terça-feira, 18 de agosto de 2009

Blog

A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena preocupar-se com a qualidade do que se escreve.
José Saramago, escritor português

domingo, 16 de agosto de 2009

Bardo Moderno

Impressiona-me bastante, nos últimos tempos, a longevidade de determinados artistas, que já entram na casa dos 70 anos de idade. Neil Young, Bob Dylan, Mick e Keith, Paul McCartney, Elton John, todos têm lançado discos cada vez mais interessantes, complexos e, sobretudo, prazerosos de se ouvir.

Veja-se o caso de Bob Dylan. Quase cinco décadas de carreira nas costas, alguns dos mais importantes álbuns da história da música popular, uma penca de canções regravadas incessantemente por gerações de novos músicos, uma entresafra medíocre nos anos 80 e, de repente, o bardo ressurge das cinzas com quatro(!) discos brilhantes, que não deixam nada a dever ao melhor de sua produção nos anos 60 e 70.

Time Out Of Mind (1997), Love And Theft (2001), Modern Times (2006) e Together Through Life (2009) são obras de uma maturidade artística que vem com o verniz da idade, da experiência e de uma vivência de quem atravessou os últimos quarenta anos como um verdadeiro ícone do imáginário norte-americano, mas não deixou de viver intensamente.

No filme Não Estou Lá, do cineasta Tod Haynes, o mito é desconstruído e transformado em 5 personagens diferentes, cada um interpretado por um ator (a excepcional Cate Blanchet faz um Bob acossado pela imprensa, justamente em sua fase de transição do folk para o blues eletrificado, talvez seu momento mais criativo e revolucionário). É um filme sob muitos aspectos de difícil entendimento para não iniciados no universo dilaniano, mas seu brilho está na compreensão de que todo grande artista na verdade são vários. É na subversão da típica cinebiografia, que Haynes consegue um retrato mais vívido e apaixonante do homem, muito além da mera glorificação da lenda.

Ouvir Dylan hoje é como uma deliciosa confirmação de que a criatividade e o poder de tocar por meio da arte não são uma fagulha que surge na juventude e se apaga com o fim da mesma.

Assim como Picasso, que foi inquieto e provocador até o fim da vida, Dylan prova a cada novo disco que rock é também música de senhores de cabelos grisalhos e vozes roucas.

Um exemplo para os Robertos, Gilbertos e Caetanos da vida...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Um Fabuloso no Cerrado

Anda-se falando que o ex-Beatle Paul McCartney virá a Brasília para um show em comemoração aos 50 anos da cidade. Só vendo para crer.

Nestes meus trinta e cinco anos vivendo na Capital Federal, tive que amargar o gosto de se morar num lugar que, como diria o Engenheiros do Hawai, fica longe demais das verdadeiras capitais.

É claro que entendo a logística que torna praticamente impossível trazer nomes internacionais a Brasília, mas, ao mesmo tempo, sinto que a cidade tem um público sedento por cultura e artes, em geral. Não explorar esse potencial é típico da falta de visão do empresariado nacional.

Lembro-me bem que quando o camaleão David Bowie esteve no Brasil (quando foi mesmo? Acho que início da década de 90, mas não estou bem certo...), nosso alienígena mais querido declarou em entrevistas que é grande fã do arquiteto Oscar Niemeyer, e que desejava conhecer tantas obras quanto possível do autor de todos os prédios importantes de Brasília.

Ninguém ouviu ou, então, se fingiram de bobos. Bowie poderia ter vindo à capital, visitado a Catedral Metropolitana – considerada uma das obras-primas de Niemeyer –, e depois cantado umas musiquinhas para os brasilienses. Nada mau, mas, como sempre, ficamos a ver navios.

Na última visita do U2 ao Brasil, o vocalista Bono veio especialmente a Brasília para uma audiência com o presidente Lula. Não podia ter ficado e ter feito um belo show para os milhares de brasilienses fanáticos pelos irlandeses?

No mínimo teria evitado a migração, em ônibus fretados para São Paulo, de frustrados como eu, que saí de Brasília numa terça-feira, passei a noite na estrada, fui para a fila do Morumbi às 11 da manhã da quarta-feira, assisti ao show, fui para o ônibus, passei outra noite na estrada e ainda tive que trabalhar no dia seguinte.

Valeu? Muito. Posso dizer, sem sombras de dúvidas, que foi o melhor show da minha vida.
Mas que teria sido bem melhor evitar todo esse sacrifício, disso também não tenho a menor dúvida.

É por isso que sempre fico com muita desconfiança dessas notícias bombásticas de mega-astros como McCartney tocando por aqui.

Obviamente que se for verdade, há uma grande chance de eu finalmente ver algo que possa superar a magia criada por Bono e seus companheiros em cena.

Tomara...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Da Lama ao Cosmos

Comemoram-se neste mês de agosto os 40 anos da realização do lendário Festival de Woodstock.

Quando comparado com os festivais atuais, em que a organização e a variedade de programação são cada vez maiores, Woodstock parece um enorme programa de índio. Durante três dias de agosto de 1969, milhares de jovens invadiram uma bucólica região do estado de Nova York e celebraram os ideais de vida comunal, sexo livre e experiências com drogas que caracterizaram o auge da cultura hippie. Tudo em meio a muita lama, falta de comida e de banheiros, e uma infra-estrutura tão precária que realmente parece um milagre que a coisa toda não tenha resvalado para a total baderna.

