
Por
Lázaro Luis LucasQuando recebi o convite para participar do blogue
Vitrola Encantada, no último domingo, 23 de agosto de 2009, minha vontade inicial foi de recusar imediatamente a oferta.
Não sou jornalista, não me sinto íntimo das palavras - em particular, escrevendo-as -, e não entendo coisa alguma de música.
No entanto, toda a conversa foi bastante clara. A ideia era que eu escrevesse sobre cinema e não música.
Só faltava, então, vencer a barreira que me separava, ou melhor, ainda separa, das palavras.
Confesso ser muito difícil para mim transformar em texto as inúmeras informações que me vêm à mente. E são muitas, podem acreditar.
Desde já, desejo expressar a quem se interessar em ler minhas divagações sobre a sétima arte, que não é minha intenção fazer aqui o trabalho de crítico de cinema. Para tanto, já temos uma meia dúzia de excelentes profissionais no Brasil, sendo o jornalista
Inácio Araújo o meu preferido.
O que espero com a minha passagem por aqui, é dividir com todos os seguidores do
Vitrola Encantada minhas experiências com o cinema e obter deles o mesmo.
Pois bem, após esta apresentação um tanto quanto desengonçada, me restava escolher o tema para a minha primeira postagem.
Após um bom par horas pensando sobre o assunto, decidi que o ideal, para uma estreia em um blogue de música, "falando" sobre cinema, seria postar sobre música de cinema. Mas precisamente sobre os temas musicais de alguns filmes. Não suas trilhas sonoras.
Descobri os filmes em tela grande aos sete anos de idade, no ano de 1978, na cidade de Araguari, no estado de Minas Gerais, no extinto
Cine Rex.
A dúvida que irá me perseguir até o fim da vida é com qual filme iniciei essa relação de amor com o cinema. Quero acreditar que tenha sido com
Orca - A Baleia Assassina (1977); e simplesmente porque desde que o vi jamais pude - nem quis - apagar da minha memória a música tema composta por
Ennio Morricone,
We Are One, interpretada por
Carol Connors.
O poder exercido por essa composição sobre mim é tamanho que, ainda hoje, mais de 30 anos depois, ao ouví-la, imediatamente sou transportado àquele dia, àquele cinema, àquela hora mágica que jamais se perderão de mim.
Mesmo quando nos falta o nome do filme, do diretor, do elenco e até mesmo do compositor da trilha sonora, basta colocar "aquela" música para que tudo novamente adquira vida em nossa lembrança.
Quem, em todo o planeta Terra, fã de cinema, não se recorda de
... E o Vento Levou, por
Max Steiner,
Psicose, por
Bernard Hermann e
Era Uma Vez no Oeste, por
Ennio Morricone.
Blade Runner - O Caçador de Andróides seria a obra-prima que é, sem
Vangelis? Eu não me arriscaria a dizer que sim.
E são tantos compositores. Temos os premiadíssimos como
John Williams (
E.T. - O Extraterrestre,
Tubarão,
Os Caçadores da Arca Perdida,
A Lista de Schindler);
Francis Lai (
Um Homem, Uma Mulher,
Love Story - Uma História de Amor);
Henry Mancini (
A Pantera Cor-de-Rosa,
Bonequinha de Luxo);
John Barry (
Entre Dois Amores,
007 Contra o Satânico Dr. No);
Nino Rota (das obras de
Federico Fellini, O Poderoso Chefão);
Elmer Bernstein (
Cabo do Medo);
Zbigniew Preisner (de
A Trilogia das Cores,
O Jardim Secreto);
Maurice Jarre (
Doutor Jivago,
A Filha de Ryan);
Jerry Goldsmith (O Planeta dos Macacos,
A Profecia,
Alien - O 8º Passageiro,
Gremlins);
Vangelis (
Blade Runner - O Caçador de Andróides,
Carruagens de Fogo,
1492 - A Conquista do Paraíso); e o já citado
Ennio Morricone (
Por Um Punhado de Dólares,
Era Uma Vez no Oeste,
O Enigma do Outro Mundo).
Os cultuados, como o diretor
John Carpenter (
Halloween - A Noite de Terror);
Riz Ortolani (
Cannibal Holocaust,
Cyclone - Tragédia no Mar),
Harry Manfredini (
Sexta-Feira 13);
Brad Fiedel (
O Exterminador do Futuro) e
Pino Donaggio (
Carrie - A Estranha,
Doublê de Corpo).
E, por fim, mas não menos importantes para os fãs de cinema, compositores pouco conhecidos para os não-iniciados, como
John Cacavas, responsável pela trilha sonora do filme
O Expresso do Horror (1972),
Daniele Patucchi (
Mundo Canibal) e
Stelvio Cipriani (
Piranha 2 - Assassinas Voadoras).
E poderíamos, ainda, citar outros inúmeros. Mas, fico por aqui.