segunda-feira, 18 de maio de 2009

Doces Domingos

Eles são um casal casado, ambos cegos e músicos de uma longa carreira na distante Mali, na África.

Foi preciso a interferência do músico francês Manu Chao para que a dupla africana Amadou e Marian se tornasse conhecida no resto do mundo. Chao produziu o disco Dimanche a Bamako, e introduziu na música sinuosa e dançante do casal seu liquidificador de ritmos variados, criando assim uma obra de aceitação pop instantânea.

Chao não se limitou a simplesmente sentar atrás da mesa de som. Sua participação no disco é bem mais efetiva. Ele canta e co-escreve várias das canções. A quem diga que é muito mais um disco de Manu Chao com Amadou e Marian do que o contrário. Mas, embora o estilo “tudo ao mesmo tempo agora”, de Chao, seja onipresente no disco, não é ele quem faz o seu brilho.

As estrelas aqui são, sem sombra de dúvida, Marian que, com sua voz pequena e quase infantil, consegue encantar mais que muita Celine Dion da vida, e Amadou, um guitarrista cheio de ginga e balanço.

Escutar faixas como M’Bife e Beaux Dimanches é não apenas um grande prazer, mas principalmente, a descoberta de uma musicalidade rica e apaixonante.

sábado, 16 de maio de 2009

Discos e Arte

Quando o genial artista pop americano Andy Warhol resolveu apadrinhar uma banda de rock, ele escolheu justamente a mais marginal, perigosa, ousada e, como o tempo viria a provar, influente de todos os tempos, o Velvet Underground.

Para ilustrar o primeiro disco do Velvet, gravado em 1967 com o acréscimo da cantora alemã Nico, Warhol presenteou o grupo com uma capa que entraria definitivamente para a história do rock e redefiniria o design de embalagens de discos.

Indo na contramão da colorida arte que enfeitava os álbuns de rock psicodélico, Warhol concebeu um projeto minimalista e de uma simplicidade absoluta. Sobre um fundo branco, uma banana rigidamente desenhada e a assinatura do artista. Só.

Se hoje parece sem grande originalidade, é só dar uma passeada pelas capas de discos feitas então. A ousadia de Warhol salta aos olhos.

Pelo que já li sobre esse importantíssimo disco, a banana da capa era descascável, detalhe que se perdeu no formato cd, mas que certamente tornava o trabalho do papa da pop arte ainda mais interessante e único.

Deu no Noblat

Enviado por Ricardo Noblat

16.5.2009

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
11h00m

vale a pena acessar

Dica de blog - Vitrola Encantada

Blog Vitrola Encantada
Desde primeiro bolachão de vinil, no início da década de 80, até os mais obscuros downloads que se podem achar na rede, este blog é uma viagem de Luis Valcácio ao universo encantado da música pop e do rock de todos os tempos. Sugestão de Afonso Celso Machado.

Sugiro diariamente sites, blogs e fotologs que valham a pena ser acessados.

Mandem sugestões para noblat@uol.com.br

Agradeço desde já.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Meus Discos Preferidos: Anos Setenta

1 Dark Side Of The MoonPink Floyd (1973)
Para mim, este disco é uma espécie de totem, um oráculo sagrado ao qual eu sempre recorro. Viajante, progressivo sem ser tedioso, poético e perfeito em sua concepção musical, Dark Side é uma longa ode ao ex-vocalista do Floyd, Syd Barrett, àquelas alturas já perdido para o mundo e habitando um universo completamente à parte.
2Led Zeppelin IIILed Zeppelin (1970)
É muito difícil escolher entre os 4 primeiros discos do Zeppelin. São todos perfeitos e é incrível perceber a evolução do grupo desde o heavy blues do primeiro trabalho até a maturidade musical alcançada em 1971, com o emblemático quarto álbum. Mas o meu preferido segue sendo o terceiro. Talvez, porque seja o menos pesado. Talvez, porque tenha Since I´ve Been Loving You . Não sei, mas o fato é que toda vez que penso em ouvir Zeppelin , corro para o III.
3 The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars David Bowie (1972)
O mais genial artista da década de 70 passou por várias fases: foi folk no primeiro disco, hard no segundo, inclassificável no ótimo Hunky Dory e, finalmente, um mutante alienígena travestido de rock star em seu quarto e melhor álbum, Ziggy Stardust. Auge da estética glam, o disco alinhava 11 canções matadoras, que tornaram Bowie um super-astro na Inglaterra e, cumprindo as profecias de Ziggy, um mito do rock.
4London CallingThe Clash (1979)
A antítese da pompa e da pretensão de grande parte dos artistas da década, o The Clash era uma metralhadora de criatividade, cuspindo uma variedade de estilos que iam da mais pura explosão punk ao reggae e ao rockabilly. London Calling é o auge de sua estética suja e politizada. Intenso demais para durar, o grupo sucumbiria a divergências internas e ao declínio do ideário punk. Mas a sua marca já estava registrada na história do rock.
5 HorsesPatti Smith (1975)
Espécie de mãe espiritual de todos os rebeldes que surgiram na segunda metade da década, Patti tinha experimentado outras linguagens artísticas antes de lançar seu primeiro e mais importante disco. Horses combina à perfeição suas ambições poéticas com a urgência musical de sua banda. Sem falar que Smith canta muito. Um disco para escutar com a sensibilidade à flor da pele.
6 Harvest Neil Young (1972)
O gênio de Young já dava mostras de seu alto poder desde a década de 60, mas seu auge se encontra, realmente, na primeira metade da década seguinte. Harvest é seu disco mais bem-sucedido comercialmente, e uma pérola de delicadeza e de sutis revelações que vão nos envolvendo e apaixonando a cada faixa. Tão marcante, que Young faria duas continuações: Harvest Moon, em 1992, e Prairie Wind,em 2005.
7 Burnin’ Bob Marley And The Wailers (1973)
Um grande feito: um artista de terceiro mundo alcança êxito mundial e se converte numa influência fundamental para toda a música pop que se faria a partir daí. Burnin’ captura Marley e sua ótima banda em estado bruto, entoando canções que são como uma espécie de canto religioso, tocado num ritmo lento e cadenciado. Isso sem falar na forte mensagem política. Grande disco.
8 Born To RunBruce Springsteen (1975)
Quando lançou este disco, em 1975, Springsteen era apenas um aspirante a astro, entre tantos nos Estados Unidos. Mas Born to Run o tornou não apenas um astro, mas também uma lenda, o cara simples e batalhador que conhece de perto o outro lado do “sonho americano”. Para alguns críticos mais severos, Bruce não passa de um Dylan requentado, mas a verdade é que a paixão e a sinceridade que encontramos em cada uma de suas canções, o credenciam como um artista de mérito próprio.
9Marquee MoonTelevision (1977)
O punk como obra de arte bem acabada. Por mais paradoxal que possa parecer, o Television conseguiu isso com sua obra-prima, Marquee Moon, um disco que preserva a energia bruta das ruas típica do punk, acrescentando a sofisticação instrumental dos guitarristas Tom Verlaine e Richard Lloyd.
10 Goodbye Yellow Brick RoadElton John (1973)
O lado mais triste e melancólico da década encontra neste álbum duplo extraordinário seu exemplo mais perfeito. Melodias grudentas em canções que só podem ser comparadas com as de outros gênios pop, como os Beatles e os Beach Boys.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Diamante Negro