No palco, uma verdadeira constelação de grandes nomes da época, como Jimi Hendrix, Joe Cocker, The Who, Crosby, Stills And Nash e Janis Joplin, misturava-se com outros que ficaram um pouco perdidos em meio à poeira púrpura daqueles anos lisérgicos.

Woodstock não foi o primeiro grande festival de rock, mas sua lenda e a enorme mitologia fundada em torno daqueles chuvosos dias permanecem intactas.

Em homenagem aos hippies e tudo de bom que eles nos legaram em termos de música, preparei uma pequena seleção de clássicos psicodélicos, não apenas os grandes discos da era psicodélica original (que vai de 1966 a 1970), mas também aqueles que beberam diretamente da fonte e mantiveram a chama caleidoscópica dos mágicos anos 60 acesa:

1Axis: Bold As Love. Jimi Hendrix.
A imagem mais marcante de Woodstock ainda é a de Jimi estraçalhando o hino americano, um momento que certamente entrou para a história como um dos símbolos de uma geração contestadora e inquieta.

2Nuggets. Vários.
Esta caixa com quatro cd’s reúne um número imenso de bandas de garagem que, em sua maior parte, caíram no esquecimento. Toscas, simples e muito alucinadas, elas representam o lado mais sujo da psicodelia americana. Grandes músicas, grande diversão.

3Surrealistic Pillow. Jefferson Airplane.
Este disco tem nos vocais de Grace Slick, a cereja de seu bolo já bastante confeitado. Na canção White Rabbit, Slick desconstrói a história clássica de Alice no País das Maravilhas e a transforma numa ode ao uso de substâncias um tanto quanto suspeitas. Genial.

4 If You Can’t Believe Your Eyes And Ears. The Mamas And The Papas.
Musicalmente é um álbum sem maiores vôos artísticos, mas as mamães e os papais gravaram aqui uma das canções mais emblemáticas do rock movido a drogas, California Dreaming. Por trás das doces melodias do grupo, está a história engraçada do moço que se refugia numa igreja para curtir sua viagem em paz.

5Yoshime Battles The Pink Robbots. The Flaming Lips.
Um dos grupos que melhor souberam atualizar o rock psicodélico, o Flaming Lips faz música doidona para modernos e sensíveis. Tudo muito viajante, mas também muito tocante.

6Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. The Beatles.
Quando os 4 fabulosos descobriram as possibilidades criativas do uso de drogas, o mundo nunca mais foi o mesmo. Sgt. Pepper não é a primeira piração deles, mas é seu disco mais influente e, até hoje, apontado como o melhor de todos os tempos. Quem não concorda que ouça a orquestral A Day In The Life e tente argumentar contra.

7When I Was Born For The 7th Time. Cornershop.
Uma coisa que a geração psicodélica fez com grande propriedade foi borrar as fronteiras que separavam gêneros musicais, aproximando ocidente e oriente, música branca e música negra, etc. Este disco de 1997, incorpora elementos de música indiana, numa bela fusão de dance, pop e indie, com instrumentos exóticos e letras que celebram o amor e a tolerância. Mais anos 60, impossível.

8 Cosmotron. Skank.
O Brasil não poderia ficar de fora do culto psicodélico. Este disco marca definitivamente o namoro do grupo mineiro que o rock inglês e os sons da década de 60. Criativo e musicalmente rico, faz esquecer que um dia o Skank gravou bobagens como Jack Tequila.

9 The Coral. The Coral.
O primeiro disco desta banda de Liverpool uniu de maneira mais que competente o rock psicodélico com o peso e a ironia típicos dos tempos atuais. Não fizeram mais nada que preste depois disso, mas deixaram sua marca em canções como The Spanish Main, Simon Diamond e Goodbye.

10The Primitives. The Primitives.
Quando o The Primitives lançou este disco no final dos anos 80, parecia que finalmente um grupo tinha ressuscitado a estética dos anos 60, no que ela tinha de mais grudenta, assoviável e barulhenta. Tudo embalado pelos vocais super-doces de Tracy Tracy, que juntava numa mesma interpretação a leveza dos Beach Boys com a sujeira do Velvet Underground. Pena que durou tão pouco...

sábado, 8 de agosto de 2009

O Segundo Sexo

Houve um tempo em que mulher no rock era tão raro como encontrar político honesto no Brasil.

Pioneiras como Janis Joplin e Grace Slick, do Jefferson Airplane, tiveram que esperar quase 3 décadas para ver suas sementes finalmente germinando.

Aqui e acolá apareciam loucas iluminadas pelos deuses do rock, mas, misteriosamente, essas aparições eram isoladas.

O movimento punk, com seu ideário de quebra de todas as regras estabelecidas, parecia escancarar as portas para a mulherada, mas, com honrosas exceções, o rock continuou dominado pela estética branca e masculina de sempre.

Graças à fantástica ampliação dos mercados musicais no mundo inteiro, os anos 90 viram uma explosão da música feita por mulheres. E elas chegaram com uma raiva e uma criatividade que, certamente, mudaram definitivamente a cara do rock e da música pop universais.

O grande barato desta geração surgida na década de 90, é que as garotas assumiram o controle total de todo o processo criativo, desde a composição até a execução das próprias canções e gerenciamento de suas carreiras. Nada da dependência nefasta de homens que muitas vezes só sugavam, sem oferecer muito em troca (não consigo deixar de pensar aqui em Tina Turner, que, dona de um talento impressionante, se submeteu, durante anos, à ditadura imposta pelo marido e companheiro de palcos e estúdios, Ike Turner).

