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terça-feira, 18 de maio de 2010

Capas Clássicas

1991 deveria ter sido o ano de Dangerous, álbum duplo lançado por Michael Jackson após um hiato de quatro anos. Não foi. Um álbum de uma banda obscura saída da cena musical de Seattle varreu as paradas daquele ano, iniciando uma revolução na música jovem feita no mundo inteiro.

O disco em questão chamava-se Nevermind e o terremoto que se seguiria ao seu lançamento não seria sentido somente por um decadente Michael Jackson. Garotos espalhados pelos quatro cantos do planeta viram que era novamente viável empunhar uma guitarra, cantar sobre as angústias e alegrias de sua geração e vender muito, mas muito disco mesmo. Só nos Estados Unidos, Nevermind alcançou a fantástica – para os dias de hoje – marca de dez milhões de cópias comercializadas.

Como quase todo grande álbum, a capa de Nevermind é não menos que antológica. O bebê que tenta agarrar uma nota de dólar em baixo d’água pode ser lida das mais variadas formas. Será uma metáfora sobre o capitalismo que nos fisga logo na infância? Será uma pista da relação ambígua de Kurt Cobain com o sucesso e o dinheiro? Ou será simplesmente o símbolo de uma banda jovem e inexperiente em meio aos tubarões da indústria?

Não importa: seja qual a interpretação dada, a capa tornou-se tão clássica que já chegou a ser apontada pela revista americana Rolling Stone como a melhor capa de rock de todos os tempos. Em que pese certo exagero de tal eleição, não há como negar sua importância e permanente capacidade de encantar e instigar.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Discos e Arte

O Hipgnosis é um estúdio de artes gráficas inglês que nas últimas quatro décadas vem definindo e redefinindo o ofício de se fazer capas de discos.

Quase todas as capas do Pink Floyd, por exemplo, são criações dos artistas do Hipgnosis. A mais importante de todas é, sem dúvida, a capa para The Dark Side Of The Moon, tão marcante e antológica como a própria música do Floyd.

Mas para mim, ainda mais impressionante é a concepção da capa de A Momentary Lapse of Reason, disco de 1987. Setecentas camas de ferros, daquelas de hospital, dispostas numa praia inglesa compõem uma imagem surreal e inesquecível. O mais incrível de tudo é que não há truque fotográfico ou de computador. Os loucos realmente deslocaram quase mil camas pesadas para a praia de Devon e, devido ao mau tempo, tiveram que retirá-las e, depois, refazer tudo duas semanas mais tarde. O resultado é de impacto inquestionável.

Outras capas históricas do grupo são o rosto de Peter Gabriel derretendo em seu quarto álbum solo e a enigmática capa de The Houses Of The Holy, do Led Zeppelin.Recentemente o estúdio fez trabalhos para grupos como Muse e The Cranberries. Tudo, como de costume, inquietante, belo e criativo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Capas Clássicas

Imagine o seguinte cenário: você é um adolescente americano que venera o rock de garagem da década de 60, os girls groups, os Beach Boys e o Velvet Undergroud.

No entanto, ao seu redor, tudo que existe é um rock pomposo e superproduzido, discos com músicas que ocupam um lado inteiro do vinil, viagens e mais viagens.

Os maiores nomes são Pink Floyd e Led Zeppelin que, cada um a sua maneira, já parecem ter dado sua grande contribuição, alcançaram a fama e se deitaram numa luxuosa cama. O que você faz?

Você forma uma banda de rock suja e tosca, grava 14 canções de 2 minutos cada, acha um porão fedido para tocá-las e, sem perceber, você já desencadeou um dos movimentos mais incendiários da história da música jovem.

O nome da sua banda é Ramones e o monstro que você e seus amigos geraram se chama punk e, em poucos anos, ele devoraria dinossauros que muitos imaginavam eternos e converteria outros milhares de garotos e garotas ao seu barulho urgente e destruidor.

Se você, além de tudo isso, ainda fizer uma capa antológica, melhor ainda.

A foto que mostra os Ramones em seu disco de estréia, lançado em 1976, não poderia ser mais brutalmente honesta e simples.

Fotografados em preto-e-branco numa rua pichada, sem produção e maquiagem de qualquer tipo, os membros do grupo lembram moradores de ruas ou motoqueiros arruaceiros prontos para uma briga.

Se a gente se lembra das capas cheias de detalhes, significados ocultos e outras frescuras típicas dos anos 70, é possível ter uma idéia do impacto visual provocado pelos Ramones.

Depois deles, todo mundo passou a rasgar seus jeans, a usar couro com tachinhas e arranhar três acordes básicos em guitarras de segunda mão.