Amy Winehouse, Duffy, Estelle, Adelle. Todas britânicas, todas herdeiras – ou simples imitadoras? – da grande tradição da soul music americana.

Grandes cantoras, sem dúvida, mas seu maior mérito é o de atualizar a linguagem do estilo e entregá-lo com ares de modernidade para o grande público.

A melhor sacada dessa revitalização do soul foi, é claro, de Winehouse, que escolheu o estilo para falar de suas falidas relações amorosas e seus problemas com o álcool e as drogas. Não à toa, colheu lucros e dividendos, e hoje é uma das cantoras mais populares do mundo – mas, talvez, não exatamente por suas qualidades vocais, e sim por sua agitada e escandalosa vida pessoal.

Do outro lado do Atlântico, onde a soul music nasceu e floresceu, o panorama não é tão animador, mas há um diamante bruto que, fosse o mundo um lugar justo, destronaria todas aquelas branquelas inglesas: Sharon Jones.

Junto à banda The Dap Kings, Sharon vem gravando uma série de discos onde sua voz é parte central. Dona de uma interpretação vigorosa, em que ódio e amor convivem lado a lado, Jones carrega nas cordas vocais o peso de seus mais de 50 anos e do reconhecimento já um tanto tardio de seu talento.

O disco 100 Days, 100 Nights, lançado em 2007, é a introdução ideal ao universo de Sharon e dos Dap Kings. Pura Black Music calcada nos mestres do soul e do funk das décadas de 60 e 70, a música do grupo brilha em faixas como Answer Me, Be Easy e, principalmente, na arrasadora canção-tema, em que Sharon devaneia sobre a incomunicabilidade entre homens e mulheres, sobre uma base de metais que é como uma cama macia para seus vocais cheios de energia.

Que a pequena popularidade alcançada por esse disco se alastre. E que Jones ocupe o lugar que sua voz singular merece no panteão das grandes divas negras americanas.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Meus Discos Preferidos: Anos Sessenta


