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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Desejos para 2011


Já dizia o clássico de Benjor, País Tropical, que todo mês de fevereiro “tem carnaval”. Este ano não tem: o carnaval ficou para março. A encheção de saco, no entanto, já está no ar. E junto com ela toda a mediocridade que nos reservam esses tediosos meses de férias no Brasil. Em nenhum outro período do ano se revela de forma tão marcante o imenso poço no qual se afundou a cultura de massa brasileira.



Fico pensando o que ficará destes últimos 20 anos numa retrospectiva futura. Dizer, por exemplo, que os melhores discos dos últimos tempos são Que Belo e Estranho Dia Para se ter Alegria (Roberta Sá) e Onde Brilhem os Olhos Teus (Fernanda Takai) é uma inverdade. Eles não os melhores, eles são os ÚNICOS!



O mesmo vale para Cidade de Deus e Lavoura Arcaica no cinema e O Filho Eterno e Dois Irmãos na literatura.



É muito pouco para um país de dimensões gigantescas como o nosso, que tem uma tradição impressionante na música popular e uma literatura que ainda merece o devido reconhecimento mundial (barreira, talvez, da periférica língua portuguesa).



É, por isso, que faço aqui uma pequena lista de desejos para 2011 (que não se realizarão, eu sei, mas, ainda assim, me faz bem pensar num mundo menos brega e escroto):
1 – O atual Big Brother (número 11!) será a última edição do programa. O público passivo e bundão finalmente se cansará dessa pseudo-novela da vida real que só faz deseducar e reforçar velhos preconceitos.
2 – As rainhas do axé terão calos inoperáveis nas cordas vocais.
3 – As pessoas não farão mais coração com as mãos.
4 – Todas as pessoas que mandarem beijos no coração terão uma parada súbita do mesmo.
5 – O twitter e o facebook ficarão 6 meses fora da internet e milhões de pessoas escravizadas por redes sociais serão obrigadas a voltar a se relacionar com seres humanos reais.
6 - A indústria da música encontrará uma saída saudável para sua crise.
7 – Os roteiristas brasileiros serão proibidos por lei de fazer novos roteiros e terão que aprender a escrever em alguma escola argentina.
8 – A Marisa Monte finalmente lançará discos com mais regularidade.
9 – Os Rolling Stones se aposentarão de uma vez.
10 – O U2 finalmente terá consideração com um público brasileiro e fará uma turnê de verdade em solo nacional (sem obrigar milhares de idiotas – como eu – a se deslocar para São Paulo).

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Rádio Pirata

Toquem o meu coração
Façam a revolução
Está no ar, nas ondas do rádio
No submundo repousa o repúdio
Que deve despertar
Rádio Pirata, RPM


No Reino Unido da década de 1960, em plena efervescência da beatlemania, as rádios oficiais britânicas tocavam uma porcentagem mínima do rock e do pop produzido nas Ilhas e na matriz americana.

Em socorro de uma nação sedenta por renovação musical, navios navegando as águas do Mar do Norte transmitiam uma programação musical totalmente voltada para o novo estilo da juventude da época.

Essas rádios, que ficaram conhecidas como rádios-piratas, divulgaram novos artistas tanto das Ilhas Britânicas quanto os vindos dos Estados Unidos, mas foram perseguidas e combatidas pelo sisudo Parlamento Inglês, assim como os antigos piratas dos mares o foram pela Marinha de Sua Majestade.

É esse o pano de fundo - real - do enredo do filme Piratas do Rock (The Boat That Rocked, Inglaterra, 2009). A trama romantiza o estilo de vida alternativo e contracultural dos dj’s, vistos aqui como verdadeiros heróis dispostos a tudo para levar seus ídolos ao carente público inglês. É claro que há muita liberdade poética e nem sempre a trilha sonora corresponde ao período em que se passa a história (1966).

Aliás, a trilha é um capítulo a parte: de The Kinks a Rolling Stones, passando por Beach Boys e The Hollies, o filme faz um passeio por uma época dourada da música jovem, na qual atitude e rebeldia caminhavam lado a lado com talento e criatividade.