Da quantidade imensa de lixo saída da revolução punk, os Ramones seguem eternos em sua crueza e simplicidade.

Definitivamente, os reis sem coroa do rock.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Capas Clássicas

Quando o vocalista original do AC/DC, Bon Scott, morreu em 1980, ninguém poderia imaginar que a banda australiana teria uma segunda vida.

Com o inglês Brian Johnson no microfone, o AC/DC não só teve uma segunda chance como expandiu seu público absurdamente e se tornou um fenômeno mundial.

Back In Black é um clássico absoluto do rock inconsequente e, muitas vezes, estúpido praticado pelo grupo. Obcecados por temas caros ao imaginário rock’n roll – bebedeiras e sexo, basicamente – os irmãos Young e seu novo cantor perpetraram verdadeiros ícones do peso como Rock and Roll Ain’t Noise Pollution, Hells Bells e, logicamente, a excepcional faixa-título.

Como todo disco marcante, Back In Black traz uma capa que, sem sombra de dúvida, fez escola. Sem maiores elaborações, o grupo foi direto ao ponto e concebeu uma arte simples e minimalista, como, aliás, seu próprio som.

Apenas os nomes da banda e do disco aparecem desenhados sobre um fundo totalmente negro. Se o objetivo era passar uma mensagem de total volta ao básico, o grupo não poderia ter sido mais bem sucedido.

Jovens do mundo inteiro aderiram sem pestanejar ao visual calça jeans e camiseta preta do grupo – com exceção, obviamente, do visual colegial endiabrado do guitarrista Angus Young, marca registrada do AC/DC – e foram bater cabeça nos espetáculos ensurdecedores promovidos pela banda.

Álbuns “negros” não eram novidade no design de capas de discos (o Velvet Underground, sempre pioneiro, já havia lançado seu dificílimo White Light White Heat, em 1968, embalado por uma capa completamente preta), mas nenhum teve a popularidade – mais de 20 milhões de unidades vendidas somente nos Estados Unidos – e o alcance desta pedrada de 1980.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Capas Clássicas

Quando Rita Lee lançou seu nono disco como artista solo, em 1980, ela certamente não imaginava que iria colocar o Brasil inteiro aos seus pés.

Das oito faixas do álbum, cinco tocaram exaustivamente nas rádios brasileiras e Rita se viu, da noite para o dia, transformada de roqueira maldita em musa pop.

Outras mulheres já haviam atingido o topo das paradas nacionais, mas sempre no sisudo reino da MPB. Ninguém com origens no rock, como era o caso de Rita, havia chegado tão alto. Pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que toda a cena pop-rock surgida nos anos subseqüentes deve o corpo e a alma a este disco histórico.

Popular, divertido e leve, Lança Perfume (como o disco ficou conhecido na época) apontou para as grandes possibilidades comerciais do rock nacional e se inscreveu no inconsciente coletivo, tanto por suas canções quanto por sua capa lindíssima.

Fotografada em meio a uma bruma de tons dourados e avermelhados, Rita aparece com uma roupa que se tornaria sua marca registrada naquele ano. O cabelo esvoaçante reforça uma beleza que parecia recém-descoberta e enfatiza um aspecto de irrealidade e indefinição (o que é, afinal, o cenário atrás de Rita? Um papel de parede rasgado? Um esboço do mapa do Brasil?).

Nos anos subsequentes, Rita Lee assumiu definitivamente seu posto no primeiro time da música brasileira. O ápice artístico, no entanto, já havia sido alcançado e, diga-se, jamais seria igualado.

E nenhuma outra capa seria tão bela, intrigante e inesquecível.

Faixas:
Lado 1:
Lança Perfume
Bem Me Quer
Baila Comigo
Shangrilá

Lado 2:
Caso Sério
Nem Luxo Nem Lixo
João Ninguém
Ôrra Meu

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Capas Clássicas

Falar deste disco é chover no molhado. Primeiro grande disco de rock and roll, primeiro álbum do maior mito do estilo, Elvis Presley, primeiro a chegar ao primeiro lugar das paradas, enfim, a relação de “primeiros” é longa.

É, sem dúvida, também a primeira capa clássica do rock. Usar o velho clichê de que uma imagem vale por mil palavras é quase inevitável. Mas, realmente, está tudo estampado nesta foto incrível.

Clicado em preto-e-branco, Elvis empunha seu violão e escancara o bocão. Está jovem, muito magro, vestido de forma simples. Tem o mundo inteiro para conquistar. Sua atitude é rebelde, intensa e selvagem. O repertório é perfeito: Tutti Frutti, I Got A Woman, Blue Moon, Blue Suede Shoes etc.