1 RevolverThe Beatles (1966)
Tudo que os Beatles gravaram é indispensável para se entender os anos 60, mas REVOLVER é o disco em que eles viraram a própria mesa e deixaram de ser uma boy band para se tornar uma banda “artística”. Todo o desbunde psicodélico que viria a seguir só foi possível porque, antes, eles gravaram canções como Eleanor Rigby, Tomorrow Never Knows, Here There And Everywhere, todas presentes em REVOLVER.
2Pet Sounds The Beach Boys (1966)
A história mais bizarra do rock: a obra-prima dos Beach Boys passou batida no seu lançamento e, de certa forma, precipitou o processo de alienação mental do genial Brian Wilson. Hoje, PET SOUNDS é reconhecido como um dos mais importantes e reverenciados discos já feitos. Sofisticado e, ao mesmo tempo, muito simples, é uma obra de beleza perene, um disco que precisa ser descoberto e redescoberto sempre.
3 Highway 61 RevisitedBob Dylan (1965)
O bardo americano já havia revolucionado – e revoltado – o mundo da música com seu disco anterior, o igualmente essencial BRINGING IT ALL BACK HOME, mas HIGHWAY 61 expande os limites e leva o folk-blues personalíssimo de Dylan a níveis inesperados. É interessante ouvir este disco e assistir, em seguida, a NÃO ESTOU LÁ, cinebiografia ultrafragmentada do mito, realizada pelo diretor Todd Haynes, para se ter uma idéia precisa do abalo sísmico causado pelo jovem Bob.
4 Let It Bleed The Rolling Stones (1969)
Os Rolling Stones atingiram a maturidade musical no ano anterior, com o excepcional BEGGAR’S BANQUET, mas a máquina turbinadíssima da dupla Jagger-Richards parecia não dar mostras de fatiga, como provou o trabalho de 1969, LET IT BLEED. Da abertura matadora com Gimme Shelter – para mim a melhor canção dos Stones –, até o encerramento grandioso de You Can’t Aways Get What You Want, o quinteto inglês dá um banho de rock, blues, country e soul, sem escorregar uma única vez. Inesquecível.
5 The Velvet Underground And Nico (1967)
Para se entender este disco é preciso esquecer todos os clichês sobre os anos 60. O Velvet colocou conceitos como “paz e amor”, “flower power” e outras utopias da época no lixo e gravou um épico sombrio sobre sexo, violência, drogas pesadas e psicoses urbanas. O resultado é perturbador até hoje. E sua influência inexorável continua se insinuando em milhares de bandas mundo afora.
6 Are You Experienced? Jimi Hendrix (1967)
O maior guitarrista de todos os tempos já debutou com um disco perfeito, cada faixa uma pequena maravilha executada com maestria. Com apenas três discos gravados, Hendrix deixou um legado imenso. Fica-se só imaginando o que teria aprontado se não tivesse morrido de maneira tão estúpida aos 27 anos.
7 The Doors (1967)
Uma das bandas mais conhecidas da época, graças em grande parte à mitificação em torno do vocalista Jim Morrison, os Doors gravaram excelentes canções, mas seus discos são um tanto desiguais. A exceção é o magnífico disco de estréia. Impregnado de uma certa mitologia californiana de liberdade ilimitada, é um disco raro em que poesia e música se casam de forma brilhante. Alusões a Sófocles, Brecht e William Blake não tornam o disco pedante, mas antes, extremamente rico e instigante.
8 Music From Big Pink The Band (1968)
É difícil escolher entre os dois primeiros discos desta banda incrível, que tocou com Bob Dylan e fez história na década de 60. Mas Music From Big Pink sobe uns poucos pontos na escala, pela presença de canções como I Shall Be Released, Wheels On Fire e The Weight. Um disco tão bom e influente que não se consegue imaginar metade do rock alternativo que se faz nos Estados Unidos hoje, sem a sua imensa sombra.
9Younger Than YesterdayThe Byrds (1967)
Outra obra capital do rock americano, Younger Than Yesterday traz os Byrds ainda em sua formação original e com seus membros no auge de sua capacidade criativa. Covers de canções de Bob Dylan convivem em harmonia com as criações próprias de Roger McGuinn, David Crosby (autor da belíssima Everybody’s Been Burned) e Chris Hillman, num disco bastante representativo de uma vertente do rock psicodélico que valorizava mais os vocais e as harmonias, em detrimento do barulho e da experimentação.
10 The Piper At The Gates Of DawnPink Floyd (1967)
O Pink Floyd do vocalista Syd Barrett tem pouco a ver com a banda que se consagraria na década de 70, com discos como Dark Side Of The Moon. Tragicamente, Barrett sucumbiria a seus próprios excessos, mas seu nome está definitivamente inscrito na história do rock, graças a essa coleção incrível de canções louquíssimas e muito, muito bonitas. Para mim, o melhor disco de rock psicodélico de todos os tempos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Essa Voz Tamanha

Intenso, emotivo e de uma fragilidade apenas aparente, o canto do excepcional vocalista Antony Hegarty tem encantado a todos que têm a chance de escutá-lo.

Sua voz, entre o masculino e o feminino, lembra, por vezes, grandes divas do soul e do jazz. Há algo de etéreo e de angelical em cada uma de suas canções.

Seu novo disco junto à banda The Johnsons não consegue superar a beleza arrepiante do trabalho anterior, I’m A Bird Now, mas o confirma como um dos mais interessantes e singulares artistas da atualidade.

The Crying Light tem instrumentação esparsa e arranjos minimalistas, mas o foco é, como sempre, a interpretação única de Hegarty. Em One Dove e Another World ele prova definitivamente que é o melhor cantor dessa nova geração.

Artistas brilhantes como Bjork, Lou Reed, Rufus Wainwright e Joan Wasser são fãs do trabalho de Antony.

Não é para menos. Quando escutamos seu dueto com o ex-vocalista do Culture Club, Boy George, na canção You Are My Sister (do disco I’m A Bird Now), é impossível não deixar a emoção vir a tona.

Que ela continue aflorando por muitos anos...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Som e a Fúria

Filmes sobre músicos tendem a ser chatos, elegíacos e superficiais. Há algumas exceções, é claro. Recentemente assisti a uma delas, a cinebiografia Control, sobre a vida do vocalista do Joy Division, Ian Curtis.

