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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mini-Guia: The Rolling Stones

Pedras preciosas:

Exile On Main Street (1972)

Presença constante em listas de melhores discos já gravados, Exile On Main St. é o auge do período mais criativo e brilhante do grupo.

Gravado entre Los Angeles e uma villa no sul da França, este antológico álbum duplo é cercado de lendas sobre os excessos químicos e sexuais cometidos pelo grupo. Mito à parte, o disco permanece uma verdadeira aula magna de rock, blues, country, soul e gospel.

Beggar´s Banquet (1968)

A batucada que abre a emblemática Simpathy For The Devil pavimenta o caminho para uma seleção quase toda acústica, mas não menos bombástica. Altamente antenado com sua explosiva época, Beggar´s é um dos registros mais contundentes de uma banda encontrando sua identidade musical.

Sticky Fingers (1971)

Da capa ultrajante concebida por Andy Warhol, até a coleção de clássicos que inclui Brown Sugar, Sister Morphine e Bitch, este disco não erra em absolutamente nada. Quase 30 anos após seu lançamento, Sticky Fingers é tão atual e imprescindível hoje como era então.

Semi-preciosas:

Black And Blue (1974)

Este disco é, possivelmente, o último grande disco gravado pelos Stones. No repertório variado pululam novas influências, como o reggae e o funk. Para completar, duas das melhores baladas compostas por Jagger/Richards: Memory Motel e Fool To Cry.

Aftermath (1966)

Primeiro álbum em que a dupla Mick Jagger/Keith Richards assina todas as composições, Aftermath suaviza o blues rock dos discos anteriores em favor de uma pegada mais pop. Não por acaso o grande sucesso do álbum é uma canção meio chorosa, a balada Lady Jane.

Their Satanic Majesties Request (1967)

Tentativa frustrada de fazer um álbum no espírito psicodélico da época, este disco pouco conhecido dos Stones é tido como a “resposta” do grupo a Sgt. Peppers, dos Beatles. Ouvido hoje, o que sobressai é a beleza de canções como She’s a Rainbow – em arranjo barroco e elaborado – e 2.000 Man – esta regravada pelo Kiss no álbum Dinasty.

Bijuteria:

A Bigger Bang (2006)

Se este foi o último disco de estúdio dos Stones – como grande parte da imprensa noticiou à época do lançamento – é forçoso dizer que eles encerraram a carreira com um disco nota zero. Baladinhas bregas, rocks feitos sob medida para estádios e outras bobagens compõem um álbum que não se equipara sequer ao pior da produção da banda na década de 1980.

Flashpoint (1991)

De todos os discos ao vivo gravados pelos Stones, este é, talvez, o pior. Apesar de participações especiais de peso – Eric Clapton empresta sua guitarra iluminada para Litte Red Rooster, um dos poucos bons momentos – o disco nunca chega a decolar plenamente.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Discos e Arte

Alcançar uma identidade musical única é, sem sombra de dúvida, o sonho de dez entre dez músicos.

Mas, alguns artistas vão além dessa ambição e criam para si mesmos uma identidade visual muito particular. Isso se reflete tanto nas roupas e na produção cênica quanto na criação de capas para os discos.Um dos primeiros grupos a pensar sua obra como um todo artístico, em que a parte visual complementa a musical, foi o grupo inglês de rock progressivo Yes.

A maior parte dos álbuns lançados pelo grupo na década de 70 teve projeto gráfico desenvolvido pelo artista Roger Dean, que criou para a banda um universo mitológico, onírico e imaginativo.

Para os fãs do Yes é impossível pensar num disco como Relayer sem viajar na ilustração da capa.Também na década de 70, partindo para um estilo completamente diferente, está o Roxy Music e suas capas com mulheres em cliques sensualíssimos.

Com exceção de Manifesto e Avalon (este, meu Roxy Music preferido), todos os discos do grupo de Bryan Ferry apresentam modelos que, apesar de muito diferentes, formam um conjunto de musas entre o sofisticado e o quase pornográfico.

