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terça-feira, 4 de maio de 2010

Sobre Homens e Máquinas

Não sou grande fã de música eletrônica. Acho os ritmos repetitivos, os vocais monótonos e a incômoda sensação de que estou numa boate vai me torrando a paciência.

Mas, às vezes, é preciso saber separar o joio do trigo. Desde o New Order, na década de 80, surgem aqui e ali algumas bandas ou projetos-solo que renovam a música feita por máquinas.

Foi assim, por exemplo, com Moby e o sensacional álbum Play ou, mais recentemente, com o LCD Soundsystem, dono de dois discos muito bons.

Outro grupo que tem dado um novo fôlego à eletrônica é o Hot Chip. O último lançamento, One Life Stand, se aprofunda nas referências ao tecnopop da década de 80 – Human League, Depeche Mode, Pet Shop Boys e New Order – ao mesmo tempo em que torna a música do grupo cada vez mais melódica e simples.

Há faixas dançantes (Hand Me Down Your Love e a faixa-título, uma das melhores já compostas pela banda) e outras mais etéreas (Slush, em que demonstram que também ouviram bastante kraut rock).

Não é tão interessante como o primeiro disco, The Warning, mas aponta novas direções para o som do grupo e prova que eles não se acomodaram no bate-estaca fácil do tecno.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Meus Discos Preferidos: Dance e Eletrônico

1Os Embalos de Sábado À Noite. Vários
Movimento que surgiu do encontro de várias correntes alternativas e marginais, a discoteca fundiu hedonismo, swing negro e percussão latina num mesmo som. Quando ela saiu dos clubes gays e guetos sociais já estava um tanto diluída e pasteurizada. A trilha sonora do filme que consagrou John Travolta internacionalmente é, ao mesmo tempo, o ápice do estilo e o início da decadência. Os irmãos Bee Gees, claramente talentosos e inspirados, compuseram a maior parte das canções, mas há ainda espaço para bobagens típicas do período, como a versão “disco” da de Beethoven.

2Trans-Europe Express. Kraftwerk
A música do Kraftwerk é tão influente que alguns críticos mais apressados já o compararam aos Beatles. Obviamente que o raio de influência dos alemães é muito menor, mas também é claríssimo que o rap, o hip hop, a house, o tecno e a própria disco devem muito ao pioneirismo de discos como Radioactivity, Autobahn e este hipnótico Trans-Europe Express, para mim o auge de uma carreira inovadora e brilhante.

3Violator. Depeche Mode
O Depeche Mode começou como um grupo de electro-pop sem maior diferencial. Mas, quando gravaram o épico Music For The Masses, já estava claro que eles tinham um potencial que ia muito além de uma canção descartável como Just Can’t Get Enough (do primeiro disco, Speak And Spell). Violator é uma pequena obra-prima, delicada em sua tessitura eletrônica, atenta aos detalhes e rica em canções clássicas do repertório do grupo (estão aqui Enjoy The Silence, Personal Jesus e Policy Of Truth).

4Surrender. The Chemical Brothers
O bate estaca de 99% da música tecno é duro de aguentar. Mesmo numa boate muito animada, é barra suportar a repetição tribal por mais que 2 horas. Mas alguns discos do estilo subvertem essa realidade com muita criatividade e com a ousadia de misturar o baticum das máquinas com instrumentos “de verdade”, bons vocalistas e um toque de rebeldia tipicamente rock’n roll. É o caso deste ótimo disco da dupla inglesa, que trouxe para seu laboratório sonoro gente de peso como Noel Gallagher (guitarrista e principal compositor do Oasis) e Missy Elliott (cantora e compositora americana que está sempre um passo a frente de seu tempo).

5The Pleasure Principle. Gary Numan
Embora as músicas deste primeiro registro do músico inglês sejam perigosamente semelhantes entre si, é inegável que elas são também deliciosamente envolventes e charmosas. Estão aqui clássicos da música eletrônica como Cars, Engineers e a instrumental Airlane. Juntas, elas demonstraram que um disco podia ser completamente dominado por instrumentos eletrônicos e ainda assim soar humano e emocionante.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Três Dicas

Acabei de ler Galiléia, do escritor cearense Ronaldo Correia de Brito. Para quem quer ler literatura brasileira contemporânea, com uma cara de possível clássico, o livro é uma beleza.

Com traços da melhor literatura regionalista, Ronaldo cria um romance em que cidade e sertão se encontram num choque de dimensões dramáticas intensas, mas que nunca atingem o trágico.

