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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Do Baú

Quando Brian Wilson lançou seu primeiro disco solo em 1988, eu não conhecia nada de sua obra.
Tudo bem, eu já devia ter ouvido uma ou duas músicas dos Beach Boys, mas ainda estava muito longe de mergulhar na perfeição de Pet Sounds – álbum lançado em 1966 e universalmente aclamado como um dos melhores de todos os tempos – e de canções como Good Vibrations e Heroes And Villains.
Foi numa resenha da revista Bizz que li pela primeira vez sobre este homem tão reverenciado e influente. Como na época eu só podia comprar um disco por mês – ai, Jesus, como é que eu aguentava? – tive que esperar um pouco para conhecê-lo. Espera que foi plenamente compensada.
Brian Wilson – o álbum – é desses discos impecáveis da primeira à última faixa. Um artista renascendo de décadas entregues ao esquecimento surge resplandecente em canções dignas do melhor pop produzido por Beatles, Love, Monkeys, Phil Spector e, é claro, Beach Boys.
O ápice do disco é uma canção a capella, One For The Boys, na qual Brian homenageia seus antigos companheiros de grupo e ainda exibe toda a beleza de sua voz. Grandes interpretações seguem encantando em Melt Away , Let It Shine , Love And Mercy e no encerramento grandioso da épica Rio Grande.
É um disco, enfim, para escutar com um sorriso bobo na cara e a sensação de estar testemunhando o último suspiro criativo de um gênio da música.
Inesquecível.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Meus Discos Preferidos: Pop

1Listen Without Prejudice. George Michael
Muita gente considera este disco uma espécie de suicídio comercial cometido por George Michael, justamente quando se encontrava no auge de sua popularidade (seu primeiro disco solo, Faith, havia vendido milhões de cópias e gerado quatro singles campeões).

Se comercialmente o disco não foi exatamente um grande sucesso, artisticamente é o momento em que Michael se define como músico, cantor e compositor.

Incrivelmente talentoso e com um tino certeiro para compor melodias grudentas, George fez sua obra-prima e depois resolveu brigar com sua gravadora. Isso sim foi suicídio...

2Dare. Human League
O Human League era um grupo formado por rapazes e garotas que faziam um som no qual a eletrônica estava a serviço de um forte apelo melódico.

Cada canção de Dare, o melhor disco da banda, tem uma imediata conexão com o ouvinte. Na melhor faixa de todas, Don’t You Want Me, eles atingem a perfeição do estilo que ficaria conhecido como tecnopop e ainda contam uma história engraçadinha sobre a separação nada amigável de um casal de namorados.

3Back To Mono. Phil Spector
Na verdade, trata-se de uma caixa com quatro discos contendo os grandes sucessos da extraordinária linha de montagem criada pelo produtor e compositor Phil Spector.

Grupos como The Ronnetes, The Everly Brothers e The Crystals brilham em canções hoje clássicas como Be My Baby, You’ve Lost That Loving Feeling, And Then He Kissed Me etc.

4Hitsville USA . Vários
Outra caixa, desta vez cobrindo a era de ouro da gravadora Motown, fundada por Barry Gordy no final da década de 50.

Na década seguinte, a fantástica fábrica de sucessos revelou nomes como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Diana Ross & The Supremes, Gladys Knight, Jackson 5 e Martha Reeves & The Vandellas.

Passados quase 50 anos, esse grupo de artistas continua sendo regravado e reverenciado como uma das melhores coisas já geradas pela música popular contemporânea.

5Confessions On The Dance Floor. Madonna
Como todo grande artista pop, Madonna sempre foi mais competente nos singles que nos discos.

Mas Confessions resolve este problema, recorrendo a um truque da época das discotecas (período no qual o álbum se inspira descaradamente): as músicas se emendam umas às outras, tecendo uma bela tapeçaria de pop radiofônico, eletrônica, new wave e música oriental.

6Scissor Sisters. Scissor Sisters
Elton John, Pink Floyd, Paul McCartney, gay disco, música tecno, tudo pode entrar no liquidificador sonoro deste grupo americano abertamente camp e exagerado.

Em meio a teatralidade de grande parte do disco, despontam ótimos momentos (Take Your Mama e Return To Oz).

7- Life In Cartoon Motion. Mika
Assim como o Scissor Sisters, este jovem cantor nascido no Líbano faz um som glamouroso e ligeiramente brega.

Seu grande mérito é saber transformar o lixo em luxo, o exagero em sutileza, o melodrama em emoção pura.

Ainda que os vocais afetados atrapalhem aqui e ali, há beleza de sobra em canções como Relax e Happy Ending.

8Carpenters Gold. Carpenters
A dupla formada pelos irmãos Richard e Karen Carpenter viveu uma dramática e, no caso de Karen, trágica relação com a fama e o sucesso.

Mas, muito além dos problemas pessoais, ficou um conjunto de canções que encantam gerações há mais de três décadas.

Seja pela voz melancólica de Karen ou pelos arranjos orquestrais suntuosos, o legado dos Carpenters permanece sendo objeto de culto e devoção.

9Revoluções Por Minuto. RPM
O pop brasileiro sempre viveu de manifestações esporádicas de genialidade. A década de 80, no entanto, viu florescer um número impressionante de bandas que sabiam fazer música de inegável atrativo popular, ao mesmo tempo em que se alinhavam ao que se fazia de mais moderno lá fora. O RPM foi o mais bem-sucedido desse pacote.

Seu primeiro disco foi um fenômeno: vendas astronômicas, sucessos se acumulando no rádio e histeria nos shows. Se eles tivessem mantido tal ritmo, seriam algo como os Beatles - versão tupiniquim, é claro.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vitrola Natalina

Quanto mais velho fico, mais me parecem despropositadas datas como dia das crianças, dos pais e, sobretudo, o Natal.

Talvez por não possuir nenhuma crença religiosa, o que vejo na data é apenas uma histeria generalizada que faz as pessoas correr para shoppings abarrotados, enfrentar preços altos, filas e estacionamentos lotados. Definitivamente, estou fora!

Além do mais, o que percebo nas pessoas, de uma maneira geral, é que o tal espírito natalino se diluiu a ponto de ter perdido todo seu sentido original. Até mesmo aquelas insuportáveis canções que enchiam o saco todo final de ano se tornaram cada vez mais raras. Melhor assim. Afinal, ninguém podia mais aguentar John Lennon desejando paz e amor para toda a humanidade em Happy Xmas (War Is Over), repetida infalivelmente nas tevês nacionais, com tradução simultânea e tudo.

Muito pior que isso, foi nossa chatérrima Simone e seu inacreditável disco de natal. A cantora, com seu indefectível sotaque soteropolitano, assassinou não só o clássico do Lennon (que ganhou uma letra em português para lá de ridícula), como perpetrou outros crimes contra o bom velhinho e sua gang de duendes e renas. Um atentado contra a imaginação e o sonho de milhares de crianças Brasil afora, sem dúvida.

Agora, para quem gosta de canções natalinas e não abre mão da qualidade musical, vale à pena ir atrás do histórico disco de 1963, A Christmas Gift For You, produzido por Phil Spector, um dos maiores e mais criativos produtores musicais de todos os tempos. Clássicos temas de final de ano com os luxuosos arranjos tramados por Spector e belissimamente interpretados por gente como Darlene Love, The Ronettes e The Crystals.

É diversão garantida mesmo para quem não dá a mínima para o 25 de dezembro.