Um filme para se ver com o volume da televisão ligado no máximo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cru e radical

Aos poucos começam a sair no Brasil reedições de discos de peso da história do rock.

Exile On Main Street (Stones), Tapestry (Carole King), I Do Not What I Haven´t Got (Sinéad O´Connor), todos chegaram novamente às loja em edições duplas remasterizadas e com belo tratamento gráfico.

Agora é a vez de Raw Power, álbum histórico de Iggy Pop e seu louquíssimo grupo The Stooges. Que eles são responsáveis por muita coisa boa que surgiu a partir do final dos anos 70 – e estou falando do glam, do punk, do gótico, do grunge e do rock experimental – já é um fato pacífico, mas a pergunta que eu me faço é: quantas pessoas realmente conhecem o som dos Stooges?

Donos de uma discografia pequena, os caras talvez assustem um pouco por conta de sua sonoridade suja, agressiva e intensa. A imagem de Iggy coberto de sangue, em confronto direto com sua audiência talvez seja a tradução perfeita do que é um disco dos Stooges.

Não é para qualquer um, mas definitivamente traz recompensas imensas para quem se dispõe a adentrar neste universo de noites regadas a drogas, sexo, perigo e marginalidade.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Exílio

Só a título de lembrete: acaba de ser relançado no Brasil o antológico álbum duplo lançado pelos Rolling Stones em 1972, Exile On Main Street.

Item obrigatório em qualquer discoteca que se preze, o disco vem, desta vez, acrescido de um bônus com dez músicas inéditas retiradas das gravações de Exile.

Para ouvir e entender porque um dia eles já foram chamados de “a maior banda de rock do mundo”.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Discos e Arte

Há artistas tão talentosos no meio pop que sua criatividade se espalha por outras áreas.

Alguns cantores e cantoras se aventuram nos palcos e em filmes, enquanto outros estampam nas capas de seus discos suas habilidades com pincéis e tintas.

Em certos casos, o talento é tamanho que extrapola o mundo puramente musical e chega a galerias de arte.

David Bowie, Ron Wood (guitarrista dos Rolling Stones) e o extravagante Marilin Mason já tiveram suas obras expostas em prestigiados circuitos de artes plásticas do Primeiro Mundo.

Verdadeira lenda do rock e do folk americanos, o cantor e compositor Bob Dylan já estampou suas vigorosas pinceladas em discos próprios e de outros. Sua capa para o primeiro disco do The Band é antológica.

Representação entre o sofisticado e o ingênuo, a pintura que ilustra Music From Big Pink, mostra um grupo de músicos alegremente envolvidos na execução de uma canção enquanto, no fundo, um elefante dá um toque de surrealismo ao quadro.


Já a cantora Joni Mitchel ilustra suas capas com desenhos de traço delicado e sutil.

Seu álbum Ladies Of The Canyon traz um belo trabalho de linhas que apenas deixam entrever a silhueta da compositora.

Há também uma capa lindíssima feita por Joni para o álbum So Far, do super-grupo Crosby, Stills, Nash & Young. Nela, Joni demonstra toda sua habilidade para captar a essência de um rosto com traços mínimos.

Finalmente, gostaria de destacar o trabalho gráfico do cantor Cat Stevens, atualmente conhecido por seu nome islâmico Yusuf.

Stevens, que andou manchando seu passado de baladeiro folk quando declarou seu apoio à condenação à morte do escritor Salman Rushdie pelo Aiatolá Khomeini, do Irã, já foi um típico bicho grilo que fazia canções simples e acústicas para se cantar em volta de uma fogueira.

Para completar o clima bucólico, a grande maioria de seus discos na década de 70 trazia ilustrações que pareciam saídas de livros infantis feitas pelo próprio Stevens.

Sou particularmente seduzido pela capa de Teaser And The Firecat, na qual um garoto e um gato cor de fogo se aproximam cheios de desconfiança.

Curiosamente, nos dois discos lançados com seu novo nome, as capas não exibem desenhos de Yusuf.