A história se concentra na viagem de três primos à fazenda onde passaram sua infância, a Galiléia do título, uma propriedade decadente do interior do Ceará, na qual o avô dos protagonistas está agonizando lentamente. Passado e presente se fundem para compor o retrato de uma família marcada por inveja, rancor e até mesmo ódio.
Outra dica é o filme As Troianas, do cineasta grego Michael Cacoyannis, com Vanessa Redgrave e Katharine Hepburn, em atuações magníficas, daquelas que se vê e nunca se esquece.
Baseado numa tragédia grega clássica, o filme é teatro filmado de altíssima qualidade, que não omite sua origem cênica, mas também não se furta de compor belas imagens, de grande qualidade plástica. Arrepiante a cena em que Hécuba (Hepburn) recebe o neto morto nos braços. Cinema assim não se faz mais...
Finalmente, gostaria de recomendar o novo cd do Depeche Mode, Sounds Of The Universe. Quando a gente pensa que essas bandas de quase 30 anos de atividade já não têm mais nada a oferecer, elas aparecem com um disco forte, belo e digno. 13 faixas que se perfilam junto ao melhor que o grupo já fez. Grande Depeche!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Fita K7 Perfeita

Dia 11 de setembro não é apenas o aniversário da queda das Torres Gêmeas em NYC. Muita gente legal nasceu neste dia, incluindo este que vos escreve (quase sucumbi ao clichê das "mal-traçadas linhas").

Falo disso porque quando eu era garoto costumava presentear a mim e a meus amigos com as inesquecíveis mix tapes, fitas de áudio virgem, nas quais fazíamos uma seleção das melhores músicas de cada disco.

Daí era só colocar no gravador, apertar o play e deixar a turma se impressionar com o seu bom gosto musical. Ou não. Algumas seleções ficavam um horror, aquelas onde Madonna é seguida de Gilliard e daí por diante.

Hoje o "povo muderno" faz playlists que podem ser gravadas em formato de MP3, o que pode condensar numa única mídia, digamos, umas 6 fitinhas cassete fácil, fácil.

Mas quem tem mais de 30, deve se lembrar do verdadeiro artesanato que era montar uma K7 perfeita.

Primeiro o drama da sincronização do disco com o gravador. Se a tecla rec era apertada muito antes, a música vinha precedida daquele chiado característico do vinil. Péssimo. Se depois do início da música, esta já começava amputada. Pior ainda. Era necessário muita prática e precisão para que cada música fosse sucedida por outra sem maiores pausas. Uma arte para poucos.

Depois tinha o problema da duração de cada lado da fita. Normalmente elas vinham com 30 e 30 minutos. Havia umas fitas de 45/45, mas essas enrolavam no gravador e causavam danos irreparáveis a nossa boa-vontade. Conseguir chegar ao número de músicas que preenchesse perfeitamente os trinta minutos de cada lado era uma suadeira.

Last but no least, vinha a própria disposição das músicas: qual fica melhor em tal lugar? Depois daquele clássico inesquecível que música deve entrar e assim por diante.

Gravei milhares dessas coisinhas deliciosas e quase todo mundo que me conhece já ganhou uma de presente. Se foram direito para a lata do lixo, sem escala nos gravadores, é um mistério que eu jamais saberei solucionar. Melhor viver na ignorância.

O que importava mesmo era o ato de fazê-las, criar uma capinha para cada, viajar na maoinese sem piedade.

Então vou fingir que não existe ipod, nem download, nem playlist e vou me transportar a um tempo em que o máximo era ter um walkman Sony e uma super discoteca em casa:

Mix Tape "Pessoas brilhantes e felizes"

Lado A:
1- Shining Happy People - R.E.M.
2- Wake me Up Before You Go Go - Wham
3
- Karma Chameleon - Culture Club
4
- Let's Dance - David Bowie
5- Girls Just Wanna Have Fun - Cyndi Lauper
6- Material Girl - Madonna
7- Just Can't Get Enough - Depeche Mode
8- Don't Go - Yazoo

Lado B:
1- Você Não Soube Me Amar - Blitz
2
- Perdidos Na Selva - Gang 90 e as Absurdetes
3- Beat Acelerado - Metrô
4
- Ursinho Blau Blau - Absynto
5
- Pintura Íntima - Kid Abelha
6
- Vamos Abrir a Roda - Sara Jane
7
- Ilariê - Xuxa
8- Cinema Mudo - Paralamas do Sucesso