Dessa turma que está mandando e desmandando no cenário atual, sou particularmente fã de Chan Marshall, que sob o nome Cat Power, tem encantado e seduzido ouvintes por onde passa. Marshall evoluiu de uma típica cantora de banda alternativa, no início de vida profissional, para uma crooner que deixa uma marca profundamente pessoal em tudo que canta. É só ouvir a versão arrasadora da moça para o clássico do cancioneiro americano, New York New York (aquela eternizada por Frank Sinatra), para entender todo o poder da gata.

Outra que acho hipnotizante é Regina Spektor, russa criada nos Estados Unidos, e dona de uma belíssima voz. Quase todas as canções de Spektor são levadas ao piano - influência direta de Tori Amos, cantora de grande força dramática que colocou problemáticas tipicamente femininas no pop americano do início da década passada - e não é raro que inclua até mesmo versos em russo em suas maravilhosas canções. Seu novo disco, Far, mantém a qualidade e confirma Spektor como uma das cantautoras mais promissoras da atualidade.

Tenho acompanhado com grande interesse, também, a carreira da inglesa Natasha Khan que, por trás do nome Bat For Lashes, gravou dois belíssimos trabalhos - Fur And Gold e Two Suns. Natasha é uma herdeira direta dos experimentalismos musicais da islandesa Bjork. Aliás, Bjork segue ativa, influente e atual e sua musicalidade original e personalíssima permanece uma das referências mais importantes da cena contemporânea.

Poderia ficar horas escrevendo sobre essas mulheres incríveis e seus discos extraordinários, mas o meu ponto é apenas reafirmar o óbvio: foi-se o tempo em que uma garota segurando uma guitarra e gritando ao microfone era uma espécie de aberração.

Hoje, elas não apenas vão à luta, como também determinam os rumos que a música do novo milênio vai seguir.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mil e Uma Noites no Cinema

Recebi recentemente um texto retirado do blog do escritor português José Saramago (http://caderno.josesaramago.org/), no qual ele discorre brevemente sobre os filmes que mais marcaram sua vida.

Sempre que vejo uma lista ou um texto desse tipo, fico tentando reduzir toda minha experiência como amante da sétima arte a uns 10 ou 15 filmes. Tarefa inglória. Não sei direito o número de filmes que já assisti, mas imagino que seja uma quantidade imensa.

Quando era adolescente, costumava ficar até às 2, 3 horas da madrugada acompanhando filmes antigos na Globo. Quem tem entre 30 e 50 anos deve se lembrar bem de nomes como Coruja Colorida, Primeira Exibição e Sessão de Gala, espaços nos quais a Globo exibia não apenas filmes inéditos mas também grandes clássicos do cinema americano.

Outro grande responsável pela minha formação como cinéfilo foi o Cine Brasília, palco do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e, até meados da década de 90, um dos poucos lugares na cidade para se assistir filmes europeus e obras antigas restauradas.

Existia também o cineminha da Cultura Inglesa, que tinha uma infra-estrutura bem menor mas contava com uma programação deliciosa.

Quantas maravilhas se revelaram para mim nestas duas telas sagradas... Cidadão Kane, Teorema, Asas do Desejo, Ladrões de Bicicleta, Caro Diário, Não Matarás, Jules e Jim, Sindicato de Ladrões, Blade Runner, Adeus Meninos, Entrevista, enfim, a lista é gigante.

Hoje, o auditório da Cultura foi desativado e o Cine Brasília encontra-se jogado às traças, vítima de um descaso criminoso da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Uma pena.

De qualquer maneira, a lista que se segue é apenas uma débil tentativa de encontrar cinco filmes que sejam, digamos assim, a minha cara:

1 - Noites de Cabíria (Itália, 1957)
Porque Cabíria é o personagem mais cativante e inesquecível da história do cinema. E porque Fellini sabia como ninguém retratar esses tipos patéticos, doces e ingênuos, dos quais a puta magnificamente interpretada por Giulietta Masina é o mais perfeito exemplo.

2 - Crepúsculo dos Deuses (EUA, 1950)
Porque é o melhor filme para se entender a fábrica perversa de sonhos que é Hollywood. E porque a diva Gloria Swanson está imbatível como a louca atriz que acredita que pode voltar a brilhar.

3 - A Malvada (EUA, 1950)
Porque é o filme que melhor retrata a mesquinhez humana, a inveja e o medo do esquecimento. E porque Bette Davis carrega um mundo de sentimentos num simples acender de cigarro.

4 -Persona (Suécia, 1966)
Porque é um filme enigmático, hermético e difícil e, ainda assim, fascinante. E porque sua fotografia em preto-e-branco é uma das mais deslumbrantes que existem.

5 - Tudo Sobre Minha Mãe (Espanha, 1999)
Porque Almodóvar faz uma tocante homenagem a um gênero de cinema que eu amo, o melodrama, sem cair em seus habituais exageros. E porque o elenco feminino é capaz de nos levar às lágrimas e ao riso com igual maestria.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Vitrola Vai às Compras

Diz um amigo meu que as únicas coisas que realmente me empolgam são música e viagens. Não é verdade.