Dirigido pelo extraordinário fotógrafo holandês Anton Corbijn, Control chama a atenção, inicialmente, pelas belíssimas imagens em preto-e-branco. Mas, lentamente, o filme vai seduzindo pelo delicado retrato de seu biografado.

Corbijn não tentou mitificar Curtis. Ou pintá-lo como um poeta atormentado e inatingível. Pelo contrário, o que se vê na tela é um homem comum, com uma sensibilidade artística especial, mas com problemas de saúde graves, que acabaram por debilitar ainda mais uma personalidade já naturalmente frágil.

Do casamento precoce ao início do sucesso à frente do Joy Division, o filme vai fazendo a ponte entre a vida pessoal de Curtis e suas letras aparentemente herméticas e incompreensíveis. É nesse ponto que, para mim, Control se diferencia de outras biografias de rock. Ao invés de ficar romantizando a vida de um ídolo, Corbijn optou por nos mostrar a gênese do artista e sua evolução. E a cada música exibida no filme, vem aquele inevitável pensamento: “puxa vida, como o Joy Division era bom!”

Em sua curtíssima carreira, gravaram apenas dois discos e alguns compactos, mas, com certeza, fizeram mais pela música que muita banda consegue fazer ao longo de vinte anos. Unknow Pleasures e Closer são clássicos absolutos, discos imprescindíveis para qualquer pessoa em busca de bons sons.

No show que o New Order – banda formada por três quartos do Joy Division e que conseguiu forjar um som próprio e igualmente inesquecível – apresentou aqui em Brasília, há uns três anos, lembro-me de um cara, próximo de mim, que gritava enlouquecido toda vez que a grupo tocava alguma preciosidade do Joy (e eles tocaram três canções, se não me engano: Atmosphere, Transmission e Love Will Tear Us Apart).

Foi, certamente, para sujeitos como aquele, que Corbijn fez Control. E também para tipos como eu, que, ao contrário do outro, escutava a cada música caladinho, caladinho... Em êxtase.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Entre Tapas e Beijos

Todo mundo tem uma paixão secreta, daquelas que a gente não admite nem para nós mesmos. No meu caso, essa paixão proibida, meu guilty pleasure, é o show de calouros americano American Idol.

Há uns cinco anos, acompanho religiosamente cada nova temporada e, embora admita que o estilo da maioria dos candidatos – música pop absurdamente conservadora e convencional – não me agrade, não consigo deixar de torcer por um candidato ou outro.

Nos Estados Unidos, American Idol é um sucesso estrondoso e pelo menos dois ex-candidatos se tornaram fenômenos de venda e popularidade no país: a vencedora da primeira temporada, Kelly Clarkson e o cantor Chris Daughtry (este, apenas 4º colocado em sua temporada, o que prova que vencer não é a única maneira de se atingir o estrelato).

É curioso que a franquia foi comprada pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e não repetiu por aqui o sucesso do programa americano. Não deixa de ser um sintoma da situação em que se encontra a combalida indústria fonográfica nacional.

A mudança para a Rede Record parece não sinalizar grandes mudanças. Falta uma maior empatia com o grande público e, principalmente, falta um Simon Cowell, o juiz cínico e, por vezes, cruel, que detona aspirantes a astros. Cowel é a alma do show, a pitada de originalidade num formato que poderia ser perigosamente tedioso e insípido.

Com o mundo inteiro abismado com as qualidades vocais da britânica Susan Boyle – revelada num concurso de talentos no qual, aliás, Simon Cowell faz parte do painel de jurados -, parece que a fórmula vencedora de risos e lágrimas de American Idol está longe de perder seus seguidores.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Black Power

Dia desses, estava vasculhando as prateleiras de discos da Livraria Cultura, aqui em Brasília, quando me deparei com uma versão comemorativa de 25 anos do multiplatinado Thriller, de Michael Jackson.

Só quem viveu a loucura que foi a Jackson-mania, pode ter uma idéia do impacto que esse álbum teve no inconsciente coletivo do planeta.

Ao longo de todo o ano de 1983, ouviu-se exaustivamente a cada uma das faixas do hoje conhecido como “disco mais vendido de todos os tempos”.

Mas o grande trunfo de Michael Jackson não foi exatamente seu brilhante trabalho musical. Seu golpe de mestre e aquilo que o faria entrar, definitivamente, no panteão da música pop foram seus vídeos. Billie Jean, Beat It e Thriller, a canção, estabeleceram um padrão de vídeo musical que seria copiado repetitivamente nos anos que se seguiram.

Aqui no Brasil não existia MTV ou mesmo programas regulares de vídeos. Acho que a geração acostumada a encontrar tudo o que quer no You Tube, não consegue imaginar o que era esperar pela misericórdia da Rede Globo, que exibia semanalmente UM(!!!!!!!!!!) vídeo musical, no dominical Fantástico. Mas, ainda assim, Jackson reinou absoluto nestes tristes trópicos.

É realmente deprimente ver a figura patética na qual se tornou Michael, mas é igualmente horrível ver o estado de total decadência da música negra norte-americana. E quando falo em decadência, não estou me referindo a vendagem ou popularidade. Nesses quesitos, a música black feita nos Estados Unidos nunca esteve tão em alta. O disco mais vendido por lá, no ano passado, por exemplo, pertence ao rapper Lil Wayne.