Será o ato de desenhar também um pecado punível com a morte?

Vai saber...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mini-Guia: The Rolling Stones

Pedras preciosas:

Exile On Main Street (1972)

Presença constante em listas de melhores discos já gravados, Exile On Main St. é o auge do período mais criativo e brilhante do grupo.

Gravado entre Los Angeles e uma villa no sul da França, este antológico álbum duplo é cercado de lendas sobre os excessos químicos e sexuais cometidos pelo grupo. Mito à parte, o disco permanece uma verdadeira aula magna de rock, blues, country, soul e gospel.

Beggar´s Banquet (1968)

A batucada que abre a emblemática Simpathy For The Devil pavimenta o caminho para uma seleção quase toda acústica, mas não menos bombástica. Altamente antenado com sua explosiva época, Beggar´s é um dos registros mais contundentes de uma banda encontrando sua identidade musical.

Sticky Fingers (1971)

Da capa ultrajante concebida por Andy Warhol, até a coleção de clássicos que inclui Brown Sugar, Sister Morphine e Bitch, este disco não erra em absolutamente nada. Quase 30 anos após seu lançamento, Sticky Fingers é tão atual e imprescindível hoje como era então.

Semi-preciosas:

Black And Blue (1974)

Este disco é, possivelmente, o último grande disco gravado pelos Stones. No repertório variado pululam novas influências, como o reggae e o funk. Para completar, duas das melhores baladas compostas por Jagger/Richards: Memory Motel e Fool To Cry.

Aftermath (1966)

Primeiro álbum em que a dupla Mick Jagger/Keith Richards assina todas as composições, Aftermath suaviza o blues rock dos discos anteriores em favor de uma pegada mais pop. Não por acaso o grande sucesso do álbum é uma canção meio chorosa, a balada Lady Jane.

Their Satanic Majesties Request (1967)

Tentativa frustrada de fazer um álbum no espírito psicodélico da época, este disco pouco conhecido dos Stones é tido como a “resposta” do grupo a Sgt. Peppers, dos Beatles. Ouvido hoje, o que sobressai é a beleza de canções como She’s a Rainbow – em arranjo barroco e elaborado – e 2.000 Man – esta regravada pelo Kiss no álbum Dinasty.

Bijuteria:

A Bigger Bang (2006)

Se este foi o último disco de estúdio dos Stones – como grande parte da imprensa noticiou à época do lançamento – é forçoso dizer que eles encerraram a carreira com um disco nota zero. Baladinhas bregas, rocks feitos sob medida para estádios e outras bobagens compõem um álbum que não se equipara sequer ao pior da produção da banda na década de 1980.

Flashpoint (1991)

De todos os discos ao vivo gravados pelos Stones, este é, talvez, o pior. Apesar de participações especiais de peso – Eric Clapton empresta sua guitarra iluminada para Litte Red Rooster, um dos poucos bons momentos – o disco nunca chega a decolar plenamente.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Os piores discos de todos os tempos

Nem só de Sgt. Peppers e Pet Sounds vive a discoteca de um homem. Quem compra muito, erra muito também. Alguns são erros divertidos. Outros, nem tanto.

A seguir uma listinha maldita dos discos mais calhordas que já caíram em minhas mãos:
1Supposed Former Infatuation Junkie. Alanis Morrisette.
Ai, ai, Alanis, após a promissora estréia com Jagged Little Pill, você vendeu trocentos milhões de cópias, criou uma verdadeira sub-raça de moçoilas iradas e cansativas cantando sobre desilusões amorosas e, de repente, colocou tudo a perder com este disco insuportável, longo e vazio.

2Alive III. Kiss.
Donos de um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos, o Kiss manchou seu passado de reis dos palcos com esse caça-níquel descarado que mais parece um disco de estúdio com barulho de público superposto. Não é a toa que logo após eles voltariam a excursionar mascarados.

3 Voodo Lounge. The Rolling Stones.
Toda grande banda tem seu momento bandalheira. Mas entre todas as pisadas de bola dos Stones – que não foram poucas - nada pode ser pior que esse disco frouxo e cafona. Salva-se apenas Love Is Strong, que gerou também um dos mais belos vídeos já feitos.