Jerry Hall, ex-senhora Mick Jagger, aparece como uma sedutora sereia na capa do disco de 1975, Siren, e nos prepara para um delicioso mergulho em algumas das melhores canções do RoxyLove Is The Drug e Sentimental Fool, incluídas.

Na década seguinte, duas bandas criaram uma identidade visual que marcou indelevelmente os anos 80: The Smiths e Echo & The Bunnymen.

O primeiro estabeleceu uma estética de cores frias, fotografias antigas e culto a figuras do passado que originou capas inesquecíveis como a de The Queen Is Dead (com o ator francês Alan Delon, quase irreconhecível em meio a uma bruma verde) e a de seu disco de estréia, uma imagem que associou para sempre o grupo a uma sensibilidade homossexual muito refinada e erudita, graças à foto do ator cult Joe Dalesandro.

Já o Echo & The Bunnymen partiu para uma elaboração mais naturalista de suas capas. Nos quatro primeiros LP’s dos Coelhinhos, eles aparecem inseridos em lindas paisagens, que vão de uma geleira na Islândia (Porcupine) até uma praia deserta na Inglaterra (Heaven Up Here).

Esse visual glacial ajudou, e muito, a construir um mito em torno do grupo de Liverpool que, apesar disso, nunca esqueceu que o fundamental era mesmo a música.

É só conferir The Killing Moon e All My Colours para perceber que as capas eram apenas introduções a um universo de mágicas canções.

Entre bandas mais recentes, me vêm à lembrança duas: Weezer e Belle & Sebastian.

Enquanto o Weezer fez uma sequência de capas em que o grupo aparece fotografado sem maiores artifícios, normalmente sobre um fundo de cor única (daí seus discos serem conhecidos como “álbum azul”, “álbum verde” etc), o Belle & Sebastian bebe na fonte dos Smiths e cria capas em sintonia espiritual com os anos 80, mas atualizando-os com uma algum cinismo e uma dose de humor.

domingo, 16 de agosto de 2009

Bardo Moderno

Impressiona-me bastante, nos últimos tempos, a longevidade de determinados artistas, que já entram na casa dos 70 anos de idade. Neil Young, Bob Dylan, Mick e Keith, Paul McCartney, Elton John, todos têm lançado discos cada vez mais interessantes, complexos e, sobretudo, prazerosos de se ouvir.

Veja-se o caso de Bob Dylan. Quase cinco décadas de carreira nas costas, alguns dos mais importantes álbuns da história da música popular, uma penca de canções regravadas incessantemente por gerações de novos músicos, uma entresafra medíocre nos anos 80 e, de repente, o bardo ressurge das cinzas com quatro(!) discos brilhantes, que não deixam nada a dever ao melhor de sua produção nos anos 60 e 70.

Time Out Of Mind (1997), Love And Theft (2001), Modern Times (2006) e Together Through Life (2009) são obras de uma maturidade artística que vem com o verniz da idade, da experiência e de uma vivência de quem atravessou os últimos quarenta anos como um verdadeiro ícone do imáginário norte-americano, mas não deixou de viver intensamente.

No filme Não Estou Lá, do cineasta Tod Haynes, o mito é desconstruído e transformado em 5 personagens diferentes, cada um interpretado por um ator (a excepcional Cate Blanchet faz um Bob acossado pela imprensa, justamente em sua fase de transição do folk para o blues eletrificado, talvez seu momento mais criativo e revolucionário). É um filme sob muitos aspectos de difícil entendimento para não iniciados no universo dilaniano, mas seu brilho está na compreensão de que todo grande artista na verdade são vários. É na subversão da típica cinebiografia, que Haynes consegue um retrato mais vívido e apaixonante do homem, muito além da mera glorificação da lenda.