Estou pensando, na verdade, na grande música de figuras incríveis como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Curtis Mayfield, Isaac Hayes, o elenco estelar da gravadora Motown e da Stax, enfim, toda uma geração de fantásticos cantores e músicos que fizeram os corações e as mentes das gerações dos anos 60 e 70.

Michael Jackson foi, sem dúvida, o último grande cantor soul de uma linhagem nobre de vocalistas, que se iniciou lá nos anos 50 com Ray Charles e Sam Cooke. Perceber que nem ele nem muito menos nenhum desses pálidos artistas que seguem carregando a bandeira da música negra americana conseguirá gravar um disco digno de What’s Going On, Innervisions, Back Stabbers ou mesmo Thriller é – com o perdão do trocadilho – assustador.

sábado, 25 de abril de 2009

Cinema, Livros e Outros Bálsamos

Uma das melhores coisas para quem aprecia arte é descobrir o trabalho de um artista que já está em atividade há muito ou mesmo que já tenha se aposentado ou morrido.

Estou vivendo esta espécie de love affair com um escritor chileno, precocemente falecido, Roberto Bolaño.

Bolaño é um dos grandes nomes da literatura latino-americana da segunda metade do século XX e sua obra desperta cada vez mais interesse em leitores do mundo inteiro. Seus livros são um mergulho fascinante em um universo paralelo de aspirantes a escritores, artistas frustrados, loucos, refugiados políticos e toda sorte de deserdado. Cada página de Bolaño é uma viagem incomparável, uma experiência poética e transformadora. Termina-se de ler um livro seu com a ânsia de se começar o próximo.

Vivo neste estado, igualmente, em relação ao grande cineasta espanhol e mestre do surrealismo na telona, Luis Buñuel. Na juventude, quando era estudante de artes plásticas na Universidade de Brasília (UnB), fui introduzido no universo de Buñuel por seus filmes de final de carreira e, por mais interessantes que sejam alguns deles, não conseguiram me contagiar por completo.

Recentemente, resolvi ir atrás dos filmes mais antigos do diretor, principalmente aqueles que realizou durante seu exílio no México.

A palavra genial é pequena para descrever filmes como Os Esquecidos, Nazarin e Escravos do Rancor - este último uma curiosíssima versão do clássico da literatura, O Morro dos Ventos Uivantes. Buñuel expõe, de forma brilhante, hipocrisias sociais, vícios, mesquinharias e, em última análise, a falência total das relações humanas. Não são obras exatamente fáceis, mas quando um dos garotos da obra-prima Os Esquecidos joga um ovo cru diretamente na câmera, temos a noção precisa do quão necessários e atuais ainda são.

Na música, garimpar velharias sempre foi um dos meus maiores prazeres. Grandes figuras como Stephen Stills, Gene Clark e Dennis Wilson só passaram a fazer parte da minha vida muito recentemente e hoje estão entre meus artistas preferidos.

Discos maravilhosos como White Light (Gene Clark), Pacific Ocean Blue (Dennis Wilson) e o primeiro registro solo de Stephen Stills são descobertas talvez tardias, mas, assim como os livros de Bolaño e os filmes mexicanos de Buñuel, são agora parte fundamental das minhas mais caras memórias.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

80 minutos nos anos 80

1- This Charming Man
The Smiths (Em The Smiths)
2- Are You Ready To Be Heartbroken?
Lloyd Cole & The Commotions (Em Rattlesnakes)
3- Happy When It Rains
The Jesus & Mary Chain (Em Darklands)
4- Lose My Breath
My Bloody Valentine (Em Isn't Anything)
5- I Got A Catholic Block
Sonic Youth (Em Sister)
6- Where Is My Mind
Pixies (Em Surfer Rosa)
7- I Will Dare
The Replacements (Em Let It Be)
8- Fall On Me
R.E.M. (Em Life's Rich Pageant)
9- The Killing Moon
Echo & The Bunnymen (Em Ocean Rain)
10- Cities In Dust
Siouxsie & The Banshees (Em Tinderbox)
11- Charlotte Sometimes
The Cure (Em Staring At The Sea)
12- Hollow Hills
Bauhaus (Em Mask)
13- She Sells Sactuary
The Cult (Em Love)
14- Don't Talk
10,000 Maniacs (Em In My Tribe)
15- Love Will Tear Us Apart
Joy Division (Em Substance)
16- Leave Me Alone
New Order (Em Power Corruption and Lies)
17- Bad
U2 (Em The Unforgettable Fire)
18- Everyday Is Like Sunday
Morrissey (Em Viva Hate)
19- Watching Alice
Nick Cave & The Bad Seeds (Em Tender Prey)
20- Downtown Train
Tom Waits (Em Rain Dogs)

A Rainha Não Está Morta

Rock é coisa de garoto, de gente jovem. Nenhum músico de rock começou compondo e gravando aos 40 ou 50 anos. Isso é um fato, mas também é fato que muitos músicos seguiram compondo e gravando, mesmo depois dos 20 e dos 30 anos. Afinal, quando a chama da juventude perde sua força, o que sobra para um estilo que se alimenta basicamente de rebeldia, imaturidade e algumas boas doses de loucura?