4Never Let Me Down. David Bowie.
O Bowie dos anos 80 é uma tragédia. Com exceção do grande Scary Monsters, todo o resto de sua produção durante aqueles anos é medíocre. Never Let Me Down é a quintessência da porcaria camaleônica, um trabalho tão confuso e sem foco que fica difícil chegar até o final. Até o Tin Machine é melhor!

5Be Here Now. Oasis.
Quando o Oasis lançou este disco em 1997, eles já eram a maior banda britânica da época. Com a popularidade e o prestígio alcançado com Morning Glory – o disco anterior – eles poderiam ter feito literalmente qualquer coisa. Optaram, então, por fazer um disco pretensioso, oco, estúpido, arrastado e destituído de boas canções. Nem a pior sobra dos Beatles poderia ser tão ruim...

6The Great Escape. Blur.
Outra grande banda do Britpop, o Blur se caracterizou por um ecletismo maior em suas influências e por um maior refinamento em suas composições. Mas este disco é um verdadeiro samba do crioulo doido, um amontoado de canções metidas a engraçadinhas e, no final das contas, muito chatas.

7 Estampado. Ana Carolina.

Ao contrário do que muita gente pensa, não odeio Ana Carolina. Acho apenas que ela se vendeu de forma tão descarada que toda a qualidade de seu trabalho inicial se perde um pouco na minha memória. Este disco é o momento no qual a cantora interessante se torna um pé-no-saco. Muita canção de dor de cotovelo para tocar na novela das 8 e ainda uma parceria com Seu Jorge na moderninha O Beat da Beata, de letra tão absurda que beira o ridículo.

8Líricas. Zeca Baleiro.
Baleiro é o tipo de artista brasileiro que já deveria ter sumido do mapa há séculos. Tudo de mais pretensioso, cabeça e metido que pode existir na nossa música circula livremente pela obra deste maranhense pentelho. Para completar a desgraça, este disco de baladas horrorosas ainda traz uma versão cachorra para Proibida pra mim, “clássico” do Charlie Brown Jr. Saravá, meu pai!

9Fina Estampa. Caetano Veloso.
Falando bem sinceramente: Caetano Veloso já devia ter se aposentado há uns 20 anos. Nas últimas décadas, sua obra se resume a composições de gosto duvidoso, discos ao vivo e álbuns de versões. Fina Estampa é um apanhado de clássicos do cancioneiro hispânico tão tedioso que espanta até professor de cursinho de castelhano.

10Acústico MTV. Gal Costa.
Tentativa patética de aproximação de Gal da geração MTV, este disco pavoroso só serviu para evidenciar a decadência artística desta, antes, grande cantora. Assistir ao vídeo do programa é ainda mais constrangedor: Gal não se deu ao trabalho sequer de decorar a letra de certas músicas!

domingo, 18 de outubro de 2009

Tanto Tempo Longe de Você...

Foi necessário que se passassem quase 40 anos para que eu admitisse abertamente e, principalmente, para mim mesmo, que eu sou um dos milhões de apaixonados pela música de Roberto Carlos.

Durante toda minha infância, nenhum artista foi tão presente na minha casa quanto ele. Eu tinha a clássica tia hipocondríaca que só parava de falar em doença quando tocava alguma coisa de Roberto no rádio, as primas que colecionavam recortes de revistas, a irmã que sabia todas as letras, um primo que tocava no violão as canções que ele fez para a gente, outro que o imitava horrivelmente, enfim, tinha fã de todas as espécies por perto.

Mas chegou a adolescência e Roberto virou, para mim, o símbolo de tudo que estava errado com a música brasileira. Pô, o cara já havia sido o rei do rock no Brasil e, de repente, grava uma "coisa" como Caminhoneiro!

