1 –
Astral Weeks –
Van Morrison (1968)
Um dos discos mais inclassificáveis de todos os tempos e também um dos melhores.
Morrison desconstrói a música
folk, reinventando-a com fortes influências de
jazz e
soul. Atemporal e complexo,
Astral Weeks é um disco que eu levei muito tempo para entender e gostar, mas, depois de convertido a sua sonoridade única, jamais escutei música do mesmo jeito.
2 –
Transformer -
Lou Reed (1972)
O
rock visto como espaço sagrado onde transitam livremente drogados, depressivos, travestis e párias. O passeio (sem volta) pelo lado selvagem, numa Nova York fria e suja. Triste e nublado como um dia perfeito. Tão perfeito, aliás, como este disco de 1972, produzido por
David Bowie para um dos seus heróis,
Lou Reed, o poeta dos malditos deste mundo.
3 –
Lust For Life -
Iggy Pop (1977)
A bateria frenética da faixa-título é um daqueles instantes da mais pura genialidade e a música acabou se convertendo em ícone do mundo
pop, graças ao filme
Trainspotting, de
Danny Boyle. Mas, há muito mais para se desfrutar neste disco delicioso, verdadeira celebração da vida vivida no limite.
4 –
Your Arsenal –
Morrissey (1992)
Confesso que não sabia bem o que esperar da carreira solo de um artista como
Morrissey, alguém que eu quase venerava quando estava à frente do
The Smiths. Acho que tudo ficou claro quando ele lançou este terceiro álbum de uma carreira que seria muito mais produtiva do que se poderia imaginar. Entre
rocks barulhentos e baladas de partir o coração,
Morrissey deixou seu passado ilustre de uma vez para trás.
5 –
So –
Peter Gabriel (1986)
Com este disco,
Peter Gabriel – que até então era mais conhecido como o ex-vocalista excêntrico do
Genesis – tornou-se um artista de brilho próprio. Canções como
Big Time,
Don’t Give Up (um tocante dueto com
Kate Bush) e
Sledgehammer apresentaram ao grande público um artista imaginativo e de ricas e variadas influências.
6 –
The Future –
Leonard Cohen (1992)
Poeta, pintor e cantor de delicadas canções de inspiração
folk,
Cohen se renovou e chamou a atenção de uma nova geração de ouvintes com este disco de 1992. O aproveitamento de duas faixas do disco na trilha de
Natural Born Killers, filme ultra-violento de
Oliver Stone, foi a prova definitiva da atualidade das letras pessimistas e dos vocais cavernosos de
Cohen.
7 –
Trouble –
Ray LaMontagne (2004)
A capa de
Trouble mostra uma mulher em suave bailado com o diabo. Ilustração perfeita para a sonoridade agridoce deste trabalho de estréia do cultuado
LaMontagne, em que amor e desespero caminham lado a lado.
8 –
All Things Must Pass –
George Harrison (1970)
Considerado por muita gente o melhor trabalho já lançado por um ex-
Beatle (opinião que eu compartilho enfaticamente), este foi o disco em que
Harrison pode finalmente dar asas a sua criatividade, longe das amarras impostas pela dupla
Lennon/
McCartney. Ambicioso, orquestral, espiritual e emocionante, é, sem dúvida, uma das obras-primas da década de 70.
9 –
Raising Sand –
Robert Plant &
Alison Krauss (2007)
Gravado ao lado da cantora de
bluegrass Alison Krauss,
Raising Sand é a melhor realização da carreira solo de
Plant. Com uma sonoridade suave (graças à produção esmerada de
T. Bone Burnett), que se encaixa melhor ao registro limitado do
Plant maduro,
Raising Sand encanta pelo entrosamento impecável entre dois artistas de estilo aparentemente opostos.
10 -
My Aim is True -
Elvis Costello (1977)
As doze canções que compõem este primeiro trabalho de
Costello são um retrato irretocável de um artista com poucos recursos técnicos a disposição, mas com um verdadeiro arsenal de boas ideias borbulhando na cabeça. Curto e direto,
My Aim Is True - título retirado da letra da bela
Alison - é o mais puro cruzamento entre a inocência dos anos 50 com a crueza do
punk dos 70.