Adoro um bom cinema (confesso que já gostei mais), estou sempre agarrado com um livro (acabei de ler mais um policial de Simenon, autor que eu acho brilhante), não dispenso um bom papo com meus poucos, mas queridíssimos, amigos e sei que a vida é amarga na grande maioria das vezes (principalmente se a gente tem a má sina de ter nascido brasileiro), mas está aí é para ser vivida, mesmo.

No entanto, não posso deixar de admitir que a música virou muito mais que um hobbie e que vivo planejando viagens, que compro guias de cidades que não sei quando conhecerei e que visitar lugares novos é, para mim, como rejuvenescer um pouquinho.

Quando consigo unir discos com viagens, é aí que o louco fica lunático de vez.

Estive nestes últimos dias entre o Rio e São Paulo, e trouxe na bagagem 28 bolachões e 25 bolachinhas. Aliás, como é trabalhoso transportar vinil, pessoal. Os desgraçados pesam horrores e eu fico na neura de que vão quebrar, empenar ou amassar. Em suma, um pesadelo. Os cd's, coitadinhos, vão enfiados na mala e seja o que Deus quiser. Felizmente nunca perdi nada. Já voltei de uma viagem a Portugal com quase 70 disquinhos imprensados entre roupas sujas e outras quinquilharias.

De qualquer maneira, como novamente observa o amigo do início do texto, o sucesso de uma viagem minha é medido pela quantidade de achados em sebos e lojas de discos. São Paulo, nesse sentido, é imbatível. Desde os pugueiros do centro até a careira Livraria Cultura, há descobertas fantásticas para todas as preferências.

Gosto, sobretudo, das lojas da Galeria Presidente, na Rua 24 de Maio, lugar ideal para se encontrar cd's novos de artistas independentes e alternativos. Na mesma rua, no número 188, subindo ao primeiro andar, a gente se depara com uma série impressionante de sebos. Um fanático pode tranquilamente passar o dia inteiro revirando velharias, enchendo as mãos e os pulmões de ácaros e torrando, feliz da vida, as economias do ano todo. Não dá para esperar grande simpatia dos vendedores, mas em termos musicais, é difícil não se satisfazer.

Outra boa dica para encontrar raridades e pechinchas é a Feira de Antiguidades da Praça Benedito Calixto. É possível, inclusive, comprar uma vitrolinha esperta para rodar os poderosos negões em qualquer lugar (isto se você tiver a paciência e a habilidade para barganhar com os feirantes, porque os valores não são os mais honestos...).

No Rio, confesso que fiquei meio perdido. Devia ter pedido umas dicas para a galera carioca que frequenta o Vitrola Encantada, mas a verdade é que fujo de computador em férias como o coisa ruim da cruz.

Ainda assim, me esbaldei na Baratos da Ribeiro e no sebo da Modern Sound (cheio de discos em excelente estado por razoáveis 10 reais).

No mais, muita chuva, metrô transbordando, gente apressada, gente dormindo na rua num frio desgraçado, comida boa e cara, o Museu de Arte Sacra de São Paulo e o de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a descida inesquecível no Aeroporto Santos Dumont, o filme francês Bem-Vindo na Rua Augusta, o táxi baratinho na Cidade Maravilhosa, o café expresso na Casa Cavé, o almoço na Confeitaria Colombo, enfim, pequenas coisas que, juntas, me tornam um tanto mais vivo e, quem sabe, mais feliz.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Até Agosto

Pessoal,
Estou saindo de férias.
Volto em agosto com muita música, cinema e literatura.
Grande abraço.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Hablas Español?

Mar, mar, mar
Madrugadas y gaviotas de puerto
Mar, mar, mar
La buena esclavitud de ser amado
Mar, mar, mar
El día pasa de una costa a otra
Mar, mar, mar
Infinito en que la libertad ha muerto...

Músico argentino Leo Garcia, música Mar, no disco do mesmo nome.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Capas Clássicas

Falar deste disco é chover no molhado. Primeiro grande disco de rock and roll, primeiro álbum do maior mito do estilo, Elvis Presley, primeiro a chegar ao primeiro lugar das paradas, enfim, a relação de “primeiros” é longa.

É, sem dúvida, também a primeira capa clássica do rock. Usar o velho clichê de que uma imagem vale por mil palavras é quase inevitável. Mas, realmente, está tudo estampado nesta foto incrível.

Clicado em preto-e-branco, Elvis empunha seu violão e escancara o bocão. Está jovem, muito magro, vestido de forma simples. Tem o mundo inteiro para conquistar. Sua atitude é rebelde, intensa e selvagem. O repertório é perfeito: Tutti Frutti, I Got A Woman, Blue Moon, Blue Suede Shoes etc.

Já havia Chuck Berry, Little Richard, Carl Perkins e Bill Haley, mas sem esse garoto caipira e sexy, o rock dificilmente teria alcançado as massas de maneira tão explosiva.

Explosão impecavelmente registrada em imagem e som.

Long live rock’n’roll!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Rebeldia Sem Causa

Um dos filmes mais legais sobre a juventude na década de 60 é Febre da Juventude (I Wanna Hold Your Hand, EUA, 1978), do diretor Robert Zemeckis.

Contando uma história deliciosamente boba sobre um grupo de moças e rapazes que fazem de tudo para assistir a uma apresentação dos Beatles, no programa de TV The Ed Sullivan Show, o filme é uma sessão da tarde divertida e inconsequente, mas simplesmente perfeita para quem curte Beatles.

