de Winehouse, que escolheu o estilo para falar de suas falidas relações amorosas e seus problemas com o álcool e as drogas. Não à toa, colheu lucros e dividendos, e hoje é uma das cantoras mais populares do mundo – mas, talvez, não exatamente por suas qualidades vocais, e sim por sua agitada e escandalosa vida pessoal.

Do outro lado do Atlântico, onde a soul music nasceu e floresceu, o panorama não é tão animador, mas há um diamante bruto que, fosse o mundo um lugar justo, destronaria todas aquelas branquelas inglesas: Sharon Jones.

Junto à banda The Dap Kings, Sharon vem gravando uma série de discos onde sua voz é parte central. Dona de uma interpretação vigorosa, em que ódio e amor convivem lado a lado, Jones carrega nas cordas vocais o peso de seus mais de 50 anos e do reconhecimento já um tanto tardio de seu talento.

O disco 100 Days, 100 Nights, lançado em 2007, é a introdução ideal ao universo de Sharon e dos Dap Kings. Pura Black Music calcada nos mestres do soul e do funk das décadas de 60 e 70, a música do grupo brilha em faixas como Answer Me, Be Easy e, principalmente, na arrasadora canção-tema, em que Sharon devaneia sobre a incomunicabilidade entre homens e mulheres, sobre uma base de metais que é como uma cama macia para seus vocais cheios de energia.

Que a pequena popularidade alcançada por esse disco se alastre. E que Jones ocupe o lugar que sua voz singular merece no panteão das grandes divas negras americanas.