Pensei nessas bobagens ao escutar o novo disco do ex-vocalista dos lendários Smiths, Morrissey. Ao me dar conta que o sr. Stephen Patrick Morrissey já está batendo na casa dos 50, percebi, também, que eu próprio estou chegando aos 40!

Quando os Smiths lançaram seu primeiro registro, lá pelos idos de 1984, eu tinha 14 anos. Acho que nada me marcou tanto, com exceção, talvez, dos primeiros trabalhos da Legião Urbana (que, por sua vez, foi profundamente influenciada pela banda de Manchester).

Ao longo de sua irregular carreira solo, Morrissey seguiu sendo um caso especial no panorama do rock mundial, um oásis de inteligência e sensibilidade num deserto de lugares-comuns.

É quase um milagre que, no efêmero universo pop, ele tenha não só sobrevivido, mas também aumentado substancialmente o culto em torno de sua pessoa.

Seu novo disco, Years Of Refusal, é também seu trabalho mais pesado e coeso. Produzido por Jerry Finn, que havia orquestrado a obra-prima You Are The Quarry, não deve angariar novos súditos para a corte de Morrissey, mas, para os convertidos, será matéria de calorosos debates.

Desde a capa, em que Morrissey aparece segurando um bebê, Years Of Refusal é um cd que soa jovem e urgente. A voz, grandiosa em algumas canções, falha aqui e acolá, e os temas são os mesmos de sempre (afinal de contas, quando é que ele vai parar de reclamar da vida, da solidão, da falta de compreensão do universo inteiro?), mas o que realmente importa é que temos um conjunto de 12 músicas inéditas, de um dos artistas mais coerentes e íntegros dos últimos 25 anos.

Para alguém que poderia ter sido engolido por um sistema alienante e cruel (onde estão, por exemplo, Lloyd Cole, Ian McCulloch e todos os grandes vocalistas do rock inglês da década de 80?), Years Of Refusal é uma afirmação de vitalidade e relevância.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Para quem gosta de U2

A melhor música de cada disco (gosto não se discute, pessoal...):
Boy
Out Of Control
October
Tomorrow
War
Drowning Man
Under a Blood Red Sky
11 O'Clock Tick Tock
The Unforgettable Fire
Bad
The Joshua Tree
Where The Streets Have No Name
Rattle And Hum
Heartland
Achtung Baby
One
Zooropa
Lemon
Pop
Please
All That You Can't Leave Behind
Walk On
How To Dismantle An Atomic Bomb
Sometimes You Can't Make It On Your Own
No Line On The Horizon
Moment Of Surrender

A chama que não se apaga

Chamado pela revista norte-americana SPIN de coração inquebrável do rock, o grupo irlandês U2 acaba de lançar, com toda pompa e circunstância, seu novo álbum, No Line On The Horizon.

Escutei o disco com um misto de expectativa e medo, porque, sinceramente, não sei mais o que esperar de bandas longevas e de carreiras tão impressionantes como o U2.

Confesso que a primeira audição se revelou um tanto frustrante. Mas, aos pouquinhos, No Line começa a crescer no meu aparelho de som.

Isso não é exatamente uma novidade em se tratando de U2. Outros trabalhos da banda me conquistaram lentamente e, de audição em audição, acabaram se tornando discos importantíssimos para mim, daqueles que não consigo viver sem.

Foi assim, por exemplo, com All That You Can't Leave Behind e Zooropa, e até mesmo com The Joshua Tree, o disco mais popular da discografia deles.

Mas a questão que me surge, ao escutar este novo álbum, é a seguinte: qual a relevância de um cd do U2 no mundo, hoje? Sim, porque relevância sempre foi uma palavra-chave para entender o U2.

Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. nunca se viram como simples distração. O U2 carregou e sempre carregará uma imagem de "banda séria", ligada a movimentos políticos e humanitários bastante louváveis. Atualmente, Bono se empenha em chamar a atenção das nações mais ricas para a tragédia da fome e da AIDS na África.

Mesmo quando enveredaram por uma fase de auto-crítica e pseudo-decadência - período que rendeu a obra-prima Achtung Baby -, não conseguiram deixar completamente de lado um certo romantismo do tipo "o rock ainda vai salvar o mundo".

No Line On The Horizon me parece ficar num meio-termo um pouco desconfortável. Não é um disco grandioso e emocionante como War ou The Joshua Tree, tampouco um trabalho experimental na linha de Zooropa e Pop - este último, seguramente, o pior de toda carreira dos irlandeses. Faltam também canções inesquecíveis como One e Walk On.

Não que seja um disco ruim. Bono está cantando muito bem e a banda tocando melhor que nunca. Mas, quando se trata de U2, eu sempre espero não um disco que vá mudar o mundo, mas simplesmente um que mude um pouquinho minha própria vida.

Tudo bem, eles já fizeram isso tantas vezes, que acho que eu posso dar um descontinho, né?

Ah, e ninguém se espante se daqui a um ano, eu postar alguma coisa chamando este disco de maravilha para cima.

Com U2 nunca se sabe...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Música para quê?

A revista Bravo deste mês traz, em sua matéria de capa, texto assinado pelo jornalista Arthur Dapieve, no qual se especula sobre o futuro da música diante das novas tecnologias digitais.

Num mundo em que cada vez compra-se menos discos, fica a pergunta: afinal, a indústria da música vai sobreviver?

