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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Do Baú

Quando Brian Wilson lançou seu primeiro disco solo em 1988, eu não conhecia nada de sua obra.
Tudo bem, eu já devia ter ouvido uma ou duas músicas dos Beach Boys, mas ainda estava muito longe de mergulhar na perfeição de Pet Sounds – álbum lançado em 1966 e universalmente aclamado como um dos melhores de todos os tempos – e de canções como Good Vibrations e Heroes And Villains.
Foi numa resenha da revista Bizz que li pela primeira vez sobre este homem tão reverenciado e influente. Como na época eu só podia comprar um disco por mês – ai, Jesus, como é que eu aguentava? – tive que esperar um pouco para conhecê-lo. Espera que foi plenamente compensada.
Brian Wilson – o álbum – é desses discos impecáveis da primeira à última faixa. Um artista renascendo de décadas entregues ao esquecimento surge resplandecente em canções dignas do melhor pop produzido por Beatles, Love, Monkeys, Phil Spector e, é claro, Beach Boys.
O ápice do disco é uma canção a capella, One For The Boys, na qual Brian homenageia seus antigos companheiros de grupo e ainda exibe toda a beleza de sua voz. Grandes interpretações seguem encantando em Melt Away , Let It Shine , Love And Mercy e no encerramento grandioso da épica Rio Grande.
É um disco, enfim, para escutar com um sorriso bobo na cara e a sensação de estar testemunhando o último suspiro criativo de um gênio da música.
Inesquecível.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Prazeres Secretos

Existem alguns discos que são como um segredo pessoal, daqueles que você mantém para si mesmo, guardadinho para um dia chuvoso. Nos momentos de nostalgia, tristeza ou simplesmente indolência, você corre para eles e, magicamente, se sente reconfortado e feliz.

Um desses tesouros na minha vida é o primeiro disco da banda inglesa The House Of Love, lançado em 1988 e que eu só viria a descobrir em 1990, numa viagem ao Rio de Janeiro.

Comprei o cassete num daqueles camelôs que, muitos anos atrás, vendiam fitinhas piratas pelas calçadas. Acho que, na época, quase destruí a fita de tanto ouvir.

Não sei explicar com exatidão o que me apaixonou tão imediatamente. Eles, de fato, não apresentavam nada de novo. O som era meio Velvet Underground via The Jesus And Mary Chain, ou seja, muita guitarra, microfonia, vocais sonolentos e letras depressivas. Mas era tudo tocado com uma sinceridade e uma delicadeza raras.

Canções como Christine, Man to Child e Salome viraram verdadeiros hinos de final de adolescência, para mim.

Muito bem. O tal pirata perdeu-se em uma das minhas muitas mudanças e eu fiquei na saudade.

Em todas as viagens que eu fazia, The House Of Love constava nas minhas listas de cd’s a procurar, mas, misteriosamente, nunca esbarrei com o disco.

Recentemente encontrei o cd na London Calling, loja de discos importados de São Paulo, a exorbitantes 80 (!!!!!!) reais. No sítio da Amazon, o álbum só é disponibilizado em versão importada. Ou seja, é muito difícil adquirir essa preciosidade.

Qual não foi minha surpresa, portanto, quando achei um vinil em ótimo estado em minha última viagem a Sampa.

Motivado pelo feliz achado, comecei a fuçar na internet e descobri num desses blogs que disponibilizam álbuns, o disco inteirinho, perfeitinho, uma belezura.

The House Of Love voltou triunfante a minha vida. Se bem que, agora, ele não é mais um daqueles segredos íntimos que eu mencionei lá no início do texto...