Eu mesmo, beatlemaníaco inveterado, já devo ter visto o filme umas quatro vezes.

Aproveitando certa disposição nostálgica que me acomete vez ou outra, resolvi fazer uma seleção de clássicos da primeira era do rock.

São músicas que fundaram o som que mudaria a juventude do mundo ocidental, e até hoje causam estranhamento em mentes convencionais e avessas a mudanças.

Então, lá vai:
1That’s All RightElvis Presley
2Heatbreak HotelElvis Presley
3 Keep On KnockingLittle Richard
4 Peggy Sue Got MarriedBuddy Holly
5 Everyday Buddy Holly
6 Johnny B. GoodeChuck Berry
7Roll Over Beethoven Chuck Berry
8Help Me RondaThe Beach Boys
9 Be My Baby The Ronnetes
10Stand By MeBen E. King
11Twist And Shout The Beatles
12 I Wanna Be Your ManThe Rolling Stones
13
You Really Got Me The Kinks
14 My GenerationThe Who
15
I Got a Woman Ray Charles
PS: Para conhecer melhor os primórdios do rock, recomendo duas trilhas sonoras geniais: American Graffiti, álbum duplo que tem desde Rock Around The Clock, de Bill Haley, até All Summer Long, dos Beach Boys, e Stand By Me, jóia saudosista que me apresentou o som dos anos 50.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Rock Beneficente

Hoje, 13 de julho, é o Dia Internacional do Rock. Pode? Pode. Tem-se dia para tudo atualmente, e o rock não poderia ficar de fora.

Pesquisando na internet, descobri que a data é comemorada desde 1985, ano no qual nos dois lados do Atlântico se realizou o mega-show beneficente Live Aid, evento que reuniu a nata do pop-rock do período.

Lembro que foi num compacto do show exibido pela Rede Globo, que vi pela primeira vez o U2. Confesso que não entendi direito aquela banda com postura messiânica, canções politizadas e um vocalista metido a galã que, lá pelas tantas, puxava uma garota da multidão e ficava abraçadinho com a coitada. Eu hein...

O que eu achei o máximo mesmo foi Tina Turner roubando o show de Mick Jagger. Que mulher era essa, pessoal? Ninguém segurava Tina. Além de cantar demais, ela dominava o palco como se fosse um furacão de energia e brilho. Junto a Jagger, interpretou State Of Shock.

Histórico também foi Freddie Mercury dominando o público de Wembley como se tivesse no quintal de sua casa. Em Radio Ga Ga e We Will Rock You, o líder do Queen regeu o estádio, dançou de um lado para o outro e, como sempre, cantou divinamente. Acho que, em toda a história do rock, nunca existiu um vocalista que tivesse tamanho prazer em estar num palco. Vê-lo era um privilégio.

No mais, Duran Duran no piloto automático, Dylan mal acompanhado de Keith Richards e Ron Wood (estavam todos bêbados?), Madonna vestida como garota-propaganda da pior moda produzida na época, Sting no auge da carreira-solo, e um monte de gente que desapareceu completamente (quem se lembra, por exemplo, de Spandau Ballet?).

Obviamente que espetáculos como esse não resolvem os problemas que os motivam. A fome na África segue matando pessoas todos os anos, mas me parece que as intenções do idealizador do Live Aid, Bob Geldof, eram as melhores.

Se rock stars usam desses eventos apenas para se autopromoverem, aí já é outro problema. Só me incomoda um pouco é que tenha sobrevivido na memória coletiva apenas a festa, enquanto a tragédia por trás dela continue esquecida.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Disco da Semana

O trio sueco Peter Bjorn and John tornou-se conhecido mundialmente graças ao megahit Young Folks, uma dessas maravilhas para se cantar junto, que, vez ou outra, caem no gosto popular.

O disco no qual a música aparecia se chama Writer’s Block e trazia outras faixas extremamente grudentas (no bom sentido) como Amsterdam e Objects Of My Affection. Altamente recomendável.

O sucessor de tamanho sucesso se chama Living Thing e flagra um ótimo grupo em momento de transição. Diante da velha encruzilhada, na qual muitos artistas se vêem obrigados a escolher entre repetir a fórmula vencedora ou seguir trilhando novos caminhos, os rapazes da Suécia (país pródigo em bons grupos de pop rock) optaram por fazer um disco bastante diferente, que, no entanto, mantém a identidade do som da banda.

Eles agora experimentam com sons eletrônicos, melodias quebradas, coros infantis e uma série de recursos que, juntos, formam um disco muitíssimo agradável e interessante.

Gosto especialmente da faixa de abertura, The Feeling e Nothing To Worry About, músicas excelentes para começar o dia com um sorriso na cara e a certeza de que a música pop ainda pode atingir as massas sem perder a inteligência e o bom gosto.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

No Centro de um Planalto Vazio

O inverno em Brasília é, para mim, a estação mais bonita do ano.

A seca ainda não castiga tão severamente, faz um friozinho agradável de noite e, durante o dia, a luz atinge uma plenitude impressionante. Fora o céu, que vai do azul mais absurdo aos meios tons que adornam o entardecer. Um espetáculo.

Gosto da cidade, que, ao contrário do que dizem os não locais, não é impessoal e fria. É preciso cuidado para descobrir os pequenos encantos de Brasília.

Cuidado que tiveram alguns compositores, que elegeram a capital federal como musa inspiradora.

