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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Tempo, Tempo, Mano Amigo (?)

Ah, o tempo... Coisinha cruel ele pode ser, não é mesmo?

Veja-se o caso da música pop. Quantos resistem ao teste do tempo? Quantos permanecem populares, rentáveis (sim, porque no nosso mundo, artista é uma mercadoria e tem que trazer juros e dividendos para suas respectivas gravadoras se quiser continuar no ramo) ou, pior de tudo, quantos conseguem manter a criatividade e a inventividade? Poucos, bem poucos.

Para cada Madonna surgida no universo, existe uma centena de "fracassadas" como Cyndi Lauper, Paula Abdul, Tony Basil, Martika, Sonia, Spice Girls, Bangles e tantas outras, que levaria uma eternidade para citar uma ínfima parte.

O mundo pop é o reino da descartabilidade e o tempo se encarrega de jogar no lixo quem não tem competência para se estabelecer.

O caso de Cyndi Lauper para mim é exemplar. Na primeira metade da década de 80, Cyndi surgiu no mercado americano com um verdadeiro furacão. No olho do monstro, rodava a mil por hora o inacreditável She's So Unusual, um disco tão bom que não poderia mesmo ter uma carreira diferente: 5 músicas nas paradas de sucesso, entre elas Time After Time, uma pequena maravilha igualmente reverenciada por público, críticos e músicos (há quase 100 versões para a canção).

O sucesso do primeiro disco de Cyndi foi tão grande que ela se tornou a única artista feminina capaz de rivalizar com outra estrela ascendente: Madonna.

Lançado em 1984, Like a Virgin, fez de Madonna um fenômeno mundial e deu a arrancada de uma carreira que, com mais altos que baixos, permanece firme e forte. E a loira ambiciosa continua lotando estádios, vendendo discos e atraindo admiradores de idades e culturas diferentes.

Enquanto Madonna descobria e reinventava a fórmula do sucesso, Cyndi Lauper ficava no meio do caminho.

Supostamente, Lauper deveria ter tido uma carreira muito mais duradoura que sua ex-rival. Ela sempre cantou muito melhor. Disso não há dúvidas. Além disso, era carismática e simpática, e tinha grande presença de palco.

Mas, o que dizer do sucessor de She's So Unusual?

True Colors é um disco que, contrariamente ao que anuncia seu título, carece de cores. A melhor música do álbum é uma regravação do clássico de Marvin Gaye, What's Going On. O resto é dispensável.

Mas o pior estava por vir. Nos anos seguintes, Cyndi foi se tornando uma pálida amostra da artista original e empolgante do início dos anos 80.

Acho que hoje, deve ser muito difícil encontrar uma garota ou garoto que já tenha ouvido falar de La Lauper, mas se perguntarmos sobre Madonna, acho difícil ouvir uma negativa.

O fato é que esse é apenas um caso em milhares.

Dos grandes artistas que fizeram a minha infância e adolescência mais felizes na década de 80, pouquíssimos envelheceram, digamos, com dignidade. Bruce Springsteen? Com certeza! Phil Collins? Podre de rico, super bem-sucedido, mas um verdadeiro burocrata da música. Sting? Virou um tremendo de um mala. U2? Outro fenômeno de popularidade e aprovação crítica. Bon Jovi? Ai, meu Deus, alguém pode pedir para ele se aposentar? Michael Jackson? Não vou falar mal de quem já foi desta, mas todo mundo sabe que ele não lançava nada decente desde Bad, de 1987. Prince? Um dos mais surpreendentes músicos pop de todos os tempos, acabou se perdendo entre excentricidades, frescuras e discos cada vez piores.

Falar é fácil, eu sei. Gravar discos de qualidade década após década é uma mágica que parece ter sido descoberta por bem poucos.

Ou, na verdade, a lógica do mercado seja esta mesmo.

Afinal, se todo mundo tivesse se mantido em forma esse tempo todo, não teria sobrado espaço para o surgimento de Nirvana, Bjork, Pearl Jam, Blur, Oasis, Radiohead etc.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Rock Beneficente

Hoje, 13 de julho, é o Dia Internacional do Rock. Pode? Pode. Tem-se dia para tudo atualmente, e o rock não poderia ficar de fora.

Pesquisando na internet, descobri que a data é comemorada desde 1985, ano no qual nos dois lados do Atlântico se realizou o mega-show beneficente Live Aid, evento que reuniu a nata do pop-rock do período.

Lembro que foi num compacto do show exibido pela Rede Globo, que vi pela primeira vez o U2. Confesso que não entendi direito aquela banda com postura messiânica, canções politizadas e um vocalista metido a galã que, lá pelas tantas, puxava uma garota da multidão e ficava abraçadinho com a coitada. Eu hein...

O que eu achei o máximo mesmo foi Tina Turner roubando o show de Mick Jagger. Que mulher era essa, pessoal? Ninguém segurava Tina. Além de cantar demais, ela dominava o palco como se fosse um furacão de energia e brilho. Junto a Jagger, interpretou State Of Shock.

Histórico também foi Freddie Mercury dominando o público de Wembley como se tivesse no quintal de sua casa. Em Radio Ga Ga e We Will Rock You, o líder do Queen regeu o estádio, dançou de um lado para o outro e, como sempre, cantou divinamente. Acho que, em toda a história do rock, nunca existiu um vocalista que tivesse tamanho prazer em estar num palco. Vê-lo era um privilégio.

No mais, Duran Duran no piloto automático, Dylan mal acompanhado de Keith Richards e Ron Wood (estavam todos bêbados?), Madonna vestida como garota-propaganda da pior moda produzida na época, Sting no auge da carreira-solo, e um monte de gente que desapareceu completamente (quem se lembra, por exemplo, de Spandau Ballet?).

Obviamente que espetáculos como esse não resolvem os problemas que os motivam. A fome na África segue matando pessoas todos os anos, mas me parece que as intenções do idealizador do Live Aid, Bob Geldof, eram as melhores.

Se rock stars usam desses eventos apenas para se autopromoverem, aí já é outro problema. Só me incomoda um pouco é que tenha sobrevivido na memória coletiva apenas a festa, enquanto a tragédia por trás dela continue esquecida.