Ouvir Dylan hoje é como uma deliciosa confirmação de que a criatividade e o poder de tocar por meio da arte não são uma fagulha que surge na juventude e se apaga com o fim da mesma.

Assim como Picasso, que foi inquieto e provocador até o fim da vida, Dylan prova a cada novo disco que rock é também música de senhores de cabelos grisalhos e vozes roucas.

Um exemplo para os Robertos, Gilbertos e Caetanos da vida...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Rock Beneficente

Hoje, 13 de julho, é o Dia Internacional do Rock. Pode? Pode. Tem-se dia para tudo atualmente, e o rock não poderia ficar de fora.

Pesquisando na internet, descobri que a data é comemorada desde 1985, ano no qual nos dois lados do Atlântico se realizou o mega-show beneficente Live Aid, evento que reuniu a nata do pop-rock do período.

Lembro que foi num compacto do show exibido pela Rede Globo, que vi pela primeira vez o U2. Confesso que não entendi direito aquela banda com postura messiânica, canções politizadas e um vocalista metido a galã que, lá pelas tantas, puxava uma garota da multidão e ficava abraçadinho com a coitada. Eu hein...

O que eu achei o máximo mesmo foi Tina Turner roubando o show de Mick Jagger. Que mulher era essa, pessoal? Ninguém segurava Tina. Além de cantar demais, ela dominava o palco como se fosse um furacão de energia e brilho. Junto a Jagger, interpretou State Of Shock.

Histórico também foi Freddie Mercury dominando o público de Wembley como se tivesse no quintal de sua casa. Em Radio Ga Ga e We Will Rock You, o líder do Queen regeu o estádio, dançou de um lado para o outro e, como sempre, cantou divinamente. Acho que, em toda a história do rock, nunca existiu um vocalista que tivesse tamanho prazer em estar num palco. Vê-lo era um privilégio.

No mais, Duran Duran no piloto automático, Dylan mal acompanhado de Keith Richards e Ron Wood (estavam todos bêbados?), Madonna vestida como garota-propaganda da pior moda produzida na época, Sting no auge da carreira-solo, e um monte de gente que desapareceu completamente (quem se lembra, por exemplo, de Spandau Ballet?).

Obviamente que espetáculos como esse não resolvem os problemas que os motivam. A fome na África segue matando pessoas todos os anos, mas me parece que as intenções do idealizador do Live Aid, Bob Geldof, eram as melhores.

Se rock stars usam desses eventos apenas para se autopromoverem, aí já é outro problema. Só me incomoda um pouco é que tenha sobrevivido na memória coletiva apenas a festa, enquanto a tragédia por trás dela continue esquecida.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ícones

Dizem que ele tem lábios de borracha, mas acho que, na verdade, ele é o próprio homem-borracha, rebolando exaustivamente de um lado para o outro e ricocheteando pelo palco como uma bala perdida.

Magro, feio, insignificante, ele se torna um verdadeiro gigante quando assume os vocais a frente dos Rolling Stones.

Já tentou carreira-solo. Tadinho... A turba não gosta dele sozinho.

Realmente existe uma magia em Mick Jagger que só funciona plenamente quando está ao lado de Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts.

Seja pedindo simpatia ao diabo, seja proclamando que tudo é apenas rock’n’roll, mas ele goooooooooosta, Jagger é a encarnação perfeita do espírito debochado e irreverente da música vinda das ruas inglesas. Afinal, na Londres sonolenta dos anos 60, o que mais um garoto rebelde podia fazer, a não ser cantar numa banda de rock?

Para descobrir o Jagger mais puro, é preciso escutar Exile On Main Street, obra-prima dos Rolling Stones, lançada em 1972, originalmente um álbum duplo, e um dos melhores discos de todos os tempos. Blues, country, soul e rock disparados como uma metralhadora giratória. E Mick Jagger extraindo de suas cordas vocais seu desempenho mais visceral e furioso.