Mostrando postagens com marcador The Flaming Lips. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador The Flaming Lips. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Da Lama ao Cosmos

Comemoram-se neste mês de agosto os 40 anos da realização do lendário Festival de Woodstock.

Quando comparado com os festivais atuais, em que a organização e a variedade de programação são cada vez maiores, Woodstock parece um enorme programa de índio. Durante três dias de agosto de 1969, milhares de jovens invadiram uma bucólica região do estado de Nova York e celebraram os ideais de vida comunal, sexo livre e experiências com drogas que caracterizaram o auge da cultura hippie. Tudo em meio a muita lama, falta de comida e de banheiros, e uma infra-estrutura tão precária que realmente parece um milagre que a coisa toda não tenha resvalado para a total baderna.

No palco, uma verdadeira constelação de grandes nomes da época, como Jimi Hendrix, Joe Cocker, The Who, Crosby, Stills And Nash e Janis Joplin, misturava-se com outros que ficaram um pouco perdidos em meio à poeira púrpura daqueles anos lisérgicos.

Woodstock não foi o primeiro grande festival de rock, mas sua lenda e a enorme mitologia fundada em torno daqueles chuvosos dias permanecem intactas.

Em homenagem aos hippies e tudo de bom que eles nos legaram em termos de música, preparei uma pequena seleção de clássicos psicodélicos, não apenas os grandes discos da era psicodélica original (que vai de 1966 a 1970), mas também aqueles que beberam diretamente da fonte e mantiveram a chama caleidoscópica dos mágicos anos 60 acesa:

1Axis: Bold As Love. Jimi Hendrix.
A imagem mais marcante de Woodstock ainda é a de Jimi estraçalhando o hino americano, um momento que certamente entrou para a história como um dos símbolos de uma geração contestadora e inquieta.

2Nuggets. Vários.
Esta caixa com quatro cd’s reúne um número imenso de bandas de garagem que, em sua maior parte, caíram no esquecimento. Toscas, simples e muito alucinadas, elas representam o lado mais sujo da psicodelia americana. Grandes músicas, grande diversão.

3Surrealistic Pillow. Jefferson Airplane.
Este disco tem nos vocais de Grace Slick, a cereja de seu bolo já bastante confeitado. Na canção White Rabbit, Slick desconstrói a história clássica de Alice no País das Maravilhas e a transforma numa ode ao uso de substâncias um tanto quanto suspeitas. Genial.

4 If You Can’t Believe Your Eyes And Ears. The Mamas And The Papas.
Musicalmente é um álbum sem maiores vôos artísticos, mas as mamães e os papais gravaram aqui uma das canções mais emblemáticas do rock movido a drogas, California Dreaming. Por trás das doces melodias do grupo, está a história engraçada do moço que se refugia numa igreja para curtir sua viagem em paz.

5Yoshime Battles The Pink Robbots. The Flaming Lips.
Um dos grupos que melhor souberam atualizar o rock psicodélico, o Flaming Lips faz música doidona para modernos e sensíveis. Tudo muito viajante, mas também muito tocante.

6Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. The Beatles.
Quando os 4 fabulosos descobriram as possibilidades criativas do uso de drogas, o mundo nunca mais foi o mesmo. Sgt. Pepper não é a primeira piração deles, mas é seu disco mais influente e, até hoje, apontado como o melhor de todos os tempos. Quem não concorda que ouça a orquestral A Day In The Life e tente argumentar contra.

7When I Was Born For The 7th Time. Cornershop.
Uma coisa que a geração psicodélica fez com grande propriedade foi borrar as fronteiras que separavam gêneros musicais, aproximando ocidente e oriente, música branca e música negra, etc. Este disco de 1997, incorpora elementos de música indiana, numa bela fusão de dance, pop e indie, com instrumentos exóticos e letras que celebram o amor e a tolerância. Mais anos 60, impossível.

8 Cosmotron. Skank.
O Brasil não poderia ficar de fora do culto psicodélico. Este disco marca definitivamente o namoro do grupo mineiro que o rock inglês e os sons da década de 60. Criativo e musicalmente rico, faz esquecer que um dia o Skank gravou bobagens como Jack Tequila.

9 The Coral. The Coral.
O primeiro disco desta banda de Liverpool uniu de maneira mais que competente o rock psicodélico com o peso e a ironia típicos dos tempos atuais. Não fizeram mais nada que preste depois disso, mas deixaram sua marca em canções como The Spanish Main, Simon Diamond e Goodbye.