Renato Russo talvez seja o mais célebre deles. É dele, por exemplo, Música Urbana, famosa na gravação do Capital Inicial, e que fala de pontos marcantes da cidade como a torre de TV e a plataforma da Rodoviária.

Mais brasiliense, então, é Eduardo e Mônica, com a letra mencionando o Parque da Cidade, a galera da universidade e a tchurma alternativa. E o que dizer de Faroeste Caboclo, verdadeiro épico glauberiano passado sob o sol do cerrado?

Toda vez que me lembro dessa música, fico pasmo com a popularidade da Legião à época do lançamento do disco Que País É Esse (1987). Somente Renato e seus legionários poderiam ter lançado uma música de quase 10 minutos, com referências a Brasília, que somente quem mora aqui consegue entender, e fazer um sucesso descomunal.

Outro grupo que é a cara de Brasília é o Plebe Rude. Embora não tenha resistido às pressões do sucesso, o grupo – considerado por muita gente boa um dos melhores do rock brasileiro – trouxe uma raiva e uma energia muito necessárias para a cena nacional.

O Capital Inicial também tinha uma marca muito brasiliense em seu som. Não por acaso, o baixista e o baterista da banda, os irmãos Flávio e Fê Lemos, foram companheiros de Renato Russo, no seminal Aborto Elétrico. Daí, que o primeiro disco do Capital, de 1986, é um meio termo entre o punk politizado do Aborto e o som mais pop que o grupo acabaria adotando no futuro.

Agora, para quem tem entre 35 e 45 anos (como é o meu caso), nada é mais Brasília que o mala Oswaldo Montenegro. Lá no início da década de 80, ele arrastava multidões aos teatros da cidade para assistir seus musicais.

Mérito lhe seja dado, algumas músicas resistiram ao passar do tempo e até hoje se pode escutar com certo prazer a Léo e Bia e Bandolins.

Ele já era um chato, mas, sem dúvida, soube traduzir em música e letra o clima místico e isolado de uma cidade que foi construída no meio do nada, com um lago artificial e uma arquitetura do futuro.

E presenteada com um céu como nenhum outro no mundo.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Maestro Zezinho, qual é a música?

Essa frase hipnotizava, todo domingo, milhões pessoas que, por volta das 14 horas, sintonizavam o Qual é a música, no programa Silvio Santos.

Era final da década de 70 e início da de 80, e o show dominical imbatível fez a fama de artistas hoje meio esquecidos como Miss Lene, Jane e Erondi, Kátia, Vanusa, Maria Alcina, As Patotinhas, Agnaldo Timóteo, Ronnie Von, Sílvio Britto, Genghis Khan, Trio Los Angeles, Ângelo Máximo, Márcio Greyck, Gretchen, Harmony Cats, Lilian, entre outros.

O programa consistia de uma disputa entre dois artistas sobre temas musicais. O vencedor voltava na semana seguinte. Antes de se iniciarem os jogos, cada um cantava seu sucesso do momento, fato que deve ter impulsionado muitas carreiras que, de outra maneira, estariam confinadas à programação das rádios AM da vida.

A Globo, muito poderosa e elitista, desprezava a grande maioria dos artistas que apareciam no Qual é a música. O que, na prática, devia fazer pouca diferença, porque, para desespero do senhor Roberto Marinho, ninguém conseguia derrotar o carismático apresentador carioca, nas tardes de domingo.

Amado e odiado em iguais doses, Silvio Santos criou um estilo único. Imitado, parodiado e ridicularizado fartamente, o fato incontestável, para o bem e para o mal, é que ele jamais foi igualado.

Quem viveu essa época jamais esquece verdadeiros monumentos do brega nacional eternizados no programa. Claro que o mais marcante foi mesmo Tranquei a Vida, de Ronnie Von, campeão absoluto da competição, com zilhões de semanas no ar.

A rebolante Gretchen quase abocanhou a coroa de Ronnie (é sério, tinha uma coroa de verdade!). Outro grande competidor foi Silvio Britto (o que aconteceu com ele? Alguém se lembra de alguma música do moço? Eu só consigo me lembrar do visual a la John Lennon e de uma grande simpatia).

Porém, talvez, mais lembrado que os próprios cantores, seja o dublador argentino Pablo. Com um inacreditável penteado de príncipe encantado e uma maquiagem meio carnavalesca cobrindo a metade do rosto, o artista portenho dava pinta impunemente, em plena época de censura e ditadura militar.

Ao longo dos anos 80, a fórmula foi perdendo seu encanto e o Qual é a música caiu, aos poucos, no esquecimento. Não para Silvio, que segue tentando novas versões do programa até hoje.

Para nostálgicos e saudosistas em geral, no entanto, o quadro permanece um ícone de uma época de diversões inocentes, em que a televisão ainda era soberana.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Meus Discos Preferidos: Coletâneas

1The Best OfThe Doors (1985)
Este disco foi simplesmente TUDO para mim, quando tinha em torno de uns 15 anos. A descoberta da música do grupo de Jim Morrison foi um divisor de águas. Depois de Strange Days, The Crystal Ship e The End nada na minha cabeça funcionaria da mesma forma. Pode parecer exagero, mas acredito sinceramente que a arte tem esse poder modificador. E The Best Of The Doors é arte pura.