Já havia Chuck Berry, Little Richard, Carl Perkins e Bill Haley, mas sem esse garoto caipira e sexy, o rock dificilmente teria alcançado as massas de maneira tão explosiva.

Explosão impecavelmente registrada em imagem e som.

Long live rock’n’roll!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Capas Clássicas

Quando Bruce Springsteen lançou Born To Run, em 1975, ele ainda era um artista praticamente desconhecido nos Estados Unidos.

A dimensão épica das canções do disco, junto com letras claramente inspiradas pela literatura beatnick – o movimento artístico no qual despontou o escritor Jack Kerouac, autor do clássico On The Road-, bateu fundo no coração da América e rapidamente Bruce apareceria na capa de revistas de circulação nacional, como Time e Newsweek.

A foto do álbum, na qual Bruce aparece apoiado no saxofonista da E Street Band, Clarence Clemons, é uma imagem perfeita para a mitologia rock e estrada fundada com este disco.

Springsteen sempre foi mais um músico de palco que de estúdio. Seus shows são maratonas que, às vezes, duram 4 horas. Sua interação com a E Street Band – grupo de excepcionais músicos que o acompanham desde a década de 70 –, é caso de raro entendimento musical e amizade que se estende por quase 40 anos.

Na capa de Born To Run essa mistura de dependência, camaradagem e gosto pela música, está magicamente expressa numa imagem em preto-e-branco simples, enxuta e inesquecível.

Como a própria música de Springsteen.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Discos e Arte II

Uma imagem icônica para o rock: uma figura desesperada projeta um grito, que distorce tudo ao seu redor.

A capa do primeiro álbum do King Crimson, lançado em 1969, já despertou muita especulação sobre seu sentido. E continua intrigando e fascinando.

O disco, clássico, é um conjunto de apenas 5 longas faixas, exaustivamente trabalhadas, que estabeleceriam o padrão para o chamado rock progressivo. Mas, ironicamente, a capa é mais lembrada que a própria obra.

Para mim, a beleza dessa pintura só encontra paralelo em outro quadro sobre angústia, desespero e dor, O Grito, do norueguês Edvard Munch, exposto pela primeira vez em 1893 e, desde então, uma das imagens mais conhecidas da arte ocidental.

Munch, que teve a vida marcada pela depressão e por perdas precoces de pessoas queridas, traduziu perfeitamente o sentimento de inadequação e desamparo do homem moderno.

Mais de 70 anos depois, o King Crimson captaria novamente esse sentimento em sua magnífica estréia.

A euforia de paz e amor dos anos 60 já dava claras mostras de cansaço no final de uma década que, em retrospecto, se revelaria violenta, conturbada e sangrenta.

Novamente, o único ato possível, nesse contexto, é gritar para o vazio.

Pelo menos, dessa vez, havia uma bela trilha sonora de fundo...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Capas Clássicas

A imagem diz tudo: 4 caras maquiados, vestidos como personagens de história em quadrinho, tocando um rock insano.

O disco é Alive!, lançado pelo Kiss, em 1975, e que, em pouco tempo, transformaria o grupo em superastros nos Estados Unidos.

Hoje, o Kiss virou uma máquina de fazer dinheiro cínica e aproveitadora. Nada contra, acho que os caras podem morrer fazendo o que fazem – se ainda houver quem queira vê-los -, mas a mágica do período compreendido entre 1973 e 1977, se perdeu para sempre.

Ainda bem que temos Alive! – o melhor disco ao vivo de todos os tempos –, e sua clássica capa para nos lembrarmos de que um dia eles foram a maior banda de rock do mundo.

sábado, 16 de maio de 2009

Discos e Arte

Quando o genial artista pop americano Andy Warhol resolveu apadrinhar uma banda de rock, ele escolheu justamente a mais marginal, perigosa, ousada e, como o tempo viria a provar, influente de todos os tempos, o Velvet Underground.

Para ilustrar o primeiro disco do Velvet, gravado em 1967 com o acréscimo da cantora alemã Nico, Warhol presenteou o grupo com uma capa que entraria definitivamente para a história do rock e redefiniria o design de embalagens de discos.

Indo na contramão da colorida arte que enfeitava os álbuns de rock psicodélico, Warhol concebeu um projeto minimalista e de uma simplicidade absoluta. Sobre um fundo branco, uma banana rigidamente desenhada e a assinatura do artista. Só.

Se hoje parece sem grande originalidade, é só dar uma passeada pelas capas de discos feitas então. A ousadia de Warhol salta aos olhos.

Pelo que já li sobre esse importantíssimo disco, a banana da capa era descascável, detalhe que se perdeu no formato cd, mas que certamente tornava o trabalho do papa da pop arte ainda mais interessante e único.