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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Melhores de 2010 – Parte 2


10 Fields Junip
Quem conhece o trabalho solo do cantor e instrumentista argentino radicado na Suécia, Jose Gonzalez, não deve ter se espantado com a qualidade deste disco. Em grupo, Gonzalez continua suavemente acústico e intimista, mas, sem dúvida, seu som ficou mais musculoso e variado. Uma pequena maravilha.

9Odd BloodYeasayer
O que parecia no disco de estréia um grupo experimentando com a velha world music, neste segundo disco revelou-se um gosto pela eletrônica e uma vontade de fazer chacoalhar o esqueleto. Repleto de boas idéias, Odd Blood dá mostras de uma banda que pode surpreender ainda mais.

8TransferenceSpoon
Com anos de bons serviços ao rock independente Americano, o Spoon lança discos cada vez mais complexos e interessantes. Transference podia ter ampliado as possibilidades comerciais do bem sucedido Ga Ga Ga Ga Ga, mas preferiu se aprofundar nas manias e fixações do vocalista do Britt Daniels. Ponto para ele.

7 - The DrumsThe Drums
O disco mais nostálgico dos últimos tempos é também um dos mais divertidos e gostosos de se ouvir. Uma volta ao rock dançante e assoviável da década de 1980, com influências que vão de Gang Of Four até The Smiths, isso sem nenhuma música ruim no meio do caminho. Um espanto!

6True Love Cast Out All EvilRoky Erickson & Okkervil River
Após uma vida cheia de altos e baixos, Roky Erickson – vocalista da banda de rock psicodélico 13th Floor Elevators – foi recuperado da obscuridade pelo grupo Okkervil River e juntos gravaram um dos álbuns mais bonitos de 2010. Enquanto o Okkervil se mantém à sombra, fazendo apenas a base instrumental, Erickson empresta sua voz rouca e marcada pelo tempo a canções de pura melancolia e dor guardada. Uma verdadeira pérola.

5 The SuburbsArcade Fire
Como fazer para superar dois discos simplesmente impecáveis? Simples: fazendo um disco conceitual sobre a vida nos subúrbios. Embora o tema não seja lá muito rock, o Arcade Fire consegue a proeza de ser grandioso sem perder a sensibilidade indie.

4American SlangThe Gaslight Anthem
Herdeiros diretos da paixão roqueira de Bruce Springsteen, esta banda de New Jersey traz um novo significado para o rock clássico americano, revestindo-o de uma atitude punk e de uma raiva controlada porém poderosa. Isso sem jamais perder a ternura.

3High VioletThe National
Dos acordes iniciais de Terrible Love, este disco já se afigura um clássico moderno. Retrato impecável de tempos de paranóia (Afraid of Everyone) e amores frustrados (Runaway), High Violet confirma o status do The National como uma das melhores – senão a melhor – bandas da atualidade.

2Band Of JoyRobert Plant
Ou de como dar as costas a uma das reuniões mais esperadas de todos os tempos (de sua ex-banda, Led Zeppelin) para se dedicar a uma carreira solo cada vez mais brilhante (isso quase aos 70 anos!). Band Of Joy dá seguimento ao mergulho nas raízes da música americana iniciado no sublime Raising Sand, substituindo a cantora Alison Krauss por uma banda mais roqueira e coesa.

1BrothersThe Black Keys
Este disco para mim é o melhor do ano passado por um motivo muito simples: não há nenhuma pretensão artística ou enrolação por aqui. Dan Auerbach e Patrick Carney fazem simplesmente o mais genuíno blues rock surgido em muito tempo nos Estados Unidos. Se os discos anteriores já eram ótimos, o grande salto qualitativo de Brothers está na sua variada gama de influências que incorpora soul, funk e rock clássico sem jamais perder a personalidade sonora da dupla.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Meus Discos Preferidos: Cantores

1 Astral WeeksVan Morrison (1968)
Um dos discos mais inclassificáveis de todos os tempos e também um dos melhores. Morrison desconstrói a música folk, reinventando-a com fortes influências de jazz e soul. Atemporal e complexo, Astral Weeks é um disco que eu levei muito tempo para entender e gostar, mas, depois de convertido a sua sonoridade única, jamais escutei música do mesmo jeito.