Para quem estava mergulhando de cabeça em Led Zeppelin e Rolling Stones, não havia mais sentido em ficar babando por uma figura que fazia especiais pavorosos todo final de ano na Rede Globo, lançava discos a cada natal como se fosse um burocrata batendo o ponto e ia se tornando um católico mais fanático a cada ano que passava - nada contra católicos, mas tudo contra fanáticos.

Só mais recentemente, com o Acústico MTV, é que eu fui redescobrir pérolas como Todos Estão Surdos e Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos. Que muito além das músicas sobre mulheres gordas ou de óculos, havia experimentos com a soul music americana no final da década de 60 e início da de 70, que originaram temas até hoje bastante regravados como Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo e Não Há Dinheiro Que Pague. E que nunca se escreveram versos tão bonitos em nosso cancioneiro como os de Detalhes e Cavalgada.

Na última sexta-feira, dia 16 de outubro, eu fiz de vez as pazes com esse passado mal resolvido, indo assistir ao meu primeiro espetáculo ao vivo do Rei.

Acho que só quem já esteve num show de Roberto pode entender plenamente o que é essa celebração emotiva, a comunhão de milhares de pessoas em torno de uma figura muito simples, de gestos comedidos e carisma gigantesco.

Ao longo de um set list que englobava desde sucessos da jovem guarda até o auge de suas músicas românticas, passando também pela fase mais brega de sua carreira, me peguei várias vezes com lágrimas aflorando aos olhos.

Voltei a ser menino sem dó nem piedade. Lembrei do meu avô, que morreu quando eu tinha 10 anos e de como minha mãe se emocionava quando ouvia Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo. Lembrei da Escola Classe da 304 Norte e de uma Brasília que não existe mais.

E isso tudo foi muito bom. Anos de terapia não teriam resolvido tão bem o que esse senhor fez por mim em apenas 2 horas!

Do alto de seus 50 anos de vida artística, Roberto Carlos permanece um caso de popularidade e paixão único em nosso país. Vendo-o, ao vivo, pude compreender tal fenômeno em sua totalidade.

Afinal, como já disse Caetano Veloso, não é à toa que a gente o chama de Rei...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

É Primavera...

Tim Maia, lá no início da década de 70, em seu histórico álbum de estréia, cantava belamente: É primavera/Te amo/Trago essa rosa/Para te dar...

As estações do ano já inspiraram belíssimas canções, desde Summertime, eternizada por Janis Joplin até California Dreaming, canção para uma tarde fria de inverno, entoada pelos rapazes e moças do The Mamas And The Papas.

A primavera se estampa lindamente nas capas floridas de discos como Essence de Lucinda Williams, Power Corruption And Lies, do New Order , Flowers, dos Rolling Stones e O Descobrimento do Brasil, em que os rapazes da Legião Urbana posam em meio a um belo jardim florido, além do colorido exuberante presente em obras como Universo Ao Meu Redor, de Marisa Monte, Disraeli Gear, do Cream, Sg. Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, Abraxas, de Santana e tantos outros.

Aqui no Brasil, país em que, a grosso modo, só existem duas estações: uma quente e chuvosa, e outra quente e seca, os letristas adoram falar de flores, chuvas e doces manhãs de setembro.

É o caso dos Titãs e seu grande sucesso Flores (originalmente gravada no disco ÕBLESQBLON e depois recauchutada para o Acústico MTV, com excelente participação de Marisa Monte), do Ira, com Flores Em Você, que chegou, inclusive, a ser usada como tema de novela da Rede Globo e de Djavan, com Pétala, verdadeira obra-prima que encerra este texto primaveril, causando arrepios no peito:
O seu amor
Reluz
Que nem riqueza
Asa do meu destino
Clareza do tino
Pétala
De estrela caindo
Bem devagar
Ó meu amor
Viver
É todo sacrifício
Feito em seu nome
Quanto mais desejo
Um beijo seu
Muito mais eu vejo
Gosto em viver, viver...
Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim

terça-feira, 14 de julho de 2009

Rebeldia Sem Causa

Um dos filmes mais legais sobre a juventude na década de 60 é Febre da Juventude (I Wanna Hold Your Hand, EUA, 1978), do diretor Robert Zemeckis.