Seguramente, da forma como nós, trintões e quarentões, conhecíamos, não. A molecada entre 15 e 30 anos desaprendeu a comprar música. Ninguém mais corre para as lojas de cd - que, aliás, não existem mais - para adquirir o último trabalho de sua banda preferida. Para que, se se pode baixar tudo em questão de minutos e sem pagar um centavo?

Lógico que essa geração consome música de maneira frenética, mas tem uma relação impessoal e destituída de poesia com ela. Não é por acaso que existe toda uma galera redescobrindo o prazer físico de manusear um álbum de vinil (isso, sem falar no impacto do som, infinitamente mais encorpado e vigoroso que esses anódinos mp3 que circulam por aí).

Aparentemente, esse é um processo meio sem volta. A rede de megastores Virgin, por exemplo, fechou - ou está para fechar - uma de suas mais tradicionais lojas em Nova Iorque, a da Times Square. Quem já teve a oportunidade de conhecer, de andar por seus vastos corredores repletos de música dos quatro cantos do planeta (inclusive uma boa seção de MPB), não pode deixar de sentir uma pontada de tristeza.

Numa viagem que fiz a Nova Iorque, no final de 2006, acho que entrei nessa loja todos os 9 dias em que estive na cidade. Para mim, era como visitar um templo. Sim, porque para mim, música é religião, uma espécie de elo com o sagrado, com aquilo que existe de mais sublime e etéreo em nós.

Não creio nas previsões mais pessimistas sobre o assunto, mas, ao que parece, sobram dois caminhos: a música ou será consumida e descartada vorazmente, deixando milhares de artistas a ver navios, ou virará um artigo de luxo para uns poucos.

Afinal, é realmente uma minoria que pode se dar ao luxo de comprar uma bela reedicão em vinil, a exorbitantes 100 reais, e desfrutar 40 minutos longe desse confuso admirável mundo novo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mestres da Noruega

A vinda do A-HA este mês ao Brasil, faz reavivar um bocado a chama do pop oitentista.

O grupo, vindo da fria Noruega, é um daqueles raros casos de bandas que migraram do pop descartável para o status de cult.

Por volta de 1985, o A-HA era do tipo de grupo que despertava paixões extremas: eram amados ou odiados. Ou seja, as meninas amavam e os garotos detestavam.

Eu olhava - ou melhor dizendo, escutava - com certa desconfiança. A verdade mais pura é que eu seguia a orientação da minha bíblia da época, a revista BIZZ. Tudo que a BIZZ aprovava, eu aprovava. Se ela dizia que não prestava, eu nem chegava perto. E nenhum crítico de respeito, no Brasil de então, tolerava os agudos de Morten Harket, o vocalista galã da banda.

Porém, anos mais tarde, me cai nas mãos o segundo disco dos noruegueses, Scoundrel Days, de 1986. Paixão logo na primeira audição, o trabalho só fez crescer em afeição ao longo dos anos.
Há canções radiofônicas que beiram a perfeição, como I've Been Losing You e Cry Wolf, baladas luxuosas como Manhattan Skyline e October, e pérolas inclassificáveis como a faixa-título. É quase um "best of", de tão bom.

O álbum seguinte, Stay On These Roads, não repete o mesmo brilho de Scoundrel, mas possui algumas boas faixas. O fato puro e simples é que eles sempre foram muito competentes em criar melodias grudentas, ficando isso evidente em You Are The One e The Blood That Moves The Body.

Depois disso, eles viraram uma espécie de caricatura de si mesmos. Mas, se nos shows, eles se concentrarem nos três primeiros discos, será, sem dúvida, uma grande festa tanto para nostálgicos como para obcecados pela decada de 80.

Para Amar - ou Odiar - os Anos Oitenta

1 - Thriller - Michael Jackson (1982)
2 - Rio - Duran Duran (1982)
3 - Like a Prayer - Madonna (1989)
4 - Sing 'O' Times - Prince (1987)
5 - She's So Unusual - Cyndi Lauper (1983)
6 - Faith - George Michael (1987)
7 - Colour By Numbers - Culture Club (1983)
8 - Music For The Masses - Depeche Mode (1987)
9 - Actually - Pet Shop Boys (1987)
10 - Dare! - The Human League (1981)
11 - Private Dancer - Tina Turner (1984)
12 - Songs From The Big Chair - Tears For Fears (1985)

quinta-feira, 5 de março de 2009

That 70's Show

Sei que não param de falar de Milk- A Voz da Igualdade, o novo filme de Gus Van Sant, portanto não vou me demorar em analisá-lo. Quem viu já sabe que é um retrato tocante de um personagem ímpar, um homem que viveu pouco, mas que fez muito por uma causa ainda sem grandes defensores. E que, infelizmente, caminha a passos de tartaruga.

Mas, como o assunto aqui é música, estou falando de Milk por um aspecto que talvez não chame a atenção de muita gente: a recriação dos míticos anos 70.

Eu era criança quando Harvey Milk iniciou sua luta, mas essa década se gravou na minha alma de maneira indelével. Talvez porque tenha sido na infância que surgiram as primeiras paixões musicais.

A trilha sonora lá de casa era Roberto Carlos (e isso, naquela época, ainda significava boa música), mas rolava também muito Elton John, trilha sonora de novela e um boa dose da genuína música brega made in the 70's.