2 SubstanceNew Order (1987)
Espécie de compilação de clássicos, com remixes e faixas inéditas, este disco duplo fez minha cabeça abrir para sons eletrônicos e tribais e para as possibilidades de manipulação de uma música em estúdio. Para entender a mágica realizada pelo New Order, é só escutar a versão original de Subculture em Low Life e a mutação operada na mesma música, em Substance. Coisa de gênio, mesmo.

3 Louder Than BombsThe Smiths (1987)
Morrissey e Marr sempre foram tão bons em compactos como o eram em LP. Louder Than Bombs é o disco perfeito para conhecer este lado da banda. Panic, Ask, London, Shoplifters Of The World Unite e mais um montão de pérolas, nos levam por uma viagem em que uma canção de 3 minutos pode salvar uma vida (e, no meu caso, já me salvou milhões de vezes...)

4DiscographyPet Shop Boys (1991)
Mestres na arte de confeccionar canções de apelo comercial sem esquecer do bom gosto e da criatividade, estes dois ingleses criaram alguns dos mais marcantes sucessos da década de 80. Embora eles tenham coletâneas mais abrangentes, foi esta que me introduziu no universo muito particular dos garotos da loja de animais de estimação.

5DecadeDuran Duran (1989)
Na primeira metade dos anos 80, não existia banda mais cool que o Duran Duran. Eles gravavam vídeos superchiques, se vestiam impecavelmente e seus discos faziam um cruzamento delicioso entre a música de David Bowie e a do Roxy Music. Apesar de ostensivamente desprezados por boa parte da crítica da época, seus hits resistiram belamente à passagem do tempo, como o prova esta ótima coletânea que vai do primeiro disco, de 1981, até o bom Big Thing, de 1988.

6 AnthologyThe Temptations (1995)
Todo mundo já cantarolou a doce melodia de My Girl, marca registrada desse excepcional grupo vocal americano. Mas, para muito além do pop certinho daquela canção, eles foram responsáveis por verdadeiros pilares da música negra, como Papa Was a Rolling Stone, Just My Imagination e Ain’t Too Proud To Beg, todos presentes neste ótimo álbum duplo.

7 The Immaculate Collection Madonna (1990)
A fase áurea da grande diva da música pop está magnificamente representada nesta bela coletânea. Da celebração hedonista de Holiday até a sublime Vogue, há prazeres variados para todos os gostos.

8Songs To Learn And SingEcho & The Bunnymen (1985)
Outro disco que deu uma grande guinada no rumo dos meus gostos musicais, esta primeira coletânea do Echo era uma verdadeira obsessão. Quem ouviu, aprendeu e cantou Bring On The Dancing Horses, Rescue e The Killing Moon é que sabe o que é ser feliz...

9Greatest HitsAl Green (1975)
Se tivesse gravado somente Let’s Stay Together , Al Green já mereceria um lugar no panteão dos grandes cantores americanos. Mas, o que essa coletânea deixa bastante claro é que seu imenso talento deixou muitas outras marcas. Sensual e espiritual a um só tempo, a música de Green é um deleite para o corpo e a alma.

10Operators ManualBuzzcocks (1991)
Os Buzzcocks eram rebeldes com um coração. Barulho e melodia em iguais doses e grandes músicas do punk rock inglês, como Ever Fallen In Love e Orgasm Addict.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Muito Barulho Por Nada

O que leva um artista a adiar, por 13 anos, o lançamento de um disco? Insegurança? Perfeccionismo? Estrelismo?

No caso do vocalista do Guns N’Roses, Axl Rose, provavelmente, um pouco de cada.

O disco Chinese Democracy foi anunciado incontáveis vezes antes de finalmente ver a luz do dia no segundo semestre do ano passado. Valeu a espera? Sim e não.

O Guns N’Roses foi uma banda legal quando contava com todos os seus integrantes originais.

Lançaram um disco essencial, Appetite For Destruction, e os bons Use Your Illusion I e II. Mas, à época desses dois últimos trabalhos, a banda já dava claras mostras de esgotamento tanto pessoal quanto artístico.

Diante da megalomania cada vez mais incontrolável de Axl Rose, os outros músicos da banda foram, um a um, caindo fora até que a banda ficasse reduzida ao vocalista e a músicos contratados (em quem, certamente, Axl manda e desmanda).

O que nos leva a Chinese Democracy, um disco que poderia facilmente ter saído como primeiro trabalho solo de Rose. Há muito pouco do hard rock de garagem, cheio de adrenalina do primeiro Guns.

Até mesmo com Use Your Illusion as semelhanças são poucas. As boas baladas e rocks setentistas daqueles discos marcam pouca presença.

Há muito pouco a se destacar neste longo trabalho (14 faixas, em mais de 70 minutos), mas, pelo menos, Rose continua com a voz em cima. E para quem curte rock com muita guitarra, vocais agudos, efeitos sonoros e um ou outro momento mais calminho, o disco pode até ser interessante.

Para mim, no entanto, ficou uma grande decepção depois de uma espera tão prolongada e de tantas palhaçadas aprontadas pelo senhor Rose.

De qualquer maneira, resta a esperança de que o próximo venha mais enxuto, como um tiro curto e certeiro.

E com menos de 10 anos de intervalo...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Entre Plumas e Paetês

Como não sou muito ligado em datas, acabei deixando passar batido o último 28 de junho, onde se comemora o Dia Internacional do Orgulho Gay.

Então, para homenagear a todos aqueles que vivem o amor em todas as suas formas, resolvi selecionar as dez músicas mais gays que já ouvi...

