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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Do Trip Hop para o Universo


O Massive Attack foi um dos grupos mais influentes e instigantes da década de 1990. Seus três discos lançados então – Blue Lines, Protection e Mezzanine – são nada menos que obras-primas.


Rotulados como um grupo de trip hop, o Massive está muito além de qualquer barreira imposta por categorizações.


Na sonoridade arrojada do grupo formado na cidade de Bristol, na Inglaterra, entram reggae, hip hop, música eletrônica e rock, numa mistura absolutamente única. No meio de sua oficina de lapidação de pedras preciosas, brilham vocalistas convidados do naipe de Shara Nelson (que eternizou sua voz na maravilhosa Unfinished Sympathy), Tracey Thor (magnífica em Protection e The Hunter Gets Captured By The Game) e o permanente colaborador Horace Andy, este um capítulo à parte. Veterano cantor de timbre peculiar, Horace foi resgatado da obscuridade para emprestar seu vocal inconfundível a pérolas como Man Next Door e Angel.


Os anos 2000 viram um Massive Attack excessivamente sombrio e sorumbático no disco 100th Window, um trabalho que, mesmo contando com Sinéad O’Connor, não disse muito a que veio.


A redenção vem sete anos depois, com o excepcional novo trabalho, Heligoland. Horace Andy está de volta, além de Damon Albarn (Blur) e Guy Garvey (Elbow), que dão um sabor ainda mais inusitado ao som de Dej Naja e Marshall – o núcleo do grupo.


Cada canção é uma obra cuidadosamente burilada, num artesanato musical cada vez mais sofisticado e raro em nossos dias.


O Massive Attack está de volta. E desta vez mais em forma do que nunca.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Animados e Sonorizados

Meu personagem preferido de desenho animado é um tubarão gigantesco que atendia pela alcunha de Tutubarão.
Contrariando o mito de fera dos mares, o tubarão animado é um animal covarde, desajeitado, efeminado e absolutamente adorável.
Para completar, Tutu toca bateria num conjunto musical formado por jovens que, invariavelmente, se envolvem em mistérios e confusões. Tudo isso passado num mundo submarino futurístico.
A fórmula é a mesma criada no desenho Scooby Doo e imitada em incontáveis desenhos desenvolvidos pela Hanna-Barbera na década de 1970. Mas Tutubarão é muito mais divertido e cativante que o cão medroso imortalizado por Scooby.
Desenhos com bandas musicais foram uma verdadeira moda a partir do final da década de 1960. Em The Archie Show , a banda adolescente The Archies conseguiu perpetrar um sucesso mundial com a simpática canção Sugar, Sugar.
De lá para cá, surgiram outras bandas clássicas como Josie e As Gatinhas e até mesmo os garotos do Jackson 5 acabaram virando personagens animados, sempre embalados por músicas antológicas como ABC e I Want You Back.
Recentemente, uma banda virtual alcançou um sucesso e uma projeção pelos quais muitos grupos “reais” dariam um braço e uma perna. O Gorillaz era um projeto despretensioso do vocalista do Blur, Damon Albarn junto ao cartunista Jamie Hewlett.
Com Albarn no comando das criações musicais e Hewlett responsável pelo visual, o grupo formado pelo melancólico 2-D, o misto de Syd Vicious com Keith Richards chamado Murdoc mais a diminuta Noodle e o peso-pesado Russell vendeu cerca de 20 milhões de discos de seus dois primeiros trabalhos (Gorillaz e Demon Days) e já está com um novo registro nas lojas (Plastic Beach).
Acho o Gorillaz 50% lixo e 50% luxo. Em meio a muita bobagem e ao excesso de hip hop, há maravilhas que arremessam a música pop para o futuro. Sobretudo nas colaborações, o Gorillaz encontra o meio termo perfeito entre as aspirações artísticas nem sempre muito claras de Albarn e a concepção de uma música pop contemporânea altamente inteligente e ousada.
Basta escutar, no novo disco, a perfeição de Stylo, que junta o rapper Mos Def e o mestre do soul Bobby Womack. O resultado é tão surpreendente que chega a assustar.