10The Primitives. The Primitives.
Quando o The Primitives lançou este disco no final dos anos 80, parecia que finalmente um grupo tinha ressuscitado a estética dos anos 60, no que ela tinha de mais grudenta, assoviável e barulhenta. Tudo embalado pelos vocais super-doces de Tracy Tracy, que juntava numa mesma interpretação a leveza dos Beach Boys com a sujeira do Velvet Underground. Pena que durou tão pouco...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Meus Discos Preferidos: Anos Noventa

1Ok Computer Radiohead (1997)
A trilha sonora perfeita para os gélidos anos 90, este disco é uma espécie de Dark Side Of The Moon, atualizado para a geração internet. Radiografia precisa de um mundo tecnológico e impessoal, Ok Computer preserva seu status de obra-prima da década por aliar experimentação musical com uma habilidade invejável para gerar grandes canções (os dois melhores exemplos são Karma Police e Lucky).

2 Odelay Beck (1996)
Um artista que representa o lado mais ousado e criativo de uma década em que as fronteiras que separavam estilos musicais foram para o espaço, Beck teve seu ápice no seu segundo registro em estúdio. Odelay é um disco em que rock, hip hop, country, blues e eletrônica convivem em perfeita harmonia.

3 NevermindNirvana (1991)
Talvez este seja o disco mais influente feito nas últimas duas décadas e, ao que parece, seu espectro não dá mostras de desaparecer tão cedo. É um daqueles casos raros em que sucesso de vendagem vem de mãos dadas com uma qualidade artística imensa. Smells Like Teen Spirit, Come As You Are, Polly e Lithium são polaroids de um tempo no qual o mundo inteiro passou a viver em Seattle. Vestindo camisa xadrez e calça jeans surrada, é claro.

4 XOElliott Smith (1998)
Uma perda menos sentida que a de Kurt Cobain, mas igualmente triste, o suicídio desse brilhante cantor e compositor americano, interrompeu uma carreira que apenas começava a decolar, com este lindíssimo trabalho de 1998. Smith cantava com o coração vibrando em suas cordas vocais. As canções deste disco são pequenos contos de desesperança e solidão, que revelam uma delicadeza e uma fragilidade que não poderiam resistir durante muito tempo mesmo...

5 Car Wheels On A Gravel Road Lucinda Williams (1998)
Muito rock para o público country e muito country para o público roqueiro, Lucinda Williams vinha de uma longa carreira de belos discos e pouca – ou nenhuma – repercussão, quando lançou essa maravilha chamada Car Wheels On A Gravel Road. O mundo descobriu, então, uma compositora incrível, que sabia falar das dores do coração, do aconchego do lar, da vida na estrada e da felicidade de se tocar uma guitarra, sem nunca desandar para o piegas.

6Début Bjork (1993)
Uma artista que dominou toda a década de 90, sem jamais cair na repetição ou auto-indulgência, Bjork é um desses milagres artísticos que conseguem nos surpreender, mesmo quando tudo parece estar perdido. Début é seu disco mais apaixonante porque preserva uma certa ingenuidade. É como se este pequeno duende islandês estivesse brincando de fazer música. Só que o resultado é uma musicalidade madura e altamente elaborada, que se revela nos pequenos detalhes de Human Behavior, Aeroplane e Venus as a Boy.

7TenPearl Jam (1991)
Um monstro que fundiu no seu corpo o heavy rock da década de 70, a intensidade do levante punk e o rock clássico de artistas como Bruce Springsteen, o Pear Jam já começou sua carreira de forma superlativa, vendendo horrores e arrastando multidões para seus shows. No coração dessa avalanche encontra-se a supremacia de canções como Black, Even Flow e Alive. Qualidade e perfeição que a banda jamais conseguiria superar.

8 DryPJ Harvey (1992)
Um som cerebral, pesado e inteligente era a arma principal da inglesa Polly Jean Harvey para se diferenciar de suas colegas em meio a maior invasão feminina que o rock já viu. Se, até a década de 80, mulheres eram ainda artigo esparso no reino das guitarras, os anos 90 viram esse panorama mudar radicalmente. PJ estabeleceu o padrão pelo qual todas as garotas que queriam fazer música teriam que se guiar. Só na década passada, gravou três discos imprescindíveis. E segue com sua criatividade intacta e cada vez mais ativa.

9 BandwagonesqueTeenage Fanclub (1991)
Mestres em criar melodias doces e grudentas, esses rapazes escoceses foram uma espécie de bálsamo, numa época em que as guitarras barulhentas voltaram a imperar. Fundindo influências que iam do power pop do Big Star até as harmonias gloriosas do The Byrds, o Teenage construiu uma carreira que, mesmo sem conseguir repetir o sucesso deste Bandwagonesque, se manteria coerente na sua proposta de fazer música simples e, em seus momentos mais inspirados, inesquecível.

10 The Soft BulletinThe Flaming Lips (1999)
O disco mais viajante da década, The Soft Bulletin tirou o Flaming Lips do anonimato e marcou indelevelmente a vida de todos que se aventuraram neste álbum mezzo conceitual, mezzo rock independente. Criando um universo à parte em que uma colherzinha pesa uma tonelada e o super-homem está cansado de salvar a Terra, o vocalista Wayne Coyne e seus asseclas forjaram uma obra-prima psicodélica, pomposamente orquestrada e poeticamente instigante.