Contando uma história deliciosamente boba sobre um grupo de moças e rapazes que fazem de tudo para assistir a uma apresentação dos Beatles, no programa de TV The Ed Sullivan Show, o filme é uma sessão da tarde divertida e inconsequente, mas simplesmente perfeita para quem curte Beatles.

Eu mesmo, beatlemaníaco inveterado, já devo ter visto o filme umas quatro vezes.

Aproveitando certa disposição nostálgica que me acomete vez ou outra, resolvi fazer uma seleção de clássicos da primeira era do rock.

São músicas que fundaram o som que mudaria a juventude do mundo ocidental, e até hoje causam estranhamento em mentes convencionais e avessas a mudanças.

Então, lá vai:
1That’s All RightElvis Presley
2Heatbreak HotelElvis Presley
3 Keep On KnockingLittle Richard
4 Peggy Sue Got MarriedBuddy Holly
5 Everyday Buddy Holly
6 Johnny B. GoodeChuck Berry
7Roll Over Beethoven Chuck Berry
8Help Me RondaThe Beach Boys
9 Be My Baby The Ronnetes
10Stand By MeBen E. King
11Twist And Shout The Beatles
12 I Wanna Be Your ManThe Rolling Stones
13
You Really Got Me The Kinks
14 My GenerationThe Who
15
I Got a Woman Ray Charles
PS: Para conhecer melhor os primórdios do rock, recomendo duas trilhas sonoras geniais: American Graffiti, álbum duplo que tem desde Rock Around The Clock, de Bill Haley, até All Summer Long, dos Beach Boys, e Stand By Me, jóia saudosista que me apresentou o som dos anos 50.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Meus Discos Preferidos: Coletâneas

1The Best OfThe Doors (1985)
Este disco foi simplesmente TUDO para mim, quando tinha em torno de uns 15 anos. A descoberta da música do grupo de Jim Morrison foi um divisor de águas. Depois de Strange Days, The Crystal Ship e The End nada na minha cabeça funcionaria da mesma forma. Pode parecer exagero, mas acredito sinceramente que a arte tem esse poder modificador. E The Best Of The Doors é arte pura.

2 SubstanceNew Order (1987)
Espécie de compilação de clássicos, com remixes e faixas inéditas, este disco duplo fez minha cabeça abrir para sons eletrônicos e tribais e para as possibilidades de manipulação de uma música em estúdio. Para entender a mágica realizada pelo New Order, é só escutar a versão original de Subculture em Low Life e a mutação operada na mesma música, em Substance. Coisa de gênio, mesmo.

3 Louder Than BombsThe Smiths (1987)
Morrissey e Marr sempre foram tão bons em compactos como o eram em LP. Louder Than Bombs é o disco perfeito para conhecer este lado da banda. Panic, Ask, London, Shoplifters Of The World Unite e mais um montão de pérolas, nos levam por uma viagem em que uma canção de 3 minutos pode salvar uma vida (e, no meu caso, já me salvou milhões de vezes...)

4DiscographyPet Shop Boys (1991)
Mestres na arte de confeccionar canções de apelo comercial sem esquecer do bom gosto e da criatividade, estes dois ingleses criaram alguns dos mais marcantes sucessos da década de 80. Embora eles tenham coletâneas mais abrangentes, foi esta que me introduziu no universo muito particular dos garotos da loja de animais de estimação.

5DecadeDuran Duran (1989)
Na primeira metade dos anos 80, não existia banda mais cool que o Duran Duran. Eles gravavam vídeos superchiques, se vestiam impecavelmente e seus discos faziam um cruzamento delicioso entre a música de David Bowie e a do Roxy Music. Apesar de ostensivamente desprezados por boa parte da crítica da época, seus hits resistiram belamente à passagem do tempo, como o prova esta ótima coletânea que vai do primeiro disco, de 1981, até o bom Big Thing, de 1988.

