Por Lázaro Luis LucasJá vão mais de 20 anos quando, pela primeira vez, li em uma resenha do filme Streamers - O Exército Inútil, sobre o conceito de teatro filmado.
O filme, produzido em 1983, foi dirigido por Robert Altman e roteirizado por David Rabe, a partir de uma peça de sua autoria.
A história de Streamers - O Exército Inútil ocorre durante a guerra do Vietnã e todo o filme desenrola-se nos limites de um alojamento militar, onde seis homens aguardam a ordem para embarcarem para a área de conflito. A descoberta da homossexualidade de um deles irá tornar ainda mais difícil o convívio entre eles.
Mais do que focar a câmera em um único cenário, o conceito aplicado por Robert Altman no filme faz com que tudo aquilo que pensamos ser cinema caiba, quase que exclusivamente, no roteiro e em seus intérpretes.
Aqui, o diretor se adapta a uma outra linguagem - a do teatro - para continuar fazendo o que sabe, cinema. E como no palco, o que realmente irá importar é a qualidade do texto e dos atores.
Filmes ambientados em um só cenário nunca foram novidade na história da sétima arte. Obras como Inferno nº 17, de Billy Wilder (1953), e Festim Diabólico (1948), e Janela Indiscreta (1954), ambos de Alfred Hitchcock, são bons exemplos de que não estamos divagando sobre algo tão extraordinário assim.
Então, o que torna para grandes mestres do cinema esse recurso tão interessante assim, além de economicamente viável? Eu, particularmente, acredito que seja a possibilidade de fazer com que o público se concentre naquilo que há de mais importante nesse tipo de obra: o texto.
Para o diretor de cinema, provavelmente um apreciador da obra original, é a oportunidade de trabalhar com esse material fazendo o que sempre fez, sem adulterar tanto o resultado final.
E grandes obras, não faltam. O próprio Robert Altman tem algumas delas. Faz parte de sua filmografia obras como Nashville (1975), 3 Mulheres (1977), Cerimônia de Casamento (1978), James Dean - O Mito Sobrevive (1982), Louco de Amor (1985), Além da Terapia (1986), Short Cuts - Cenas da Vida (1993), Prét-à-Porter (1994), Dr. T e as Mulheres (2000), Assassinato em Gosford Park (2001) e A Última Noite (2006).
Por fim, uma curiosidade sobre o tema. Em 1972, o ator britânico Michael Caine participou do filme Trama Diabólica, ao lado de Laurence Olivier, dirigido por Joseph L. Mankiewicz e com roteiro de Anthony Shaffer, a partir de sua peça Sleuth. Exatos 35 anos depois, retorna em uma nova adaptação da mesma peça, agora ao lado do ator Jude Law, em filme dirigido por Kenneth Branagh e com roteiro de Harold Pinter, que no Brasil ganhou o título Um Jogo de Vida ou Morte.
Abaixo, mais alguns filmes a serem (re)descobertos:
1- Ricardo III. Laurence Olivier (1955)
2- Tara Maldita. Mervyn LeRoy (1956)
3- O Que Terá Acontecido Com Baby Jane? Robert Aldrich. (1962)
4- A Dama Enjaulada. Walter Grauman (1964)
5- Armadilha Mortal. Sidney Lumet. (1982)
6- Querelle. Rainer Werner Fassbinder (1982)
7- Clube dos Homens. Peter Medak (1986)
8- Seduzida ao Extremo. Robert M. Young (1986)
9- O Telefone. Rip Torn (1988)
10- Impróprio Para Menores. Peter Bogdanovich (1992)
11- O Sucesso a Qualquer Preço. James Foley (1992)
12- Oleanna. David Mamet (1994)
13- Tio Vanya em Nova York. Louis Malle (1994)
14- Boleiros - Era Uma Vez o Futebol. Ugo Georgetti (1998)
15- Titus. Julie Taymor (1999)
16- 8 Mulheres. François Ozon (2002) e
17- Possuídos. William Friedkin. (2006)
Despeço-me hoje com pedidos de desculpas. O primeiro pedido é por praticamente não ter mencionado dois nomes que não poderiam de maneira alguma faltar no texto. David Mamet e John Sayles.
O segundo é por ter deixado de citar aqueles que representam o que há de melhor no cinema de humor norte-americano, atualmente. O diretor e roteirista Christopher Guest e toda a sua trupe, liderada por Eugene Levy e Catherine O'hara.
O terceiro pedido vai pela predominância do cinema de língua inglesa na listagem. Foi mal.
E, por fim, pela ausência do cinema brasileiro no desenvolvimento da ideia.
Na boa, gente, à exceção de Ugo Georgetti, e apesar das inúmeras adaptações dos textos de Nelson Rodrigues, nossos roteiristas, a priori, são péssimos. Não vou polemizar.
Cheguei a pensar em acrescentar os filmes Eu Sei Que Vou Te Amar (Arnaldo Jabor, 1986) e Barrela: Escola de Crimes (Marco Antônio Cury, 1990). Larguei de mão. São muito irregulares.
Pensei, ainda, em dois grandes filmes: o premiado O Beijo da Mulher Aranha (Hector Babenco, 1985) e o excelente Domésticas - O Filme (Fernando Meirelles, Nando Olival, 2001). Mas, ambos, são cinema em seu estado mais sólido.
