Mostrando postagens com marcador Bette Davis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bette Davis. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mil e Uma Noites no Cinema

Recebi recentemente um texto retirado do blog do escritor português José Saramago (http://caderno.josesaramago.org/), no qual ele discorre brevemente sobre os filmes que mais marcaram sua vida.

Sempre que vejo uma lista ou um texto desse tipo, fico tentando reduzir toda minha experiência como amante da sétima arte a uns 10 ou 15 filmes. Tarefa inglória. Não sei direito o número de filmes que já assisti, mas imagino que seja uma quantidade imensa.

Quando era adolescente, costumava ficar até às 2, 3 horas da madrugada acompanhando filmes antigos na Globo. Quem tem entre 30 e 50 anos deve se lembrar bem de nomes como Coruja Colorida, Primeira Exibição e Sessão de Gala, espaços nos quais a Globo exibia não apenas filmes inéditos mas também grandes clássicos do cinema americano.

Outro grande responsável pela minha formação como cinéfilo foi o Cine Brasília, palco do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e, até meados da década de 90, um dos poucos lugares na cidade para se assistir filmes europeus e obras antigas restauradas.

Existia também o cineminha da Cultura Inglesa, que tinha uma infra-estrutura bem menor mas contava com uma programação deliciosa.

Quantas maravilhas se revelaram para mim nestas duas telas sagradas... Cidadão Kane, Teorema, Asas do Desejo, Ladrões de Bicicleta, Caro Diário, Não Matarás, Jules e Jim, Sindicato de Ladrões, Blade Runner, Adeus Meninos, Entrevista, enfim, a lista é gigante.

Hoje, o auditório da Cultura foi desativado e o Cine Brasília encontra-se jogado às traças, vítima de um descaso criminoso da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Uma pena.

De qualquer maneira, a lista que se segue é apenas uma débil tentativa de encontrar cinco filmes que sejam, digamos assim, a minha cara:

1 - Noites de Cabíria (Itália, 1957)
Porque Cabíria é o personagem mais cativante e inesquecível da história do cinema. E porque Fellini sabia como ninguém retratar esses tipos patéticos, doces e ingênuos, dos quais a puta magnificamente interpretada por Giulietta Masina é o mais perfeito exemplo.

2 - Crepúsculo dos Deuses (EUA, 1950)
Porque é o melhor filme para se entender a fábrica perversa de sonhos que é Hollywood. E porque a diva Gloria Swanson está imbatível como a louca atriz que acredita que pode voltar a brilhar.

3 - A Malvada (EUA, 1950)
Porque é o filme que melhor retrata a mesquinhez humana, a inveja e o medo do esquecimento. E porque Bette Davis carrega um mundo de sentimentos num simples acender de cigarro.

4 -Persona (Suécia, 1966)
Porque é um filme enigmático, hermético e difícil e, ainda assim, fascinante. E porque sua fotografia em preto-e-branco é uma das mais deslumbrantes que existem.

5 - Tudo Sobre Minha Mãe (Espanha, 1999)
Porque Almodóvar faz uma tocante homenagem a um gênero de cinema que eu amo, o melodrama, sem cair em seus habituais exageros. E porque o elenco feminino é capaz de nos levar às lágrimas e ao riso com igual maestria.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Que Terá Acontecido a... The Mission

Em 1962, o diretor Robert Aldricht lançou um filme marcante não só por sua história de sordidez, fracasso e relações familiares doentias, mas sobretudo pelo duelo de interpretações das duas protagonistas, Bette Davis e Joan Crawford. Supostamente, as duas atrizes se odiavam de verdade, e isso acaba transparecendo na dinâmica sufocante desenvolvida diante das câmaras.

O nome do filme é O que teria acontecido a Baby Jane e se trata, sem dúvida, de uma das obras-primas do cinema americano, daqueles que não perdem sua atualidade e importância nunca.

Inspirado por esse filme, resolvi criar uma nova série: O que terá acontecido a..., sobre artistas sumidos ou longe dos holofotes.

A banda de estréia é o The Mission, também conhecido como The Mission UK.

Formado por Wayne Hussey e Craig Adams, após deixarem o Sisters of Mercy – outra banda que poderia dar as caras por aqui –, o The Mission integrou um lote de grupos que ficaram conhecidos como góticos ou dark.

Lançaram o primeiro trabalho em 1986. E logo alcançaram o sucesso com a música Severina – e só imagino as chateações que as muitas Severinas espalhadas Brasil afora tiveram que aguentar por conta dessa canção.

Na época, a molecada incorporou roupas pretas, maquiagem pesada e um pessimismo totalmente falso, numa importação meio forçada de um movimento que já dava claras mostras de exaustão na Inglaterra – país berço de muitos modismos que passaram como uma nuvem.

Acontece que as ilhas britânicas são realmente um lugar meio para baixo: chove horrores, faz um frio lascado praticamente o ano inteiro e, na primeira metade da década de 80, ainda vivia sob o astral nefasto dos anos da administração Thatcher.

Além do mais, há uma tradição literária que remonta às peças mais sombrias de Shakespeare, passa pelo ultra-romantismo e pela própria literatura gótica, ou seja, toda a onda dark pode parecer meio ridícula, mas faz um grande sentido para eles. Já no Brasil...

Seja como for, o The Mission fez um sucesso doido por estas plagas. Sucesso que durou até o disco Children, de 1988, que contou com o auxílio luxuoso do ex-baixista do Led Zeppelin, John Paul Jones. Depois disso, o grupo sumiu e nunca mais ouvi falar nada dos moços.

Em julho de 2008, numa loja em Portugal, encontrei um disco deles e, de certa forma, revivi um pouco da inocência com que eu absorvia tudo que vinha de fora, quando tinha uns 15 anos.

O The Mission continua sendo um símbolo de uma época de muitas descobertas e de formação de gosto pessoal.

Uma pena que se perderam em meio às trevas que eles próprios enalteciam...