6 AnthologyThe Temptations (1995)
Todo mundo já cantarolou a doce melodia de My Girl, marca registrada desse excepcional grupo vocal americano. Mas, para muito além do pop certinho daquela canção, eles foram responsáveis por verdadeiros pilares da música negra, como Papa Was a Rolling Stone, Just My Imagination e Ain’t Too Proud To Beg, todos presentes neste ótimo álbum duplo.

7 The Immaculate Collection Madonna (1990)
A fase áurea da grande diva da música pop está magnificamente representada nesta bela coletânea. Da celebração hedonista de Holiday até a sublime Vogue, há prazeres variados para todos os gostos.

8Songs To Learn And SingEcho & The Bunnymen (1985)
Outro disco que deu uma grande guinada no rumo dos meus gostos musicais, esta primeira coletânea do Echo era uma verdadeira obsessão. Quem ouviu, aprendeu e cantou Bring On The Dancing Horses, Rescue e The Killing Moon é que sabe o que é ser feliz...

9Greatest HitsAl Green (1975)
Se tivesse gravado somente Let’s Stay Together , Al Green já mereceria um lugar no panteão dos grandes cantores americanos. Mas, o que essa coletânea deixa bastante claro é que seu imenso talento deixou muitas outras marcas. Sensual e espiritual a um só tempo, a música de Green é um deleite para o corpo e a alma.

10Operators ManualBuzzcocks (1991)
Os Buzzcocks eram rebeldes com um coração. Barulho e melodia em iguais doses e grandes músicas do punk rock inglês, como Ever Fallen In Love e Orgasm Addict.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ícones

Dizem que ele tem lábios de borracha, mas acho que, na verdade, ele é o próprio homem-borracha, rebolando exaustivamente de um lado para o outro e ricocheteando pelo palco como uma bala perdida.

Magro, feio, insignificante, ele se torna um verdadeiro gigante quando assume os vocais a frente dos Rolling Stones.

Já tentou carreira-solo. Tadinho... A turba não gosta dele sozinho.

Realmente existe uma magia em Mick Jagger que só funciona plenamente quando está ao lado de Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts.

Seja pedindo simpatia ao diabo, seja proclamando que tudo é apenas rock’n’roll, mas ele goooooooooosta, Jagger é a encarnação perfeita do espírito debochado e irreverente da música vinda das ruas inglesas. Afinal, na Londres sonolenta dos anos 60, o que mais um garoto rebelde podia fazer, a não ser cantar numa banda de rock?

Para descobrir o Jagger mais puro, é preciso escutar Exile On Main Street, obra-prima dos Rolling Stones, lançada em 1972, originalmente um álbum duplo, e um dos melhores discos de todos os tempos. Blues, country, soul e rock disparados como uma metralhadora giratória. E Mick Jagger extraindo de suas cordas vocais seu desempenho mais visceral e furioso.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Meus Discos Preferidos: Ao Vivo

Alive!Kiss (1975)
Não é de se admirar que um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos seja justamente de uma banda que fez sua fama nos palcos. O Kiss era pura adrenalina ao vivo, um espetáculo que envolvia fogo, fumaça, guitarristas voadores e um baixista que vomitava sangue. Mau gosto? Pode ser, mas nos anos 70 essa receita colocou o Kiss no topo do mundo e Alive! foi seu cartão de visitas. Uma verdadeira paulada!

Get Yer Ya-Ya’s OutThe Rolling Stones (1970)
Gravado durante dois concertos no Madison Square Garden, em Nova Iorque , este disco representa o ápice dos Rolling Stones no final da década de 60 e é o registro definitivo da banda sobre um palco. Todos os outros ao vivo dos Stones são burocráticos e desnecessários, mas aqui eles provam porque eram humildemente conhecidos como “a melhor banda de rock do mundo”.

MTV Unplugged In New YorkNirvana (1994)
A série de shows em formato acústico da emissora americana marcou época, sem dúvida, mas também criou uma fórmula que, de tão repetida, se tornou uma piada. Hoje, qualquer bandinha vagabunda faz uma apresentação no estilo um banquinho e um violão, achando que está arrasando. E dá-lhe Emerson Nogueira e Dani Carlos... A outra volta do parafuso dessa história está neste magnífico registro do Nirvana. Enxugando sua sonoridade suja e barulhenta e extraindo dela apenas a beleza dilacerada que habita o mais puro blues, o Nirvana apontou novas direções para sua música. Uma pena que um tiro besta interrompeu essa trajetória impressionante...