O filme, produzido em 1983, foi dirigido por Robert Altman e roteirizado por David Rabe, a partir de uma peça de sua autoria.
A história de Streamers - O Exército Inútil ocorre durante a guerra do Vietnã e todo o filme desenrola-se nos limites de um alojamento militar, onde seis homens aguardam a ordem para embarcarem para a área de conflito. A descoberta da homossexualidade de um deles irá tornar ainda mais difícil o convívio entre eles.
Mais do que focar a câmera em um único cenário, o conceito aplicado por Robert Altman no filme faz com que tudo aquilo que pensamos ser cinema caiba, quase que exclusivamente, no roteiro e em seus intérpretes.
Aqui, o diretor se adapta a uma outra linguagem - a do teatro - para continuar fazendo o que sabe, cinema. E como no palco, o que realmente irá importar é a qualidade do texto e dos atores.
Filmes ambientados em um só cenário nunca foram novidade na história da sétima arte. Obras como Inferno nº 17, de Billy Wilder (1953), e Festim Diabólico (1948), e Janela Indiscreta (1954), ambos de Alfred Hitchcock, são bons exemplos de que não estamos divagando sobre algo tão extraordinário assim.
Então, o que torna para grandes mestres do cinema esse recurso tão interessante assim, além de economicamente viável? Eu, particularmente, acredito que seja a possibilidade de fazer com que o público se concentre naquilo que há de mais importante nesse tipo de obra: o texto.
Para o diretor de cinema, provavelmente um apreciador da obra original, é a oportunidade de trabalhar com esse material fazendo o que sempre fez, sem adulterar tanto o resultado final.
E grandes obras, não faltam. O próprio Robert Altman tem algumas delas. Faz parte de sua filmografia obras como Nashville (1975), 3 Mulheres (1977), Cerimônia de Casamento (1978), James Dean - O Mito Sobrevive (1982), Louco de Amor (1985), Além da Terapia (1986), Short Cuts - Cenas da Vida (1993), Prét-à-Porter (1994), Dr. T e as Mulheres (2000), Assassinato em Gosford Park (2001) e A Última Noite (2006).
Por fim, uma curiosidade sobre o tema. Em 1972, o ator britânico Michael Caine participou do filme Trama Diabólica, ao lado de Laurence Olivier, dirigido por Joseph L. Mankiewicz e com roteiro de Anthony Shaffer, a partir de sua peça Sleuth. Exatos 35 anos depois, retorna em uma nova adaptação da mesma peça, agora ao lado do ator Jude Law, em filme dirigido por Kenneth Branagh e com roteiro de Harold Pinter, que no Brasil ganhou o título Um Jogo de Vida ou Morte.
Abaixo, mais alguns filmes a serem (re)descobertos:
1- Ricardo III. Laurence Olivier (1955)
2- Tara Maldita. Mervyn LeRoy (1956)
3- O Que Terá Acontecido Com Baby Jane? Robert Aldrich. (1962)
4- A Dama Enjaulada. Walter Grauman (1964)
5- Armadilha Mortal. Sidney Lumet. (1982)
6- Querelle. Rainer Werner Fassbinder (1982)
7- Clube dos Homens. Peter Medak (1986)
8- Seduzida ao Extremo. Robert M. Young (1986)
9- O Telefone. Rip Torn (1988)
10- Impróprio Para Menores. Peter Bogdanovich (1992)
11- O Sucesso a Qualquer Preço. James Foley (1992)
12- Oleanna. David Mamet (1994)
13- Tio Vanya em Nova York. Louis Malle (1994)
14- Boleiros - Era Uma Vez o Futebol. Ugo Georgetti (1998)
15- Titus. Julie Taymor (1999)
16- 8 Mulheres. François Ozon (2002) e
17- Possuídos. William Friedkin. (2006)
Despeço-me hoje com pedidos de desculpas. O primeiro pedido é por praticamente não ter mencionado dois nomes que não poderiam de maneira alguma faltar no texto. David Mamet e John Sayles.
O segundo é por ter deixado de citar aqueles que representam o que há de melhor no cinema de humor norte-americano, atualmente. O diretor e roteirista Christopher Guest e toda a sua trupe, liderada por Eugene Levy e Catherine O'hara.
O terceiro pedido vai pela predominância do cinema de língua inglesa na listagem. Foi mal.
E, por fim, pela ausência do cinema brasileiro no desenvolvimento da ideia.
Na boa, gente, à exceção de Ugo Georgetti, e apesar das inúmeras adaptações dos textos de Nelson Rodrigues, nossos roteiristas, a priori, são péssimos. Não vou polemizar.
Cheguei a pensar em acrescentar os filmes Eu Sei Que Vou Te Amar (Arnaldo Jabor, 1986) e Barrela: Escola de Crimes (Marco Antônio Cury, 1990). Larguei de mão. São muito irregulares.
Pensei, ainda, em dois grandes filmes: o premiado O Beijo da Mulher Aranha (Hector Babenco, 1985) e o excelente Domésticas - O Filme (Fernando Meirelles, Nando Olival, 2001). Mas, ambos, são cinema em seu estado mais sólido.