1 –
Ok Computer –
Radiohead (1997)
A trilha sonora perfeita para os gélidos anos 90, este disco é uma espécie de
Dark Side Of The Moon, atualizado para a geração internet. Radiografia precisa de um mundo tecnológico e impessoal,
Ok Computer preserva seu status de obra-prima da década por aliar experimentação musical com uma habilidade invejável para gerar grandes canções (os dois melhores exemplos são
Karma Police e
Lucky).
2 – Odelay – Beck (1996)
Um artista que representa o lado mais ousado e criativo de uma década em que as fronteiras que separavam estilos musicais foram para o espaço,
Beck teve seu ápice no seu segundo registro em estúdio.
Odelay é um disco em que
rock,
hip hop,
country,
blues e eletrônica convivem em perfeita harmonia.
3 – Nevermind – Nirvana (1991)
Talvez este seja o disco mais influente feito nas últimas duas décadas e, ao que parece, seu espectro não dá mostras de desaparecer tão cedo. É um daqueles casos raros em que sucesso de vendagem vem de mãos dadas com uma qualidade artística imensa.
Smells Like Teen Spirit,
Come As You Are,
Polly e
Lithium são polaroids de um tempo no qual o mundo inteiro passou a viver em Seattle. Vestindo camisa xadrez e calça jeans surrada, é claro.
4 – XO – Elliott Smith (1998)
Uma perda menos sentida que a de
Kurt Cobain, mas igualmente triste, o suicídio desse brilhante cantor e compositor americano, interrompeu uma carreira que apenas começava a decolar, com este lindíssimo trabalho de 1998. Smith cantava com o coração vibrando em suas cordas vocais. As canções deste disco são pequenos contos de desesperança e solidão, que revelam uma delicadeza e uma fragilidade que não poderiam resistir durante muito tempo mesmo...
5 – Car Wheels On A Gravel Road – Lucinda Williams (1998)
Muito
rock para o público
country e muito
country para o público roqueiro,
Lucinda Williams vinha de uma longa carreira de belos discos e pouca – ou nenhuma – repercussão, quando lançou essa maravilha chamada
Car Wheels On A Gravel Road. O mundo descobriu, então, uma compositora incrível, que sabia falar das dores do coração, do aconchego do lar, da vida na estrada e da felicidade de se tocar uma guitarra, sem nunca desandar para o piegas.
6 – Début – Bjork (1993)
Uma artista que dominou toda a década de 90, sem jamais cair na repetição ou auto-indulgência,
Bjork é um desses milagres artísticos que conseguem nos surpreender, mesmo quando tudo parece estar perdido.
Début é seu disco mais apaixonante porque preserva uma certa ingenuidade. É como se este pequeno duende islandês estivesse brincando de fazer música. Só que o resultado é uma musicalidade madura e altamente elaborada, que se revela nos pequenos detalhes de
Human Behavior,
Aeroplane e
Venus as a Boy.
7 – Ten – Pearl Jam (1991)
Um monstro que fundiu no seu corpo o
heavy rock da década de 70, a intensidade do levante
punk e o
rock clássico de artistas como
Bruce Springsteen, o
Pear Jam já começou sua carreira de forma superlativa, vendendo horrores e arrastando multidões para seus shows. No coração dessa avalanche encontra-se a supremacia de canções como
Black,
Even Flow e
Alive. Qualidade e perfeição que a banda jamais conseguiria superar.
8 – Dry – PJ Harvey (1992)
Um som cerebral, pesado e inteligente era a arma principal da inglesa
Polly Jean Harvey para se diferenciar de suas colegas em meio a maior invasão feminina que o
rock já viu. Se, até a década de 80, mulheres eram ainda artigo esparso no reino das guitarras, os anos 90 viram esse panorama mudar radicalmente.
PJ estabeleceu o padrão pelo qual todas as garotas que queriam fazer música teriam que se guiar. Só na década passada, gravou três discos imprescindíveis. E segue com sua criatividade intacta e cada vez mais ativa.
9 – Bandwagonesque – Teenage Fanclub (1991)
Mestres em criar melodias doces e grudentas, esses rapazes escoceses foram uma espécie de bálsamo, numa época em que as guitarras barulhentas voltaram a imperar. Fundindo influências que iam do
power pop do
Big Star até as harmonias gloriosas do
The Byrds, o
Teenage construiu uma carreira que, mesmo sem conseguir repetir o sucesso deste
Bandwagonesque, se manteria coerente na sua proposta de fazer música simples e, em seus momentos mais inspirados, inesquecível.
10 – The Soft Bulletin – The Flaming Lips (1999)
O disco mais viajante da década,
The Soft Bulletin tirou o
Flaming Lips do anonimato e marcou indelevelmente a vida de todos que se aventuraram neste álbum
mezzo conceitual,
mezzo rock independente. Criando um universo à parte em que uma colherzinha pesa uma tonelada e o super-homem está cansado de salvar a Terra, o vocalista
Wayne Coyne e seus asseclas forjaram uma obra-prima psicodélica, pomposamente orquestrada e poeticamente instigante.