1 I Will SurviveGloria Gaynor
Este hino à independência das mulheres, foi adotado massivamente pelos gays americanos e acabou se tornando uma espécie de tema oficial para homossexuais nos quatro cantos do planeta. Gloria, que não é boba nem nada, ainda gravou outra canção que caiu como uma luva no imaginário cor-de-rosa, I Am What I Am, e foi definitivamente entronada como a porta-voz do movimento.

2 La Vie En RoseGrace Jones
Clássico da canção francesa em bela releitura da ex-modelo, cantora e atriz jamaicana Grace Jones, La Vie En Rose é uma longa (são mais de 7 minutos) ode à paixão e à entrega amorosa. Discoteca básica de 10 entre 10 bibas.

3 Dancing QueenABBA
Linda melodia, vocais esplendorosos e uma letra inocente sobre uma rainha das pistas de dança (pode existir coisa mais gay?). O clássico mais clássico do ABBA e um hit eterno da discoteca.

4 It´s a SinPet Shop Boys
O arranjo grandioso e a letra sobre sexo e culpa compõem a canção gay mais marcante dos anos 80.

5I Love To Hate YouErasure
Outro grupo assumidíssimo, o Erasure dava pinta sem dó nem piedade, ao mesmo tempo que lançava algumas canções deliciosas. Esta faz citação a I Will Survive e torna a vida um tantinho mais feliz durante seus 4 minutos.

6Deeper And DeeperMadonna
Não dá para se falar de universo gay sem mencionar Madonna. Carinhosamente adotada por homossexuais de todas as nacionalidades, faixas etárias e raças, Madonna já devolveu o carinho incontáveis vezes. Deeper And Deeper é, para mim, sua homenagem mais contagiante ao mítico tempo das discotecas. Irresistível.

7 Conga La CongaGretchen
Ela não canta nada. É brega, vulgar e totalmente bagaceira. Talvez por isso mesmo, os gays a amem tanto. Acho mesmo que se não fosse por eles, Gretchen já teria caído no esquecimento. O que seria uma pena, afinal seus “crássicos” são divertimento garantido.

8Y.M.C.AThe Village People
Eles sempre foram muito canastrões, mas não há dúvida que deixaram sua marca na cultura popular dos últimos 30 anos. Explorando o imaginário gay de uma maneira muito estereotipada, o grupo deve ser visto como uma piada. O que não impede que, em alguns momentos, como em Y.M.C.A, acertem em cheio.

9I Feel LoveDonna Summer
A rainha das pistas queimou o filme com os gays quando declarou que a homossexualidade ia contra os desígnios do Senhor (ai, ai...), mas, na década de 70, quando vivia a base de cocaína e sacanagem, Donna gravou algumas das canções mais incríveis da era disco. Como esse monumento eletrônico de altíssimo bom gosto. Tá perdoada, sua louca!

10I Want To Break FreeQueen
Poucos caras foram tão gays e tão machos quanto Freddie Mercury. Embora nunca tenha assumido publicamente (e precisava?), ele encarnou um glamour e uma bichice que, no reino machista do rock, é preciso ter muita coragem para levar adiante. I Want To Break Free é antológica principalmente por seu vídeo, em que os quatro membros do grupo apareciam travestidos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Discos e Arte

O artista norte-americano Robert Crumb foi um crítico ácido e amoral do sonho suburbano da América branca e protestante. Seus traços personalíssimos criaram uma galeria de tipos na qual o personagem principal é o próprio Crumb.

Seu auto-retrato é tão cruel e impiedoso consigo mesmo como o é com o resto da sociedade. Sexo, misoginia, marginalidade e drogas fazem parte do coquetel “anti-ordem-e-progresso” preparado pelo cultuado cartunista.

A capa concebida por Crumb para Cheap Thrills, disco que revelou ao mundo o furacão Janis Joplin, difere de tudo que se fazia na época. Crumb criou uma pequena ilustração para cada faixa do álbum, originando um mosaico colorido em que uma Janis sensual e gordinha (como, aliás, quase todas as mulheres criadas por ele) predomina. Reflexo, diga-se de passagem, do que se ouvia no vinil.

Gravado em estúdio, com inserções ao vivo, o disco é creditado ao grupo Big Brother And The Holding Company, no qual Janis era “apenas” a vocalista. Mas qualquer um que ouvisse a performance matadora da cantora branca mais negra que já se teve notícia, poderia adivinhar que muito rapidamente o Big Brother é que se tornaria “apenas” o grupo de Janis.

Ball and Chain, Summertime e Piece Of My Heart não são apenas ótimas canções. São a prova de que uma grande intérprete pode dar novo significado a músicas consideradas já definitivas em suas gravações originais.

Tristemente, esse imenso potencial perdeu a luta para a depressão, a solidão e a autodestruição nas quais Joplin se afundou.

Melhor lembrar dela como a piriguete oferecida que ilustra a faixa I Need A Man To Love.

Entre Versos

Eu tenho tanto
Pra lhe falar
Mas com palavras
Não sei dizer
Como é grande
O meu amor
Por você
E não há nada
Pra comparar
Para poder
Lhe explicar
Como é grande
O meu amor
Por você
Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito
Me desespero
A procurar
Alguma forma
De lhe falar
Como é grande
O meu amor
Por você
(...)

Como é grande o meu amor por você. Composição Erasmo Carlos e Roberto Carlos.