2Transformer - Lou Reed (1972)
O rock visto como espaço sagrado onde transitam livremente drogados, depressivos, travestis e párias. O passeio (sem volta) pelo lado selvagem, numa Nova York fria e suja. Triste e nublado como um dia perfeito. Tão perfeito, aliás, como este disco de 1972, produzido por David Bowie para um dos seus heróis, Lou Reed, o poeta dos malditos deste mundo.

3Lust For Life - Iggy Pop (1977)
A bateria frenética da faixa-título é um daqueles instantes da mais pura genialidade e a música acabou se convertendo em ícone do mundo pop, graças ao filme Trainspotting, de Danny Boyle. Mas, há muito mais para se desfrutar neste disco delicioso, verdadeira celebração da vida vivida no limite.

4 Your ArsenalMorrissey (1992)
Confesso que não sabia bem o que esperar da carreira solo de um artista como Morrissey, alguém que eu quase venerava quando estava à frente do The Smiths. Acho que tudo ficou claro quando ele lançou este terceiro álbum de uma carreira que seria muito mais produtiva do que se poderia imaginar. Entre rocks barulhentos e baladas de partir o coração, Morrissey deixou seu passado ilustre de uma vez para trás.

5 SoPeter Gabriel (1986)
Com este disco, Peter Gabriel – que até então era mais conhecido como o ex-vocalista excêntrico do Genesis – tornou-se um artista de brilho próprio. Canções como Big Time, Don’t Give Up (um tocante dueto com Kate Bush) e Sledgehammer apresentaram ao grande público um artista imaginativo e de ricas e variadas influências.

6 The Future Leonard Cohen (1992)
Poeta, pintor e cantor de delicadas canções de inspiração folk, Cohen se renovou e chamou a atenção de uma nova geração de ouvintes com este disco de 1992. O aproveitamento de duas faixas do disco na trilha de Natural Born Killers, filme ultra-violento de Oliver Stone, foi a prova definitiva da atualidade das letras pessimistas e dos vocais cavernosos de Cohen.

7TroubleRay LaMontagne (2004)
A capa de Trouble mostra uma mulher em suave bailado com o diabo. Ilustração perfeita para a sonoridade agridoce deste trabalho de estréia do cultuado LaMontagne, em que amor e desespero caminham lado a lado.

8 All Things Must PassGeorge Harrison (1970)
Considerado por muita gente o melhor trabalho já lançado por um ex-Beatle (opinião que eu compartilho enfaticamente), este foi o disco em que Harrison pode finalmente dar asas a sua criatividade, longe das amarras impostas pela dupla Lennon/McCartney. Ambicioso, orquestral, espiritual e emocionante, é, sem dúvida, uma das obras-primas da década de 70.

9 Raising SandRobert Plant & Alison Krauss (2007)
Gravado ao lado da cantora de bluegrass Alison Krauss, Raising Sand é a melhor realização da carreira solo de Plant. Com uma sonoridade suave (graças à produção esmerada de T. Bone Burnett), que se encaixa melhor ao registro limitado do Plant maduro, Raising Sand encanta pelo entrosamento impecável entre dois artistas de estilo aparentemente opostos.

10 -My Aim is True - Elvis Costello (1977)
As doze canções que compõem este primeiro trabalho de Costello são um retrato irretocável de um artista com poucos recursos técnicos a disposição, mas com um verdadeiro arsenal de boas ideias borbulhando na cabeça. Curto e direto, My Aim Is True - título retirado da letra da bela Alison - é o mais puro cruzamento entre a inocência dos anos 50 com a crueza do punk dos 70.