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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Discos e Arte

O artista norte-americano Robert Crumb foi um crítico ácido e amoral do sonho suburbano da América branca e protestante. Seus traços personalíssimos criaram uma galeria de tipos na qual o personagem principal é o próprio Crumb.

Seu auto-retrato é tão cruel e impiedoso consigo mesmo como o é com o resto da sociedade. Sexo, misoginia, marginalidade e drogas fazem parte do coquetel “anti-ordem-e-progresso” preparado pelo cultuado cartunista.

A capa concebida por Crumb para Cheap Thrills, disco que revelou ao mundo o furacão Janis Joplin, difere de tudo que se fazia na época. Crumb criou uma pequena ilustração para cada faixa do álbum, originando um mosaico colorido em que uma Janis sensual e gordinha (como, aliás, quase todas as mulheres criadas por ele) predomina. Reflexo, diga-se de passagem, do que se ouvia no vinil.

Gravado em estúdio, com inserções ao vivo, o disco é creditado ao grupo Big Brother And The Holding Company, no qual Janis era “apenas” a vocalista. Mas qualquer um que ouvisse a performance matadora da cantora branca mais negra que já se teve notícia, poderia adivinhar que muito rapidamente o Big Brother é que se tornaria “apenas” o grupo de Janis.

Ball and Chain, Summertime e Piece Of My Heart não são apenas ótimas canções. São a prova de que uma grande intérprete pode dar novo significado a músicas consideradas já definitivas em suas gravações originais.

Tristemente, esse imenso potencial perdeu a luta para a depressão, a solidão e a autodestruição nas quais Joplin se afundou.

Melhor lembrar dela como a piriguete oferecida que ilustra a faixa I Need A Man To Love.