Acústico MTVCássia Eller (2001)
Ah, Brasil... Quando os tais acústicos começaram a vender milhões de cópias por aqui, o formato já estava morto e enterrado no resto do mundo. O que, obviamente, não tira o brilho de alguns discos, principalmente deste registro final da grande Cássia Eller. Cantando como nunca, ela vai do pagode ao rock, passando por Edith Piaf e Beatles. Mas o melhor está na delicadeza de Luz dos Olhos, de Nando Reis e Por Enquanto, da Legião Urbana. É longe dos eventuais excessos de algumas de suas interpretações, que se encontrava a Cássia mais completa e emocionante.

How The West Is WonLed Zeppelin (2003)
O melhor registro ao vivo deste verdadeiro monstro dos palcos só foi lançado duas décadas depois de a banda encerrar suas atividades. Antes tarde do que nunca. A partir da abertura acelerada de Immigrant Song (saga de lendas nórdicas condensada em menos de três minutos), o grupo segue por uma sequência de clássicos do peso, sem esquecer o lado mais melódico e abrir um bom espaço para improvisação e reinvenção. Imprescindível!

Under a Blood Red SkyU2 (1983)
O U2 antes de se tornar o U2 como o conhecemos, era uma banda visceral e de energia quase punk, que fazia shows como se o mundo fosse acabar em seguida. Não existe nenhum disco que capte um espetáculo inteiro da banda. O mais próximo disso é esse mini-LP, com apenas oito músicas. Os grandes clássicos do início da carreira estão todos aqui (Sunday Bloody Sunday, New Year’s Day, I Will Follow), junto a lados B de primeiríssima (Party Girl e 11 O’Clock Tick Tock).

100 More MilesCowboy Junkies (1994)
Todo mundo que já ouviu alguma coisa desse maravilhoso grupo canadense se apaixonou imediatamente. A voz suave de Margo Timmins, os arranjos delicados, a revisão muito pessoal que o grupo faz do blues e da country music americana, tornam os vaqueiros viciados um verdadeiro deleite. Neste álbum duplo, eles fazem uma retrospectiva dos quatro primeiro discos, além de se aventurarem em belas versões (State Trooper, de Bruce Springsteen, é simplesmente arrepiante).

Kick Out The JamsMC5 (1969)
Poucos grupos teriam a coragem de se lançar com um disco ao vivo. No caso do grupo americano MC5, este foi um ato muito natural, afinal seus shows sempre foram happenings onde tudo podia acontecer. Anárquico, sujo e rebelde, Kick Out The Jams é um álbum que não deixa pedra sobre pedra. Para escutar e entender porque eles são frequentemente apontados como precursores do movimento punk.

Fa-talGal Costa (1971)
Quem vê Gal transformada na paródia de si mesma, que se arrasta por aí há quase duas décadas, não consegue imaginar que ela um dia foi uma cantora que se arriscava, interpretava gente nova, sangrava em cada canção... Este disco ao vivo surpreende até hoje pela pegada rock, aliada a um lirismo doce e meio triste (não se pode esquecer que o Brasil vivia o auge da ditadura militar). Oscilando entre o grito que vem das entranhas e o sussurro que faz chorar baixinho, Gal dá uma aula de canto, emoção e entrega artística.

If You Want Blood You’ve Got ItAC/DC (1978)
Outra banda que tem o palco como lar, a australiana AC/DC tem no guitarrista Angus Young sua figura de frente. Com roupa de colegial, performance de epilético e uma habilidade impressionante com as seis cordas, Angus já virou um ícone do hard rock e uma verdadeira lenda viva da guitarra. Este ao vivo faz tremer as paredes não só pelo desempenho de Young, mas também pela presença do falecido vocalista Bon Scott, um doido que criou um estilo até hoje muito copiado.