Quando eu comecei a forjar meu gosto musical, essa foi a década a qual eu quis voltar com mais ansiedade. E cada faceta que eu ia descobrindo me deixava mais maravilhado.

Não existem anos mais ricos, do ponto de vista da música pop e do rock. Obviamente que os anos 60, com seu ideário de liberdade e romantismo psicodélico, são incríveis, mas foi a década seguinte que efetivamente expandiu todas as possibilidades abertas na louca década dos Beatles e dos Stones.

Se formos pensar bem, os anos 70 foram excepcionais, inclusive, para nossa MPB. Enquanto a porrada comia solta nas prisões da ditadura militar, Caetano, Gil, Chico, Tim Maia e Jorge Ben soltaram seus discos mais inovadores e marcantes.

Nos Estados Unidos, foi a década do soul politizado de Marvin Gaye, Curtis Mayfield e Stevie Wonder; do surgimento dos cantores-autores como Carole King, James Taylor e Jackson Browne; do aparecimento da disco e do punk em Nova Iorque; e do brilho criativo de Neil Young, que lançou 4 obras-primas só entre 70 e 75.

Da Inglaterra, vieram movimentos igualmente marcantes como o glam rock de T-Rex, Mott, The Hoople e David Bowie; o heavy metal do Black Sabbath e do Deep Purple; o rock progressivo do Yes e do Pink Floyd. Isso sem falar no som mastodôntico do Led Zeppelin, possivelmente a banda definitiva de rock.

Fora do eixo USA-UK, despontaram grandes novidades, especialmente o KRAUT Rock alemão - do Kraftwerk e Can-, o reggae na Jamaica e a descoberta dos ricos ritmos latinos e africanos.

Para quem quer se iniciar nesses anos mágicos, segue uma listinha com os discos mais influentes e marcantes do período:
Dark Side Of The Moon - Pink Floyd (1973)
Led Zeppelin IV - Led Zeppelin (1971)
After The Gold Rush - Neil Young (1970)
Hunky Dory - David Bowie (1971)
Ramones - The Ramones (1977)
London Calling - The Clash (1979)
Horses - Patti Smith (1975)
Exodus - Bob Marley (1977)
Trans-Europe Express - Kraftwerk (1977)
What's Going On - Marvin Gaye (1971)
Marquee Moon - Television (1977)
Unknown Pleasures - Joy Division (1979)
Paranoid - Black Sabbath (1970)
For Your Pleasure - Roxy Music (1971)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Hermanos

Nunca entendi plenamente a ausência de lançamentos de pop rock cantado em espanhol por aqui. Teoricamente, seria até mais fácil - pela proximidade tanto do idioma quanto por questões geográficas e políticas -, que artistas e bandas latinos se infiltrassem no mercado brasileiro do que os gringos de língua inglesa. Mas, na prática, a história é bem outra.

Eu mesmo só fui entrar em contato com o ótimo pop que se faz no restante de nosso continente, por meio de um canal de vídeos, o HTV. Infelizmente, nenhuma rede de TV paga o veicula mais, o que torna ainda mais difícil saber das novidades que surgem na Argentina, Peru, Colômbia, México etc.

Quem conseguir se despir de seus preconceitos, vai descobrir que existe bem mais que Shakira e Ricky Martin. Aliás, gostaria muito de entender porque todo mundo acha que a música cantada em espanhol é necessariamente brega e melosa. Talvez seja culpa da indústria, que nos empurrou tipos como Julio Iglesias e Luis Miguel durante anos. Vai saber...

O fato é que o dano já esta feito. E só com muita boa vontade e um bocado de paciência para pesquisa é que se vai descobrindo os pequenos tesouros espalhados por toda América Latina.

Eu gosto especialmente do rock feito na Argentina e México.

A Argentina é a terra de Babasonicos, Soda Stereo, La Mosca, Bersuit, Leo García, entre tantos outros.

O disco Jessico, do Babasonicos, tem uma sofisticação sonora e uma compreensão tão abrangente da música pop das últimas décadas, que chega a espantar. Honestamente, consigo pensar em poucas bandas brasucas que tenham gravado um álbum tão rico.

Outro disco incrível é Mar, de Leo García, um protegido do ex-vocalista do Soda Stereo, Gustavo Cerati. Passeando com a mesma desenvoltura tanto pela música eletrônica quanto pelo mais puro folk, García nos brinda com momentos do mais puro gênio pop. Escute a emblemática Morrissey, pequeno hino gay composto em homenagem ao bardo de Manchester, e tente resistir.

O México até que é um pouco mais bem servido por aqui. Gosto particularmente do trabalho de Julieta Venegas, que teve seu último cd, MTV Unplugged, lançado em 2007.

Para quem quer investigar um pouco mais longe, vale dar uma checada nos sons vindos da Espanha.

La Oreja de Van Gogh e El Canto Del Loco são um ótimo começo. Embora basicamente façam uma reciclagem do indie rock feito na Inglaterra, é interessante ver como o estilo sofre pequenas e deliciosas modificações, sobretudo na sensível poesia que perpassa a música do Oreja. Escutar uma canção como La Playa e não se emocionar profundamente, é como assistir a um filme de Carlos Saura e não sair de alma lavada.